O sol da manhã mal havia nascido quando Estela recebeu um chamado urgente de seu conselheiro mais fiel, Lorde Adrian. Ele nunca a incomodava a essa hora, a menos que fosse algo de extrema importância. Estela, ainda vestida com sua camisola de seda, vestiu rapidamente um manto e saiu de seus aposentos em direção à sala do conselho.
Ao chegar, encontrou Lorde Adrian já à sua espera, com uma expressão severa no rosto. Ele estava de pé, perto da grande mesa de mármore, onde mapas do reino e documentos importantes estavam sempre dispostos. Seu olhar estava fixo em um pergaminho aberto em sua mão, e Estela podia ver que ele estava profundamente preocupado.
“Majestade,” disse ele, curvando-se respeitosamente assim que ela entrou na sala. “Precisamos conversar. Imediatamente.”
“Qual é a urgência, Lorde Adrian?” perguntou Estela, sentindo uma pontada de inquietação. Ela sabia que Adrian nunca exagerava. Algo grave estava acontecendo.
Adrian entregou a ela o pergaminho que segurava. “Recebi isso esta manhã, através de um mensageiro secreto. Parece que algumas alianças estão sendo formadas... sem o seu conhecimento.”
Estela tomou o pergaminho e começou a ler. À medida que seus olhos percorriam o texto, o sangue em suas veias parecia esfriar. A mensagem falava de uma aliança entre dois nobres poderosos de regiões vizinhas — uma aliança selada com sangue, algo antigo e extremamente sério no mundo da política. Eles estavam negociando poder e territórios, com o intuito de fortalecer suas posições no reino, ignorando completamente sua autoridade como rainha.
“Isso é... uma traição,” Estela murmurou, os dedos apertando o pergaminho com força.
“Sim,” Adrian respondeu, a voz baixa, mas firme. “E temo que isso seja apenas o começo. Se esses nobres estão fazendo acordos às escondidas, outros podem estar envolvidos. Se não agirmos rapidamente, você poderá perder o controle sobre o reino.”
Estela caminhou até a janela, o coração batendo descontroladamente. Ela tinha lutado tanto para manter a estabilidade após a morte de seus pais, e agora, parecia que sua posição estava sendo corroída de dentro. “Quem são os responsáveis?” perguntou ela, sem tirar os olhos do horizonte.
Adrian hesitou antes de responder. “Os principais envolvidos são Lorde Harlan, do norte, e Lady Valeria, do sul. Eles sempre foram ambiciosos, mas até agora, nunca ousaram desafiar diretamente o trono.”
“E por que agora? O que os fez tomar essa decisão de formar uma aliança às minhas costas?” Estela virou-se para encarar Adrian, a fúria queimando em seus olhos.
“Majestade, os tempos estão incertos. Há rumores de que o reino está vulnerável, especialmente com as Sombras crescendo nas fronteiras. Eles podem ver isso como uma oportunidade de ganhar poder, ou, pior ainda, podem estar buscando garantir suas próprias proteções em caso de um colapso.”
Estela respirou fundo, tentando conter a raiva. Ela sabia que perder o controle agora só daria vantagem a seus inimigos. “Não posso permitir que isso continue. Se essa aliança for formalizada, será um golpe fatal para o trono.”
Adrian assentiu. “Concordo, Majestade. Mas precisamos agir com cuidado. Se expormos essa traição sem uma estratégia clara, outros nobres podem se aliar a eles. Precisamos de provas contundentes, e também de aliados fortes.”
“Aliados...” Estela murmurou, voltando a olhar pela janela. A ideia de confiar em alguém agora parecia arriscada, mas ela sabia que, sozinha, não poderia combater essa ameaça. “O que você sugere?”
Lorde Adrian se aproximou da mesa, desenrolando um mapa do reino. “Há alguns lordes e senhores que ainda são leais ao trono, mas eles precisam de um motivo para permanecerem do nosso lado. Precisamos oferecer algo que lhes dê segurança e os mantenha firmemente ao seu lado.”
“E o que seria?” Estela perguntou, franzindo a testa. “O que poderia convencê-los a não se juntarem aos traidores?”
Adrian olhou para ela com seriedade. “Majestade, uma aliança de sangue é a única coisa que iguala o que Lorde Harlan e Lady Valeria fizeram. É um pacto sagrado, impossível de ser quebrado sem grandes consequências. Se você formar sua própria aliança, com os lordes certos, poderá virar a maré a seu favor.”
Estela ponderou sobre as palavras de seu conselheiro. Uma aliança de sangue era uma decisão extrema, mas talvez fosse a única maneira de manter o controle sobre seu reino. No entanto, isso significaria fazer promessas profundas e possivelmente sacrificar parte de sua própria autonomia.
“Se eu fizer isso, estarei comprometendo minha liberdade,” disse ela, com a voz baixa. “Serão aliados, mas também me prenderão com seus interesses.”
Adrian assentiu. “Sim, mas neste momento, é uma questão de sobrevivência. Com o pacto certo, você não apenas evitará a destruição do reino, mas também garantirá que tenha a força necessária para combater as Sombras e outras ameaças.”
Estela apertou os punhos. A ideia de ser forçada a alianças sem seu consentimento a enojava, mas ela sabia que a política real raramente lhe dava a liberdade de agir como queria. “Precisamos ser rápidos. Quem são os mais leais? E quais alianças devemos formar?”
Antes que Adrian pudesse responder, a porta da sala se abriu, e Carlos entrou apressadamente, o rosto pálido e preocupado.
“Estela,” ele começou, sem cerimônia. “Recebi uma carta de Lorde Harlan. Ele me propôs uma aliança também. Algo que... não mencionava você.”
Estela olhou fixamente para o irmão. “O quê? Ele ousou tentar negociar diretamente com você, sem passar por mim?”
Carlos assentiu, e seus olhos mostravam a mesma fúria que os de Estela. “Sim. Ele quer que eu aceite uma proposta para casar com sua filha, em troca de apoio militar e terras no norte. Eu recusei, obviamente. Mas isso significa que ele está tentando dividir-nos.”
Estela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Lorde Harlan estava jogando um jogo perigoso, tentando minar o trono por todos os lados. Se ele conseguia dividir os dois herdeiros do reino, seria o fim.
“Isso confirma que eles estão agindo às nossas costas,” disse Adrian, severamente. “Estão tentando enfraquecer sua posição, Majestade, jogando com alianças separadas.”
Estela caminhou até Carlos, seus olhos brilhando com determinação. “Nós não vamos deixar isso acontecer. Vamos formar nossas próprias alianças, mas desta vez, com aliados em quem podemos confiar. E juntos, vamos impedir que esses traidores tomem o que é nosso por direito.”
Carlos assentiu. “Estou com você, Estela. Vamos lutar pelo nosso reino.”
Ela colocou a mão no ombro do irmão. “Então está decidido. Faremos nossa própria aliança de sangue. Mas desta vez, faremos com que todos saibam que a verdadeira força ainda reside no trono.”
Lorde Adrian sorriu levemente, sentindo o peso da decisão que haviam tomado. “Majestade, Príncipe Carlos... juntos, vocês são imbatíveis. E eu estarei ao seu lado, em cada passo.”
Estela assentiu, sentindo a pressão do momento. O futuro de seu reino estava em jogo, e agora ela sabia que precisaria jogar de maneira implacável para garantir sua vitória. O sangue selaria as alianças, mas a força de sua liderança era o que realmente definiria o destino de todos.
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Atualizado até capítulo 50
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