Capítulo 4

Não se esqueçam de deixar os vossos comentários e o vosso like (⁠◠⁠‿⁠◕⁠)

...****************...

Aquela noite foi interminável para Ansel. Enrolado debaixo dos lençóis, a sua mente não parava de reproduzir a imagem do seu melhor amigo a beijar-se apaixonadamente com a rapariga loira de curvas perfeitas. Até sentiu náuseas, mas evitou levantar-se; não queria que os seus pais o ouvissem, era a última coisa que desejava.

Passou a noite acordado, a chorar pelo fim de um amor não correspondido. Embora nunca tivesse tido uma relação romântica com Emmett, não conseguia evitar sentir-se traído. Talvez se tivesse enganado a si próprio durante toda a semana, fazendo-se acreditar que a sua amizade com Emmett poderia transformar-se em algo mais. No fim, o cansaço emocional venceu-o, e caiu num sono profundo.

Na manhã seguinte, Ansel ainda dormia quando a sua irmã Emily invadiu o seu quarto sem aviso prévio, como costumava fazer.

— Ansel, não vais levantar-te? — Emily abanou-o suavemente.

— É sábado, louca, quero dormir! — murmurou Ansel, envolvendo-se nas cobertas como um casulo, sabendo que a sua irmã tentaria tirá-las.

— É meio-dia, idiota. A mãe pensa que estás em coma ou algo do género — Emily sentou-se na beira da cama, e começou a puxar as cobertas com mais insistência —. Bebeste demasiado ontem à noite? Não te preocupes, não vão dizer nada. A minha primeira bebedeira foi aos quinze anos e mal se importaram.

Ansel revirou os olhos debaixo dos lençóis e, com um empurrão suave, afastou a irmã.

— Não é isso.

Emily observou-o em silêncio por um momento, tentando decifrar o motivo do comportamento do seu irmão. De repente, a sua expressão mudou para uma mistura de surpresa e compreensão.

— Merda, partiram-te o coração! — exclamou com um grito que ecoou por todo o quarto, e talvez por toda a casa.

— Podes fazer silêncio?! — Ansel saiu de debaixo das cobertas e atirou-lhe uma almofada que atingiu Emily em cheio na cara —. Não quero que eles descubram, isto é um segredo entre nós.

Emily assentiu, mostrando-se mais séria do que o habitual, e voltou a sentar-se ao lado dele.

— Então, quem é ela?

Ansel baixou o olhar, hesitante se deveria confiar na sua irmã. Embora Emily costumasse provocá-lo e ser um pouco mandona, também era uma boa irmã em muitos aspetos. Mesmo assim, não tinha a certeza se ela conseguiria guardar o segredo.

— Ei, sou tua irmã — continuou Emily, notando a dúvida no seu rosto —. Sei que às vezes sou uma cabra contigo, e que comi o iogurte da mãe e culpei-te...

— Espera, foste tu e não estava fora de prazo? — Emily sorriu, nervosa, e desviou o olhar —. Castigaram-me durante uma semana, Emily, uma maldita semana!

— Era só um iogurte, não percebo porque é que a mãe ficou tão furiosa — bufou Emily, cruzando os braços. Ansel teve de admitir que ela tinha razão —. Mas deixando isso de lado, Ansel, somos irmãos. Mesmo que te faça bullying, gosto de ti e não te quero ver sofrer sozinho.

— Só perguntas porque és uma fofoqueira.

— Apanhaste-me — riu Emily, despenteando o cabelo de Ansel —. Mas, a sério, diz-me o que se passa, prometo que guardo segredo.

— Está bem, mas tens de jurar; nunca vais contar a ninguém, a menos que eu te autorize primeiro.

— Ouve, posso entrar no teu quarto sem bater, mas um juramento de irmãos é algo que nunca quebro — disse Emily, colocando uma mão sobre o coração e fechando os olhos com solenidade —. Portanto, eu, Emily Lavigne, juro que nunca, mas nunca, mesmo que me torturem, revelarei o segredo do meu irmão. — Ansel sorriu e ela ajeitou-se na cama —. Agora sim, conta-me o teu segredo.

— Bem — começou Ansel, sentindo um nó no estômago por causa dos nervos —, sim, partiram-me o coração, e sim, chorei a noite toda, mas... — mordeu o lábio inferior, ainda hesitante — não é uma rapariga.

O silêncio encheu o quarto. Ansel desejou poder esconder-se novamente debaixo das cobertas, mas não conseguia. O olhar intenso da sua irmã estava a matá-lo. Mordeu o lábio, esperando pelo pior. A expressão de Emily era séria, o que aumentava a sua ansiedade. No entanto, os seus receios dissiparam-se quando ela o abraçou com força.

— Ouve, o que sentes e por quem sentes, seja homem ou mulher, não interessa, desde que sejas feliz — Emily afastou-se um pouco para lhe sorrir com carinho —. Portanto, esquece esse idiota e nem mais uma lágrima, está bem? Nenhum idiota merece que os teus lindos olhos fiquem vermelhos por sua causa.

Ansel assentiu, agradecido. Não sabia como Emily reagiria se soubesse que tinha sido Emmett, o rapaz por quem estava apaixonado e a quem ela estimava como a um irmão, quem lhe tinha partido o coração.

— Está bem, agora desce, pelo menos para que os nossos pais saibam que ainda estás vivo.

— Está bem, está bem, desço já.

Emily deu-lhe um último sorriso antes de sair do quarto. Ansel recostou-se novamente, soltando um enorme suspiro. Falar com a sua irmã tinha-lhe trazido algum alívio.

No resto do fim de semana, Ansel manteve-se recluído em casa, a estudar ou a jogar videojogos. Não enviou mensagens a Emmett nem o procurou, e Emmett também não o fez. Supôs que o seu amigo estava imerso na sua própria felicidade ou talvez até já tivesse começado a sair oficialmente com a Sheira. Embora se sentisse deprimido, não teve muito tempo para pensar neles, já que os exames finais e de ingresso na universidade estavam ao virar da esquina. Nunca percebeu porque é que celebravam a formatura antes dos exames; talvez fosse para aliviar o stresse antes de os enfrentar.

A última semana do secundário chegou, e o ambiente na escola era tenso e sombrio. Todos os alunos do último ano estavam sérios, preocupados com o que os esperava. Ansel, por outro lado, estava tranquilo. Como Emmett tinha dito, tinha fama de sabe-tudo, em grande parte porque realmente gostava de estudar.

— Ah!, vou morrer, acho que respondi tudo mal no exame de biologia — queixou-se Alex, deixando-se cair sobre a mesa da cantina e soltando um grito de frustração.

— Estiveste a estudar com o Ronan durante um mês inteiro, a sério que não aprendeste nada? — perguntou Ansel, arqueando uma sobrancelha com cepticismo.

— Bem, sim, mas mesmo assim, isto não é para mim.

— Pois eu acho que me vai correr bem a tudo — interveio Emmett, enquanto dava uma dentada na sua maçã. Depois de engolir, continuou —: Esta semana aprendi muitas coisas graças à ajuda do Ansel.

Emmett passou um braço sobre os ombros de Ansel e puxou-o para perto de si. Ansel desviou o olhar, sentindo que as palavras de Emmett poderiam ser mal interpretadas, embora para ele significassem algo completamente diferente.

— Mas não queres partilhar, queres sempre que ele só te ensine a ti — reclamou Alex, endireitando-se para protestar melhor —. É culpa tua se eu chumbar.

— O Ansel é meu, e o que aprendi não posso ensinar a mais ninguém, muito menos a ti — disse Emmett com um sorriso maroto. Ansel corou até às orelhas e bebeu um longo gole de água gelada.

— Emmett, podes parar de dizer disparates? É melhor despachares-te a comer, já vamos entrar — disse Ansel, tentando mudar de assunto. Emmett sorriu-lhe e obedeceu, enquanto do outro lado, Ronan dava a Alex um pedaço de maçã. Ansel suspirou, aliviado por eles ignorarem o que Emmett tinha dito.

Aquela semana foi a mais stressante para todos os alunos do último ano. Os exames e a pressão de saber em que universidade iriam estudar estavam a consumi-los. Felizmente, os quatro amigos já tinham uma universidade escolhida, a maior do país, que oferecia praticamente qualquer curso que desejassem estudar.

No fim de semana seguinte, os quatro estavam exaustos, deitados nos sofás da casa de Ronan, a olhar para o teto, a desfrutar do alívio de terem terminado o secundário e de terem acabado um videojogo que tinham deixado pendente há mais de um mês.

— Os meus pais deram-me autorização para usar a casa da praia durante a próxima semana. Podíamos ir amanhã para nos distrairmos do inferno que nos espera na universidade — comentou Alex.

— Eu alinho — respondeu Emmett.

— Eu também vou — disse Ansel, levantando o polegar.

— Perfeito, vamos levar a autocaravana. Ronan, vais ser o meu copiloto. — Ronan assentiu.

Ansel admirava como uma pessoa com um metro e oitenta se podia render tão facilmente e sem objeções a alguém com um metro e sessenta e cinco. Embora, conhecendo a personalidade introvertida de Ronan, não fosse tão difícil compreender porque é que Alex o conseguia manipular tão facilmente.

Depois de terem combinado a viagem, Emmett e Ansel foram para casa de bicicleta.

— An, vamos parar um pouco, quero dar-te uma coisa. — ele travou e Ansel também.

— O que é?

— Quero agradecer-te por me ajudares a estudar e a aprender a beijar — disse Emmett enquanto tirava uma pequena caixa preta do bolso da mochila. Cuidadosamente, abriu-a e revelou um par de pulseiras pretas, cada uma com um pendente que, quando unidos, formavam um comando de videojogo.

Ansel olhou para o objeto, sentindo um nó na garganta. Não conseguia evitar pensar no simbolismo por trás do gesto: a pulseira, um laço entre eles, e o pendente, uma lembrança de todas as vezes que passaram horas a jogar juntos, sem preocupações nem segredos. No entanto, agora tudo parecia mais complicado, mais doloroso.

— É uma pulseira da amizade — continuou Emmett, notando o silêncio de Ansel e sem perceber o turbilhão de emoções que se agitava dentro dele —. Quero que a uses, para que nos lembremos sempre de que, aconteça o que acontecer, somos melhores amigos.

Ansel pegou na pulseira entre os dedos, sentindo o peso do pendente contra a sua pele. Quis dizer algo, mas as palavras ficaram-lhe presas na garganta. Como podia aceitar um símbolo de amizade quando os seus sentimentos eram muito mais profundos? Como podia continuar a fingir que não sentia nada mais?

— Obrigado... — murmurou ele por fim, sem saber o que mais dizer. Colocou a pulseira no pulso, evitando olhar Emmett nos olhos —. É... é muito bonita.

Emmett sorriu, satisfeito com a reação do amigo, embora não conseguisse deixar de notar que algo não estava bem na expressão de Ansel. No entanto, decidiu não insistir. Levantou-se do banco e espreguiçou-se, olhando para o céu.

— Devíamos ir — sugeriu —. Se chegar atrasado a casa, a minha mãe mata-me. Além disso, temos de preparar tudo para a viagem de amanhã.

Ansel assentiu e levantou-se também, ajustando a mochila sobre os ombros. Emmett pegou na sua bicicleta e começou a pedalar, enquanto Ansel o seguia em silêncio, perdido nos seus pensamentos. Apesar da proximidade física, nunca se tinha sentido tão distante do seu amigo como naquele momento.

Durante o caminho de regresso, Ansel não conseguia evitar imaginar como seria a viagem à praia. Todos juntos, como sempre, mas agora com uma barreira invisível entre ele e Emmett. Como podia desfrutar daqueles dias quando cada gesto, cada olhar, lhe lembraria o que não podia ter? Sentia que a sua amizade se tinha tornado numa espécie de tortura, um teste constante à resistência das suas emoções.

Mais populares

Comments

Little monster

Little monster

Aí que fofa, é ótimo quando a família dá apoio nesses momentos

2024-12-12

0

flora☆♡

flora☆♡

*eu*

2025-02-16

0

Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

O Amor é assim... 💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘💔

2024-12-29

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!