Capítulo 19

O contato foi impulsivo, uma mistura de raiva, frustração e algo que Ansel não conseguia definir completamente. Seus lábios encontraram os de Edgar e, por um breve momento, o mundo exterior desapareceu. No entanto, o beijo não teve o calor nem a paixão que Ansel esperava. Foi um ato carregado de confusão, uma necessidade desesperada de preencher o vazio que Emmett havia deixado.

Edgar correspondeu ao beijo, mas com uma frieza calculada. Quando finalmente se separaram, Edgar sorriu, embora não com a mesma arrogância de antes. Agora sua expressão era mais tranquila, mas Ansel podia sentir que algo havia mudado entre eles, e não tinha certeza se era para melhor.

—Sabia que você acabaria entendendo — disse Edgar em voz baixa, suas palavras envolvendo Ansel como um lembrete do que ele acabara de fazer.

Ansel não respondeu imediatamente. Seus pensamentos estavam confusos e, por mais que tentasse, não conseguia parar de se perguntar o que aquele beijo significava. Era realmente o que ele queria? Ou havia sido apenas uma reação impulsiva à sua dor por Emmett?

Enquanto saía do carro e caminhava em direção à sua casa, Ansel sentiu as dúvidas começarem a invadir sua mente. Edgar o observou do banco do motorista, esperando algum sinal do que viria a seguir, mas Ansel não disse mais nada. Simplesmente desapareceu atrás da porta de sua casa, deixando-o com uma sensação agridoce no peito.

Ansel subiu direto para seu quarto e, com uma mistura de desespero e confusão, se trancou. Sentado na beira da cama, seus pensamentos o golpeavam com força, como ondas que não cessavam. O que havia acontecido naquela noite o perseguia: ele tinha visto Emmett com outro e, sem nem mesmo lhe dar a chance de se explicar, buscou consolo em alguém que mal conhecia. O que ele havia feito? Beijou Edgar e aceitou ir além da amizade, quebrando a promessa que havia feito a Emmett. Tudo por um momento de fraqueza e ciúme.

O ar no quarto parecia pesado, quase irrespirável. Ele passou as mãos pelo rosto, tentando acalmar a avalanche de emoções que o invadia. Ciúmes, traição, confusão… era como se sua mente não conseguisse encontrar um momento de paz. Edgar lhe oferecia o que ele sempre desejou com Emmett: um relacionamento público, encontros nos quais poderiam andar de mãos dadas sem medo, mesmo que tudo fosse mentira. Mas era realmente isso que ele queria? O beijo com Edgar não havia lhe provocado as mesmas emoções que um toque acidental de Emmett, mas ele não podia negar que havia despertado algo. Não amor, nem paixão… mas uma adrenalina perigosa, a emoção de estar fazendo algo proibido.

A culpa corroía seu peito. Ele se deixou cair para trás na cama e olhou para o teto, desejando que as sombras pudessem levar tudo embora. Fechou os olhos, lembrando a sensação dos lábios de Edgar. Não era comparável ao calor que sentia quando estava com Emmett, mas havia lhe dado uma falsa ilusão de controle. Ele se sentia traído por Emmett, substituído… E agora, se perguntava se ele mesmo era o traidor.

Com um suspiro trêmulo, ele se levantou. Queria se livrar daquela sensação de sujeira, de ter feito algo irreversível. Entrou no banheiro e se despiu sob a água quente, deixando que as gotas escorressem por sua pele como se pudessem lavar sua consciência. Quando saiu, vestindo apenas um roupão e roupa íntima, ficou imóvel em frente ao espelho por um momento, observando-se. Era incapaz de se reconhecer em seu próprio reflexo.

Sentou-se na beira da cama, seu olhar perdido na escuridão do quarto. O silêncio era ensurdecedor, mas de alguma forma, lhe oferecia consolo. Não queria pensar no que havia feito, no que viria depois, mas seus pensamentos continuavam voltando para Emmett. Para o sorriso daquele garoto ao seu lado, para a forma como eles se aproximavam como se fossem algo mais do que simples amigos. Sentia que seu coração se partia novamente cada vez que aquela imagem voltava à sua mente.

Algumas batidas suaves na janela o assustaram, tirando-o de seus devaneios. Ele se levantou com o coração acelerado, não querendo acreditar no que já sabia. Abriu a cortina lentamente e lá estava ele, como outras vezes, Emmett, sorrindo para ele. O mundo de Ansel parou por um segundo ao vê-lo. Seu coração deu um salto violento, mas não era só emoção, também era culpa, dor, uma mistura de sentimentos que o sufocavam.

Queria ignorá-lo, fechar a janela e fingir que não o havia visto, mas sabia que Emmett não iria embora. E a última coisa que desejava era que ocorresse um acidente por sua imprudência. Com uma mistura de raiva e desespero, abriu a janela, deixando que o ar frio da noite invadisse seu quarto.

—Você devia parar de subir por aí — murmurou, tentando soar firme, mas sua voz mal conseguiu ocultar o tremor de suas emoções. Queria reclamar, queria exigir explicações, mas antes que pudesse dizer algo mais, Emmett o envolveu em seus braços e o puxou para si, enterrando o rosto na curva de seu pescoço.

—An, senti sua falta. Sinto muito… por favor, me perdoe — a voz de Emmett era apenas um sussurro, mas o impacto de suas palavras foi devastador. Ansel sentiu suas defesas ruírem imediatamente.

O calor do corpo de Emmett, o hálito quente em seu pescoço, tudo era familiar demais, doloroso demais. Fechou os olhos, tentando conter as lágrimas que ameaçavam escapar. A culpa o envolvia como um cobertor pesado. Havia beijado Edgar, havia aceitado sua proposta e agora, Emmett estava ali, arrependido, buscando seu perdão. E ele… ele havia falhado, havia quebrado sua promessa.

—Tudo bem — murmurou Ansel, mal tendo consciência de suas próprias palavras, enquanto levantava lentamente as mãos para corresponder ao abraço.

—Não, não está tudo bem — Emmett se afastou um pouco, o suficiente para poder olhá-lo nos olhos. Segurou seu rosto com ambas as mãos e Ansel pôde ver a tristeza e o desespero em seu olhar. — Eu fui um idiota. Te deixei sem uma explicação porque estava com raiva… agi como um idiota, e não deveria ter feito isso. Você não merecia isso.

As lágrimas que Ansel estava contendo finalmente romperam a barreira, deslizando por suas bochechas. Cada palavra de Emmett o fazia sentir como se estivesse lhe confessando uma infidelidade, embora não tivesse se passado muito tempo, embora o que havia feito com Edgar não tivesse sido de verdade. Não conseguia parar de pensar que enquanto ele estava se beijando com outro, Emmett provavelmente procurava as palavras para lhe pedir perdão.

Emmett notou as lágrimas imediatamente, e sua expressão mudou para uma mistura de dor e culpa. Com o polegar, limpou as gotas que caíam pelo rosto de Ansel e então, com uma ternura inesperada, beijou suavemente cada um de seus olhos úmidos.

—Não chore, An. Isso foi culpa minha, tudo. Eu fui um idiota. Me perdoa, por favor — a voz de Emmett era suplicante, carregada de remorso.

Ele o abraçou novamente, com mais força, como se temesse que Ansel pudesse desaparecer a qualquer momento. Ansel, por sua vez, não pôde evitar chorar mais intensamente, a dor o dilacerando. Queria dizer a ele que não era culpa de Emmett, que era ele quem havia falhado, que havia quebrado sua promessa. Mas o medo o paralisava. Tinha medo que, se contasse a verdade, Emmett o odiaria, e isso era o que menos podia suportar. Emmett sempre havia sido claro em uma coisa: odiava mentiras.

—Eu não te culpo — conseguiu murmurar finalmente, sua voz embargada e a garganta seca. — Eu… eu te perdoo, Emmett.

Escondeu o rosto no peito do amigo, tentando ocultar o peso de suas mentiras. O aroma familiar de Emmett o envolveu e, por um momento, desejou que tudo pudesse voltar a ser como antes.

—Você é bom demais para mim, An. É por isso que eu gosto tanto de você. Eu gosto de você mais do que você pensa — as palavras de Emmett o surpreenderam e o rosto de Ansel corou imediatamente. Mas ele sabia que aquele “eu gosto de você” só podia significar afeto fraternal, algo que o feria mais do que admitia.

—Eu também gosto de você — respondeu Ansel em voz baixa, deixando que seus verdadeiros sentimentos ficassem escondidos atrás daquelas palavras.

—An… — a voz de Emmett se tornou suave, quase um sussurro, e o ambiente no quarto se carregou de uma intimidade palpável. As mãos de Emmett rodearam o rosto de Ansel novamente, aproximando-se lentamente, até que suas respirações se misturaram. — Eu quero te beijar, posso?

O coração de Ansel disparou e, por um momento, o mundo deixou de existir. Levantou os braços e os enlaçou no pescoço de Emmett, um leve sorriso curvou seus lábios enquanto se aproximava até que seus narizes se roçassem.

—Pode.

E naquele instante, todo o resto deixou de importar.

****************

Eu não queria escrever algo tão dramático, essa história deveria ser feliz e sem muitos problemas (⁠。⁠ŏ⁠﹏⁠ŏ⁠) mas agora chegamos a um ponto sem volta.

Mais populares

Comments

Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

Estou sem palavras ...🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭

2024-12-30

0

Maria Da paz

Maria Da paz

que ódio do Ansel ele traiu o Emmet e agora não quer falar a verdade😠 mais está história tá muito boa 😊

2024-12-12

1

Gabriela Fonseca

Gabriela Fonseca

Que história maravilhosa

2024-11-15

2

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!