O sol estava forte, refletindo no espelho d’água da piscina e jogando faíscas em cada canto do clube. Eu respirei fundo, deixando o calor bater direto na pele. Zau tinha insistido tanto que eu precisava de um dia de folga, que acabei aceitando. Mas, enquanto tentava me acomodar na espreguiçadeira, o peso das últimas semanas parecia estar ali também, me apertando, como se um pedaço do escritório tivesse vindo junto. Trabalho até no fim de semana – o que é pior, mentalmente. Pensar em Suraya me consumia, cada segundo. Mas, só por hoje, me esforcei em deixar tudo isso pra trás.
Zau, deitada ao meu lado, era o retrato da tranquilidade, com seu biquíni chamativo e óculos escuros que quase cobriam o rosto. E ela parecia, de fato, viver o momento. Ao seu lado, Rafael se exibia como sempre, ainda mais sem camisa, fazendo poses para mostrar o físico como se fosse personagem de revista. E claro, ele trouxe Eduardo, o amigo inconveniente que eu já tinha visto na balada. Respirei fundo quando ele lançou aquele sorriso insistente na minha direção.
— “Relaxa, Ayana! É dia de descanso, não de dor de cabeça,” Zau disse, jogando a cabeça pra trás com uma risada despreocupada.
— “Pra você, talvez, né?” eu rebati com um riso leve, olhando em volta.
A piscina estava rodeada de um verde vibrante, e a grama ao redor parecia convidativa. O cheiro de protetor solar misturado ao do churrasco que alguém fazia ali perto, as risadas das crianças e o som da água... por um momento, aquilo tudo me fez esquecer o peso que carregava. Mas só por um momento.
Eu peguei o drink que Zau me oferecia e brindamos.
— “Aos advogados que ousam tirar um dia de folga,” Zau brincou.
— “Às advogadas que precisam de férias, mas se contentam com uma piscininha,” respondi, rindo.
Eduardo veio chegando e deu aquele sorriso meio intrometido.
— “Aproveitando o sol, Ayana?” ele perguntou, com aquele jeito meio invasivo.
Eu forcei um sorriso e respondi educadamente, enquanto me voltava para Zau e fingia interesse em qualquer coisa, menos nele. Mas então, um grupo do outro lado da piscina chamou minha atenção. Era sério isso?
Joseph Stive estava lá, relaxado, rindo com os amigos. Ele usava óculos escuros, bermuda e um sorriso que eu nunca tinha visto no escritório. Diferente do Joseph contido e até seco, ele estava ali, leve. Quando ele percebeu meu olhar, fez um aceno curto com a cabeça, e eu fiz o possível para manter a expressão neutra, mas Zau não perdoou.
— “Ah, agora eu entendi por que você aceitou o convite, hein, dona Ayana!” ela disse com um sorriso safado.
— “Ah, Zau, larga mão! Ele só é… Stive,” murmurei, desviando o olhar, mas me peguei, de novo, olhando para ele. Tinha algo estranho em vê-lo ali, fora da zona habitual. Algo que eu não conseguia definir, mas que me pegava de surpresa.
Enquanto tentava entender aquele meu interesse por ele, Joseph se aproximou e parou ao nosso lado com aquele sorriso debochado.
— “Montenegro, dia de folga? Achei que você fosse um ser inteiramente do escritório, sem lugar pra diversão,” ele disse, provocando.
— “Stive, olha quem fala! Você, na piscina, rindo… me belisca, acho que tô sonhando,” respondi, cruzando os braços e olhando pra ele com um ar desafiador.
Ele deu uma risada curta.
— “Quem diria? Você sabe ser engraçada fora do escritório.”
Antes que eu pudesse responder, Zau cutucou:
— “Joseph, aproveita e chama a Ayana pra dar um mergulho, porque eu nunca vi alguém tão tensa na vida!”
Joseph sorriu com um ar desafiador e me olhou como se estivesse considerando a sugestão.
— “Vem, Montenegro. Ou tá com medo da água?” ele provocou, lançando aquele sorriso cínico.
Eu levantei o queixo e ri.
— “Medo? De você, Stive? Vai sonhando.”
Com isso, fui até a borda da piscina e me preparei pra entrar, sentindo aquele misto de excitação e tensão. Quando a água gelada tocou minha pele, um arrepio percorreu meu corpo, uma sensação de renovação. Mas aí, Joseph entrou na piscina e fez questão de me espirrar água no rosto, rindo.
— “Sério? Essa é sua definição de maturidade?” perguntei, tentando segurar o riso.
— “Ah, Montenegro, você gosta, vai. Dá pra ver na sua cara,” ele respondeu, com um brilho divertido nos olhos.
Eu não quis responder, mas senti uma onda estranha, uma mistura de irritação e atração. Não podia negar que ele estava me desafiando, e por alguma razão, isso mexia comigo de uma maneira diferente. A conversa estava descontraída e divertida, até eu notar Julian se aproximando pela borda da piscina. Ele me olhou com aquele sorriso que eu conhecia bem demais, e senti uma pontada de desconforto.
— “Ayana, surpresa te ver curtindo a piscina,” ele comentou, forçando uma intimidade que eu já não sentia.
Joseph ergueu a sobrancelha e me olhou de canto, percebendo a tensão. Eu suspirei e resolvi não me aprofundar na conversa, mas Julian não dava sinais de desistir.
— “A gente devia marcar algo, que tal?” ele sugeriu, com aquele ar de quem acha que a resposta já é um sim.
Antes que eu pudesse responder, Joseph interrompeu, com uma expressão que misturava ironia e diversão.
— “Olha, Julian, a Ayana tá muito ocupada lidando com as provocações de um colega de faculdade hoje. Deixa pra próxima, né?” ele disse, lançando um sorriso que desarmou completamente Julian, que acabou dando uma desculpa e se afastando.
Eu suspirei, aliviada, mas ao mesmo tempo confusa. Esse “salvamento” do Joseph só complicava ainda mais as coisas. Ele me olhou, claramente satisfeito com a saída de Julian, e me lançou um olhar provocador.
— “Viu só, Montenegro? Nem sempre a gente precisa lidar com os problemas sozinha.”
— “Não me interprete mal, Stive. Eu sei lidar muito bem com meus problemas. Mas obrigada… dessa vez,” falei, tentando não sorrir.
Zau, claro, não perdeu nada do que aconteceu e começou a rir, fazendo uma careta de quem sabia de tudo.
— “E esse capítulo, hein, Ayana? Tô achando que você vai ter história pra contar no escritório.”
Eu ri, tentando disfarçar o que se passava na minha cabeça, mas sabia que tinha algo ali que eu não entendia totalmente. O dia estava acabando, e o peso do mundo voltava a cair. Mas, naquele instante, debaixo do sol e com aquela confusão de sentimentos, senti algo raro: eu não estava sozinha.
— “Bom, Montenegro, acho que já vimos de tudo por hoje,” ele diz, com um sorriso malicioso. “Que tal sairmos antes que a piscina vire cena de novela?”
Eu rio, aliviada pela intervenção, e resolvo seguir o conselho. Subo da piscina com ele, deixando Julian com seu sorriso sem graça e suas memórias do “passado perfeito”.
Quando voltamos para as espreguiçadeiras, Zau percebe o “clima” e dá risada. — “Acho que essa piscina teve mais emoção que o escritório essa semana, hein?”
Reviro os olhos, mas sorrio, aliviada por ter pessoas como Zau e até o Joseph ao meu lado.
O dia, que era pra ser leve, virou uma bagunça de emoções que eu tentava compreender. Será que a sombra do que eu sentia por Joseph estava se transformando em algo mais?
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Atualizado até capítulo 67
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