Capítulo 17

Nas Sombras da Fúria

Sebastian tentava manter a calma enquanto aguardava notícias de Elicy. O telefone em sua mão tremia ligeiramente, e o silêncio do outro lado da linha o incomodava profundamente. Finalmente, a chamada foi atendida.

— Casa dos Clark's, em que posso ajudar? — A voz calorosa de Sônia soou familiar.

— Sou eu, Sebastian! — Ele suspirou, tentando disfarçar sua inquietação. —  Elicy já está em casa? Estou ligando há mais de duas horas, e ela não responde. Talvez eu esteja sendo sufocante, mas, foram dez anos, entende...

Sônia sorriu com o comentário, mas logo seu coração foi tomado por uma onda de preocupação.

— Bom, ela saiu cedo para uma entrevista com investidores… Espera! — Sônia olhou para o relógio, e seu sorriso desapareceu. — Senhor Sebastian?

— Sônia?

— Ela já deveria ter buscado o senhor Hugo no hospital há uma hora. Mesmo que dessem uma volta, já estariam aqui.

O silêncio tomou conta da linha. Sônia chamou por Sebastian, mas a única resposta foi o som mudo do telefone.

❦ ════ •⊰❂⊱• ════ ❦

Mathias estava prestes a explodir de fúria quando a porta do galpão foi arrombada, e ele foi forçado a soltar Elicy, que caiu ao chão. Em meio à poeira, surgiu Sebastian, com uma expressão de pura determinação. Mathias congelou.

— Sebastian, me ajuda! — Mathias gaguejou, olhando para Elicy no chão. — Ela… ela desmaiou. Foi uma crise de ansiedade… Ela bateu a cabeça.

Mas Sebastian mal ouviu as palavras de Mathias. Seu olhar estava fixo em Elicy. Sangue escorria de sua cabeça, e suas mãos tremiam levemente. A visão de seu corpo inerte no chão fez o mundo ao redor de Sebastian desaparecer. O sangue de Elicy estava nas mãos de Mathias.

A fúria que o consumiu foi instantânea e devastadora. Sem pensar, Sebastian avançou sobre Mathias com toda a raiva acumulada. Cada soco que desferia era uma descarga de emoções represadas, uma vingança silenciosa por todas às vezes que Mathias a machucou — física e emocionalmente.

— Por todas às vezes que você a tocou, que a fez sofrer, que mentiu e a usou! — gritou Sebastian, sua voz embargada de dor, enquanto continuava a golpeá-lo sem piedade.

Cada soco reverberava como um grito silencioso de desespero. Mathias mal teve tempo de reagir antes de ser derrubado no chão, seu rosto transformado em uma massa de sangue e dor. Sebastian, cego de fúria, não se deteve, golpeando-o repetidamente, como se pudesse apagar o passado com cada golpe.

— Sebastian! — A voz fraca de Elicy cortou o ar, trazendo-o de volta à realidade. Ele congelou, o punho ainda erguido no ar, prestes a desferir mais um golpe. — Sebastian… não… por favor, não… — murmurou Elicy, antes de sucumbir à escuridão novamente.

Os policiais entraram no galpão silenciosamente, com armas em punho. Sebastian levantou-se, ofegante, enquanto o olhar assustado dos policiais se fixava em Mathias, ensanguentado e quase irreconhecível no chão.

— Esse é Mathias? — perguntou um dos policiais, a voz tomada pelo horror.

Sebastian apenas acenou com a cabeça, ainda tentando processar o que havia feito. Ele olhou para suas mãos, sujas com o sangue de Mathias, e o peso de suas ações começou a se instalar em sua mente.

Um dos policiais puxou Sebastian para fora do galpão, garantindo que ele estava bem fisicamente, mas a mente de Sebastian estava em outro lugar.

— Ele está morto? — perguntou Sebastian, sem qualquer emoção visível em seu rosto.

— Não, mas sofreu fraturas no crânio e hemorragia interna, — respondeu o policial.

O policial olhou diretamente para Sebastian, medindo suas próximas palavras.

— Sebastian, você está preocupado com o julgamento? Sabemos que você agiu em defesa de Elicy. Você ligou para várias delegacias, para os bombeiros. Fez tudo certo. Agora, só precisamos da sua versão dos fatos.

Sebastian balançou a cabeça lentamente, a amargura evidente em sua voz.

— Eu queria ouvir que ele estava morto. — Ele olhou nos olhos do policial, sem esconder a frieza em suas palavras. — Só assim eu teria certeza de que nunca mais precisarei voltar para as sombras das quais acabei de sair.

O policial colocou a mão no ombro de Sebastian, tentando transmitir alguma forma de consolo.

— Sebastian, você fez o que pôde. Você a encontrou. Você a salvou. Se Mathias não morreu, é porque você soube quando parar.

Sebastian discordava internamente. Ele sabia que, se Elicy não tivesse chamado por ele naquele momento, teria cruzado uma linha irreversível. Ela, e só ela, tinha o poder de trazê-lo de volta à luz, mas também de jogá-lo nas sombras.

❦ ════ •⊰❂⊱• ════ ❦

Sebastian correu até a ambulância onde socorriam Elicy. Ao vê-la naquele estado grave, o peso do que sentia o atingiu como um golpe. Seus olhos, normalmente tranquilos, agora refletiam uma dor profunda, um desespero que ele nunca havia experimentado antes. Tudo o que ele já considerara dor parecia insignificante comparado ao que sentia agora.

Enquanto a ambulância partia, levando Elicy, Sebastian ficou parado, sentindo-se derrotado. O silêncio ao seu redor contrastava com o tumulto interno que o consumia. Ele a havia encontrado, mas e agora? O medo de perdê-la, a culpa pelo que fizera e a incerteza sobre o futuro o sufocavam.

Tudo o que ele queria era uma chance de trazê-la de volta — não apenas do desmaio, mas de tudo o que a vida havia feito com ela, e de tudo que ele não foi capaz de impedir.

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