Ansel permaneceu de pé por alguns minutos, com o olhar fixo na porta fechada. O beijo de Emmett o havia deixado desconcertado, embora não totalmente surpreso. Era tão típico dele: explosivo, possessivo, mas sempre demonstrando uma preocupação genuína por seu bem-estar. Sabia que Emmett cuidava dele, embora às vezes o fizesse se sentir mais como uma posse do que como uma pessoa.
"Te vejo amanhã, coma alguma coisa e não durma muito tarde."
As palavras continuavam a ecoar em sua mente. Embora a discussão tivesse sido intensa, ele não conseguia evitar sentir que, de alguma forma, eles haviam avançado. Algo na maneira como Emmett o havia olhado, em como o havia tocado, sugeria que as coisas estavam mudando. Talvez, apenas talvez, Emmett estivesse começando a entender que Ansel não era simplesmente uma parte de sua vida, mas alguém que realmente importava para ele.
— Está tudo bem? — A voz de Emily o tirou de seus pensamentos. Ela estava na porta, com uma expressão de preocupação. — Os ouvi discutindo lá de baixo.
— O quanto você ouviu? — perguntou Ansel, preocupado. Detestaria que sua irmã descobrisse a natureza estranha de seu relacionamento com Emmett dessa maneira.
— Não muito, apenas alguns gritos. Emmett parecia zangado quando desceu. Está tudo em ordem?
Ansel deu de ombros, tentando minimizar a situação e agradecendo internamente por ela não ter ouvido mais.
— Nada sério, apenas uma briga de amigos. Você sabe como é o Emmett.
Emily franziu a testa, como se não estivesse totalmente convencida, mas decidiu não insistir. Ela conhecia bem Emmett e seu jeito dominante. Já o havia visto agindo de forma protetora com Ansel em inúmeras ocasiões, e embora lhe parecesse algo extremo, sabia que sua intenção era boa.
— Bem, se precisar conversar, estou aqui — disse ela com um sorriso compreensivo antes de fechar a porta e deixá-lo sozinho.
Ansel suspirou e se deixou cair sobre a cama, olhando para o teto. Tinha que admitir: o plano de Evan estava começando a funcionar. Emmett havia demonstrado ciúmes e até o havia confrontado de maneira mais direta do que Ansel havia previsto. Mas até que ponto ele estava disposto a levar tudo isso?
“Você não pode continuar sendo o brinquedo dele”, pensou Ansel consigo mesmo. Embora o beijo recente estivesse fresco em sua mente, sabia que não podia se deixar levar pelos gestos ambíguos de Emmett. Se quisesse algo real, precisava de mais do que aqueles impulsos passageiros. Precisava de clareza.
Decidido, pegou seu telefone e escreveu uma mensagem rápida para Evan: “Coloquei em prática e funcionou melhor do que eu esperava. Embora eu ache que você ganhou uma surra", acrescentou por último com uma pontada de culpa.
Era um risco, mas estava disposto a corrê-lo. Virou-se na cama com uma sensação de felicidade. Anteriormente, ele havia lido sobre aquelas estranhas "borboletas no estômago" quando alguém estava apaixonado, e embora no início ele considerasse uma bobagem, agora tinha certeza de que aquelas borboletas estavam esvoaçando dentro dele.
O toque de seu telefone o interrompeu e ele olhou para a tela. Era Evan ligando.
— O que é que se supõe que eu faça se ele realmente me bater? E, embora você tenha dito para fingir que estava saindo com alguém, você nunca mencionou que esse alguém seria eu. — Apressou-se a dizer com uma voz um pouco assustada.
— Desculpa, é que ele nem me deixou explicar direito. Só mencionei o seu nome e ele ficou furioso.
— Ansel, eu não sei brigar. E se ele realmente me bater? Além disso, eu não quero que ele pense que sou eu que estou interessado em você. Eu já até encontrei alguém para isso.
— Ele não vai te bater, calma. — Apesar de tentar tranquilizá-lo, na verdade ele não tinha tanta certeza se Emmett não o faria. — Mas, deixando isso de lado, me fale sobre esse cara que vai estar interessado em mim.
— É um amigo. Contei a ele sobre isso e ele disse que seria divertido, então ele vai nos ajudar.
— Isso parece perfeito. Evan, amanhã vou te apresentar aos meus amigos. Traga-o e discutiremos os detalhes.
— Combinado. Até amanhã, então.
Ao desligar, Ansel se sentia ainda melhor. Embora não gostasse de provocar Emmett dessa maneira, depois de ver sua reação, não conseguia deixar de se perguntar como seria se o pressionasse ainda mais.
O som de uma batida na janela o despertou de repente. Olhou para o relógio: eram duas da manhã. Sentou-se na cama, pensando que o vento devia estar fazendo o galho de uma árvore próxima bater no vidro. No entanto, as batidas eram constantes, como se alguém estivesse lá fora. Levantou-se cautelosamente e pegou o taco de beisebol que guardava em um canto. Com muito cuidado e em silêncio, aproximou-se da janela.
Ao abrir a cortina, Ansel não pôde conter o espanto ao ver Emmett agarrado aos batentes da janela. Rapidamente, abriu o vidro para que seu amigo pudesse entrar.
— O que diabos você está fazendo aqui? — perguntou Ansel em um sussurro, incrédulo. — E como diabos você subiu até aqui?
Olhou para baixo, o chão estava a pelo menos três metros de altura.
— Escalei a árvore — respondeu Emmett, inspecionando os braços para se certificar de que não havia sofrido nenhum arranhão. — Tenho uma surpresa para você.
— Não podia esperar até amanhã? Ou, melhor ainda, não podia ter me mandado uma mensagem antes? — Ansel deixou o taco que havia pegado por precaução de lado e sentou-se na cama. Emmett o seguiu, acomodando-se ao seu lado.
— Eu estava chateado com você, mas não consigo continuar assim... sinto sua falta — disse Emmett, com um sussurro carregado de sinceridade. Suas palavras fizeram Ansel sentir novamente aquele inconfundível aleteo no estômago. Sem aviso prévio, Emmett o rodeou com seus braços, abraçando-o pela cintura e apoiando o queixo no ombro de Ansel. — Não gosto de ficar bravo com você, An. Além disso, esta surpresa não podia esperar.
Ansel revirou os olhos, mas um sorriso afetuoso surgiu em seu rosto.
— Está bem, o que é que não pode esperar?
— Venha, eu te mostro.
Os dois saíram do quarto em silêncio, movendo-se cautelosamente pelo corredor. Desceram as escadas até a cozinha, para depois sair pela porta dos fundos. Uma vez lá fora, Emmett cobriu os olhos de Ansel com as mãos.
— Confia em mim, eu te guio — sussurrou em seu ouvido.
Ansel assentiu e deixou que Emmett o conduzisse até o jardim da frente. Quando finalmente descobriu seus olhos, Ansel abriu lentamente as pálpebras e se deparou com um carro, o mesmo Camaro preto que sempre havia sido o sonho de Emmett. Piscou, incrédulo, e voltou o olhar para o amigo, buscando uma explicação.
— Sim, é meu — disse Emmett, com um sorriso triunfante. — Há um mês eu tinha economizado quase metade, e meu pai entrou com uma parte, minha mãe com outra. Ontem me disseram que, como estou prestes a fazer dezoito anos, era hora de ter meu próprio carro.
Antes que Ansel pudesse processar a notícia, Emmett o pegou pela mão e o levou até o carro. Abriu a porta do passageiro e fez sinal para que subisse na parte de trás. Ansel se acomodou no banco e não pôde evitar fazer um comentário divertido.
— Nossa, são realmente confortáveis — brincou, mexendo-se um pouco no banco.
Emmett soltou uma risada.
— Vamos estreá-lo — disse ele, enquanto levantava uma sobrancelha, intrigado. Ansel estava um tanto confuso; afinal, Emmett ainda não tinha carteira de motorista, e ele também não sabia dirigir.
— Vem aqui — murmurou Emmett, com uma voz mais grave do que o habitual.
Sem aviso prévio, ele o puxou pela cintura e o deitou no banco. O espaço reduzido do carro os obrigava a ficarem muito próximos. Emmett se acomodou entre as pernas de Ansel, e naquele instante, a intimidade da situação se tornou evidente. Ansel, nervoso, envolveu instintivamente suas pernas ao redor da cintura de Emmett, tentando se ajustar no espaço apertado. O simples pensamento do que parecia estar prestes a acontecer fez seu rosto corar completamente.
— An, não quero que mais ninguém veja esta parte de você — sussurrou Emmett, com um tom possessivo. — Não quero que ninguém saiba o quão lindo você fica quando está corado.
Ansel tentou dizer algo, mas suas palavras foram silenciadas por um beijo intenso e cheio de desejo. Emmett o beijava com uma paixão transbordante, suas mãos explorando sob o tecido fino do pijama de Ansel. A pele de Ansel formigava sob o toque de seu amigo, e sua mente se nublava a cada carícia. Era como se todas as suas emoções tivessem transbordado naquele momento.
Os cílios de Ansel tremiam e seu corpo se sentia pesado sob o controle de Emmett, que continuava acariciando-o, uma mão descansando sobre seu peito, enquanto a outra deslizava por sua perna. Ansel levou as mãos ao pescoço de Emmett, segurando-se a ele enquanto se deixava levar pelo redemoinho de sensações que o envolviam.
Cada pergunta, cada dúvida, desapareceu em um instante. Emmett deixou seus lábios e começou a beijar seu pescoço com uma delicadeza surpreendente. Ansel, em um ato instintivo, inclinou a cabeça para lhe dar mais espaço, gemendo suavemente quando sentiu os dentes de Emmett em sua mandíbula. Apertei suas mãos e suas pernas quando sua pele foi sugada com força. Justo quando pensava que havia terminado, Emmett se inclinou para o outro lado de seu pescoço e repetiu o gesto.
— An... você é meu melhor amigo, eu te amo. Você é meu e sempre será — disse Emmett, sua voz baixa e grave, quase uma advertência. — Se isso não for suficiente para afastar aquele idiota, vou ter que bater nele de verdade.
Ansel assentiu fracamente, ainda perdido na tempestade de emoções que Emmett havia desencadeado com seu comportamento possessivo. Ele não entendia completamente o que seu amigo estava dizendo, mas também não se importava. Estava completamente entregue aos sentimentos que o inundavam, sua mente e seu corpo emaranhados em um turbilhão de desejo e confusão.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 44
Comments
Expedita Oliveira
Surreal ... Sensacional... Surpreendente... Extraordinariamente Lindo ...❤️❤️❤️❤️💘💘💘💘💘💘💘💞💞💞💞💞💞💞💕💕
2024-12-30
0
Little monster
Tô bem não, aí minha pressão
2024-12-12
2