Na manhã seguinte, Ansel estava sentado na cama, observando o presente que Emmett lhe tinha dado. Ele o agarrou, sentindo o enorme peso emocional que estava lhe colocando. Ele não se considerava alguém emotivo, nem costumava apegar-se a pessoas ou coisas. No entanto, quando se tratava de alguma palavra, algum gesto, um presente ou qualquer coisa que Emmett lhe desse, ele o apreciava como a coisa mais valiosa do mundo. Agora que eles tinham ultrapassado os limites da amizade, essas pequenas coisas estavam começando a ser um tormento dentro dele.
—Se você não gostar, eu posso comprar outra coisa — a voz do seu amigo o fez levantar o rosto. Emmett estava encostado no batente da porta. Ele usava shorts até o joelho verde-oliva e uma camisa branca com gola em V; além disso, seu cabelo estava um pouco úmido e algumas gotas escorriam pelo seu queixo. Os óculos de sol também o faziam parecer extremamente atraente.
O coração de Ansel acelerou instantaneamente. “Estúpido coração”, ele se repreendeu internamente.
—Não, na verdade, eu gostei bastante.
—Sério? Você estava olhando para ela como se estivesse constipado — ele zombou, entrando no quarto e pegando a mala de Ansel—. Mas se você gostou, coloque e vamos. Você sabe como Alex é, ele vai nos matar se o fizermos esperar mais.
Ansel assentiu, olhou para a pulseira mais uma vez e a colocou no pulso. Até que seu amigo tivesse uma namorada, ele se permitiria usá-la como um símbolo de união com Emmett.
Depois de se despedirem de seus pais e se certificarem de que viajariam com cuidado, todos entraram na van e iniciaram sua viagem.
Durante o trajeto, todos conversavam, cantavam e até dançavam nos bancos. Ansel conseguiu parar de se preocupar com seu relacionamento com Emmett e seus sentimentos, dedicando-se a se divertir na companhia de todos. Ele brincava com Emmett como normalmente fazia e aceitava o contato físico como antes. Por enquanto, ele não queria pensar em mais nada.
—Ah! Finalmente chegamos, meus joelhos estavam começando a doer — Emmett se espreguiçou e soltou um grande bocejo.
—Vamos, vamos arrumar as coisas e fazer o almoço, estou morrendo de fome — Alex pegou uma mochila e entrou na casa—. Ronan, traga o resto — ele gritou.
Emmett e Ansel se entreolharam e reviraram os olhos. Ronan passou por eles carregando três malas; parecia que ele estava carregando algodão para ele.
—Esses dois são estranhos — comentou Ansel, abaixando a mala. Eles os conheciam há quatro anos, mas ele ainda não conseguia se acostumar com aquele relacionamento.
—Verdade? Ronan parece intimidador, ele poderia derrubar qualquer um se quisesse, mas ele se deixa ser mandado por aquele anão — Emmett abaixou sua bagagem e ajudou Ansel com a sua—. Ele é muito tímido, quase não fala, antes eu pensava que ele era mudo.
—Bem, eles se conhecem há anos. Talvez haja uma história que eles não querem nos contar ainda. — Emmett assentiu, embora não conseguisse imaginar nenhuma história coerente.
Os dois entraram na pequena, mas aconchegante casa e deixaram a bagagem na sala de estar. Eles caminharam em direção à cozinha aberta, onde Alex e Ronan estavam sentados.
—Eu trouxe carne e vegetais para fazer espetinhos — disse Ronan—, mas amanhã temos que ir comprar algo para o resto da semana. — Eles assentiram.
—Ansel, Emmett, vocês vão ter que dormir juntos. Esta casa só tem três quartos. O quarto principal é dos meus pais e não podemos entrar lá. Ron e eu vamos dormir juntos, mas se vocês não quiserem, a sala está livre.
—Sem problemas — Emmett se adiantou para responder, deixando Ansel com as palavras na boca.
“Eu tenho um problema, idiota”, pensou Ansel.
—Certo, An? — os olhos azuis de Emmett o deixaram nervoso e ele respondeu quase como se estivesse programado para concordar com tudo o que Emmett dissesse, não importando seu raciocínio anterior.
—Nenhum. — Ele mordeu a língua depois de responder.
—Então vão arrumar suas coisas. Vamos preparar a fogueira para os espetinhos. — Alex se levantou e foi seguido por Ronan, que, como sempre, carregava todas as coisas.
—Vamos lá, estou cansado da viagem, quero dormir cedo.
—Como assim dormir cedo, Ansel? Estamos de férias, você tem que ficar acordado até tarde. — Ansel revirou os olhos.
Ele quase nunca dormia até tarde, ele tentava levar uma vida saudável e o descanso era necessário para isso, mas sempre que Emmett estava por perto, ele certamente não conseguia fechar os olhos até o sol nascer.
Depois de guardar sua bagagem, os dois saíram para o terraço, onde Ronan havia começado a preparar o jantar.
—Eu vou ajudá-lo — Ansel anunciou para Emmett, e este assentiu e sorriu ao vê-lo trotar em direção ao seu outro amigo. Ansel sempre foi assim, cuidando e ajudando os outros mesmo que não lhe pedissem, e de certa forma, isso era fofo.
Emmett balançou a cabeça com esses pensamentos. Era um pouco estranho, ele sempre tinha dito que Ansel era fofo, mas agora ele achava um pouco desconfortável.
—Ei, Emmett, coloque um pouco de música — Ansel gritou da churrasqueira.
—Claro.
Emmett pegou o celular e o conectou à caixa de som que Alex havia colocado na mesinha de pedra no meio da área ajardinada.
Depois do jantar, todos foram para a praia para assistir ao pôr do sol. Os tons laranja e vermelho se espalharam pelo céu, refletindo na água como uma pintura em movimento. A cena lhes causou um estranho sentimento de nostalgia, enquanto observavam os últimos raios de sol se fundirem com o horizonte. Eles estavam prestes a fechar um capítulo em suas vidas, deixando para trás o ensino médio e enfrentando o mundo incerto da idade adulta. Era uma mistura de vazio e medo, um medo inexplicável do desconhecido.
—Vocês acham que a faculdade vai nos mudar? — perguntou Ronan, quebrando o silêncio pela primeira vez. Seus amigos olharam para ele com as sobrancelhas franzidas, compartilhando silenciosamente o mesmo medo. Cada um temia os novos desafios que os aguardavam. Ronan baixou o olhar, claramente afetado—. Meu irmão se separou de sua namorada quando ambos entraram na faculdade. Ele me disse que ela mudou muito.
Ansel também baixou o olhar, refletindo sobre o mesmo medo que havia passado por sua mente inúmeras vezes. Ele sabia que ele e Emmett não estudariam o mesmo curso e que, embora compartilhassem o mesmo campus, não estariam tão próximos como antes. A ideia de que Emmett conheceria outras pessoas, que ele poderia encontrar uma namorada, o inquietava profundamente. O que seria dele nesse cenário? Emmett não era apenas seu melhor amigo, mas também a pessoa por quem ele era apaixonado há anos. Talvez, ele pensou, se distanciar seria o melhor.
—Mas nós somos amigos — disse Emmett, se levantando e encarando os outros—. Não precisamos nos distanciar ou mudar. Continuaremos amigos até que nossos cabelos fiquem grisalhos.
—Você é muito otimista — comentou Alex, se levantando também—. Todos nós mudamos, Emmett. Podemos nem querer nos ver no futuro.
—Cale a boca, Alex! Estou tentando animar este clima fúnebre, e com sua cara de azedo você não está ajudando.
—Cara de azedo? — respondeu Alex, visivelmente ofendido. Ansel e Ronan observavam a cena com sorrisos divertidos—. Você vai ver, idiota.
—Se você me pegar, anão.
Emmett começou a correr pela praia, e Alex não hesitou em persegui-lo. A tristeza que havia impregnado o ambiente se dissipou rapidamente, substituída pela alegria e pelo barulho das risadas.
—Ronan, não fique aí parado, me ajude! — gritou Alex em alto e bom som.
—Já vou! — respondeu Ronan, se levantando e se juntando à perseguição.
—Não tão rápido, Ronan — disse Ansel, se levantando para correr atrás de seu amigo tímido.
A tarde passou entre risos, jogos e brincadeiras. No final, todos acabaram molhados e jogados na beira da praia, exaustos, mas felizes. Alex e Ronan decidiram voltar para casa, enquanto Emmett e Ansel ficaram deitados na areia, olhando para as estrelas em silêncio.
—An — Emmett quebrou o silêncio em que ambos haviam mergulhado—, Sheira disse que eu beijo mal.
—Sério? — Ansel ficou surpreso com a confissão. Ele sempre assumiu que depois daquele beijo entre eles, Emmett teria melhorado ou, pelo menos, era isso que ele o havia feito acreditar.
—“Apesar de você ser bonito, você beija horrivelmente”, foi o que ela disse. Eu não sei o que eu fiz de errado; eu fiz igualzinho a você — Emmett se virou para Ansel, apoiando o cotovelo na areia e a cabeça na palma da mão. Seus olhos se estreitaram enquanto ele olhava para Ansel intensamente—. Ou você mentiu para me agradar?
Ansel não soube como responder. Ele desviou o olhar, incapaz de confessar que não havia mentido, que na verdade ele amava os beijos de Emmett. No entanto, ele também não podia admitir que havia mentido, porque não era verdade, e ele temia que Emmett ficasse zangado com ele.
—Talvez seja porque ela tem mais experiência — ele murmurou, esperando que seu amigo aceitasse essa explicação. Felizmente, Emmett não era particularmente perspicaz.
—Sim, deve ser isso — Emmett suspirou aliviado, enquanto Ansel fazia o mesmo internamente—. Então, eu preciso de mais prática. An, me ajude a praticar.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Expedita Oliveira
É o Amorrrrrrrrrrrrr ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️💘
2024-12-29
0
Little monster
A pessoa quando é cega é foda kkk
2024-12-12
2
Estefany
É o amor
2024-11-15
3