Capítulo 7

Emmett apertou levemente o pescoço do amigo, fazendo com que Ansel soltasse um pequeno gemido e se contorcesse no assento. Ele gostava de vê-lo assim, tão indefeso sob seu controle.

—Emmett... —murmurou Ansel, agarrando-se à gola da camisa do amigo, os olhos ainda fechados.

As mãos de Emmett estavam frias, e o formigamento que Ansel sentia começou a se espalhar rapidamente para lugares que não devia. O toque suave de Emmett desceu por seu braço até chegar à sua cintura, seus movimentos lentos, quase deliberados, intensificavam cada sensação, fazendo Ansel perder o pouco autocontrole que lhe restava.

Um sorriso de satisfação adornou o rosto perfeito de Emmett ao ver como Ansel mordia seu lábio inferior, agarrando-se a ele com mais força. Sem parar, deslizou a mão um pouco mais para baixo, introduzindo-a sob a camisa de Ansel. A pele quente e macia lhe causou um leve formigamento nos dedos. Ao beliscar a cintura de Ansel, sentiu como seu amigo tremia em seus braços.

—Chega... —jadejou Ansel ao sentir a mão de Emmett percorrendo suas costas e cintura sem restrição alguma—. Estamos no cinema, Emmett.

Mas Emmett não prestou atenção. A mão que estivera imóvel atrás do pescoço de Ansel se moveu, puxando seu cabelo castanho para trás. Ansel abriu os olhos surpreso, encontrando-se com o olhar intenso de Emmett. Os olhos azuis de seu amigo brilhavam com uma mistura de desejo e determinação.

O rosto de Emmett estava tão perto que Ansel pôde ver-se refletido em seus olhos. Seu próprio rosto estava corado, com uma mistura de desejo e anseio evidente. Mas não lhe importava como Emmett o via naquele momento; só pensava em voltar a provar seus lábios, em perder-se no calor de sua língua.

—An... —sussurrou Emmett, movendo seus lábios apenas sobre os de Ansel sem chegar a beijá-lo por completo. Esticou o lábio inferior de Ansel com seus dentes antes de chupá-lo com força, provocando que Ansel afundasse os dedos em seu ombro.

—Emmett... —jadejou Ansel, seus olhos brilhando com uma mistura de emoção e vulnerabilidade. Ver seu amigo tão submisso, com a respiração entrecortada, fez com que o pomo de Adão de Emmett rodasse nervosamente.

Emmett estava à beira de perder o controle por completo e beijar Ansel como tanto desejava, mas naquele momento as luzes do cinema se acenderam bruscamente, tirando-os de seu transe. Ambos se separaram de imediato. Ansel rapidamente ajeitou a camisa e Emmett tomou um longo gole de seu refrigerante, tentando recuperar a calma.

—Vamos, Ansel —disse Emmett depois de terminar o meio litro que restava em seu copo. Ansel assentiu em silêncio e se levantou. Ambos caminharam em direção à saída sem dizer uma palavra, o ar entre eles carregado de tensão. Ansel caminhava com o olhar fixo no chão, suas mãos apertadas nervosamente à sua frente. Tomou uma golfada de ar, disposto a falar.

—Emmett...

—Você se importa se voltar sozinho? —interrompeu Emmett, parando no meio do corredor—. É que eu me lembrei que marquei de me encontrar com o Alex para comprar umas coisas, e já estou atrasado.

Ansel mordeu o lábio e levantou o olhar. Emmett segurava o pescoço e olhava para outro lado, claramente evitando contato visual. A desculpa que havia dado soava tão absurda que nem ele mesmo parecia acreditar. Naquele instante, Ansel se sentiu um idiota.

—Então... tchau.

Sem esperar uma resposta, se afastou quase correndo, com os olhos ardendo pelas lágrimas que ameaçavam transbordar.

—Você é um idiota, Ansel, um maldito idiota —murmurava enquanto corria entre a multidão.

Antes, quando estavam na escuridão da sala de cinema, sentiu que Emmett o desejava tanto quanto ele. Com a pouca luz da tela, pôde ver o brilho do desejo no rosto do amigo. As mãos de Emmett o acariciavam e apertavam sua pele, como se quisessem ir além daqueles beijos ardentes.

Pensou, equivocadamente, que ao menos o via como um possível parceiro. No entanto, agora que Emmett havia mentido para poder se afastar, todos os seus sentimentos foram esmagados e jogados em um vazio do qual não queria deixá-los sair nunca. Ansiava por acorrentar aquele amor estúpido que o enlouquecia e mantê-lo em uma jaula de desinteresse, até que com o tempo e, quem sabe, a chegada de uma nova pessoa em sua vida, morresse.

Suas mãos tremiam de impotência e seus olhos já estavam úmidos pelas lágrimas que começavam a brotar. Não podia culpar Emmett por sua dor. Afinal, foi ele quem decidiu continuar o ajudando, e embora sua mente lhe pedisse para se afastar, seu coração o guiava pelo caminho do sofrimento, uma senda que estava disposto a percorrer sem se importar se o levaria a um belo paraíso ou a um inferno horrível.

Levantou o olhar, embaçado pelas lágrimas, e divisou um banco distante. Era noite, e as pessoas começavam a diminuir nas ruas, o que lhe era um alívio; não queria que ninguém o visse chorar. Caminhou sem muito ânimo até o banco e se deixou cair no metal frio, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.

Eles se conheciam desde crianças. Haviam entrado juntos no jardim de infância, começaram a andar quase ao mesmo tempo, e até celebraram alguns aniversários no mesmo dia. Na infância, prometeram ficar juntos para sempre, e mesmo naqueles jogos infantis juraram ser padrinhos dos casamentos um do outro. Mas ele havia se apaixonado, e provavelmente seria o único a ver Emmett caminhando até o altar, de mãos dadas com uma linda mulher.

Não era sua intenção amar o amigo daquela maneira. Nunca pensou que se apaixonaria por ele tão tola e perdidamente. Talvez fosse porque Emmett lhe dava mais atenção do que aos outros, ou talvez aqueles lindos olhos, tão azuis quanto o mar, o tivessem cativado, afogando-se irremediavelmente neles. Nem mesmo ele sabia quando ou como aconteceu, mas já não havia volta, e era isso o que mais lhe doía.

Agora que Emmett o havia ignorado e procurava uma maneira de se afastar com uma desculpa absurda, era apenas uma pequena amostra do que poderia acontecer se um dia confessasse seus sentimentos. Ansel soltou uma gargalhada sarcástica para si mesmo, enquanto as lágrimas corriam mais intensamente por seu rosto.

—Ei! —um grito forte o fez se incorporar de repente no banco. Olhou para a origem da voz e se deparou com um rapaz loiro, alto, com o cabelo um pouco comprido até os ombros, preso em um meio rabo de cavalo. O cara deu dois passos desajeitados em sua direção, levantando a mão em que segurava uma garrafa de uísque—. Partiram seu coração? —o desconhecido se sentou ao seu lado e Ansel franziu a testa—. O amor é uma merda, não é?

—É —respondeu, voltando à sua postura anterior—. E é pior quando não é correspondido e você se ilude sozinho, porque na sua mente você já até se casou com a pessoa, adotaram um cachorro e têm uma gata persa presunçosa que se chama Nia. —Ansel esboçou um sorriso impotente, surpreso por estar falando de seus problemas amorosos com um desconhecido bêbado.

O rapaz terminou a garrafa e olhou para Ansel fixamente por um longo tempo. Quando Ansel começava a se sentir desconfortável e pensava em ir embora, o cara falou de novo, seu hálito de álcool o atingindo em cheio no rosto.

—Me perdoa —disse entre soluços—, fui um babaca, mas eu te amo.

Ansel se surpreendeu com suas palavras e quis recuar, mas o cara o impediu, agarrando-o com força pelo rosto.

—De verdade, me perdoa, eu não quis te trair.

Diante dessas palavras, Ansel revirou os olhos. Este imbecil havia sido infiel e agora estava bêbado pedindo perdão para a pessoa errada. Sentiu uma leve satisfação ao vê-lo assim. Não sabia nada sobre a outra pessoa, mas os infiéis são sempre uns canalhas.

—Bom, se você foi infiel, você merece sofrer.

—Eu sei, eu sei, mas eu não quero me separar de você. Foi ele quem me beijou e quem me embebedou. Eu não quis. Eu te amo, eu juro. Leo, por favor, me perdoa.

Antes que Ansel pudesse dizer uma palavra, o cara se lançou sobre ele e o beijou à força. Os braços do desconhecido o rodearam com força e sua boca se movia com demanda sobre a sua. Não foi até que Ansel lhe desse uma joelhada que o soltou. Ao tentar beijá-lo de novo, Ansel lhe deu um soco no rosto.

—Agora eu entendo porque te largaram, seu babaca de merda —Ansel se levantou, limpou a boca com a mão e cuspiu no chão. Estava prestes a gritar com o cara, mas antes que pudesse fazê-lo, o viu cair no chão, inconsciente—. Ei, acorda, você não pode ficar aqui —o cutucou com o pé, mas o desconhecido apenas murmurou o nome de Leo, pedindo perdão—. Sei que vou me arrepender, mas não posso te deixar aqui.

Soltou um longo suspiro e, com esforço, o levantou até colocá-lo de pé. Estavam no centro da cidade e havia vários hotéis por perto. Apesar de estar enojado pelo beijo forçado, não podia deixá-lo jogado na rua, e entendia que a culpa era do álcool.

—Que falta de sorte a minha. No mesmo dia que sou rejeitado indiretamente, um babaca desconhecido me beija —murmurava enquanto arrastava o cara sem o menor cuidado.

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Comments

Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

Eita... 😢😢😢😢😢😢😢😢😢😢❤️😢😢

2024-12-29

0

Little monster

Little monster

Saco, na melhor parte???

2024-12-12

1

𝙹𝚎𝚜𝚞𝚜 ᰔᩚᰔᩚ

𝙹𝚎𝚜𝚞𝚜 ᰔᩚᰔᩚ

aff. 😒

2024-11-29

1

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