Capítulo 12

—Claro que te ajudarei — disse Evan, dando-lhe um tapinha nas costas, notando como a sua própria ansiedade se dissipava ao ver Ansel tomar uma decisão —. Mas antes de qualquer coisa, precisamos de um plano. Não podemos avançar sem uma estratégia. Você tem alguma ideia de como poderíamos fazer isso?

Ansel franzia a testa, pensativo. Sabia que se não fizesse certo, tudo poderia dar errado, e a última coisa que queria era perder Emmett, mesmo como amigo. Mordiscava o lábio, procurando uma resposta em sua mente.

— Não sei — admitiu finalmente —. Nunca fui bom nessas coisas. A única coisa que sei é que preciso saber se Emmett realmente sente algo por mim ou se só me vê como um acessório em sua vida.

— Isso é a primeira coisa que precisamos descobrir — disse Evan, seriamente —. Você não pode continuar com essa dúvida corroendo por dentro. Não é saudável.

Ansel assentiu lentamente, sabendo que seu amigo tinha razão. A incerteza o estava desgastando, e o que mais temia era que, se continuasse ignorando seus sentimentos, acabaria completamente destroçado.

— Bem, então façamos algo sutil no início — sugeriu Evan —. Algo que não o assuste nem o ponha na defensiva, mas que nos dê pistas sobre o que ele realmente sente. Talvez pudéssemos ver como ele reage se você começar a sair com alguém mais, ou se perceber que alguém está interessado em você.

Ansel o olhou com os olhos semicerrados, considerando a ideia.

— Você acha que isso funcionaria? Não seria muito óbvio?

— Não, se fizermos direito — respondeu Evan com um sorriso astuto —. Você não precisa sair realmente com alguém, mas podemos criar a ilusão. Às vezes, as pessoas não percebem o que sentem até que veem que estão prestes a perder alguém importante.

Ansel refletiu sobre as palavras do amigo. Embora tivesse suas dúvidas, uma parte dele não podia negar que a ideia o atraía.

— Está bem, vou tentar — disse com mais segurança —. Mas preciso que você esteja comigo nisso. Não posso fazer sozinho.

— Não se preocupe, estou com você — respondeu Evan com um sorriso encorajador —. Faremos direito, e aconteça o que acontecer, estarei aqui para te apoiar.

Ansel sorriu de volta, sentindo uma pequena faísca de esperança dentro de si. Embora ainda sentisse medo, saber que Evan estava ao seu lado lhe dava a força necessária para enfrentar o que viesse.

...****************...

Pela tarde, quando todos se dirigiam às suas casas, Ansel foi ao lugar onde havia combinado encontrar seus amigos após se despedir de Evan. No dia seguinte, começariam a executar o plano.

— Ei — cumprimentou desde longe, mas só Alex respondeu. Emmett parecia irritado e não se esforçava para escondê-lo.

— Com quem você estava? — perguntou Alex —. Emmett disse que você ia estar com um conhecido.

Os quatro começaram a caminhar em direção à saída. Ansel lançou um olhar de soslaio a seu melhor amigo, e um sorriso de satisfação se formou em seu rosto ao ouvir Emmett bufar.

— Com alguém que acabei de conhecer. Amanhã eu apresento a vocês.

— Certo, mas faça isso porque Emmett esteve inquieto e desesperado.

Emmett estendeu a mão e bateu na cabeça de Alex.

— Cala a boca, baixinho — disse Emmett enquanto passava seu braço sobre o ombro de Ansel, aproximando-o dele —. E você, não acredite nele, não me importo se você não está.

Ansel sorriu interiormente. Embora Emmett não admitisse, sabia que estava incomodado.

— O que não te importa? A cada minuto, você checava o celular para ver se eu tinha mandado uma mensagem — disse Alex enquanto se afastava um pouco, protegendo-se atrás de Ronan —. Você nem mesmo prestou atenção na garota que chegou flertando com você.

Ansel levantou uma sobrancelha na direção de Emmett, que pigarreou e olhou para outro lado. Ansel sentiu uma leve satisfação no peito.

— Lá está papai — apontou Emmett, indicando o carro preto estacionado a alguns metros —. Nos vemos amanhã.

Os quatro amigos se despediram e seguiram seu caminho. Ansel e Emmett subiram no carro, e a conversa durante o trajeto foi agradável. Conversaram sobre seu primeiro dia de aulas, seus colegas e os possíveis amigos que fizeram. Ansel ficou aliviado em saber que não havia nenhuma garota que interessasse a Emmett no momento, ou pelo menos foi o que ele disse a seu pai quando este perguntou sobre algum interesse romântico.

— Papai, vou ficar com Ansel um tempo. Volto em uma hora — informou Emmett ao descer do carro e seguir seu amigo.

— Tudo bem, mas lembre-se que jantamos juntos, então não demore.

Emmett assentiu e correu atrás de Ansel. O braço de Emmett em volta de seu ombro fez Ansel sorrir para si mesmo. Os dois entraram e cumprimentaram Emily, que estava ensaiando uma peça com seu namorado.

— An, tem comida no micro-ondas se estiverem com fome — informou Emily. Ansel olhou para Emmett, e ele negou com a cabeça. Às vezes, não precisavam de palavras entre eles, sua conexão era forte, o que o fazia se sentir feliz.

— Mais tarde — respondeu Ansel, e Emily assentiu antes de continuar com seu ensaio.

Subiram diretamente para o quarto de Ansel. Assim que entraram, Emmett o pegou pelo braço e o empurrou contra a porta.

— Com quem você estava? — sussurrou ele em um tom baixo e possessivo. Ansel viu o brilho de ciúmes no rosto de seu amigo, mas isso não era suficiente para ele.

Desde pequenos, tinha visto Emmett defender o que considerava seu, e esse mesmo olhar surgia sempre que alguém pegava algo que ele considerava de sua propriedade. Essa atitude reforçava em Ansel a ideia de que Emmett o via apenas como um objeto de entretenimento.

— Ninguém importante, tá? Agora me solta, você está machucando meus pulsos.

Ansel tentou empurrá-lo, mas a força de Emmett só aumentou, fazendo-o torcer um pouco de dor. Emmett aproximou seu rosto, roçando seus lábios sem beijá-lo, mas o calor começou a se espalhar pelo corpo de Ansel. Seu coração batia descontroladamente, sentindo o impulso de beijá-lo, mas se quisesse provar que era mais do que um jogo, precisava se conter.

— Ansel, me diz, com quem diabos você estava? — Emmett aproximou perigosamente o nariz do seu pescoço, cheirando-o como um cão farejador —. Você tem o perfume de outro na sua pele. O perfume de um desgraçado.

Ansel se surpreendeu com o quão aguçado era o olfato de Emmett. Mal havia notado o aroma do perfume de Evan, mas sem dúvida ele tinha impregnado quando este o abraçou.

— Se eu te disser, promete que não vai se zangar.

— Se você começar assim, você me deixa ainda mais irritado, então apenas diga sem rodeios.

Emmett sentia o sangue ferver de raiva. Para que Ansel tivesse o cheiro tão impregnado, alguém deve tê-lo abraçado, e ninguém deveria tocar no que ele considerava seu.

— Mas me solta primeiro.

Emmett pensou por um momento, jogou sua mochila de lado e fez o mesmo com a de Ansel. Depois o conduziu até a cama, onde o fez sentar-se de pernas cruzadas sobre seu colo. Colocou um braço possessivamente em volta da cintura de Ansel, enquanto sua outra mão descansava em sua nuca.

— Fala — ordenou, com uma voz tão profunda que fez Ansel corar.

— Quando estava entrando na sala, alguém empurrou a porta e me acertou no nariz.

— Isso não explica por que você tem o cheiro de outro — interrompeu Emmett, apertando levemente a cintura de Ansel.

— Deixa eu terminar — disse Ansel, relaxando suas mãos e batendo nos ombros de Emmett, numa tentativa inútil de acalmá-lo —. A pessoa que me acertou acabou sendo Evan, o cara bêbado do outro dia.

— Ele está te assediando? — perguntou Emmett, furioso —. Eu vou bater nele na próxima vez que o vir.

— Ele não está me assediando, e você não vai bater em ninguém. Me ouviu? Evan é um cara legal, só estava passando por um mau momento com seu namorado. Ele se embebedou e fez bobagens, mas está arrependido.

Emmett franziu a testa e levantou-se de súbito —. Você está defendendo o idiota que te beijou à força?

— Não estou defendendo, só estou sendo racional.

— Ninguém racional falaria bem de alguém que o beijou sem consentimento, usando o álcool como desculpa.

— Está errado, eu sei. Mas Evan nem mesmo lembra de ter me beijado.

— E agora você está justificando — disse Emmett, levando a mão à ponte do nariz e suspirando, visivelmente estressado e irritado.

— Não é isso, só que...

—Não quero te ouvir se for continuar com a mesma coisa —interrompeu-o bruscamente. Com um gesto decidido, pegou sua mochila, colocou-a sobre o ombro e dirigiu-se à porta. Porém, antes de sair, parou, girou sobre seus calcanhares e murmurou—: Droga.

Em um movimento rápido, deu três passos em direção a Ansel, segurou seu rosto entre as mãos e o beijou. O beijo não foi nem muito curto nem muito longo; durou o suficiente para Ansel entender que Emmett sentia sua falta, mas o deixou com um desejo latente por mais.

—Nos vemos amanhã. Come alguma coisa e não vá dormir muito tarde.

Sem adicionar mais nada, Emmett saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. Ansel ficou lá, imóvel, no silêncio avassalador do seu quarto. A discussão com Emmett fora mais tensa do que antecipara, mas de alguma forma, o desfecho foi melhor do que esperava.

Parecia como se tivessem discutido como um casal, embora Emmett continuasse mostrando preocupação por ele. Até o havia beijado.

Talvez o plano de Evan não fosse tão má ideia, afinal.

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Comments

Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

Esse babaca está apaixonado e não assume 🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭❤️💘

2024-12-30

0

Onyxdacocada

Onyxdacocada

Emmett admite logo poxa

2024-11-22

2

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