A semana passou mais rápido do que Ansel gostaria. As tardes de trabalhos de casa e beijos no quarto do seu melhor amigo chegariam ao fim naquele mesmo dia. Ele desejou poder parar o tempo, ou pelo menos atrasá-lo um pouco, mas o ponteiro do relógio na parede da sala de aula parecia ter pressa em girar. Talvez fosse a sua imaginação, mas ele o viu mover-se mais rápido do que o normal.
Mordeu a ponta da caneta e olhou de relance para Emmett. Ele estava tão tranquilo, rindo e brincando como sempre. Parecia imperturbável. Ansel, por outro lado, quase arrancava os cabelos de estresse. Ele odiava Emmett um pouco, ou talvez apenas invejasse a forma natural como ele lidava com as coisas.
Enquanto Ansel morria de nervosismo cada vez que seu amigo o abraçava naturalmente ao caminharem pelos corredores da escola, ou quando via seus lábios, Emmett continuava o mesmo de sempre, como se aquelas tardes em seu quarto não existissem.
— Ei, você está bem? — A voz de Alex o trouxe de volta à realidade. Alex ocupou a cadeira vazia ao seu lado, observando-o com aqueles olhos escuros que sempre o assustaram. Pareciam um poço profundo onde ele poderia cair e morrer a qualquer momento.
— Sim, estou bem. — Embora sua resposta fosse positiva, seu olhar refletia o contrário. Ele baixou os olhos e piscou algumas vezes. Seu semblante deprimido era tão perceptível assim? Claro que Emmett nunca perceberia.
— Vamos para minha casa hoje à tarde. Meu pai comprou o novo jogo do Halo, você vai? — Ansel sorriu. Alex era assim, nunca perguntava se você não queria falar, mudava de assunto e parecia não se importar com nada além dele, mas sempre tentava animar os outros à sua maneira.
— Bem, eu...
— Ele já tem planos. — Emmett interrompeu enquanto colocava um suco de uva na mesa de Ansel. — Nós vamos para minha casa hoje à tarde.
— Tudo bem, fica para a próxima. — Alex suspirou e se levantou quando viu o professor entrar.
Emmett tomou seu lugar, onde Alex estava sentado. — Você ia sair com ele no último dia de estágio? — ele perguntou enquanto pegava seu caderno e livro.
— Jogar Halo é mais divertido do que sentir sua língua inexperiente na minha boca. — Ansel sussurrou. Ele não sabia de onde vinha essa coragem momentânea.
— Vai se ferrar. — Emmett murmurou com um sorriso zombeteiro, o que fez Ansel sorrir também. Era isso que ele amava em sua amizade, mas também era o que temia perder se seus sentimentos continuassem crescendo.
Aquela seria a última tarde em que ele poderia aproveitar os lábios de Emmett sem restrições. A última tarde em que ele poderia se enganar e acreditar que estava tendo um romance secreto com seu amigo. Sim, ele estava disposto a deixar seus sentimentos de lado e se forçar a ver Emmett como apenas um amigo.
À tarde, depois de se despedirem de seus amigos, os dois começaram a caminhar em direção à casa de Emmett em completo silêncio. Os passos de Ansel eram lentos, tentando, inocentemente, atrasar sua chegada.
— An, você está bem? — Emmett parou no meio do caminho, fazendo Ansel colidir com seu corpo.
— Sim. — Ansel deu um passo para trás. A proximidade o estava deixando muito nervoso.
— Tem certeza? Se você quiser ir com o Alex, ainda podemos.
— Não! — Ele quase gritou de urgência, mas baixou a voz e cobriu a boca ao perceber que poderia ser descoberto. — Quero dizer, é o último dia, já te segui nessa merda por uma semana, qual a diferença de mais uma tarde?
Emmett sorriu satisfeito. — Então pare de andar como um preguiçoso. — Emmett passou o braço em volta do pescoço do amigo e o fez andar mais rápido.
Depois de terminarem o trabalho de casa, estavam sentados no tapete do quarto, tomando sorvete e assistindo a um filme.
— Você está nervoso? — Ansel quebrou o silêncio entre eles e olhou para o amigo. Emmett virou o rosto para ele.
— Sim. — Ele confessou com um leve rubor nas bochechas. Emmett nunca tinha ficado envergonhado enquanto o beijava; isso era exclusividade sua. — Amanhã vou beijar a pessoa de quem gosto, An, então é claro que estou nervoso.
Uma pontada de dor atingiu o peito de Ansel ao ouvir aquelas palavras. Embora estivesse ciente disso, ainda doía ouvi-lo da boca de Emmett. Ele baixou os olhos e comeu um pouco de sorvete, que antes era incrivelmente doce e delicioso, mas agora parecia sem graça.
— Você gosta muito dela, hein? — Ansel deu-lhe um soco amigável no ombro para disfarçar o desconforto que sentia.
— Desde que a vi, mas você sabe a reputação que ela tem, e um novato como eu não é alguém que pode conquistá-la. — Emmett se recostou na cama e suspirou profundamente. Ele levantou a mão e olhou para os dedos. — Eu sempre me imagino com ela, de mãos dadas, caminhando e conversando sobre qualquer coisa, coisas assim.
Ansel apertou as mãos ao redor da tigela de sorvete, perguntando-se por que ele não poderia ser a pessoa a despertar o lado meloso de seu amigo. Por que não era ele quem ele queria segurar pela mão e caminhar junto. "Talvez se eu fosse uma garota", ele pensou, mas logo negou internamente. "Somos amigos, mesmo que eu fosse uma garota, ele nunca me veria dessa forma."
— Você é tão meloso, você me enjoa mais do que o sorvete.
— Cale a boca, quando você gostar de alguém, você estará igual a mim.
— Talvez, mas eu poderei andar de mãos dadas com essa pessoa, conversando sobre qualquer coisa, e não me contentarei com um simples beijinho. — Ele zombou, fazendo caretas estranhas. Emmett riu e revirou os olhos.
— Às vezes você pode ser bem cruel, Ansel, zombando da minha situação amorosa assim. Ah, nem de um inimigo se espera isso. — Emmett levou as mãos dramaticamente ao peito e fingiu chorar. Ansel apenas riu da péssima atuação do amigo.
— Você é muito ruim em atuar, e ainda assim quer estudar teatro e atuação? Você vai morrer de fome.
— Você me subestima, meu caro amigo. Eu tenho um rosto e um corpo atraentes, isso já é meio caminho andado.
— Mas falta metade do talento. — Emmett fez uma careta de fingida irritação, mas não aguentou muito e caiu na gargalhada.
— Seja como for, chega de conversa e vamos à ação. — Emmett se levantou e estendeu a mão para Ansel se levantar. No entanto, ele a afastou e se levantou sozinho. — Deixe seu sorvete aí, vamos praticar.
Ansel obedeceu e deixou o sorvete na mesa ao lado do de Emmett.
— Ela e eu estaremos de pé. — Ele continuou, segurando Ansel pela cintura e puxando-o para perto. — Então é melhor praticarmos assim. — Ansel assentiu, sentindo todo o seu corpo começar a esquentar. — Coloque suas mãos no meu pescoço, Sheira também fará isso.
"Pare de me lembrar que não sou eu quem você tem em mente", pensou Ansel, mas manteve essa reclamação para si mesmo e fez o que Emmett ordenou, fechando os olhos quando viu seu amigo abaixar o rosto para beijá-lo.
Os lábios frios de Emmett se fundiram com os seus; o sabor de baunilha inundou sua boca. Os movimentos de seu amigo estavam melhores do que antes. Embora Emmett ainda estivesse ansioso, ele não beijava mais com grosseria, mas com uma urgência calma que o fazia se sentir necessário. Suas mãos seguravam sua cintura com força, puxando-o para mais perto. Seu coração batia rápido e forte, tão forte que ele pensou que podia ouvir suas próprias batidas.
Suas línguas dançavam em perfeita sincronia, separando-se um pouco e voltando a se unir depois de recuperar o fôlego. No final, Emmett mordeu seu lábio inferior com tanta força que o fez sangrar, então Ansel o empurrou bruscamente.
— Você está louco? Isso doeu! — Ele olhou para o amigo com as sobrancelhas franzidas, tocou o lábio quente e olhou para o dedo, confirmando o que já suspeitava: Emmett o havia feito sangrar. — Como vou explicar isso para minha mãe?
— Relaxa, foi só uma mordidinha, quase não dá para ver. Diz a ela que você mordeu enquanto comia. — Emmett sentou-se na cama com um sorriso zombeteiro. — E isso foi porque você zombou de mim e da minha péssima atuação. — Ansel estreitou os olhos e bufou, irritado.
— Eu te odeio. — Emmett mostrou a língua com um sorriso travesso.
— Como foi?
— Tirando a mordida, eu diria que você já pode impressioná-la.
— Sério? — Os olhos de Emmett brilharam de pura felicidade. Ele se levantou de um pulo e deu um beijo rápido em Ansel. — É tudo graças a você, amigo. Sabe, quando você gostar de alguém, não hesite em me dizer e eu te ajudarei. — Ansel sentiu uma sombra escura nublar seu coração, mas mesmo assim ele assentiu, forçando um sorriso que não alcançou seus olhos.
Na noite do baile de formatura, todos estavam reunidos. A música ecoava forte em cada canto, envolvendo a atmosfera em uma energia vibrante. Ansel, Alex e Ronan estavam no bar, onde as opções eram, claro, sem álcool.
— Vou ao banheiro, já volto.
Ansel se afastou de seus amigos, abrindo caminho entre a multidão de estudantes que dançavam ao ritmo caótico da música. No entanto, em vez de ir ao banheiro, ele sentiu a necessidade de escapar do barulho, de encontrar um lugar para respirar. Ele caminhou em direção ao jardim, procurando um canto onde a música não ressoasse tão alto em seus ouvidos. Mas ao dobrar uma esquina, seus passos pararam abruptamente.
A poucos metros de distância, Emmett e Sheira se beijavam com uma paixão que parecia não ter limites. Assim como Emmett havia descrito, ela o segurava pelo pescoço, e ele a envolvia pela cintura, suas mãos desenhando carícias em sua pele. Ansel sabia que isso iria acontecer, ele havia se preparado para isso, mas a realidade era muito mais dolorosa do que ele imaginava. As lágrimas, traiçoeiras e inevitáveis, começaram a rolar por suas bochechas, molhando suas roupas.
Incapaz de suportar mais, ele se virou e saiu correndo, como se ao fugir pudesse deixar para trás a dor que lhe rasgava a alma. No entanto, no fundo, ele sabia que, por mais que corresse, seus sentimentos não desapareceriam tão facilmente.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Diva
iiiiiiiii
Vejo coisas...
2025-01-14
0
Expedita Oliveira
Autora, você é o máximo ... Simplesmente Apaixonada por sua história. ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️👏👏👏👏👏👏🌹🌹
2024-12-29
0
Little monster
Agora eu tô triste que ótimo
2024-12-12
2