O salão principal do castelo estava mais vibrante do que nunca naquela noite. Lustres de cristal pendiam do teto, lançando uma luz suave que refletia nas paredes adornadas com tapeçarias ricas. O som de risadas e conversas ecoava por todo o espaço, enquanto nobres de reinos próximos e distantes dançavam ao som de música melodiosa. O evento que prometia ser uma noite de celebração e política escondia, nas sombras, segredos e intenções perigosas.
Era o tão esperado Baile de Máscaras.
Estela estava no topo das escadarias que davam para o salão, observando a multidão abaixo. A visão era deslumbrante, todos os convidados trajavam vestes exuberantes, e as máscaras, que escondiam suas identidades, apenas acrescentavam à atmosfera de mistério. Por um instante, ela sentiu o desejo de se perder naqueles sorrisos desconhecidos, de esquecer suas preocupações e apenas dançar sob o anonimato que a máscara proporcionava. Mas a realidade de seus problemas estava sempre presente, lembrando-a de que aquele baile tinha outros propósitos.
— Pronta? — A voz de Carlos soou ao seu lado, interrompendo seus pensamentos.
Estela se virou para ele, que estava impecavelmente vestido, com uma máscara negra que cobria metade de seu rosto. Ele tinha o olhar sério, como sempre, embora uma leve ansiedade fosse perceptível.
— Tão pronta quanto posso estar — respondeu Estela, ajustando sua máscara de prata, que deixava apenas seus olhos à mostra. — E você? Tem alguma novidade sobre os nossos "convidados especiais"?
Carlos suspirou, cruzando os braços. — Todos os nobres estão aqui, mas a maioria está escondendo algo. Ouvi rumores sobre alianças que estão se formando, possivelmente contra o reino. Mas o mais preocupante é que Seraphina trouxe alguns de seus aliados mais poderosos, e eles não vieram para dançar.
Estela assentiu. Ela sabia que aquela noite não seria apenas diversão. As intrigas políticas e as ameaças veladas eram tão parte do baile quanto as músicas e os vestidos luxuosos.
— Fique de olho nela — disse Estela, firmemente. — Não podemos deixar que algo aconteça esta noite sem estarmos preparados.
Carlos deu um leve aceno e começou a descer as escadas em direção aos convidados. Estela o observou por um momento, depois respirou fundo e, por fim, desceu também, misturando-se à multidão mascarada.
A cada passo, ela sentia olhares sobre ela, alguns curiosos, outros julgadores. Como rainha, sua presença sempre chamava a atenção, mesmo quando coberta por uma máscara. Mas naquela noite, ela sabia que havia mais do que apenas interesse nos rostos escondidos ao seu redor. Havia suspeita. Havia medo. E, talvez, conspirações.
Enquanto cruzava o salão, um par de mãos puxou-a suavemente para o centro da pista de dança. Estela olhou para cima, surpresa, e encontrou-se encarando os olhos familiares de Elias, mesmo sob sua máscara de couro escuro.
— Sua Majestade — ele disse com um leve sorriso, inclinando a cabeça de forma teatral. — Posso ter esta dança?
Estela não pôde deixar de sorrir em resposta, uma sensação de alívio e emoção se espalhando por ela. Mesmo com todas as ameaças ao seu redor, Elias era uma constante que ela começava a confiar cada vez mais. Com um leve aceno, ela aceitou sua mão, e os dois começaram a dançar no ritmo da música que enchia o salão.
— Achei que não fosse vê-lo esta noite — comentou ela, baixando a voz para não ser ouvida por outros.
— Não poderia deixar de vir — Elias respondeu, aproximando-a um pouco mais. — Ainda mais sabendo o quanto você detesta esses eventos. Pensei que poderia lhe fazer companhia.
Ela soltou uma risada suave. — Agradeço por isso. Mas tenho certeza de que há mais do que uma dança em sua mente.
Elias sorriu, seus olhos cintilando por trás da máscara. — Talvez. Este baile está cheio de mistérios... e perigos.
— Já ouvi rumores — disse Estela, olhando ao redor enquanto eles giravam pela pista. — Carlos mencionou Seraphina e seus aliados. Há algo que você descobriu?
Elias a girou novamente antes de responder, a expressão mais séria agora. — Alguns dos nobres que estão aqui hoje fazem parte de uma aliança maior, algo que está se formando nas sombras. Eles planejam mais do que apenas discussões políticas. Há quem fale sobre tomar o poder à força.
Estela apertou a mão de Elias um pouco mais forte, tentando controlar a raiva que começava a crescer. — Eles ousariam trair o reino?
— Alguns estão desesperados — ele respondeu calmamente. — E o desespero leva a decisões perigosas.
Antes que Estela pudesse responder, um som distinto cortou o ar — o som de vidro quebrando. Ela se virou rapidamente na direção do barulho e viu uma confusão de máscaras e vestidos se aglomerando no canto do salão. Pessoas murmuravam, e havia uma clara tensão no ar.
— O que está acontecendo? — sussurrou ela.
Elias olhou para a multidão, seus olhos estreitos. — Algo está errado. Fique perto de mim.
Eles começaram a se mover em direção ao tumulto, tentando ver o que havia causado o alvoroço. No meio da multidão, uma figura caída no chão, uma taça de vinho quebrada ao lado. Seraphina estava entre os espectadores, seu rosto mascarado revelando pouco, mas seus olhos brilhavam com um ar de satisfação.
— Estela — Elias sussurrou, segurando-a pelo braço com mais força. — Isso pode ser uma distração.
— Eu sei — ela respondeu, olhando ao redor. — Há algo mais acontecendo.
Estela sentiu a atmosfera no salão mudar drasticamente. O calor do baile agora parecia sufocante, e havia um sentimento de perigo iminente pairando no ar. Mesmo enquanto os guardas se aproximavam para cuidar da confusão, ela sabia que a verdadeira ameaça estava em outro lugar.
— Precisamos sair daqui — Elias disse com urgência. — Se eles estão planejando algo, provavelmente vai acontecer agora.
Estela assentiu, mas antes que pudessem dar mais um passo, uma figura alta e imponente bloqueou seu caminho. A máscara dourada que a pessoa usava reluzia à luz das tochas, e o sorriso predador que a figura exibia era inconfundível.
— Ora, ora, a nossa querida rainha — a voz de Seraphina soou, doce como veneno. — Parece que esta noite está se tornando mais interessante do que o esperado.
Elias imediatamente deu um passo à frente, protegendo Estela com o corpo, mas Seraphina apenas riu, erguendo as mãos em um gesto de rendição.
— Não há necessidade de alvoroço, Elias. Vim apenas para cumprimentar Sua Majestade. — Ela inclinou a cabeça levemente, suas palavras impregnadas de sarcasmo.
Estela respirou fundo, encontrando forças para enfrentar Seraphina de frente. — O que você realmente quer, Seraphina? Sabemos que você não veio aqui para dançar.
Os olhos de Seraphina brilharam por trás da máscara. — Ah, Estela... sempre tão direta. O que eu quero é simples: poder. E esta noite é apenas o começo de uma longa disputa pelo controle deste reino.
Estela estreitou os olhos, sentindo o peso das palavras de Seraphina. Sabia que aquela noite era mais do que um baile — era um campo de batalha disfarçado de festa. E a dança das máscaras estava apenas começando.
— Fique longe de mim e do meu reino — Estela disse, sua voz firme e autoritária. — Não permitirei que você destrua o que minha família construiu.
Seraphina riu novamente, um som gélido e calculado. — Veremos, querida rainha. Veremos.
Com essas palavras, ela se afastou, desaparecendo na multidão, deixando para trás uma sensação de perigo palpável.
Elias olhou para Estela, seus olhos preocupados. — Precisamos agir rápido. Essa noite ainda não acabou.
Estela concordou. A dança das máscaras havia começado, mas ela estava determinada a não ser apenas uma jogadora nesse jogo de poder.
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Atualizado até capítulo 50
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