— Para onde vai me levar? Ela perguntou.
— Para casa! Ele respondeu sem mudar a expressão.
— Não posso ficar na sua casa. Mathias pode aparecer a qualquer hora. — Elicy se preocupou.
— Eu não me referia à minha casa — disse Sebastian, manobrando o carro e mantendo os olhos na estrada. — Eu disse para casa! Nossa Casa! Não se lembra?
Elicy o olhou, confusa. Será que ele estava brincando ou havia enlouquecido?
— Você me fez prometer que juntaria dinheiro e compraria a mansão do lago! Não se lembra? Quando nos casamos, você escolheu aquela casa para ser nosso lar. — Ele a olhou de relance para ter certeza de que ela estava prestando atenção, já que não ouvia um som vindo dela.
O rosto dela estava pálido e os olhos arregalados, encarando-o com incredulidade.
— O que foi? Fiz uma promessa. — Ele sorriu, tentando aliviar a tensão sobre ela.
— Você está zombando de mim! Não é hora para isso — ela murmurou, ainda chocada. Não conseguia acreditar que ele lembrava dessas coisas, e menos ainda que estava falando em voz alta sobre um casamento de mentirinha entre duas crianças. Só de relembrar as suas tentativas de chamar a atenção dele, seu estômago se revirava e sua pele esquentava com a vergonha.
— Elicy escuta! Ele disse mudando o tom. — Quero que você saiba que nunca fui atrás de você porque acreditei que você havia escolhido e aceitado o seu destino com Mathias. Eu…
— Você não precisa se desculpar — ela murmurou. — Eu só teria gostado de receber notícias suas. Queria ter acompanhado seu sucesso e conhecido uma de suas namoradas e ficar feliz por você. Não soube nada de você desde que fui embora, e o pouco que soube foram as reclamações e comentários de Mathias sobre sua vida agitada com mulheres. — Elicy sabia que parte daquela declaração não era totalmente verdadeira, e sentia um ciúme apenas ao mencionar o assunto. No fundo, ela gostaria realmente de ter acompanhado cada etapa do sucesso dele e de ter comemorado suas conquistas ao seu lado.
— Vida agitada? Ele sorriu amargurado. — Eu mal tive tempo de manter contato com minha própria mãe. Mas não minto que tive meus momentos de carência em que precisei procurar alguém para aliviar a tensão. Ele soltou um sorriso irônico e malicioso no canto da boca.
Elicy corou com o comentário dele. — Por que você não quis manter contato comigo? Éramos amigos! Eu… eu senti sua falta! Fiquei tão magoada quando você não apareceu no encontro que marcamos na faculdade. Passei todos aqueles anos no internato planejando reencontrar você e Mathias, e quando você não apareceu…
— Eu estava lá! Ele disse envergonhado.
Elicy o olhou surpresa.
— Eu me atrasei devido ao ônibus; na época, eu não tinha dinheiro para ir de carro. Estava tão animado para te ver e queria te contar que havíamos acabado de nos mudar da casa da minha tia e que íamos abrir nossa própria lanchonete! Na época, não era muito, mas eu queria que você fosse a primeira a saber. Mas quando cheguei, vocês estavam se beijando! Você estava… Na hora, eu soube que não tinha o direito, mas senti um ciúme tão intenso que me fez perder a razão. Eu… Não queria que você me visse daquele jeito, nem que soubesse que eu ainda não tinha superado você.
Sebastian acelerou o carro, esforçando-se para não demonstrar sua aflição e culpa.
— Se eu soubesse o que sei agora, teria impedido. Teria me intrometido, feito algo… E pensar que tudo o que aconteceu desde aquele dia poderia ter sido um plano de Mathias…
— Sebastian… — Elicy segurou a mão dele, firmemente agarrada à marcha.
Ele relaxou a mão ao sentir o toque dela e estendeu a mão para segurá-la. Quando se aproximaram da rua que contornava o lago, Elicy avistou, à distância, a casa do outro lado.
Sebastian retirou a mala do carro antes de dar a volta para abrir a porta para ela. Elicy desceu, com a boca aberta, admirando a mansão isolada da cidade. A mansão ainda era exatamente como ela se lembrava. De longe, parecia grande, mas agora, em frente a ela, parecia ter o dobro do tamanho que ela havia imaginado.
Sebastian segurou a mão dela e a guiou para a entrada. — Ninguém sabe que ela é minha. Ele falou. — E eu não tive coragem de entrar desde que a comprei.
— Espera! Ela parou o impedindo de continuar. — Você nunca entrou em sua própria casa? Como sabe que foi um bom negócio? E se por dentro estiver desmoronando?
Ele riu com as perguntas dela. — Eu te disse duas vezes que esta casa era nossa, e você nem ligou. E agora, quando digo que nunca entrei nela, a única coisa que você pergunta é se foi um bom negócio? — Ele a puxou, rindo, até a porta e retirou a chave escondida abaixo do vaso de flores que enfeitava a entrada.
Elicy o seguiu, curiosa e ansiosa para ver a casa dos seus sonhos de infância. Cada passo em direção à entrada fazia seu coração bater mais rápido, imaginando como era o lugar que ela sempre desejou conhecer.
— Está pronta? Ele perguntou quando deu o último giro da chave.
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Atualizado até capítulo 33
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