Ansel avançava com o corpo pesado do desconhecido pendurado em seu ombro. Seus pensamentos giravam como uma tempestade, entre a rejeição de Emmett e a situação ridícula em que se encontrava. Não sabia se ria ou chorava, mas o certo é que tudo o que queria naquele momento era desaparecer. Cada passo que dava era uma luta contra a sensação de que o mundo estava conspirando contra ele.
Olhou para o cara que continuava murmurando o nome de "Leo" entre gemidos e suspiros de bêbado. A raiva ainda o queimava no peito, mas ao mesmo tempo, não podia deixar de sentir uma leve compaixão por ele. Sabia o que era ter o coração partido, embora, ao contrário do rapaz ao seu lado, ele nunca tivesse sido corajoso o suficiente para agir em suas emoções. E lá estava ele, carregando com as consequências de outra pessoa.
— Isso é ridículo — murmurou Ansel enquanto dobrava uma esquina, procurando algum hotel barato —. A única coisa que eu queria era sair do cinema, chorar sozinho e comer sorvete como nos filmes. Mas não, aqui estou eu, carregando um bêbado desconhecido. Que droga de dia.
Ao encontrar um pequeno hotel que não parecia exigir muitas perguntas, entrou no saguão iluminado com luzes amarelas, e com um suspiro cansado, pediu um quarto. O recepcionista olhou-o de esguelha, claramente desconfiado da situação, mas não disse nada e lhe entregou a chave.
Subir as escadas foi uma tortura, mas finalmente chegou ao quarto. Ansel deixou cair o cara na cama com um suspiro e o cobriu com um cobertor. Ficou observando o rosto do rapaz por um momento. Apesar do desastre da noite, algo no desespero do desconhecido ressoava nele. Aquele sentimento de ter perdido tudo, de estar sozinho em meio a um abismo de emoções transbordantes. Embora o cara tivesse sido infiel, esperava que o que ele disse fosse verdade, afinal, como dizem, crianças e bêbados sempre dizem a verdade.
— Pelo menos você teve alguém para beijar — sussurrou Ansel com amargura, limpando mais uma vez a boca como se pudesse apagar completamente o beijo forçado.
Caminhou até a janela, observando as luzes da cidade enquanto a mente se enchia de pensamentos sobre Emmett. Não importava o quanto tentasse, não conseguia parar de pensar nele. Apesar de tudo o que tinha acontecido naquela noite, continuava desejando estar nos braços de Emmett, mesmo que fosse apenas um sonho.
— Idiota — murmurou para si mesmo —. Você sempre volta para a mesma coisa, Ansel.
Antes que pudesse começar a se sentir completamente miserável, uma comoção atrás dele o fez virar. O bêbado tentava se levantar, chorando e olhando ao redor até que seus olhos encontraram os de Ansel.
— Leo? Onde está o Leo? — murmurou enquanto caminhava desajeitadamente em sua direção —. Você! Você é o desgraçado com quem ele quer se vingar! Maldito, me devolva o meu Leo!
Ansel quase caiu na gargalhada pelo absurdo da situação. Observou como o homem caminhava com passos cambaleantes e tropeçava no tapete. Seu cabelo loiro estava bagunçado e as lágrimas faziam seu rosto parecer ainda mais desfigurado. O desconhecido se arrastou até ele e abraçou sua perna com força.
— Não o leve embora, por favor. O Leo é tudo para mim, é meu maridinho.
— O quê? Maridinho? — Ansel se abaixou e deu um tapa, não muito suave, nas costas dele —. Pensei que eu era patético, mas você me supera neste momento.
Apesar de suas palavras de escárnio, não pôde evitar sentir uma pontada de tristeza. Pelo menos aquele bêbado ainda tinha a possibilidade de recuperar a pessoa que amava. Muito provavelmente, Leo o perdoaria se ele explicasse bem a situação. Em vez disso, ele não tinha a menor chance com Emmett. Por um breve instante, sentiu um toque de inveja de Leo.
Ele também desejava alguém que o amasse com a mesma intensidade, que chorasse por ele, que cuidasse dele e o chamasse com apelidos ridiculamente carinhosos. Mas sabia que a pessoa por quem estava apaixonado jamais faria isso por ele. Não tinha dúvidas de que Emmett era capaz de ser afetuoso, mas esse afeto não seria para ele.
Ansel balançou a cabeça, tentando se livrar desses pensamentos. Agarrou o desconhecido pelos ombros e o ajudou a se levantar.
— Vem, vamos te dar um banho frio para essa embriaguez passar.
Eles só tinham dado cinco passos quando o bêbado vomitou todo o seu estômago na roupa de Ansel.
— Isso tem que ser uma maldita piada — Ansel fechou os olhos, apertando os lábios com impotência —. Que dia péssimo. Sabe de uma coisa? Fique com seu vômito, eu vou tomar banho.
Deixou o bêbado no chão e foi para o chuveiro. Tinha planejado ir embora assim que o cara estivesse sóbrio, mas agora parecia que teria que ficar para que ele lhe pagasse a noite de hotel e a lavanderia. O idiota o tinha beijado sem seu consentimento e, para piorar, tinha vomitado nele. Não era tão generoso a ponto de deixá-lo ir sem pagar.
Quando Ansel acordou no dia seguinte, se espreguiçou e se incorporou na cama, ainda sonolento. No entanto, assim que viu o desconhecido sentado na beira da cama, com o olhar fixo nele, quase gritou de susto e, instintivamente, se cobriu com os lençóis.
— Mas que diabos? Você vai me matar de susto! Pensei que você fosse um fantasma ou algo assim — Ansel levou a mão ao peito, tentando acalmar o coração acelerado —. Esse cara tem um problema, definitivamente.
— Desculpe, não foi minha intenção — respondeu o desconhecido, abaixando o olhar enquanto brincava nervosamente com as mãos —. Não sei o que aconteceu ontem entre nós, mas quero dizer que amo outra pessoa. Sinto muito, não posso corresponder aos seus sentimentos.
Ansel ficou em silêncio por alguns segundos antes de se deixar cair sobre o colchão, rindo alto até que seu estômago doesse.
— Você é realmente um idiota — disse entre risadas, segurando o abdômen —. Como chegou a essa conclusão?
— Bem, eu… — O desconhecido moveu as mãos com mais nervosismo, e suas orelhas ficaram vermelhas brilhantes, assim como seu rosto, coberto de pequenas sardas marrons que lhe davam uma aparência realmente fofa —. Te vi na cama, e eu não estava de camisa, então pensei…
— Ontem pensei que você era um idiota só porque estava bêbado, mas agora vejo que você é sempre — Ansel saiu dos lençóis, vestiu o roupão e sentou-se na beira da cama, cruzando as pernas e os braços —. Diga-me, qual é o seu nome?
— Sou Evan Leduc.
— Bem, Evan Leduc, você me deve o dinheiro do hotel, da lavanderia e uma compensação por vomitar em mim. — Ansel estendeu a mão, esperando o pagamento. Evan olhou de seu rosto para sua mão várias vezes antes de procurar em sua carteira e lhe dar dinheiro —. Perfeito, isso é mais do que suficiente.
— Obrigado, não sei o que aconteceu ontem, mas agradeço por não ter me deixado jogado na rua — disse Evan com um sorriso gentil.
— Estive a ponto de te deixar lá, mas ouvir você chorar por Leo me comoveu um pouco — Ansel se levantou e caminhou até ele, colocando a mão em seu ombro —. Calma, se você explicar, tenho certeza de que ele vai entender.
— Eu estava chorando? — Evan cobriu o rosto com as mãos, corado de vergonha —. Deus, como fui patético.
— É, mais ou menos. Mas você está apaixonado, acho que todos nós ficamos patéticos por amor — Ansel voltou para o seu lugar, soltando um suspiro. Ele também se sentia patético —. Apesar de você ter sido infiel, e isso não se perdoa tão fácil.
Evan ergueu o olhar, com os olhos marejados.
— Juro que não sou esse tipo de homem. — Ansel quase revirou os olhos. Evan o tinha beijado, como ele iria confiar em sua palavra? — Então? Você disse algo sobre estar bêbado.
— Sim… Eu briguei com o Leo porque ele não me contou que tinha sido aceito em uma universidade no exterior. Gritei muitas coisas e disse outras das quais me arrependo. Fui embora sem lhe dar a chance de se explicar. Depois, quando percebi que estava errado, liguei para ele, mas ele não atendeu. Então encontrei alguém que me ofereceu uma bebida, e bem, o resto é história — sorriu sem graça ao se lembrar do rosto choroso de Leo —. Por que você quer saber a minha história?
Ansel baixou o olhar. Sim, por que ele se importava? Talvez porque ao ouvi-la sentisse que não era tão miserável assim. Pelo menos, ele ainda tinha a amizade de Emmett.
— Acho que também tenho uma vida amorosa patética. Talvez eu só estivesse procurando por alguém na mesma situação para compartilhar minhas mágoas. — Ansel fixou o olhar no chão. Evan pôde notar a tristeza refletida naqueles olhos âmbar, tão bonitos. — Eu me apaixonei pelo meu melhor amigo, mas o idiota está interessado em outra pessoa. Mesmo assim, permiti que nossa relação fosse além de uma simples amizade. Sou um tolo, não é? E agora, menos ainda consigo me livrar do que sinto por ele.
Os dois ficaram em silêncio, sentindo-se mais miseráveis do que nunca. Eram apenas dois estranhos compartilhando suas desgraças amorosas, mas para Ansel, isso era o melhor. Conversar com seus amigos seria ainda pior; ele não queria que eles olhassem para ele com pena cada vez que o vissem. E Evan provavelmente nunca mais apareceria em sua vida, então ele não se sentia tão estúpido em se abrir com ele.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Expedita Oliveira
Sem comentários 🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭
2024-12-29
0
Little monster
Eu duvido, ele vai aparecer de novo certeza
2024-12-12
2