Ansel ficou ali, refletindo, enquanto as emoções se acumulavam em seu interior: confusão, curiosidade, mas, acima de tudo, um medo avassalador do desconhecido. O que isso significaria para ele e para sua relação com Emmett? A ideia de explorar algo com Edgar, alguém que mal conhecia e nunca havia considerado como uma opção, começava a rachar a ideia fixa que tinha sobre sua amizade. No entanto, a imagem de Emmett ainda ocupava um lugar proeminente em seu coração; o eco de suas risadas e o calor de sua companhia ainda ressoavam em sua mente.
Finalmente, Ansel respirou fundo, buscando clareza no meio da tempestade de emoções que o invadia. Sabia que tinha que enfrentar o que sentia, tanto por Edgar quanto por Emmett, antes que transbordasse e o arrastasse para uma confusão ainda maior. Era um dilema que jamais havia antecipado e que, no entanto, se apresentava com uma urgência inusitada.
Enquanto olhava para a porta do carro, onde Edgar havia desaparecido, Ansel se sentiu preso entre dois mundos: um de familiaridade e segurança com Emmett, e outro de promessas e oportunidades incertas com Edgar. A luta interna o consumia, mas uma pequena centelha de curiosidade cresceu em seu interior.
"Não, não, não seja tolo, Ansel. Se aceitar agora, não seria o mesmo que ser infiel?". Embora não houvesse um rótulo para sua relação, Emmett havia prometido não estar com ninguém enquanto eles mantivessem esse "contrato", então ele também não podia falhar e se deixar levar pelo pouco de atração que sentiu naquele momento.
Alguns toques no vidro o fizeram voltar à realidade. Ansel desceu do carro e se encontrou com Edgar.
—Vai ficar aí o dia todo? —Ansel negou com a cabeça.
—Edgar, sobre o que você disse...
—Escuta —o interrompeu e, como havia feito antes, passou um braço sobre seus ombros para guiá-lo em direção à cafeteria—, não pense nisso tão seriamente. Olha, coloque isso no final da sua lista de opções, tá bom?
Ansel assentiu, não muito convencido—. Está bem.
Edgar sorriu, satisfeito com a ingenuidade do rapaz. Ao menos lhe deixava a porta aberta para uma futura "relação". Os dois entraram na cafeteria, o lugar era aconchegante e transmitia uma sensação de paz. Sentaram-se em uma mesa no fundo e escanearam o código para fazer o pedido. Passaram alguns minutos em silêncio, até que Edgar falou.
—Eu não vou te pressionar, de jeito nenhum. —A voz de Edgar fez com que Ansel levantasse o olhar—. Sou uma alma livre, Ansel; se quiser vir para mim, te levarei ao céu, mas se não quiser, também não vou obrigar.
O silêncio voltou a reinar entre eles. As palavras estavam carregadas de um significado que Ansel entendeu quase instantaneamente. Suas bochechas se aqueceram e ele mordeu seu lábio para suprimir a vergonha que começava a invadi-lo.
—Chega disso. Emmett e eu temos uma boa relação. —Embora fosse verdade, não era a relação que ele desejava.
—Ah é? Bom, repita isso até acreditar —mencionou Edgar com desprezo. Ansel apertou as mãos e franziu a testa. Justo quando estava prestes a confrontá-lo, a garçonete deixou os pedidos na frente deles—. Muito obrigado —Edgar sorriu amavelmente para a garota, e o rastro de zombaria que Ansel havia notado em seu olhar desapareceu tão rápido que o fez duvidar de sua própria percepção—. Coma, está delicioso.
Ansel baixou o olhar para sua sobremesa. Embora desse uma mordida, o sabor lhe pareceu insípido. "Repita isso até acreditar". Não pôde refutar essas palavras. Havia se enganado tanto tempo e, nesses poucos meses, esteve em uma ilusão criada por seu próprio desejo. Deprimiu-se ao pensar nisso e nem mesmo a doçura da sobremesa pôde ajudá-lo a secretar dopamina.
Passaram meia hora e nenhum dos dois disse nada. Os dois absortos em seus próprios pensamentos. Ansel levantava o olhar de vez em quando e se deparava com os olhos de Edgar, completamente atentos à sobremesa diante dele; mal a havia provado. Seu olhar não brilhava com a zombaria anterior, mais sim, parecia perdido e nostálgico.
—Você está bem? —Ansel deixou a colher de lado e centrou toda sua atenção em Edgar. Edgar levantou o olhar e voltou a sua habitual expressão de desprezo.
—Preocupado comigo? Parece que gosto um pouco de mim —pegou o queixo de Ansel e acariciou delicadamente com seu polegar. Ansel empurrou sua mão com desagrado, mas isso não incomodou Edgar.
—Esqueça, você é um caso perdido. —Ansel pegou a última mordida do bolo e a engoliu com um pouco de raiva. Edgar riu e tomou um gole do café que havia pedido.
—Vamos, quero ver um filme —Edgar se levantou e Ansel o seguiu; viu a sobremesa e notou que ele havia comido apenas uma parte muito pequena.
—Você não comeu.
—Não gosto de coisas doces —mencionou com desinteresse enquanto pagava a conta. Ansel olhou novamente para a sobremesa e depois para Edgar—. Vamos.
Ansel assentiu, um pouco confuso. Se não gostava de coisas doces, por que o havia convidado para lá? Até havia pedido uma sobremesa com chocolate extra. Tinha curiosidade, mas se limitou a segui-lo e não perguntar nada; afinal, ainda não eram tão próximos.
Os dois caminhavam em silêncio pelo corredor do shopping em direção ao cinema. Ansel olhava ao redor sem nenhum interesse particular. Pegava seu celular de vez em quando, mas não havia nenhuma mensagem de Emmett. Sentia-se deprimido por ter sido abandonado dessa maneira; no entanto, precisava se concentrar em buscar novas experiências com alguém que não fosse seu amigo.
Estava apaixonado, mas sentia que esse amor apenas lhe causava dor.
"Não vale a pena lutar por um amor não correspondido, e também não vale a pena se perder por se agarrar a algo que jamais vai funcionar".
E estava ciente disso, mas o amava. Não podia deixá-lo assim, de repente. Talvez, pensou, o melhor seria viver um luto dentro da relação ambígua em que se encontravam. Queria levar a sério as palavras de Edgar, mas tinha medo, e esse medo persistente era o que não o deixava tomar uma decisão.
O filme não foi nem divertido nem chato. Edgar explicou que o ator principal era um dos melhores da indústria e que haviam ido principalmente para apreciar suas habilidades interpretativas. De certo modo, isso contava como um trabalho escolar. Ansel apenas assentiu, tentando parecer mais interessado do que realmente estava.
Enquanto saíam da sala de cinema, Edgar não parava de falar sobre o que havia aprendido do filme, apontando falhas no roteiro e lacunas na trama. Ele adorava analisar cada aspecto técnico do que viam, mas Ansel mal prestava atenção. Não é que não se interessasse por filmes, mas gostava muito mais dessas conversas quando era Emmett quem as dirigia. Com ele, podia passar horas discutindo sobre cinema, séries e qualquer tema relacionado sem se entediar, mas com Edgar sentia uma distância que o impedia de se envolver da mesma maneira.
Mesmo assim, enquanto caminhavam para o estacionamento, Ansel assentia de vez em quando e lançava perguntas superficiais, apenas para não parecer completamente desinteressado. De repente, ao levantar o olhar, viu-o: Emmett estava na sua frente, acompanhado por outra pessoa, uma figura que se apegava a ele de maneira íntima. O coração de Ansel deu uma volta, e, sem querer, olhou de relance para Edgar. Este também havia visto Emmett e, após franzir a testa por um breve segundo, um sorriso arrogante se formou em seu rosto.
Sem aviso prévio, Edgar passou um braço ao redor do pescoço de Ansel, aproximando-o de si. Ansel, sentindo uma mistura de incômodo e frustração, apertou as mãos, mas conseguiu devolver um sorriso, quase sincero.
—É muito interessante tudo o que você me conta, Edgar —disse Ansel com um entusiasmo fingido—. Por favor, continue me contando mais detalhes.
Edgar, satisfeito com a aparente atenção de Ansel, assentiu e continuou falando, como se nada tivesse acontecido. No entanto, o ambiente se tornou mais tenso quando uma voz conhecida interrompeu seus pensamentos.
—An, espera... —A voz de Emmett ressoou.
Ansel parou por um segundo, porém não se virou. Estava irritado, ciumento e a última coisa que queria naquele momento era confrontar Emmett. As lembranças das promessas veladas, os momentos vividos juntos, tudo parecia sem importância agora que tinha visto Emmett com outro. Decidiu não ceder ao seu primeiro impulso.
—Falamos amanhã — respondeu Ansel desdenhosamente, usando exatamente as mesmas palavras que Emmett havia lhe dito antes. Ele se virou para Edgar, tentando se concentrar na conversa, e continuou caminhando sem olhar para trás.
Se ele tivesse olhado para trás, teria notado a expressão de surpresa e mágoa no rosto de Emmett, mas naquele momento, estava decidido a não lhe dar o prazer de saber quanto aquilo o afetava.
O caminho até sua casa foi silencioso. Edgar, apesar de seu tom habitualmente despreocupado, respeitou o silêncio de Ansel. Ambos estavam mergulhados em seus pensamentos. Ansel não conseguia tirar da cabeça a imagem de Emmett com aquele garoto, tão próximos, tão cúmplices. Sentia-se traído, substituído. A dor e a raiva fervilhavam dentro dele, lutando para se derramar. Seu coração estava ferido, e uma parte dele queria fazer algo drástico, algo impulsivo.
Quando finalmente chegaram ao seu destino, ficaram no carro por alguns minutos, mergulhados em um silêncio tenso. O eco dos pensamentos de Ansel o atormentava. Ele tinha sido sempre tão cego? Tinha interpretado mal a relação com Emmett todo esse tempo?
A voz de Edgar quebrou o silêncio.
—A proposta continua de pé, Ansel. A decisão é sua. — Edgar disse isso com uma calma aparente, mas havia uma insistência subjacente em suas palavras.
Ansel se virou lentamente para olhá-lo. Sabia que Edgar não havia parado de relembrá-lo sobre sua oferta para explorar algo mais do que uma amizade entre eles. E mesmo tendo dito que não o pressionaria, repetia isso sempre que encontrava a oportunidade. Até aquele momento, Ansel sempre havia rejeitado a ideia, mas agora, as emoções o estavam superando. A raiva e a dor turvavam seu julgamento, e naquele instante, tudo o que queria era fugir da sensação de ser invisível para Emmett.
Sem pensar muito nas consequências, inclinou-se para Edgar e pegou seu rosto entre as mãos. Os olhos de Edgar se abriram levemente, surpresos pela ação repentina, mas antes que pudesse dizer algo, Ansel o interrompeu.
—Então eu aceito — sussurrou com uma voz carregada de determinação e desespero.
Antes que Edgar pudesse reagir, Ansel o beijou.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Expedita Oliveira
🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈
2024-12-30
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Cida Domiciano
até que enfim uma reação já estava ficando chato..
2024-11-18
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