—Estás louco? —exclamou Ansel, sentando-se abruptamente. Suas bochechas estavam acesas pela proposta que acabara de receber. Como poderia extinguir os sentimentos que tinha pelo seu amigo se continuasse com isso? Era simplesmente impossível continuar ajudando-o. Suas mãos começaram a suar e seu coração batia tão rápido que pensou que poderia sair do seu peito.
—Já fizemos isso, por que não continuar?
—Bem... —Ansel tentou encontrar uma resposta, mas se deparou com um obstáculo intransponível. Eles já haviam feito isso antes, e ele estava feliz em ajudar. No entanto, não podia dizer a verdade: que estava apaixonado por ele e precisava esquecê-lo—. Simplesmente não quero.
Estava prestes a levantar e ir embora, mas Emmett, sentando-se ao seu lado, agarrou suas mãos e o fez cair novamente sobre a areia.
—An, por favor. Olha, não tem que ser todos os dias; podemos fazer de vez em quando. O que me dizes? Aceitas?
Ansel pareceu considerar, mas logo balançou a cabeça. Voltar àquele jogo seria demasiado perigoso para seu frágil coração.
—Vamos, amigo. Que sejam terças e quintas, e os fins de semana também, pode ser?
Emmett usou todo o seu charme para convencê-lo. Ansel não era especialmente forte contra ele. Seus sentimentos o impeliam a aceitar, mas a razão dizia que não deveria. No entanto, quando se tratava de Emmett, sempre acabava se deixando levar pelo seu estúpido coração.
—Talvez eu aceite...
—Você me faz muito feliz —Emmett não esperou que ele terminasse de falar e o abraçou com força.
—Espera, não disse que aceito —quando as palavras saíram de sua boca, Emmett mostrou-se totalmente desapontado—. Emmett, se vais ter uma namorada, então...
—Não vou ter! —gritou—. Enquanto tivermos este acordo, não vou ter uma namorada.
Ansel sorriu com impotência. Emmett não tinha ideia do poder que aquelas palavras tinham sobre ele. Se soubesse que estava apaixonado, certamente não diria o mesmo; talvez nem sequer seriam amigos. Ansel baixou o olhar, como se estivesse considerando aceitar, o que deu a Emmett um raio de esperança.
«Caramba, por que me põem esta tentação?», amaldiçoou-se internamente por sequer pensar em fazê-lo. E, mais uma vez, sua boca atuou por instinto, desobedecendo completamente a sua razão.
—De acordo.
«Bem, Deus, universo, Buda, Goku ou seja lá quem for, matem-me agora».
—Sim! —Emmett levantou-se de um salto, exultante. Ansel só queria se enterrar na areia e nunca mais sair—. Não vais te arrepender.
—Acredite, já estou me arrependendo —disse, apertando a ponte do seu nariz.
Emmett franzu o cenho, fingindo estar irritado, o que fez Ansel sorrir. Ao ver esse sorriso, seu coração se aqueceu.
—An... —Emmett ajoelhou-se diante dele, ficando entre suas pernas. Seus olhos escuros brilhavam com o reflexo da água e seu cabelo movia-se ao sabor do vento. Sob a luz da lua cheia, seu rosto era ainda mais atraente. Ansel não pôde desviar o olhar e seu coração começou a bater descontroladamente outra vez. Emmett umedeceu seu lábio inferior e aproximou seu rosto do de seu querido amigo, sem chegar a tocá-lo.
—O quê? —sussurrou Ansel, incapaz de esconder os nervos em sua voz trêmula. Suas pestanas tremiam e todo o seu corpo estremecia ao sentir as mãos de Emmett em seu rosto. Seu amigo aproximou-se um pouco mais, o suficiente para que Ansel sentisse sua respiração quente contra sua pele.
—Posso te beijar? —O murmúrio foi tão suave que Ansel sentiu-se derreter. Todo o seu corpo enfraqueceu ao ouvi-lo tão perto, com aquela voz masculina que tinha adquirido após a adolescência. Seu corpo reagiu com leves espasmos.
—Podes —respondeu em um sussurro.
Assim que terminou de falar, os lábios de Emmett encontraram os seus, fundindo-se em um beijo intenso, lento e cheio de necessidade. Suas línguas, úmidas e quentes, entrelaçaram-se. Fortes e suaves suspiros escapavam de Ansel. Inconscientemente, Ansel envolveu o pescoço de seu amigo com os braços, enquanto Emmett, delicadamente, baixou suas mãos até segurar sua cintura.
Emmett sentou-se lentamente, e Ansel, ajoelhando-se, acomodou-se sobre ele. Os braços de Emmett rodearam sua cintura, colando seu corpo ao dele. A pele de Emmett sentia-se quente sob a fina e macia tela da camisa de praia.
Os beijos de Emmett eram lentos, mas cheios de necessidade; cada movimento era guardado em um baú no coração de Ansel. Cada sensação que Emmett lhe fazia sentir seria tesourada até que esse tolo encontrasse uma namorada e não quisesse mais saber dele. Por um momento, pela forma tão ansiosa com que Emmett o beijava, Ansel sentiu que seus sentimentos eram correspondidos.
Aos poucos se separaram, embora a contragosto. Ofegantes, tentando recuperar o fôlego, permaneceram na mesma posição, em silêncio, por alguns minutos.
—Melhorei? —Emmett olhou-o com olhos brilhantes, expectante. Ansel sentiu-se deprimido ao pensar que tudo aquilo não era por ele e que nunca seria. Mas, por um breve instante, por esse tempo efêmero, queria aproveitar as delícias desse amor não correspondido.
—Um pouco —murmurou. Ansel baixou o olhar e mordeu seu lábio inferior. Emmett era seu melhor amigo e, exceto por esconder seus sentimentos, nunca lhe havia mentido, e muito menos para seu próprio benefício. Mas agora que estavam nessa situação, era impossível não mentir-lhe—. Disse para me deixares respirar; talvez isso seja o que te faz ruim beijando.
—Ruim beijando? —Emmett mostrava-se extremamente ofendido—. Então, mentiste? És um idiota, Ansel.
Emmett fingiu estar zangado e começou a fazer-lhe cócegas na cintura e nas costelas, fazendo com que Ansel risse e tentasse se defender.
Ansel tentou afastar as mãos de seu amigo, mas Emmett o ignorou e continuou até que terminou com as costas na areia, com Ansel rindo histericamente sobre seu peito.
—Chega, Emmett, por favor —pediu entre risadas. Emmett, exausto e com a respiração ofegante, finalmente obedeceu e parou de incomodá-lo, mantendo apenas suas mãos na cintura de Ansel. Ansel, esgotado, ficou deitado sobre o peito de seu amigo, tentando recuperar o fôlego.
Ansel permaneceu nessa posição mesmo depois de ter recuperado o fôlego. Assim, podia ouvir os batimentos de Emmett, tranquilos e imperturbáveis. Em contrapartida, os seus estavam completamente alterados, e ele sabia muito bem a razão: Emmett não sentia nada por ele, enquanto ele estava perdidamente apaixonado.
—An, adormeceste? —sussurrou Emmett depois de quase dez minutos na mesma posição. Ansel, que mantivera os olhos fechados, incorporou-se imediatamente.
—Desculpa, estou um pouco cansado por causa da viagem —Ansel levantou-se, sentindo-se completamente envergonhado porque, na realidade, quase tinha adormecido sobre Emmett.
—Eu também —Emmett levantou-se e sacudiu a areia que tinha ficado em sua roupa antes de olhar para Ansel—. Vamos tomar um banho e depois dormir.
Ansel assentiu e começou a caminhar em direção à casa. Emmett o seguiu de perto, com os lábios curvados em um suave sorriso. Embora Ansel evitasse seu olhar, o rubor e a expressão nervosa não passaram despercebidos para ele.
"Adorável" era a palavra que usaria para descrever seu amigo naquele momento.
...****************...
Durante todas as férias, os encontros entre Emmett e Ansel tornaram-se mais intensos. O que começou como beijos na privacidade de seus quartos, evoluiu rapidamente para beijos furtivos em lugares públicos, embora sempre com o cuidado de não serem descobertos. Toda vez que Emmett o acorralava em um beco escuro, atrás de uma árvore ou em algum banheiro público, Ansel não podia evitar sentir como seu corpo se incendiava como um forno.
Ansel também notava uma mudança em Emmett. A forma como o segurava, possessiva e dominante, como suas mãos percorriam suas costas sem nenhuma restrição, ou como o tomava pelos cabelos com força para obrigá-lo a levantar o rosto e beijá-lo intensamente, enchiam-no de confusão e despertavam nele uma esperança que sabia, no fundo, que era inútil.
—An, está bem? —sussurrou Emmett em seu ouvido.
O ar quente roçou seu ouvido e Ansel corou instantaneamente. Ele tinha mantido seus sentimentos sob controle por tanto tempo, mas agora, nesta relação tão estranha, era-lhe impossível não reagir ao menor contato. Sempre sonhara em ser segurado por Emmett, imaginando-se sobre ele, movendo seus quadris de maneira lenta e sensual, enquanto Emmett o segurava pela cintura e o empurrava mais profundamente para dentro de si, sussurrando-lhe palavras lascivas com aquela voz que tanto lhe agradava. Se Emmett conhecesse seus pensamentos mais obscuros, provavelmente o odiaria por ser tão pervertido.
—Estou bem — murmurou Ansel, abaixando o rosto, sentindo-se completamente envergonhado—. Estou bem — repetiu, como se tentasse convencer a si mesmo mais do que a Emmett.
—Tem certeza? — insistiu Emmett, retirando o apoio de braço para se aproximar mais de Ansel. Passou seu braço esquerdo pelos ombros de Ansel e, com sua mão livre, girou o rosto dele em sua direção. A luz da enorme tela do cinema refletia nos olhos âmbar de Ansel, que pareciam brilhar com uma intensidade hipnótica. O rosto de Ansel estava corado, seus lábios levemente úmidos e entreabertos, como se convidassem Emmett a prová-los —. Você não parece bem.
Emmett deslizou lentamente sua mão direita pelo pescoço de Ansel, sentindo como o corpo do amigo tremia ao seu toque. Observou Ansel fechar os olhos com força, e um sorriso divertido se formou em seus lábios. Ansel sempre se comportava como um coelho assustado quando ele o tocava, e isso, de alguma maneira, o satisfazia profundamente, despertando nele um desejo irresistível de continuar provocando-o.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Expedita Oliveira
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2024-12-29
0
Little monster
Hummm
2024-12-12
1
Little monster
Tadinho
2024-12-12
2