Ansel ficou em silêncio, olhando para a tela do celular que já mostrava a chamada encerrada. Ainda processava as palavras de Emmett, enquanto Edgar o observava, com uma expressão que oscilava entre a curiosidade e uma satisfação velada. O eco das palavras de Emmett — "um novo amigo" — ressoava na mente de Ansel, como uma gota que cai repetidamente, enchendo seu peito com um frio inesperado. Tinha saído correndo no final da aula, ansioso para passar um tempo com seu melhor amigo, apenas para descobrir que, pelo menos naquele dia, havia sido substituído.
Edgar, consciente do silêncio de Ansel e apreciando o momento, quebrou a tensão com um sorriso maroto.
— Parece que você não tem mais tanta pressa — comentou com um tom despreocupado, como se a situação não fosse nada mais do que um leve contratempo para ele.
Ansel não respondeu de imediato. Seus pensamentos giravam em torno da repentina frieza de Emmett. "Um novo amigo?", repetia para si mesmo, sem conseguir ignorar o peso que essas palavras carregavam. A notícia o atingiu como um balde de água fria. Que tipo de amigo era esse que parecia ter tomado seu lugar tão facilmente? A sensação de ter sido deixado de lado era mais dolorosa do que ele esperava, e sua frustração aumentava.
— Acho que não — respondeu Ansel finalmente, sua voz apagada, quase vazia, como se ao dizer isso estivesse aceitando uma derrota invisível.
Edgar, percebendo a vulnerabilidade de Ansel, deu um passo em sua direção, mas desta vez, com uma distância calculada, perto o suficiente para se fazer notar, mas sem invadir muito seu espaço pessoal.
— Parece que seu amigo tem outros planos. Que tal você e eu fazermos algo? — sugeriu Edgar casualmente, embora em sua voz houvesse um toque de interesse que ele não conseguiu disfarçar.
Ansel olhou para ele de esguelha. Apesar de não estar com vontade de passar um tempo com Edgar, também não queria parecer rude ou ficar sozinho com seus pensamentos que começavam a dominá-lo. A frustração e a decepção estavam estampadas em seu rosto, sentimentos que ele não sabia como lidar naquele momento.
— Não sei... — murmurou, hesitante, sem querer se comprometer imediatamente.
— Vamos lá, será apenas por um tempinho. Não vai te fazer mal se distrair um pouco — insistiu Edgar, esboçando um sorriso que pretendia ser reconfortante, mas que só conseguiu aumentar a inquietação de Ansel.
Finalmente, após um breve silêncio, Ansel decidiu ceder. Não lhe restavam muitas alternativas, e a ideia de ficar sozinho não parecia uma opção atraente naquele momento.
— Está bem, mas não será por muito tempo — esclareceu, tentando parecer mais confiante do que realmente se sentia.
Enquanto ambos caminhavam em direção à saída, a mente de Ansel continuava presa em uma tempestade de pensamentos. Por que Emmett havia mudado de planos tão repentinamente? Quem era esse "novo amigo" que parecia tê-lo substituído com tanta facilidade? Uma pontada de ciúme percorreu seu peito, um sentimento que ele tentou reprimir, mas que era impossível ignorar. Era uma mistura incômoda de insegurança e medo. Talvez ele estivesse exagerando, talvez Emmett apenas quisesse expandir seu círculo social. Mas a ideia de que outra pessoa estivesse ocupando seu lugar era dolorosa, muito mais do que ele estava disposto a admitir.
Edgar quebrou o silêncio enquanto abria a porta do carro para Ansel.
— Você está bem? — perguntou em um tom neutro, embora em seus olhos houvesse um brilho de sarcasmo.
Ansel esboçou um sorriso tenso, agradecendo em voz baixa antes de entrar no veículo. Não queria falar sobre como se sentia, não com Edgar. Havia algo nele que o colocava em guarda, como se suas intenções não fossem totalmente inocentes. Quando Edgar entrou e ligou o motor, Ansel colocou o cinto de segurança e manteve o olhar fixo no horizonte.
— Para onde estamos indo? — perguntou, em tom monótono, tentando disfarçar seu estado de espírito.
— Conheço um café novo. Vamos lá, vamos nos divertir um pouco. Você vai ver — respondeu Edgar com entusiasmo, enquanto dirigia com aparente segurança.
Ansel assentiu levemente, olhando pela janela, tentando se distrair dos pensamentos que não paravam de girar em sua mente. Todos os seus pensamentos giravam em torno de Emmett e desse "novo amigo". Talvez, pensou amargamente, nem fosse um amigo, mas sim uma "amiga". Emmett sempre teve uma queda por garotas, embora nunca levasse esses relacionamentos muito a sério. No ensino médio, todos sabiam que ele só tinha olhos para Sheira, embora essa história nunca tivesse passado do platônico.
A voz de Edgar o tirou de seus pensamentos.
— Você gosta muito dele, não é? — Edgar olhou para ele de esguelha, com um meio sorriso. — Você tem uma expressão tão... triste.
Ansel baixou o olhar, sentindo o peso de suas palavras. Um sorriso vazio curvou seus lábios.
— Estou com uma aparência tão ruim assim? — perguntou, tentando parecer mais relaxado do que realmente estava.
— Não é que você esteja com uma aparência ruim. Na verdade, você é muito atraente. Só que agora você está com uma cara de quem precisa de um abraço — respondeu Edgar, seu tom mudando de casual para sedutor em um piscar de olhos.
Ansel piscou surpreso, sem saber como reagir a essa declaração. Não era algo que ele esperava ouvir, e por algum motivo, essas palavras não provocaram nenhuma emoção particular nele. Não havia nervosismo, nem desconforto, apenas um estranho vazio.
— Por que você me convidou para sair? — perguntou, mais por curiosidade do que por interesse.
Edgar parou em um semáforo e olhou para ele, sua expressão ficou séria, embora seu sorriso não desaparecesse completamente.
— Porque eu quero te conhecer melhor. Assim, quando eu fingir estar interessado em você para encobrir suas mentiras, poderei fazê-lo sem levantar suspeitas — disse ele com uma naturalidade desconcertante. — E também porque eu realmente gosto de você.
Ansel ficou petrificado, seus olhos se arregalaram de descrença. Ele virou a cabeça lentamente para Edgar, como se o tivesse ouvido errado.
— O que você acabou de dizer? — perguntou, sua voz quase inaudível, enquanto seu rosto corava involuntariamente.
Edgar, aproveitando sua reação, começou a rir enquanto estacionava o carro.
— Você deveria ver sua cara, Ansel — disse ele entre risadas, desligando o motor e soltando o cinto de segurança. — Você é uma figura.
Ansel sorriu nervosamente e, ainda em choque, soltou o cinto de segurança. Edgar continuou rindo, mas quando a risada começou a se dissipar, o tom de sua voz mudou.
— Mas você não disse não.
— Você me pegou de surpresa, só isso — respondeu Ansel, tentando parecer despreocupado.
Edgar olhou para ele fixamente, com um olhar que parecia mais intenso do que o normal.
— Sério? Ou é porque você está disposto a conhecer alguém além do seu amigo? — perguntou Edgar em um tom mais sério, com uma leve insinuação.
Ansel, que estava prestes a abrir a porta para sair do carro, parou. O silêncio entre eles se estendeu por alguns segundos desconfortáveis antes que ele respondesse.
— Não. Não quero ninguém além de Emmett — disse ele com firmeza, embora no fundo de sua mente, ele tivesse hesitado por um breve segundo antes de pronunciar essas palavras.
Edgar se inclinou para ele, baixando ligeiramente a voz.
— Não estou falando de querer — disse ele suavemente. — Estou falando de experimentar. Experimentar estar com alguém que não seja ele, sem sentimentos envolvidos. — Sua mão se aproximou do queixo de Ansel, segurando-o delicadamente. — Posso te dar o que ele não te dá. Se você quiser um encontro, nós teremos um encontro. Se você quiser um abraço, eu te dou um abraço. Posso fingir ser o namorado perfeito para você, Ansel... mas sem a necessidade de nos apaixonarmos.
Ansel sentiu seu coração bater forte, não pelo nervosismo de estar com Edgar, mas pela tentação de explorar algo novo, algo diferente do que ele conhecia até agora. Suas mãos tremiam levemente, e embora soubesse que o que Edgar estava propondo era perigoso, uma parte dele, aquela parte cansada de esperar, queria ceder.
— Eu não...
Suas palavras foram silenciadas pelo polegar de Edgar, que foi colocado estrategicamente sobre seus lábios. A mão de Edgar cobriu a boca de Ansel, aproximando-se lentamente, como se cada segundo estivesse carregado de tensão. Ansel sentiu sua respiração acelerar, preso entre a surpresa e a incerteza, enquanto Edgar se inclinava, roçando seus lábios, mas sem chegar a beijá-lo.
— Não responda agora — murmurou Edgar, em um tom que era ao mesmo tempo provocador e suave. — Ainda temos muito tempo antes que Emmett perceba se gosta de você ou não. Mas estarei disponível no dia em que você quiser.
Edgar retirou a mão e saiu do carro, deixando Ansel perdido em pensamentos. Este último ficou ali, meditando, tentando desvendar tudo o que havia acontecido naquele breve, mas intenso instante. A confusão o envolvia como uma névoa; havia apenas alguns momentos, a mera ideia de Edgar era uma distração, mas agora havia se tornado um ponto de referência inevitável em sua mente.
Ele percebeu que não havia rejeitado nem odiado o que Edgar havia feito. Na verdade, ele havia fechado os olhos, uma reação quase instintiva, em uma tentativa de aceitar o beijo que, embora não concretizado, prometia um mundo de possibilidades. O calor da situação o deixou perplexo. Uma parte dele ansiava por aquele contato, uma conexão, mesmo que efêmera.
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Atualizado até capítulo 44
Comments
Diva
Eita merdª!!!
Tiraram fotos...
Deve ter sido esse cara que sabotou Evan e Leo.
2025-01-14
1
Expedita Oliveira
Revoltada ... Sem comentários...🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭😭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭
2024-12-30
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