Carlos estava diante da lareira em seu gabinete, observando as chamas dançarem enquanto sua mente fervilhava com pensamentos sobre o reino. O encontro com os nobres e as descobertas recentes sobre a traição de Alaric haviam abalado sua confiança no círculo de conselheiros e aliados. No entanto, ele sabia que, para proteger Estela e o reino, precisaria jogar o jogo político com maestria. Não havia espaço para erros.
Ao seu lado, Estela estava sentada, ainda refletindo sobre as visões que tinha tido recentemente. O diário da mãe era uma peça importante no quebra-cabeça, mas agora, com Carlos focado nas alianças e na política, a ameaça interna também exigia atenção.
— Carlos, não podemos ignorar o que está acontecendo nas sombras — ela disse, rompendo o silêncio. — As Sombras estão se movendo, e algo dentro do castelo não está certo. Precisamos estar prontos para lidar com isso antes que seja tarde demais.
Carlos suspirou, sem tirar os olhos do fogo. — Eu sei, Estela. Mas não podemos lidar com uma ameaça externa enquanto o próprio reino está rachando por dentro. Alguns nobres estão testando nossas fraquezas, e precisamos consolidar o poder antes que tentem se aproveitar dessa situação.
— E como pretende fazer isso? — ela perguntou, franzindo a testa.
Carlos se virou para encará-la, sua expressão severa. — Precisamos manipulá-los. Ganhar o apoio dos mais influentes e isolar os mais traiçoeiros. É o único caminho. Se os nobres sentirem que estamos divididos ou fracos, vão se voltar contra nós.
Antes que Estela pudesse responder, uma batida na porta interrompeu a conversa. Carlos se aproximou para abrir, revelando Lorde Cedric, um dos poucos nobres com quem ele ainda confiava plenamente.
— Majestades, espero não estar interrompendo — Cedric disse, inclinando a cabeça em saudação. — Mas eu pensei que vocês deveriam saber que alguns dos nobres estão se reunindo em segredo. Há rumores de que Seraphina está organizando essas reuniões para minar seu poder, Carlos.
Carlos franziu o cenho. Seraphina sempre havia sido astuta, mas vê-la organizando algo tão descarado o deixava em alerta. Ele gesticulou para que Cedric entrasse.
— Cedric, preciso da sua ajuda — Carlos disse. — Estamos cientes de que alguns estão questionando nossa liderança, mas quero sua percepção. Quem está ao lado de Seraphina?
Cedric cruzou os braços, pensativo. — Além de Seraphina, Lorde Alastair também tem estado particularmente inquieto. Ele sempre foi ambicioso, e com a recente traição de Alaric, parece que ele está ansioso para explorar as brechas no reino. Além disso, ouvi dizer que outros nobres menores estão sendo influenciados por ela, promessas de novas alianças e ganhos pessoais.
Estela, ouvindo a conversa, se inclinou para frente, intrigada. — E como você sugere que lidemos com isso, Cedric? Não podemos simplesmente confrontá-los. Isso apenas confirmaria que estamos em uma posição de fraqueza.
Cedric assentiu. — Exato, Majestade. O confronto direto seria um erro. Precisamos ser sutis. Manipular a situação para que pareça que eles estão do nosso lado, mesmo que não estejam. Ganhar o apoio daqueles que ainda estão indecisos, antes que Seraphina o faça.
Carlos olhou para Cedric com gratidão. — Concordo. Mas não podemos ser passivos. Precisamos de uma estratégia que mostre força sem levantar suspeitas. Algo que demonstre que estamos no controle.
Ele começou a caminhar de um lado para o outro, pensando rapidamente. — Organizaremos um banquete. Algo grandioso. Todos os nobres serão convidados, mas faremos com que pareça uma celebração da união do reino contra as Sombras. Com isso, exporemos aqueles que ainda hesitam em se aliar a nós.
— E se Seraphina usar o banquete como palco para suas manobras? — perguntou Estela, preocupada. — Ela é perigosa, Carlos. Não subestime suas habilidades.
Carlos sorriu, confiante. — Ela pode tentar, mas não vai prever o que estamos planejando. No banquete, faremos alianças públicas com os nobres que já sabemos que estão do nosso lado. Isolaremos Seraphina e Alastair sem que percebam. Se jogarmos bem, eles se verão cercados e sem alternativas.
Cedric inclinou a cabeça em aprovação. — Parece um bom plano, Majestade. E posso ajudá-lo a identificar os nobres que estão abertos à sua liderança. Podemos reforçar os laços com eles discretamente antes do evento.
Estela observava o entusiasmo de Carlos crescer, mas seu coração ainda estava inquieto. O jogo do poder era perigoso, e ela sabia que uma única jogada errada poderia desmoronar tudo o que estavam tentando proteger.
— Carlos, quero estar ao seu lado durante o banquete. — Sua voz era firme, e Carlos olhou para ela com surpresa.
— Estela, você já tem muito com o que se preocupar. As Sombras, as visões… eu posso lidar com a política.
— Não, Carlos. Isso é sobre nós dois. O reino precisa ver que estamos unidos, que somos uma frente sólida. Além disso, eu sinto que, de alguma forma, esses jogos de poder estão ligados às Sombras. Quanto mais descobrimos sobre nossos aliados e inimigos, mais perto chegamos de entender o verdadeiro perigo que enfrentamos.
Carlos hesitou por um momento, mas então assentiu. — Muito bem. Se é isso que quer, estaremos juntos nessa. Mas tome cuidado. Seraphina e Alastair são implacáveis.
Cedric fez uma leve reverência antes de se despedir. — Majestades, deixarei os preparativos para vocês. Estarei à disposição para qualquer outra informação que precisem. — Ele saiu, fechando a porta atrás de si.
Carlos voltou a se sentar, exausto, mas determinado. — Agora só precisamos organizar esse banquete. Mas não podemos dar um passo em falso. Seraphina pode ser perigosa, mas se jogarmos nossas cartas com inteligência, ela cairá em sua própria armadilha.
Estela olhou para o irmão, preocupada com o peso que ele estava carregando. Mesmo assim, sabia que Carlos estava certo. A política, o poder, as alianças – tudo estava conectado de maneira intricada, e qualquer erro poderia ser fatal.
— Precisamos de um aliado inesperado, alguém que possa desequilibrar as forças de Seraphina — sugeriu ela. — Alguém de fora do círculo usual, que ela não conseguiria prever.
Carlos a olhou com interesse. — Você tem alguém em mente?
Estela pensou por um momento, e um nome veio à sua mente. — Lady Mira. Sei que você não confia totalmente nela, mas é exatamente por isso que ela pode ser útil. Se jogarmos com inteligência, poderíamos fazê-la acreditar que ela tem algo a ganhar se apoiar nossa causa.
Carlos franziu o cenho, claramente desconfiado. — Lady Mira tem suas próprias ambições. Não confio nela, mas talvez você tenha razão. Precisamos de todas as cartas que pudermos colocar na mesa.
O plano estava em andamento. O jogo do poder começaria no banquete, e com isso, a verdadeira batalha pela sobrevivência do reino. Estela e Carlos sabiam que a cada passo, estariam caminhando em uma linha tênue entre controle e caos, entre aliados e inimigos.
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Atualizado até capítulo 50
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