O grande salão do castelo estava preparado para uma das reuniões mais importantes do reino. As paredes de pedra, adornadas com tapeçarias ricamente bordadas, reluziam à luz suave dos candelabros, mas apesar do cenário grandioso, o ar estava pesado de tensão. A visita dos nobres de outros reinos não era motivo de celebração, mas de preocupação. Cada um deles trazia consigo interesses, ambições e, possivelmente, segundas intenções.
Estela, vestida em seu manto real, estava sentada no trono ao lado de seu irmão, Carlos, que parecia tão tenso quanto ela. A recente descoberta da traição de Alaric havia abalado a confiança de todos. Agora, com os olhos de reinos vizinhos voltados para eles, cada palavra dita e cada gesto feito precisava ser cuidadosamente calculado.
Os primeiros nobres a entrarem foram da Terra de Varn, uma região ao norte conhecida por suas alianças estratégicas e políticas. Lorde Alastair, um homem de meia-idade com uma barba bem cuidada, liderava o grupo. Seu rosto exibia uma expressão fria e calculista.
“Majestades,” Alastair disse com uma leve reverência. “É uma honra estar aqui, mesmo em tempos tão... complicados.”
“Lorde Alastair,” Estela respondeu com um sorriso diplomático. “A honra é nossa em recebê-lo. Espero que possamos discutir a situação atual com abertura e entendimento mútuo.”
“Certamente,” ele disse, mas seus olhos mostravam que havia muito mais em jogo. Ele não estava ali apenas para discutir a paz.
Logo após ele, chegaram os representantes de Velham, um reino ao oeste, liderados pela Dama Seraphina, uma mulher conhecida por sua beleza e astúcia. Seraphina entrou com um sorriso encantador, mas Estela sabia que por trás daquele charme estava uma mente perigosa.
“Rainha Estela,” Seraphina saudou, inclinando-se ligeiramente. “É sempre um prazer visitar seu reino. A última vez foi para uma celebração, se não me engano. Lamentavelmente, as circunstâncias são bem diferentes agora.”
Estela inclinou a cabeça, mantendo a compostura. “Sim, tempos difíceis para todos nós. No entanto, é exatamente nesses tempos que alianças se mostram mais valiosas.”
Seraphina sorriu, seus olhos faiscando de interesse. “Alianças, de fato. Precisamos fortalecê-las... ou reconsiderá-las, dependendo da situação.”
As palavras de Seraphina fizeram o coração de Estela bater mais rápido. Cada nobre naquela sala parecia estar testando as águas, medindo as fraquezas e forças do reino. A rainha sabia que o futuro das alianças do reino dependia de como ela e Carlos lidariam com essa reunião.
Assim que todos os nobres estavam acomodados, Carlos se levantou, assumindo a liderança da discussão. Sua voz soou firme, mas Estela podia sentir a tensão em cada palavra.
“Estamos cientes de que os tempos atuais exigem atenção especial às nossas fronteiras e às nossas alianças. As Sombras estão se aproximando, e rumores de conflitos internos estão se espalhando. O reino precisa da cooperação de todos vocês para garantir que permaneçamos fortes e unidos.”
Lorde Alastair foi o primeiro a responder. “Majestade, entendemos sua preocupação. No entanto, há rumores de que o reino está enfrentando... instabilidades internas. É difícil para nós garantir o apoio completo sem saber a extensão real dos problemas.”
Carlos estreitou os olhos, mas manteve o tom controlado. “Estamos resolvendo qualquer instabilidade interna. Traidores foram identificados e punidos. A lealdade do reino permanece intacta.”
Dama Seraphina aproveitou a deixa para intervir. “Sabemos que seu conselheiro, Lorde Alaric, foi acusado de traição recentemente. Uma notícia alarmante, devo dizer. Isso levanta uma questão importante: quantos mais dentro de seu reino podem estar conspirando?”
Estela sentiu um frio percorrer sua espinha. Seraphina estava cutucando uma ferida aberta, e ela sabia que isso era uma provocação disfarçada. Estela, no entanto, não podia permitir que a dúvida se espalhasse entre os nobres.
“A traição de Alaric foi uma exceção, não a regra,” ela disse, interrompendo o fluxo de Seraphina. “A situação foi controlada rapidamente, e não há indícios de outras conspirações internas. Nosso reino continua firme.”
Seraphina sorriu de forma enigmática. “Fico aliviada em ouvir isso, Majestade. Afinal, um reino dividido é um reino vulnerável, e, bem... vulnerabilidades são exploradas por aqueles que têm menos escrúpulos.”
Lorde Alastair assentiu em concordância. “Precisamos saber que nossas alianças com este reino não estão em risco. Se sua força está comprometida, podemos precisar reconsiderar nossos compromissos militares. Afinal, as Sombras não estão ameaçando apenas vocês, mas todos nós.”
Carlos deu um passo à frente, sua voz mais firme desta vez. “O reino não está enfraquecido. Nossa capacidade militar permanece forte, e estamos preparados para enfrentar as Sombras e qualquer outro inimigo que ameace nossa paz.”
Estela, querendo acalmar a situação antes que ela fugisse de controle, interveio. “Estamos aqui hoje para reforçar nossas alianças, não para duvidar delas. Sabemos que os tempos são difíceis, mas é exatamente por isso que devemos trabalhar juntos. As Sombras são uma ameaça para todos nós. Se permanecermos unidos, seremos inabaláveis.”
Os nobres pareceram considerar suas palavras por um momento. A tensão na sala era palpável, e cada um estava medindo o que tinha a ganhar ou a perder.
Foi então que Lorde Cedric, um nobre mais jovem de um reino menor, conhecido por sua lealdade às causas justas, levantou-se para falar. “Rainha Estela, Príncipe Carlos, acredito que vocês estão certos. Precisamos nos unir. As Sombras não farão distinção entre nossos reinos se forem vitoriosas. Proponho que, em vez de discutir nossas fraquezas, reforcemos nossa força combinada. Que possamos formar uma frente unida contra o verdadeiro inimigo.”
Estela sorriu internamente. Cedric sempre foi um aliado valioso, e suas palavras, sem dúvida, ajudariam a suavizar a reunião.
“Concordo plenamente,” disse Estela, com um sorriso. “Se pudermos contar com o apoio de todos vocês, nossas forças serão inabaláveis. O que propomos é uma aliança que não apenas nos proteja das Sombras, mas que também solidifique a paz entre nossos reinos.”
Seraphina parecia prestes a protestar, mas Lorde Alastair falou antes que ela pudesse. “Propostas de aliança são sempre bem-vindas, especialmente em tempos de crise. No entanto, precisamos de garantias. Garantias de que o seu reino pode sustentar essas promessas.”
Carlos, mantendo o olhar firme, respondeu: “Vocês terão suas garantias. Nos próximos dias, enviaremos relatórios detalhados sobre nossas forças militares e os planos para lidar com as Sombras. Vocês verão que não estamos enfraquecidos. Esta reunião marca o início de uma nova era de cooperação entre nossos reinos.”
Os nobres assentiram, alguns ainda com ceticismo nos olhos, mas era claro que as palavras de Carlos e Estela haviam acalmado, pelo menos momentaneamente, as tensões. As discussões continuaram em um tom mais moderado, com cada nobre trazendo suas preocupações e propostas, mas agora com uma sensação renovada de cooperação.
Quando a reunião finalmente terminou, e os nobres começaram a se retirar, Estela e Carlos trocaram um olhar de alívio. Sabiam que essa aliança era apenas o começo de uma longa batalha para manter o reino seguro e unido.
“Isso foi mais difícil do que eu esperava,” Carlos murmurou para sua irmã.
Estela suspirou, exausta, mas satisfeita. “Foi apenas o começo. Agora precisamos garantir que todas essas promessas se mantenham. O futuro do reino depende disso.”
Enquanto os últimos nobres saíam do salão, Estela sabia que, embora uma batalha tivesse sido vencida ali, muitas outras, tanto internas quanto externas, ainda estavam por vir.
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Atualizado até capítulo 50
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