Capítulo 15

Ansel caminhava devagar pelos jardins da universidade. Embora fosse apenas seu segundo dia ali, não tinha nenhum desejo de entrar na aula. O eco do que havia ocorrido entre ele e Emmett naquele pequeno canto ainda ressoava em sua mente. Cada passo lhe pesava, como se a lembrança daquele momento o mantivesse preso.

Passaram vários minutos antes que pudesse reunir a coragem para se afastar daquele lugar, mas o mal-estar persistia. Sem pensar muito, correu para os banheiros mais próximos, fechou a porta atrás de si e se olhou no espelho. Seu reflexo lhe devolveu uma imagem que não esperava: seu pescoço estava marcado por várias marcas de Emmett, traços do que havia acontecido. Instintivamente, levou uma mão à sua garganta, acariciando essas marcas que só poderiam ser escondidas com um cachecol grosso.

Afastou-se do espelho e saiu dos banheiros, buscando desesperadamente um espaço afastado onde pudesse ficar sozinho. Sob uma árvore frondosa, longe dos olhares curiosos, Ansel se deixou cair pesadamente sobre a grama. Encostou-se no tronco com um suspiro que parecia arrancado do mais profundo de seu ser. O alívio que havia sentido inicialmente, aquela felicidade efêmera que as palavras de Emmett lhe haviam causado, desapareceu rapidamente. Em seu lugar, um sentimento de tristeza começou a se apoderar de seu peito, expandindo-se como uma sombra que não conseguia evitar.

No início, havia acreditado que aquele momento entre eles significava algo mais, algo profundo. Mas à medida que o calor do momento se dissipava, a realidade batia com força: para Emmett, ele não era mais que um objeto, um acessório, algo à sua disposição quando precisasse. Cada palavra que havia pronunciado, cada gesto e, sobretudo, cada marca em sua pele eram um lembrete doloroso de que Emmett não o via como ele o via. Para seu amigo, Ansel era apenas um brinquedo passageiro, algo que poderia usar até que chegasse alguém mais, alguém como Sheira, e então ele seria relegado novamente à posição de "melhor amigo".

Abraçou suas pernas, apertando os joelhos contra o peito em uma tentativa inútil de se proteger da tempestade interna que o assolava. Nunca imaginou que seu amor por Emmett o deixaria tão vulnerável, tão exposto ao seu próprio sofrimento. Odiava quão permissivo era com ele, quão facilmente se rendia aos seus encantos. Mas era uma dinâmica que havia sido estabelecida desde a infância, e a essa altura, parecia impossível rompê-la.

Lembrou daqueles primeiros anos juntos, quando Emmett era mais novo, frágil e tímido. Mal conseguia falar com os outros sem gaguejar de nervosismo. Ansel tinha assumido o papel de protetor, defendendo-o das zombarias dos outros, dos insultos por sua estatura e seu medo de falar. Mesmo quando ambos tinham apenas seis anos, Ansel havia sido agredido por três garotos que zombavam de Emmett. A lembrança daquele dia ainda estava fresca em sua memória. Depois da luta, com o rosto machucado e o corpo dolorido, tinha visto a preocupação nos olhos de seu amigo. Emmett, com seu nervosismo habitual, havia levantado uma mão trêmula, colocando-a sobre seu peito e feito uma promessa que ainda ressoava em seu coração.

"Prometo que, no futuro, você não terá que me proteger. Vou ficar mais alto, mais forte, e serei eu quem cuidará de você até ficarmos velhos e grisalhos."

Essas palavras, pronunciadas com tanta determinação, os uniram mais do que nunca. E, como prometera, Emmett se esforçou para superar seus medos, enfrentando quem zombava dele, embora sua voz ainda tremesse no início. Com o tempo, aquelas zombarias ficaram para trás, e ambos pararam de mencioná-las. O que uma vez foi uma amizade infantil tinha se tornado algo mais profundo e complexo. Pelo menos, para Ansel.

Talvez o problema fosse que ele havia se acostumado demais à companhia de Emmett. Talvez tivesse sido a maneira como Emmett o protegia depois daquela promessa, o que fez com que aqueles sentimentos inocentes crescessem em algo mais intenso, algo que agora doía. Sem perceber, seu amor por Emmett havia deixado de ser uma simples amizade e se transformado em um desejo incontrolável.

Mas havia uma parte dele que odiava o quão fácil era cair nessa armadilha. Não sabia em que momento aqueles sentimentos haviam mudado, quando havia parado de vê-lo apenas como seu melhor amigo e começado a desejar de outra maneira. Mas o pior era que, com cada dia que passava, seus ciúmes e seu apego se tornavam mais fortes. E com eles, o medo crescente de ser rejeitado, de ser visto como algo insignificante, o consumia.

Para Emmett, tudo parecia tão simples. Os beijos, as carícias, essa proximidade íntima que compartilhavam, eram naturais. Nunca conseguia decifrar o que se passava em sua mente quando o tocava daquela maneira, tão ternamente e ao mesmo tempo tão friamente. Era como se Emmett o levasse ao céu, apenas para deixá-lo cair no inferno segundos depois. Em um momento o fazia sentir desejado, amado, como se realmente houvesse algo mais entre eles. E no seguinte, o fazia sentir como um mero passatempo, uma distração da qual logo se cansaria.

Ansel não sabia quanto mais conseguiria aguentar essa montanha-russa emocional. A cada vez que Emmett o olhava daquela maneira, seu coração batia mais rápido, mas também o fazia o medo. Medo de que tudo fosse temporário, de que, a qualquer momento, Emmett o deixasse para trás. E enquanto se sentava sob aquela árvore, abraçando-se a si mesmo, percebeu que seu amor não apenas o estava fazendo sofrer, mas também o estava destruindo lentamente. As feridas que Emmett lhe causava não eram visíveis, mas estavam se acumulando, e Ansel não estava seguro de quanto tempo mais conseguiria aguentar antes de desmoronar por completo.

—Você é um idiota, Ansel —repreendeu-se em um sussurro.

—É, você é —uma voz conhecida o fez levantar o rosto. Ao olhar para o lado, se deparou com Alex, que o observava fixamente.

—Há quanto tempo você está aí? —Ansel limpou o rosto com o dorso da mão, secando as poucas lágrimas que ainda não havia conseguido conter.

—Tempo suficiente para ver o quão miserável e idiota você é —respondeu Alex. Ansel franziu a testa, claramente incomodado pela descrição precisa que seu amigo tinha feito dele. Alex lhe sorriu com escárnio antes de se sentar ao seu lado, tirando um cigarro. Ofereceu um a Ansel, mas este o rejeitou de imediato.

—Desde quando você fuma?

—Desde, o que você se importa, Ansel? —respondeu Alex com desdém. Ansel revirou os olhos. O temperamento de Alex era terrível, às vezes ele se perguntava como haviam chegado a ser amigos. Alex deu algumas tragadas no cigarro antes de se recostar contra o tronco da árvore—. Então, Emmett te rejeitou, hein?

—Ele nem mesmo sabe que eu gosto dele —respondeu Ansel, surpreso—. Espera, como você sabe? Ah, já sei! Aquele fofoqueiro do Ronan te contou, não é? Sabia que ele não guardaria meu segredo. —Ansel cruzou os braços, irritado com seu amigo.

—Não sou idiota, Ansel. Dá para perceber de longe. Descobri há tempo, você não é tão discreto quanto pensa. —Ansel levou as mãos ao rosto, completamente envergonhado.

—Sério que sou tão óbvio? —perguntou, sua voz carregada de dúvida. Alex assentiu sem hesitar.

—E é por isso que não entendo como o imbecil do Emmett não percebeu. —Alex deu uma última tragada no cigarro antes de apagá-lo em uma raiz que sobressaía da terra—. Mas, pensando bem, claro que sei porque ele não notou.

—Por quê? Se você e Ronan sabem, por que para ele parece não importar em absoluto?

—Já te disse, porque ele é um imbecil —respondeu Alex com a mesma franqueza—. E não nos compare com ele. —Alex virou o rosto e o olhou seriamente—. Por que você não fala diretamente com ele? Ele não vai entender até que você o confronte. Emmett pode ser atraente e bom nos esportes, mas é um verdadeiro idiota quando se trata de romance.

—Ei, você pode parar de insultar a pessoa de quem eu gosto? —Ansel o olhou com exasperação.

—Você sabe que eu estou certo —replicou Alex, dando de ombros.

—Isso não significa que eu goste de ouvir. —Ansel cruzou os braços, irritado. Mas Alex, fiel ao seu temperamento, não se abalou nem um pouco.

—Ansel, eu insulto a todos, você já deveria estar acostumado. —Ansel assentiu, resignado com a verdade dessas palavras—. Enfim, você vai continuar se consumindo nesse desamor ou vai fazer algo a respeito?

—Tenho um plano, mas não sei se vai funcionar —respondeu Ansel, guardando silêncio por um momento enquanto debatia internamente se era correto contar os detalhes. Finalmente, já que Alex já sabia sobre seus sentimentos, continuou—: Quero testar se o Emmett está, mesmo que um pouco, interessado em mim. Então quero ver como ele reage se alguém tentar flertar comigo.

—Esse é o seu grande plano? —Alex ergueu uma sobrancelha, incrédulo.

—Cala a boca, é o melhor que conseguimos pensar —disse Ansel, visivelmente irritado—. Evan, um rapaz que conheci há algumas semanas, vai me ajudar com isso.

Alex assentiu, aparentemente considerando a ideia—. Tudo bem, eu também vou te ajudar.

—Sério? —Os olhos de Ansel brilharam com esperança.

—Claro, eu não perderia a chance de irritar aquele idiota do Emmett.

Ansel revirou os olhos—. A culpa é minha por pensar que você estava fazendo isso de coração.

Alex soltou uma gargalhada, se divertindo com as palavras do amigo.

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Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

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2024-12-30

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