Depois de um dia cheio, nada como sair e espairecer com as amigas. Zau praticamente me arrastou para esse bar. A gente tinha planejado uma noite entre meninas fazia tempo, e eu finalmente cedi. “Hoje não tem faculdade, nem estágio, nem casos. Só diversão”, foi o que ela disse enquanto me puxava pela mão e ria da minha cara cansada.
O bar, chamado *Oásis Urbano*, fica em uma das ruas mais badaladas da cidade, com luzes de neon, música ao vivo, e um movimento frenético que só Valeriam sabe ter. Assim que a gente entra, o som de risadas e conversas altas me envolve, e admito: é bom estar longe dos livros, dos tribunais simulados, e das provocações do Joseph.
— Eu te disse que ia ser bom pra você! — diz Zau, me lançando um sorriso largo enquanto escolhemos uma mesa.
Junto com a gente estão Natália e Mila, duas amigas da faculdade que sempre fazem parte das nossas aventuras. Natália é aquela pessoa com quem você ri até a barriga doer, e Mila é a conselheira amorosa do grupo. O barulho é tanto que mal consigo ouvir meus próprios pensamentos, mas acho que é exatamente disso que eu preciso. Só de olhar a animação delas, sinto a tensão começar a se dissolver.
— E então, Ayana, vai beber alguma coisa forte hoje? — Mila me pergunta, com um sorriso provocador.
— Eu tava pensando em algo leve — respondo, mas antes que eu possa decidir, Zau já tá chamando o garçom e pedindo uma rodada de mojitos pra todas.
— Essa aqui é pra gente brindar a todas as vitórias e derrotas do último mês! — Zau declara, erguendo o copo quando o garçom traz as bebidas. — E, claro, a todos os babacas que tivemos que aturar.
Eu rio e ergo meu copo, brindando junto com elas. As primeiras horas passam tranquilas, cheias de risadas e histórias do dia a dia, mas como sempre acontece em qualquer grupo de amigas, a conversa começa a migrar pra temas mais pessoais.
— Ok, agora, assunto sério! — Natália exclama, ajeitando o cabelo e nos encarando. — Alguém aqui tá precisando de um conselho amoroso? Porque se tem uma coisa que a gente é boa, é em resolver a vida amorosa uma da outra, né?
Mila me lança um olhar cúmplice, porque sabe que é minha vida amorosa que, geralmente, vira tema das conversas. Tento mudar de assunto, mas Zau não deixa barato.
— Vai, Yana. Conta aí se tá rolando alguma coisa com aquele Joseph do estágio. Todo mundo sabe que ele não tira os olhos de você.
— Ah, sério, Zau? — retruco, revirando os olhos. — Não tem nada com o Joseph. Ele é só… sei lá, irritante. E competitivo. Prefiro manter distância.
— Claro, “distância” é exatamente o que vocês dois têm — Natália ri, piscando pra mim. — Só que não. Dá pra sentir a tensão de longe, Yana.
— Tensão de irritação, quem sabe — resmungo, tentando disfarçar o incômodo que só eu entendo.
— Tá bom, mas ele é bonitão, vai. E um pouco de competição não faz mal pra ninguém — Mila comenta, levantando o copo pra mim como se fosse um brinde.
Dou uma risada curta e tento desviar o assunto para outra pessoa, mas, antes que eu consiga, noto um rosto familiar do outro lado do bar. Meu coração dá um pequeno salto e, antes que eu consiga me conter, comento:
— Olha quem tá aqui... Julian Lopes.
As garotas se viram na direção que eu tô olhando, e Natália abre um sorriso cheio de entusiasmo.
— Julian? Ele mesmo? Seu ex? O advogado super sério?
— Ele mesmo. E, pelo jeito, ele tá com os amigos — comento, fingindo despreocupação.
Julian era meu ex-namorado. A gente teve algo sério durante o primeiro ano da faculdade, mas as coisas se desgastaram. No começo, achei que tinha encontrado alguém que entendesse a minha ambição e que compartilhasse dos meus sonhos, mas, com o tempo, percebi que a gente era mais diferente do que eu pensava. Julian sempre foi focado, mas de um jeito que, às vezes, parecia que nada mais importava além da carreira.
— Tá esperando o quê? Vai lá falar com ele! — Natália me cutuca, me incentivando a sair da mesa.
— Nem pensar — rebato, rindo. — A última coisa que eu quero é reviver essa história.
— Ai, Yana, larga de ser séria — diz Zau, me empurrando levemente. — É só uma conversa. Quem sabe vocês não encerram as coisas numa boa?
Antes que eu consiga inventar uma desculpa, noto que Julian também me viu. Ele acena e começa a caminhar na nossa direção, com aquele sorriso simpático de sempre.
— Droga, ele tá vindo — murmuro, ajeitando o cabelo e tentando parecer despreocupada.
Julian para ao lado da mesa, cumprimentando a todas com um sorriso educado, mas o olhar dele se fixa em mim. Ele parece mais maduro, mais confiante, mas ainda é o mesmo Julian de sempre.
— Ayana, quanto tempo! Como você tá? — ele pergunta, parecendo realmente interessado.
— Bem... tô indo bem, trabalhando e estudando bastante — respondo, tentando soar casual. — E você? Continua na mesma firma?
— Sim, sim. Firmado na área civil. Não é fácil, mas acho que você entende como é a pressão, né? — ele responde, com aquele ar de quem sempre se leva muito a sério.
A conversa fica um pouco tensa, mas ele logo puxa uma cadeira e se senta, começando a falar sobre os desafios da advocacia. As meninas ao meu lado trocam olhares curiosos, e Zau tenta manter o clima leve.
— E aí, Julian, conta pra gente: a Yana ainda consegue te irritar só com aquele olhar mortal dela? — Zau brinca, arrancando risadas de Natália e Mila.
— Ah, não me fala — ele ri, desviando o olhar pra mim, um pouco constrangido. — A Ayana sempre foi... determinada, pra dizer o mínimo.
Eu rio, tentando não pensar muito no passado, mas não demora pra que uma sensação estranha tome conta de mim. Julian continua falando, mas percebo que ele ainda é o mesmo: focado, mas de um jeito frio. A mesma seriedade que fez a gente se afastar.
Depois de um tempo, ele se despede pra voltar pro grupo de amigos, e as meninas começam a me interrogar assim que ele sai.
— Então... — Natália começa, com um sorriso de quem não vai deixar passar nada. — E aí, Yana? Rola alguma faísca ainda?
— Faísca? — solto uma risada curta. — Nem um fósforo. Ele é o mesmo Julian de sempre: dedicado, sério... até demais.
— Ah, mas sério e bonitão, vai. — Mila ri, me cutucando. — Não vou mentir, eu dava uma chance.
— Então, fica à vontade — brinco, piscando pra ela. — Mas, sério, ele é passado. Hoje, prefiro focar em gente que me entenda de verdade.
— Tipo o Joseph? — Zau comenta com um sorriso malicioso.
— Deus, não! — exclamo, e as garotas caem na risada. — Vocês realmente não entendem.
Mas, enquanto elas continuam brincando, percebo que talvez eu também não entenda totalmente o efeito que o Joseph tem em mim. Em parte, ele me tira do sério, mas, ao mesmo tempo, a maneira como ele me desafia é diferente de qualquer outra pessoa. Isso fica martelando na minha cabeça enquanto as meninas pedem outra rodada e a noite segue entre risos e histórias.
Depois de mais um tempo, quando já estamos no terceiro mojito, Zau propõe que a gente faça uma rodada de verdades.
— Verdades entre amigas? — questiono, rindo. — Certeza que isso é uma boa ideia?
— Confia, Yana. Não vamos pegar leve — Zau responde, rindo.
Mila começa:
— Ok, pergunta rápida: Ayana, seu maior arrependimento amoroso?
Eu suspiro, já que não tenho como escapar da pergunta.
— Meu maior arrependimento? Talvez ter me envolvido tão cedo com Julian. Não que ele tenha sido um erro, mas foi um aprendizado, sabe? Foi como perceber que eu preciso de alguém que entenda o que eu sou e o que eu quero de verdade.
As meninas trocam olhares de aprovação, e eu sinto um pouco de alívio por desabafar. A noite segue assim, cheia de confissões e verdades, e cada uma de nós parece tirar um peso dos ombros.
No final, enquanto a música ao vivo toca um clássico da MPB, me pego sorrindo sozinha. Sinto
que esses momentos com elas, onde posso deixar a seriedade e o peso da vida pra trás, são raros, mas preciosos. E é nesses momentos que percebo que, apesar de tudo, não estou sozinha.
As meninas e eu rimos mais uma vez, brindamos e cantamos o refrão da música, como se o bar fosse só nosso. Naquela noite, pelo menos, nada mais importa além de estar aqui, presente, com as pessoas que realmente importam.
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Atualizado até capítulo 67
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