Capítulo 2

A Distância Necessária

— O que é isso? — Elicy perguntou, curiosa, ao ver a mãe entrar com mais um buquê de flores.

— Mathias enviou como pedido de desculpas — respondeu Amélia, suspirando. — Ele tem ligado sem parar nos últimos cinco dias.

Ela colocou o enorme buquê junto com os outros cinco já amontoados no canto do apartamento, formando uma pequena floresta de desculpas floridas.

— Você tem certeza disso? — Amélia perguntou, parando ao lado de Elicy para puxar uma das malas até a porta.

— E você? Tem certeza de que consegue tomar conta de tudo sozinha? — Elicy retrucou, ignorando as flores e a pergunta da mãe, focada no que realmente importava.

— Você sabe do que sou capaz! — Amélia respondeu com firmeza, sem hesitação, enquanto puxava outra mala até a porta. Entre elas, não havia espaço para dúvidas; cada uma conhecia a força da outra.

Elicy puxou a última mala e interfonou para o motorista, avisando que estava pronta. Em seguida, virou-se para a mãe, envolvendo-a em um abraço apertado, carregado de sentimentos que as palavras não poderiam expressar completamente.

— Eu te amo, mamãe — disse Elicy, a voz embargada pela mistura de determinação e medo. — Prometa que vai me manter informada, e se algo estranho acontecer, garanta que nenhum daqueles urubus velhos saia da linha. — Seus olhos buscaram a segurança que sempre encontrava nos da mãe. — Eu só preciso de um tempo para encontrar as provas que preciso e acabar com toda essa merda.

Amélia retribuiu o abraço com a mesma intensidade, transmitindo toda sua força através daquele gesto. — Eu prometo, querida. Manterei tudo sob controle, e quando você voltar, tudo estará como deve ser. Cuide-se e não se deixe abalar. Estamos juntas nessa.

As duas foram interrompidas pela campainha. Amélia deu um último beijo na testa de Elicy, o carinho e a preocupação estampados em seu rosto. — Chegou a hora, querida. Não se preocupe comigo. Eu te amo, minha estrelinha!

Ela abriu a porta, esperando encontrar o motorista, mas ficou surpresa ao ver Mathias ali, a expressão marcada por uma mistura de ansiedade e determinação.

— Mathias, o que faz aqui? — Amélia perguntou, surpresa e um pouco preocupada.

Mathias murmurou, seus olhos fixos nos de Elicy, que o observava por cima do ombro de Amélia. — Vou com você. — Sua voz estava carregada de sinceridade e arrependimento. — Me desculpe pelo que aconteceu. Eu realmente sinto muito! Por favor, Elicy, você não pode fazer isso sozinha, e você sabe disso. Sabe que precisa de mim.

Elicy permaneceu em silêncio por um momento, seus pensamentos rodopiando, revisitando antigas memórias. Ele tinha razão. A cidade havia mudado tanto nos últimos oito anos. Novas pessoas, novas estruturas. A sede da empresa era agora um lugar diferente, quase irreconhecível. Mathias era a única pessoa que ainda tinha acesso regular àquele mundo, a única pessoa que podia guiá-la por ele.

Ela suspirou, sua mente finalmente se acalmando. — Não vamos começar isso outra vez, Mathias — respondeu com um tom que misturava firmeza e resignação. — Mas você tem razão. Preciso de você lá. — Ela fez uma pausa, olhando diretamente para ele. — Mas preciso de você como sócio, não como algo mais. Organize-se para me encontrar na empresa na terça pela manhã.

Mathias não queria aceitar essa distância que Elicy estava impondo entre eles. Em um movimento impulsivo, ele segurou seu braço, tentando impedir que ela se afastasse mais. — Por favor, Elicy, não precisa ser assim! — Sua voz falhou enquanto ele buscava as palavras certas. — Me perdoe, Elicy. Por favor, me perdoe.

Desesperado, ele encostou sua testa na dela, buscando, naquele gesto, um último laço entre eles. — Eu sempre vou estar com você e ser seus olhos por trás, como prometemos um ao outro. — Sua voz era um sussurro, carregada de emoção.

Elicy sentiu a tensão no ar, o conflito interno travando dentro dela. Por um momento, ela fechou os olhos, permitindo-se sentir a conexão que ainda existia entre eles, mas que agora estava encoberta por camadas de dor e desconfiança.

— Mathias — ela sussurrou de volta, sem se afastar, mas também sem ceder completamente. — Eu preciso de tempo. Tempo para processar tudo, para entender o que realmente importa agora. E, se você realmente se importa comigo, vai me dar esse tempo.

Ela se afastou suavemente, mantendo o olhar firme no dele. — Te espero na terça. E juntos, como sócios, resolveremos isso.

Mathias assentiu lentamente, compreendendo a necessidade de espaço e tempo. Ele sabia que, se forçasse qualquer coisa agora, só a empurraria para mais longe. — Estarei lá — respondeu, com uma determinação calma.

Amélia, que observava silenciosamente a troca, sentiu a tensão diminuir ligeiramente. Ela sabia que o caminho à frente seria difícil, mas havia esperança de que, com tempo e paciência, as feridas poderiam começar a cicatrizar.

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