— Por que quer saber do meu casamento? — Elicy perguntou, confusa, dando um passo para trás. Ela mal teve tempo de processar o comentário antes de Mathias se aproximar, interrompendo-os ao informar precisarem ver mais algumas salas, já que aquela não havia agradado Sebastian.
O silêncio seguia carregado de tensão, com Sebastian encarando Elicy sem tirar os olhos por um segundo sequer, Mathias limpando a garganta tentando tirar o foco dele de Elicy e ambos desconfortáveis com o momento.
— Quer vir comigo? — Sebastian perguntou, quebrando o silêncio com uma oferta que ele sabia ser ousada.
— Não! — Mathias respondeu primeiro, surpreso e alarmado. — Ela nunca andou de moto. E você não pode colocá-la em perigo assim!
— Não se preocupe, Mathias, vamos só até o próximo imóvel. — Sebastian disse com uma calma que escondia a tempestade interna.
Ele pegou Elicy pelo braço com delicadeza, e depois colocou o capacete nela com cuidado. — Agora, você se segura assim. — Ele colocou os braços dela ao redor de sua cintura, sentindo o toque dela contra seu corpo.
Quando Sebastian ligou a moto, Elicy sentiu o coração acelerar em uma mistura de ansiedade, medo e empolgação. Ela apertou os braços em torno dele, deixando seu corpo buscar segurança no dele.
Sebastian não pôde deixar de observar Mathias, que chutava o pneu do carro com frustração. Ele entendia aquela ansiedade, mas se perguntava por que Mathias estava tão descontrolado. Nos últimos meses, Mathias havia se tornado uma presença mais frequente, mas, paradoxalmente, a distância entre eles parecia aumentar a cada visita. O que antes eram conversas simples agora se transformavam em discussões sem sentido, com Mathias perdendo a calma e descontrolando-se de forma que Sebastian nunca havia testemunhado antes. No entanto, algo havia mudado, e Sebastian não conseguia ignorar isso.
(...)
Sebastian, Mathias e Elicy se conheceram no mesmo dia, um encontro que marcaria o início de uma amizade profunda.
Sebastian, que tinha apenas 6 anos na época, passou cerca de duas horas observando o garoto ruivo seguindo a garotinha de olhos grandes e brilhantes. Ele estava fascinado pela dinâmica entre os dois e não conseguia desviar o olhar. Para sua surpresa, a garotinha o notou e, com uma determinação inesperada, caminhou diretamente em sua direção. O coração de Sebastian perdeu o ritmo pela primeira vez; aqueles olhos grandes fixos nele quase o deixaram sem fôlego.
— Qual é, garoto, não pode ficar encarando assim! — disse o garoto ruivo, chamando sua atenção de forma brincalhona.
— Como se chama? — perguntou a garotinha, com curiosidade na voz.
— Sou… Sebastian! — Ele respondeu, um pouco nervoso.
— Sebastian! Ela repetiu o nome dele, não uma e nem duas, mas repetiu várias vezes cantarolando como se a palavra fosse divertida. — Sebastian, você quer se casar comigo? Ela disse de repente os deixando surpresos.
— O quê? Está maluca Elicy? Não pode sair pedindo qualquer ralé em casamento. E você só tem 5 anos, garota.
Os três riram até perder o fôlego, e, depois daquele episódio, os domingos se tornaram o dia mais esperado por eles. Haviam se transformado numa espécie de desordeiros que ninguém ousava tentar controlar.
(...)
— Então… Vai ficar por quanto tempo? — Sebastian perguntou, quebrando o silêncio que havia se instalado entre eles, o tom de sua voz tentando parecer casual, mas carregado de uma curiosidade mal disfarçada.
— Eu não sei. Estou a trabalho — Elicy respondeu, distraída enquanto conferia a cozinha do local. Ela observou o espaço com curiosidade, tentando imaginar os planos que Sebastian tinha para aquele lugar. — Vai montar mais um restaurante? — perguntou, voltando-se para ele.
— Quero montar um tipo de bistrô — disse Sebastian, dando de ombros como se fosse algo simples, mas o brilho em seus olhos traía a paixão que ele sentia pela ideia. Um breve silêncio caiu entre eles antes que ele voltasse a falar, sua voz ligeiramente hesitante. — Quando você se casa?
Elicy sentiu um aperto no peito ao ouvir a pergunta. Ela se apoiou no balcão, tentando ganhar tempo antes de responder. — Você vê Mathias todos os meses e não sabe?
Sebastian desviou o olhar por um momento, claramente desconfortável com o assunto. — Bom… é que não conversamos muito sobre essas coisas.
Elicy o encarou com seriedade, a tensão entre eles crescendo. — Você quer dizer… assuntos que me envolvam? — Sua voz era calma, mas havia uma força por trás dela, como se estivesse esperando há muito tempo por essa oportunidade de confrontá-lo.
Sebastian encontrou o olhar de Elicy, a dor em seus olhos agora mais evidente. Ele não respondeu imediatamente, e o silêncio que se seguiu foi pesado. Ambos sabiam que havia muito mais a ser dito, mas as palavras não vinham facilmente.
Elicy lembrou-se de como tudo havia mudado quando ela tinha 12 anos. De repente, foi enviada para um internato, sem permissão para voltar. Seus pais justificaram a decisão com a necessidade de uma educação adequada, preparando-a para a faculdade de negócios e empreendedorismo. Disseram que a cidade em que viviam não tinha os recursos necessários para torná-la a melhor.
Mathias entrou pela porta com uma postura calma, interrompendo Sebastian, que estava prestes a dizer algo para Elicy. Ele deu uma olhada ao redor, rodopiando para analisar o local com cuidado.
— E então, você gostou? — perguntou Mathias, enquanto seus olhos percorriam o ambiente.
— Este vai servir. — Sebastian respondeu com seriedade, caminhando até Mathias e parando ao seu lado. — Leve os documentos até o meu escritório até amanhã de manhã. — Ele deu um leve tapinha no ombro de Mathias e, sem olhar para trás, saiu do recinto. — Te vejo mais tarde em casa! — gritou para Mathias antes de desaparecer pela porta.
Elicy, sentindo-se magoada e constrangida, tentou esconder seus sentimentos. — Vamos, preciso me organizar para a apresentação de amanhã. — disse, tentando manter a compostura.
Mathias, com uma expressão de arrogância evidente, seguiu Elicy, sem entender completamente o que havia acontecido. — O que foi? Acabei de chegar! — disse ele, apressando os passos para acompanhá-la, e a satisfação na voz dele era tão evidente que fazia Elicy querer enforcá-lo ali mesmo.
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Atualizado até capítulo 33
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