Capítulo 8

Feliz aniversário

O sol já se punha no horizonte quando Sebastian se aproximou com um sorriso tranquilo, um pequeno embrulho nas mãos. Elicy, sentada à sombra de uma árvore, admirava o brilho do lago, onde eles sempre gostavam de se encontrar. Quando ele finalmente chegou ao seu lado, com um olhar suave e carinhoso, ela mal conseguia conter a curiosidade.

— Elicy, feliz aniversário — disse Sebastian, entregando-lhe o presente com uma reverência simples, mas cheia de significado.

Ela desembrulhou com cuidado, os dedos delicados trabalhando no laço de fita até revelar o conteúdo: um pingente em forma de estrela que cintilava à luz do crepúsculo. O brilho de seus olhos refletia o mesmo encanto do presente.

— Isso é lindo! — exclamou ela, quase sem fôlego. Mas, logo, uma sombra de preocupação passou por seu rosto. — Espera... como você conseguiu comprar isso?

Sebastian, sem perder o sorriso, olhou para ela com uma ternura que quase a desarmou.

— Estamos passando por dificuldades, mas isso não significa que eu não possa comprar algo especial para você. — Sua voz era calma, e ele pegou o pingente de suas mãos. Com um gesto suave, Elicy ergueu o cabelo, e Sebastian, com todo o cuidado, colocou o colar ao redor de seu pescoço. O toque dele era gentil, quase reverente.

Os três amigos haviam combinado de comemorar o aniversário de Elicy ali, junto ao lago, um lugar carregado de memórias compartilhadas. Cada um levaria algo para o piquenique, mas, como de costume, Elicy e Sebastian chegaram primeiro. Não era uma preferência explícita; apenas uma oportunidade de aproveitar momentos a sós, longe da constante presença de Mathias.

Mathias, sendo o mais velho, sempre assumia a liderança das conversas, e essa postura dominante frequentemente deixava os outros dois desejando um pouco mais de equilíbrio. Ele tinha um senso exagerado de responsabilidade, quase paternal, que, embora bem-intencionado, acabava abafando o espaço deles.

Sebastian parecia especialmente tenso naquela tarde. Ele estava ali, mas seus pensamentos pareciam vagar por outro lugar.

— Elicy, preciso te contar algo importante. — Sua voz soava mais pesada do que de costume.

— Não me diga que já conseguiu o dinheiro para a nossa casa! — brincou Elicy, apontando para a imponente mansão branca do outro lado do lago.

Sebastian esboçou um sorriso fraco, mas a tristeza em seus olhos era palpável. Ele abaixou a cabeça, incapaz de manter o olhar fixo nela por muito tempo. A realidade que ele carregava nos ombros era insuportável, e aquela mansão não era apenas inalcançável; era um lembrete cruel de tudo o que ele e sua família haviam perdido.

— Sebastian? — Elicy sussurrou, sentindo a dor que ele tentava disfarçar. Aproximou-se, apoiando a cabeça em seu ombro, oferecendo-lhe o consolo silencioso que apenas ela sabia dar.

Sebastian respirou fundo, tentando afastar as memórias amargas que sempre o perseguiam. A pobreza, o suicídio do pai, a luta de sua mãe para mantê-los à tona... Era uma história que ele tentava enterrar, mas que insistia em ressurgir.

Antes que Elicy pudesse dizer algo, Sebastian a segurou pelo braço e a puxou para mais perto. Seus olhos se encontraram, e, por um instante, o tempo pareceu parar. A intensidade do olhar dele a fez tremer.

— Eu prometo ser sua força, e você será o meu coração. Vencerei suas batalhas, e você curará minhas feridas. — A voz dele saiu em um sussurro, carregada de emoção. — Eu serei seu, somente seu, até depois da morte.

Sem hesitar, ele a puxou delicadamente e seus lábios se encontraram em um beijo suave, quase etéreo. O gosto doce do gloss de Elicy se misturou com o sabor do chocolate que Sebastian havia comido antes. Por alguns segundos, nada mais importava além do toque dos lábios, do calor dos corpos e da sensação de pertencimento.

Mas o encanto foi quebrado de forma abrupta.

— SEBASTIAN! — A voz de Mathias ecoou pelo ar, cortando o momento como uma lâmina. Antes que pudessem reagir, ele arremessou o bolo que trazia contra Sebastian, seus olhos ardendo de uma fúria incontida. Sem dizer mais nada, Mathias virou-se e correu, deixando um rastro de tensão no ar.

— Eu vou atrás dele! — disse Sebastian, sua voz urgente, ao se levantar apressado. — Não saia daqui, Elicy.

Ele correu em disparada, seus pés mal tocando o chão. Elicy ficou parada, o coração ainda acelerado, sem saber ao certo o que acabara de acontecer.

(...)

— Você prometeu! — gritou Mathias, sem fôlego, enquanto Sebastian o alcançava.

A raiva tomou conta de Mathias, e ele se jogou sobre o amigo, desferindo socos descoordenados. Sebastian, inicialmente surpreso, tentou se defender, mas logo o embate se transformou em uma troca de golpes furiosa.

De repente, o pai de Mathias, Heimond, apareceu correndo e os separou com brutalidade. Ele empurrou Mathias para longe com um tapa no peito, o jogando no chão. O olhar de Heimond era cheio de desprezo, não para Sebastian, mas para o próprio filho. — Qual é o problema de vocês dois?

— Pai, ele a beijou! — Mathias gritou, sem se importar com as consequências, deixando a revelação ecoar no ar.

Heimond recuperou sua postura, analisou Sebastian de cima a baixo e, com um olhar de desprezo, puxou o telefone do bolso do terno.

(...)

Quando Sebastian voltou ao lago, viu algo que o fez gelar: Thomas, o pai de Elicy, segurava a filha pelos cabelos, gritando insultos que feriam tanto quanto qualquer golpe físico. O desespero tomou conta de Sebastian.

— Por favor, não se envolva. — A mãe de Elicy, em lágrimas, tentava segurá-lo. — As consequências serão ainda piores...

Após trancar Elicy no carro, Thomas caminhou em direção a Sebastian e com um único tapa o derrubou.

(...)

Naquele dia, ao ver Sebastian entrar com o rosto machucado, Helena sentiu o sangue ferver. Já sabia das dificuldades do filho, mas aquilo ultrapassava todos os limites. Sem hesitar, decidiu ir até a casa dos Clark’s, determinada a mostrar que ninguém tocaria em seu filho.

Chegando lá, a mansão estava um caos. Thomas, descontrolado, destruía tudo ao redor, seus gritos ecoando pela casa. Sebastian, em desespero, segurava o braço da mãe, suplicando: — Mãe, ele vai matá-la! É culpa minha!

A última coisa que ele viu foi o carro desaparecer ao longe, levando Elicy embora. A imagem dela, com os olhos cheios de lágrimas, fitando-o uma última vez enquanto era levada, ficaria gravada em sua mente para sempre.

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