Capítulo 9

Ansel voltou para casa depois daquela conversa estranha, porém relaxante. Embora não tivesse encontrado uma solução viável após contar tudo sobre seu relacionamento com Emmett e os sentimentos mistos que carregava para Evan, sentia que havia tirado um peso dos ombros.

—An —a voz de Emmett fez com que ele levantasse o olhar. Seu amigo estava em frente à sua porta, ainda de pijama.

—O que você está fazendo aqui? Ainda são oito horas —Ansel apressou-se em abrir a porta e deixá-lo entrar. Por sorte, não havia ninguém na sala ou no comedor. Já tomou café?

Ambos caminharam em direção à cozinha, e sem esperar por uma resposta de Emmett, Ansel começou a se servir um pouco de cereal.

—De onde você vem? —murmurou Emmett atrás dele com uma voz tão baixa que mal pôde ouvir. Despejou o leite no cereal, pegou uma colher e virou-se.

—Saí para correr —respondeu, dando uma mordida em seu café da manhã. Passou por Emmett e subiu as escadas; não queria dar explicações agora e Emmett era a pessoa que menos queria ver.

—Você não gosta de fazer exercício —Emmett fechou a porta e a trancou para que ninguém indesejado entrasse.

—Gosto de me manter em forma —respondeu vagamente. Acomodou-se na cama, meio sentado, e ligou a televisão.

Emmett franziu a testa—. Por que você está irritado?

Não era necessário perguntar se Ansel estava chateado; ele o conhecia tão bem que saltou diretamente para essa conclusão. Ansel quis rir. "Quem me dera você fosse igualmente rápido para perceber que gosto de você, idiota", pensou.

—Estou cansado, Emmett, só isso.

—An, eu te conheço melhor do que a mim mesmo, sei que algo está acontecendo.

Ansel quase riu com sarcasmo. Conhecê-lo melhor do que a si mesmo? Deveria ser uma piada de mau gosto. Emmett nem sequer havia percebido que ele não o queria apenas como um simples amigo. Estava completamente cego para o que acontecia ao seu redor. Até achava que, se confessasse seus sentimentos naquele momento, Emmett o tomaria como uma piada.

—Bem, não fui correr —disse, finalmente. Usar Evan como desculpa era mais fácil do que gritar com Emmett sobre o quão estúpido ele era por não perceber.

—Então? —Emmett acomodou-se do outro lado da cama e apoiou sua cabeça em uma das mãos, mantendo seu olhar fixo nos lábios de Ansel.

—Ontem, quando saí do cinema, andei um pouco. Precisava de ar fresco. Então, encontrei um rapaz bêbado, e algumas coisas aconteceram —explicou calmamente enquanto comia outra colherada de cereal.

—Que tipo de coisas? —A expressão tranquila de Emmett se tornou fria instantaneamente. Ele se sentou na cama e encostou-se no respaldo, esperando impaciente que Ansel continuasse.

—Bem, estava bêbado e falando coisas sem sentido. Conversamos um pouco, e quando tentei me levantar, ele fez o mesmo e caiu. Levei-o a um hotel e ele vomitou em mim.

—Você ficou em um hotel com um desconhecido? Emmett o segurou pelos ombros, fazendo com que Ansel quase derramasse o cereal.

—Ele estava inconsciente e não aconteceu nada, então relaxa —Ansel se soltou do aperto de Emmett e colocou o prato sobre o criado-mudo, voltando a olhar para a televisão.

—Ansel, você não deveria dormir no mesmo quarto que outro homem, muito menos se for um desconhecido —Emmett parecia mais do que desconfortável, e Ansel sentiu que era uma indireta muito direta.

—Por que não? O que acontece se eu dormir no mesmo quarto que outro homem? —virou seu rosto para Emmett, confrontando-o. Estava visivelmente irritado.

—An, você não sabe quais podem ser as más intenções dos outros. Mesmo que estivesse bêbado, poderia ter feito algo com você.

Emmett o segurou com tanta força que Ansel sentiu como se quisesse arrancar seus braços. E embora suas palavras o enfurecessem, admitia que tinha razão. Tinha sido estúpido ficar com um desconhecido bêbado, que nem sequer podia reconhecer quem tinha à frente. Evan o havia beijado à força pensando que era Leo. Quem sabe o que mais teria feito se continuasse pensando em seu ex?

—Foi estúpido, eu sei. Não acontecerá novamente.

Ansel fechou os olhos e recostou-se no respaldo. "Se você gosta, por que não tenta conquistá-lo?", foi a pergunta que Evan lhe fez. “Ou pelo menos aproveite o tempo que têm juntos agora."

Talvez, se fosse mais proativo, Emmett perceberia. Com esse pensamento, Ansel se levantou e, num movimento rápido, montou-se de joelhos sobre seu amigo, sem se sentar em seu colo. Instintivamente, colocou suas mãos ao redor do pescoço alheio.

—An, o que você está fazendo? —Emmett se mostrou nervoso e gaguejou um pouco. Ansel sorriu satisfeito; ao menos conseguia provocar alguma reação em seu melhor amigo.

—Por que está nervoso? Já estivemos assim antes —Ansel aproximou seu rosto provocativamente do de Emmett, que engoliu em seco nervoso.

—Você me pegou de surpresa, você nunca é assim.

—Eu sei, você sempre toma a iniciativa —Ansel acomodou-se mais perto, sentando-se nas pernas de Emmett, sorrindo levemente ao sentir como suas mãos se posicionavam em suas coxas, apertando ligeiramente.

—Por que está fazendo isso? —Embora claramente nervoso, a mão direita de Emmett movia-se por inércia, percorrendo o corpo de seu amigo até segurar sua cintura e apertá-la um pouco. Apesar de tudo, parecia desfrutar da situação.

—Acho que me sinto um pouco culpado —Ansel baixou o olhar levemente. Não tinha certeza se funcionaria, mas tinha que arriscar.

—Por quê? —A voz de Emmett já não soava nervosa, mas sim irritada.

—Lembra do acordo que fizemos sobre namoradas e não beijar mais ninguém? —Emmett assentiu, seu rosto sombreou ainda mais—. Bem, Evan, o cara bêbado... me abraçou, me confundiu com outra pessoa e...

Fez uma pausa deliberada, olhando para Emmett. Seu amigo havia baixado o olhar, e seu cabelo despenteado fazia sombra em seus olhos. Suas mãos haviam se tensionado, apertando-o com mais força deixando saber que havia compreendido o que estava prestes a dizer.

—E mesmo assim você se atreveu a dormir no mesmo quarto com ele? —Emmett levantou o olhar; seus olhos azuis brilhavam com raiva. Ansel arrependeu-se do que disse. Embora gostasse da possessividade de seu amigo, vê-lo tão enfurecido fez com que sentisse um nó na garganta.

—Desculpe, acho que estão me chamando... —Ansel tentou levantar-se, mas Emmett foi mais rápido e o segurou pela cintura.

—Quem faz melhor? Ele ou eu?

Ansel não esperava essa pergunta. Pensou brevemente antes de responder. Se já havia lançado a bomba, melhor deixar que explodisse por completo.

—ELE.

Sem pensar duas vezes, Emmett o beijou com fúria. Seus lábios moviam-se numa mistura de desespero e fome. Sua língua invadiu a boca de Ansel com uma intensidade avassaladora, deixando-o tonto pela falta de ar. Cada beijo era voraz, quase desumano. Mal se separavam para tomar uma rápida lufada de oxigênio, e então Emmett voltava a devorar seus lábios, como se quisesse apagar qualquer traço de Evan dele.

As mãos de Emmett percorriam sua pele por cima da roupa, acariciando sua coxa e suas costas com ansiedade. Ansel sabia que não deveria se iludir, mas seu coração batia descontrolado. Guardaria essas carícias sem significado no mais profundo de seu ser e as apreciaria sempre.

—Ainda é melhor que eu? —murmurou Emmett sobre seus lábios. No entanto, antes que Ansel pudesse responder, sua boca foi novamente tomada pelos lábios alheios. Emmett estava furioso, e deixava isso claro a cada mordida e beijo impaciente.

—Você é melhor —conseguiu dizer Ansel, afastando-se levemente.

—Então, por que você se beijou com outro? Não sou suficiente para você?

Emmett se afastou e Ansel pôde ver um rastro de tristeza em seus olhos azuis. Talvez Evan estivesse certo e Emmett simplesmente não soubesse como admitir o que realmente sentia. Se o pressionasse o suficiente, talvez no final acabariam sendo um casal, como ele desejava. No entanto, ao sentir como Emmett o abraçava com força e escondia seu rosto em seu pescoço, decidiu que provocá-lo já não importava.

—Foi ele quem me beijou, e no meu coração, você sempre será suficiente para mim —disse Ansel, esperando que suas palavras não fossem tomadas de ânimo leve por seu teimoso amigo.

Emmett, por sua vez, sentiu uma satisfação calorosa se expandir lentamente em seu peito, um calor envolvente que o inundava. Com um sorriso que não conseguia esconder, apertou com mais força a cintura de Ansel, aproximando-o mais, como se quisesse gravar aquele momento em sua memória. O aroma de Ansel sempre lhe parecera embriagador, mas agora, com seu rosto pressionado contra seu pescoço, o cheiro parecia mais intenso, quase irresistível. Cada inspiração o preenchia com uma paz que jamais havia experimentado, mas também despertava um desejo latente, um ímpeto que não conseguia reprimir.

O corpo de Emmett agiu antes de sua mente. Quase sem perceber, inclinou sua cabeça e roçou a pele do pescoço de Ansel com seus lábios, saboreando sua calidez, antes de cravar seus dentes em sua pele. Primeiro, a mordida foi suave, como um aviso, mas ao sentir a resposta involuntária de Ansel - aquele pequeno suspiro abafado que seu amigo tentou esconder -, algo em Emmett despertou. Mordeu com mais firmeza, sugando com cuidado, deixando que a pele de Ansel se avermelhasse sob a pressão de seus lábios e dentes.

Ansel, surpreso pelo ato, apertou os lábios para não soltar nenhum som que pudesse delatar o que sentia naquele momento. A dor foi leve no início, mas logo uma onda de sensações o percorreu. Não era apenas a mordida, mas a proximidade avassaladora de Emmett, a forma como seu corpo parecia se colar ao dele, como se não houvesse espaço suficiente entre os dois. O calor da pele de Emmett contra a sua, o sopro morno que exalava enquanto mordia, tudo isso despertava em Ansel um misto de emoções que não sabia como processar.

A dor se transformou lentamente em algo mais. O coração de Ansel começou a bater forte, sua respiração se tornou pesada. Sentia a pressão dos dentes de Emmett, mas também o arrepio que cada sucção deixava em sua pele. Fechou os olhos com força, tentando não deixar que seu corpo traísse o que realmente sentia. Contudo, era impossível ignorar a conexão que esse simples ato havia criado entre eles. A mordida não era apenas uma marca física; parecia uma declaração silenciosa, uma reivindicação que Emmett fazia sem palavras, mas que ressoava profundamente em ambos.

Finalmente, Emmett soltou a mordida, mas não se afastou. Seus lábios roçaram a pele avermelhada, e com uma ternura que contrastava com a intensidade do momento anterior, deixou um suave beijo sobre a marca recém-formada. Ainda podia sentir o sangue de Ansel pulsando sob sua boca, o calor que emanava de seu corpo, e uma satisfação sombria se apossou dele ao ver a pequena marca que havia deixado.

Ansel, ainda preso na onda de sensações, não se moveu. Sentia o batimento de seu próprio coração ressoando em seus ouvidos, misturando-se com sua respiração ofegante. A mordida havia lhe doído, sim, mas também o havia deixado vulnerável de uma maneira que não esperava. Mordeu o lábio, tentando acalmar o turbilhão de emoções que o invadia, mas o beijo suave que Emmett deixou em sua pele o fez estremecer.

Emmett, com um sorriso satisfeito, sussurrou com voz baixa e profunda:

— Para que não esqueças que sou o único que pode te beijar.

Essas palavras, carregadas de uma posse que Ansel nunca havia imaginado em seu amigo, ressoaram no ar como uma promessa inquebrável.

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Comments

Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰

2024-12-30

0

Little monster

Little monster

A mana tá possessiva

2024-12-12

1

𝙹𝚎𝚜𝚞𝚜 ᰔᩚᰔᩚ

𝙹𝚎𝚜𝚞𝚜 ᰔᩚᰔᩚ

Nem um pouco possessivo
Nem um pouco ciumento
Nem um pouco gay
Nem um pouco gostoso
Nem um pouco dominador
Nem um pouco Hetero flex
Nem um pouco lerdo
Nem um pouco dominante

Falta algo?

2024-11-29

1

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