Capítulo 11

Sebastian acompanhou Elicy até o escritório do advogado e do contador que Sônia mencionara na noite anterior, como parte do passeio que ele havia proposto.

As suspeitas de Elicy foram confirmadas, e, com sorte, ela agora tinha toda a documentação necessária em mãos. Não confiando em deixar nada fora de sua vista e proteção, ela sabia que sua empresa e sua liberdade estavam em jogo. No meio de seu desespero, Elicy precisava que Sebastian testemunhasse o plano que ela precisaria colocar em ação nos próximos dias, com o auxílio do contador e do advogado.

 — Senhorita, é crucial que você se mantenha segura e evite contato com Mathias nos próximos dias. Qualquer sinal de desconfiança pode resultar em uma ação precipitada de Heimond. — O advogado olhou diretamente para Elicy. — Seu testamento será lido na próxima segunda-feira, e todos os envolvidos, incluindo Mathias, já foram convocados. O que eles não sabem é que seu pai reuniu provas contra eles ao longo dos anos. O último desejo dele foi que essas provas fossem reveladas durante a leitura, na presença de testemunhas, advogados e da polícia. Toda a investigação está pronta.

Sebastian observou, pasmo e incrédulo, toda a situação se desenrolar diante de seus olhos. A raiva que o atingiu ao analisar as fotos espalhadas sobre a mesa fez com que perdesse a compostura.

Ele pegou uma das fotos e a encarou fixamente por um longo tempo. Suas mãos tremiam, e os dedos apertavam a borda da foto com tanta força que começaram a rasgar. A imagem capturava o instante em que Mathias bofeteava Elicy.

Sebastian jogou a foto sobre a mesa e empurrou a cadeira com força, decidido a sair da sala. Quando Elicy correu até a porta e o impediu, ele parou abruptamente, sua raiva se misturando com uma determinação feroz.

— Saia, Elicy! — Ele disse com a voz controlada, mas carregada de raiva.

— Senhor Sebastian, se sair por aquela porta e for atrás de quem eu suspeito, você arruinará uma investigação de cinco anos e ainda colocará a vida de Elicy em perigo. Se algo acontecer com ela, tudo será dele.

— Não repita isso! — Sebastian fechou os olhos, forçando-se a controlar a fúria que o consumia. — Eu jamais deixaria qualquer coisa acontecer com ela. — Ele murmurou, a voz carregada de um pesar contido.

Elicy estremeceu ao sentir um alívio profundo quando ele deu um passo para trás, se afastando dela e da porta.

Mathias a segurou pela nuca e a puxou para um abraço quase sufocante. — Me perdoe, Elicy, por deixar você testemunhar a minha ira agora. E me perdoe por não ir atrás de você antes, por não ter a protegido daquele...

— Sebastian! — Elicy murmurou o nome dele, fazendo-o amolecer os braços ao redor dela. Ela desejou com todas as forças que ele não a soltasse, sentindo a necessidade de seu conforto e presença.

Sebastian pegou o celular de Elicy da mesa e o entregou a ela. — Ligue para ele e diga que vai para outra filial, em outra cidade. Diga que você só volta na segunda-feira. Remarque seus compromissos.

Elicy olhou para o advogado e o contador presente na sala. Eles acenaram com a cabeça, confirmando que a sugestão era sensata.

— E para onde eu vou? — Ela perguntou, preocupada. — Mathias é meu braço direito, ele conhece toda a minha agenda e todos os meus compromissos. Cada passo meu só é decidido após passar por ele.

— Eu conheço alguém que pode ajudar com esse plano — comentou Louis Whrit, o contador, com uma expressão pensativa. — Thimote foi o primeiro investidor da empresa de sua família e o filho mais velho dele foi, um dia, o melhor amigo dos seus pais. Embora não sejam mais sócios, ele ainda presta ajuda sempre que seu pai precisa. Ele é meu cliente e, ao saber da morte de seu pai, ofereceu suas condolências e me pediu para oferecer sua ajuda a você. Podemos dizer que ele fez uma proposta de investimento irrecusável, exclusivamente para você, em respeito ao seu pai. Todos sabem o quão exigente ele pode ser em negócios. O que acham? Posso avisá-lo para confirmar, caso tentem entrar em contato com ele.

— Diga a Mathias que você irá para São Perpétuo essa noite. Sugeriu Benedith

— Isso é perfeito! Sebastian empurrou o celular em direção a ela novamente.

— Mas não tenho para onde ir! Qualquer hotel para onde eu vá, ele ficará sabendo.

— Eu cuido disso — respondeu Sebastian, acenando novamente para o celular. A tensão no ar era quase palpável quando Elicy terminou a ligação, confirmando a viagem fictícia para Mathias. Ela respirou fundo, sabendo que a partir daquele momento, não poderia dar nenhum passo em falso.

— Agora vamos sair daqui, — disse Sebastian, pegando as chaves do carro. — Eu já sei onde podemos ir.

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