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— Sebastian, aquele é o carro pessoal de Thomas? Ele está morto… Será que Mathias finalmente se casou com a filha dele e agora tomará conta de tudo, como o pai dele sempre planejou? Espero que o pessoal da cidade tenha feito seguro. Acredito que em menos de um ano, tudo isso falha.
Sebastian estava prestes a responder, mas suas palavras ficaram presas na garganta quando viu a janela do carro se abrir. De repente, o rosto delicado da jovem apareceu, aproveitando o vento que soprava seus cabelos escuros como carvão. Era ela! O coração de Sebastian disparou, e ele sentiu as mãos tremerem, soltando a pilha de galhos recém-cortados que carregava. Não havia dúvida; ninguém naquela cidade fazia isso além dela.
— Sebastian! — gritou George, contorcendo-se de dor ao ser atingido por um dos galhos que caíram em seu pé.
Mas Sebastian mal ouviu. Seu foco estava totalmente no carro, na figura que parecia tão próxima e, ao mesmo tempo, tão distante. Ele acelerou os passos, mantendo os olhos fixos na visão à sua frente.
— Sebastian, o que está fazendo? Espera! — George berrou, perplexo com a súbita mudança de comportamento do amigo.
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— Seja bem-vinda, minha querida, sua mãe acabou de ligar perguntando se você já tinha chegado. — A mulher pequena e magra correu até Elicy e lhe agarrou como se ela ainda fosse uma menininha. — Como você cresceu! Sinto muito pela sua perda, minha querida. Eu só soube hoje pela manhã.
— Sônia! — Elicy retribuiu o abraço com o mesmo carinho intenso.
— Vamos, eu preparei tudo para sua chegada, minha querida. — Sônia arrastou Elicy para dentro.
Elicy encarou a casa que permanecia intocada como em suas lembranças. Ela parou de frente à escada e passou os dedos pelo corrimão sentindo a madeira marcada com as iniciais M.E.J. Ela sorriu com o canto da boca, mas seu coração pulsou com a tristeza que lhe abraçou com as memórias.
— Sônia? — Ela murmurou receosa.
— Sim, querida!
— Só queria saber se Mathias já está na cidade. — Ela reformulou a pergunta que travou em sua garganta.
— Ainda não recebi notícias, mas assim que chegar eu lhe aviso. — Sônia respondeu após avaliar os olhos tristes de Elicy.
— Ele não se hospeda aqui quando vem. — Ela falou entre dentes tentando ser cuidadosa com as palavras.
— Eu sei! — Elicy se recompôs e entrou na casa tentando barrar as memórias que lhe faziam querer fugir dali.
— Senhorita Elicy, o senhor Mathias acabou de comunicar a chegada dele. Disse que passa aqui antes de fazer uma visita em um dos lugares que está para alugar. Parece que um cliente está de olho no local.
— Obrigado!
Elicy subiu as escadas com passos lentos, sentindo cada degrau como um fardo. Ao entrar na mansão, ela parou, imóvel, de frente para a porta do escritório de seu pai. Por quase meia hora, ela ficou ali, como se estivesse congelada no tempo. Seus olhos fixos na porta fechada, mas seu coração e sua mente viajavam para o passado.
Ela queria entrar, queria enfrentar as sombras que ainda pairavam naquele lugar, mas algo a impedia. Cada vez que tentava dar um passo à frente, era como se fosse arrastada de volta para aqueles dias sombrios. Os gritos de sua mãe ecoavam em sua mente, seguidos pelo som estridente de objetos sendo arremessados e quebrados. A voz grossa e autoritária de seu pai, repleta de palavras que a faziam sentir um nojo profundo, a paralisava.
O peso dessas memórias era esmagador, e por mais que se esforçasse, Elicy não conseguiu atravessar o portal.
Finalmente, derrotada pelo passado que ainda a assombrava, ela se afastou e foi para o seu quarto. No guarda-roupa encontrou as roupas da sua infância, elas estavam ali, guardadas como um relicário de tempos perdidos. Elicy pegou uma das pequenas peças e a levou até o rosto, inspirando profundamente o cheiro que ainda trazia uma mistura de infância e inocência, de tempos em que as coisas eram diferentes, mesmo que não necessariamente melhores.
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Atualizado até capítulo 33
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