Becky arregalou os olhos, mas não conseguiu se mover. A mente de Skyler a invadiu, como uma onda impetuosa. Ela viu a vila, ouviu as risadas das crianças, sentiu o calor da fogueira, e viu Skyler, uma menina cheia de esperança, sonhando com um futuro melhor. Mas as lembranças daquela noite, da tragédia que a marcara para sempre, a assombraram. O pai, caído no chão, a expressão de dor congelada em seu rosto. A culpa, a raiva, a dor – tudo se misturava em uma confusão torturante.
Skyler, presa no labirinto da mente de Becky, tecia uma teia de mentiras. Queria que Becky a odiasse, que a temesse. Era a única forma de se proteger, de proteger a amiga que tanto amava... ou seria?
De volta à realidade, Becky abriu os olhos, o coração martelando contra as costelas. Skyler a olhava com uma tristeza tão profunda que quase a quebrou. – Me desculpe, Becky. Eu não tive escolha. – A voz de Skyler era um lamento, uma súplica.
– Você tem escolha sim. Você pode ser melhor do que isso.
O silêncio que se seguiu era denso e opressivo, carregado de um peso que parecia esmagar os ossos. A ruína ao redor delas, um labirinto de sombras e escombros, era um reflexo do caos que se instalara em suas almas. Skyler, sentindo a ira de Becky, aproximou-se, seus olhos fixos nos da amiga. Com um movimento rápido, a agarrou, suas mãos trêmulas, um reflexo de sua própria angústia. "Por que ela está fazendo isso? Será que ela ainda se importa comigo?", questionou Becky em sua mente, enquanto tentava se soltar do aperto de Skyler. A dúvida a corroía por dentro, alimentando a chama da incerteza.
As duas se encararam por longos segundos, a tensão no ar era palpável. A ruína ao redor delas parecia mais escura do que nunca. – Idiota. – Ela sussurra escutando um riso nasal de Skyler, logo sente o peso de Skyler sobre o corpo dela, a mesma pega Skyler rapidamente com dificuldade pela dor que estava em seu corpo.
– Skyler! – O grito agudo de Vanessa rasgou o ar carregado de estática, ecoando nas paredes daquela ruína. A cada passo que dava, a urgência pulsava em suas veias, impulsionando-a a alcançar a amiga caída.
Darius, a voz grave como um trovão distante, alertou – Ela se sobrecarregou, está à beira do colapso. – A constatação era um golpe no estômago de Vanessa.
Com uma delicadeza brutal, elas deitaram Skyler no chão frio e úmido. Sua pele, pálida como a lua, era marcada por um ferimento profundo, uma fenda negra que sangrava um líquido prateado, quase luminescente. Seus dedos, antes garras afiadas, agora eram cicatrizes cruéis, um lembrete do poder que a consumia.
Becky, com os olhos fixos em Skyler, traçava as linhas de seu rosto com dedos trêmulos. Uma luz esverdeada, tênue e pulsátil, emanava de suas mãos, um reflexo da energia que fluía entre elas. – Por favor, Skyler, aguenta – sussurrou, a voz rouca de emoção.
– Pare com isso, Becky! – Darius rugiu, a voz carregada de desespero. – Você vai se matar! – Mas a ruiva, imersa em sua própria dor, ignorava os gritos. Seus olhos estavam vidrados, sua mente consumida pela necessidade de salvar sua amiga.
O sangue escorria pelo rosto de Becky, misturando-se às lágrimas que rolavam por suas bochechas. Com um grito gutural, ela começou a canalizar uma energia poderosa, as palavras incompreensíveis que saíam de sua boca ecoando pelas ruínas como um lamento desesperado.
Vanessa, sentindo a força de Becky se esvair a cada segundo, a puxou para trás, prendendo-a em um abraço desesperado. – Becky, por favor, pare! – implorou, sua voz trêmula. Mas a ruiva se debatia como uma fera ferida, seus olhos cheios de uma determinação cega.
Mia, pálida como um fantasma, observava a cena com horror. – Precisamos levá-la para a curandeira agora! – gritou, sua voz rouca pela tensão. A imagem de Skyler, deitada no chão, banhada em sangue prateado, era uma lembrança que a marcaria para sempre.
O tempo parecia ter parado. A tensão era palpável, pairando no ar como uma névoa densa. A vida de Skyler pendia por um fio.
Um gemido escapou dos lábios de Skyler, enquanto ela se agitava, despertando. Desorientada, olhou em volta, O pânico a tomou ao se lembrar da batalha e do uso imprudente de seus poderes. – Becky? – ela murmurou, sua voz rouca. Seus olhos varreram o aposento, encontrando a figura de Becky adormecida em uma cadeira ao lado da cama. Um alívio imenso a inundou.
Becky se mexeu ao ouvir a voz de Skyler, seus olhos se abrindo lentamente. Um traço de preocupação cruzou seu rosto antes de um sorriso caloroso se espalhar por seus lábios. – Skyler! Você está acordada. Não me assuste assim nunca mais!
Skyler conseguiu um sorriso fraco. – Me desculpe, Becky. Eu não quis...
Becky interrompeu-a com um gesto suave da mão. – Vamos conversar sobre isso mais tarde. Agora você precisa descansar.
Exausta, Skyler afundou no colchão, o sorriso reconfortante de Becky gravado em sua mente.
Os dias se transformaram em semanas enquanto Skyler se recuperava. A culpa por suas ações a corroía por dentro, mas o apoio constante de Becky aliviaram seu fardo. A curandeira explicou que os poderes de Skyler eram imensos, mas ainda não dominados, e que o incidente havia servido como um lembrete da responsabilidade que vinha com eles.
As botas pesadas de Henrique ecoaram no corredor de metal, cada passo um martelo martelando a tensão no ar. O laboratório Nexus, encravado no alto da colina, era um monólito de vidro e aço, imponente e frio como a ambição que o alimentava. Ao entrar na sala de controle, a vista panorâmica da cidade adormecida lá embaixo contrastava com a agitação frenética que o consumia.
– Quero o status dos mutantes. – A voz de Henrique, grave e cortante como aço, ecoou pela sala. – Eles tiveram tempo para se adaptar. Quero o poder deles, Doutora.
Alexandra, sentada diante de uma multidão de telas cintilantes, ergueu os olhos. Seus dedos tamborilavam nervosamente sobre a mesa, um ritmo frenético que espelhava a agitação em seu interior. “Ele está cada vez mais impaciente. O que ele pretende fazer com eles? Transformá-los em armas?” pensou ela, a voz interior ecoando em sua mente.
– Tenho os dados completos. – Sua voz saiu mais fraca do que gostaria. – Veja com atenção.
A tela principal se iluminou, revelando uma série de gráficos e imagens complexas. Henrique se aproximou, seus olhos percorrendo as informações com avidez.
Status On:
Darius: O Rei da Escuridão.
Um monstro nascido das sombras. Com um simples pensamento, ele molda a escuridão, transformando-a em garras afiadas, tentáculos opressivos ou muralhas impenetráveis. Mas sua verdadeira força reside em sua capacidade de invadir a mente de seus inimigos, mergulhando-os em um abismo de terror. Quando se transforma, sua pele negra como breu se contorce, revelando veias pulsantes de energia escura. Chifres retorcidos brotam de sua cabeça, como ramificações de uma árvore maléfica.
O Medo da Fraqueza: Consumido pela ambição, Darius pode temer que um dia alguém o supere ou o derrote. Essa insegurança pode levá-lo a eliminar qualquer ameaça potencial, mesmo que isso signifique sacrificar inocentes.
A Corrosão da Alma: A escuridão que habita dentro de Darius pode começar a corroer sua humanidade. Ele pode se tornar cada vez mais cruel e impiedoso, desfrutando da dor e do sofrimento que causa aos outros.
Vanessa: A Protetora Corrompida.
A encarnação da luz, ela irradia um calor reconfortante e uma força inabalável. Seus olhos brilham como estrelas, e suas mãos, ao tocar um ferimento, podem curar. Mas a luz também pode ser uma arma poderosa. Com um gesto, ela pode lançar raios cegantes ou conjurar uma espada de energia pura, capaz de cortar qualquer coisa. Em sua forma transformada, ela se eleva nos céus, suas asas de luz a impulsionando para frente. Uma coroa de estrelas adorna sua cabeça, simbolizando seu domínio sobre a luz.
O Peso da Responsabilidade: A pressão de proteger o mundo pode levar Vanessa a tomar decisões moralmente questionáveis. Por exemplo, ela pode decidir manipular eventos para garantir a segurança de todos, mesmo que isso signifique violar a liberdade de outros.
A Dúvida: A dúvida sobre a natureza do bem e do mal pode levar Vanessa a questionar sua própria identidade. Em um momento de desespero, ela pode se voltar contra aqueles que ela deveria proteger, acreditando que a escuridão é a única resposta.
Erick: O Guerreiro Cego pela Ambição.
Um guerreiro implacável, forjado na forja da ambição. Suas runas, inscritas em sua armadura e arma, concedem a ele um poder quase mágico. Cada golpe de sua lança é preciso e mortal, capaz de perfurar a armadura mais resistente. Sua transformação é sutil, mas poderosa. Seus músculos se tensionam, seus sentidos se aguçam, e sua aura exala uma determinação inquebrantável.
A Obsessão pelo Poder: A busca incessante por poder pode levar Erick a cometer atos cada vez mais cruéis. Ele pode se aliar a forças malignas, sacrificando sua humanidade em troca de poder.
O Medo da Fraqueza: O medo de ser fraco pode levar Erick a subestimar seus oponentes e a tomar decisões precipitadas, resultando em um desastre.
Mia: A Curadora Corrompida.
Uma criatura da floresta, com um corpo ágil e sinuoso como uma serpente. Ela se comunica com as plantas e os animais, e possui um dom de cura incomparável. Sua transformação é um mistério, mas rumores dizem que ela pode se fundir com a própria natureza, tornando-se parte da floresta.
A Manipulação da Natureza: A capacidade de controlar a natureza pode corromper Mia, levando-a a acreditar que está acima das leis naturais. Ela pode usar seus poderes para manipular o meio ambiente e causar destruição em grande escala.
A Perda da Inocência: A exposição ao lado sombrio da humanidade pode despertar uma raiva latente em Mia, fazendo com que ela se volte contra aqueles que a machucaram.
Skyler: A Fera Descontrolada.
Uma fera desencadeada, um monstro nascido da dor. Seus olhos, prateados e brilhantes como brasas, revelam uma alma atormentada. Seus músculos são duros como aço, e suas garras são afiadas como navalhas. Quanto mais sofre, mais forte se torna. Em sua forma transformada, ela se torna uma criatura coberta de pelos escuros, com dentes afiados e garras retráteis.
A Sede de Destruição: A dor que habita dentro de Skyler pode se transformar em uma sede insaciável de destruição. Ela pode se tornar uma ameaça para tudo e todos ao seu redor.
A Perda da Humanidade: A constante luta entre sua natureza humana e animal pode levar Skyler a perder completamente sua humanidade, transformando-a em uma besta selvagem.
Becky: A Chama Consumidora.
A chama que consome tudo em seu caminho. Sua pele, incandescente, queima tudo o que toca. Seus movimentos são rápidos e imprevisíveis, como as chamas de uma fogueira. Ela é a antítese de Skyler, uma força destrutiva que busca a aniquilação. Sua transformação a envolve em chamas, transformando-a em um ser de puro fogo.
A Obsessão pela Perfeição: A busca pela perfeição pode levar Becky a se tornar cada vez mais isolada e arrogante. Ela pode acreditar que está acima de todos os outros e que tem o direito de moldar o mundo à sua imagem.
O Medo da Fraqueza: O medo de perder o controle sobre seus poderes pode levar Becky a se tornar ainda mais destrutiva, queimando tudo em seu caminho.
Status Off:
Henrique cravou os olhos nos monitores, a satisfação cintilando em seus olhos. A sala, com suas luzes frias e o zumbido constante dos equipamentos, era um reflexo perfeito de sua alma: fria, calculista e dominadora.
– Veja, Doutora, eles estão prontos. Mais fortes, mais obedientes. Uma legião à nossa disposição. – Sua voz ecoou pela sala, carregada de uma confiança que beirava a arrogância.
Alexandra, sentada à sua frente, apertou os lábios. A imagem dos mutantes, subjugados e obedientes, a deixava perturbada. A ciência sempre fora sua paixão, mas a manipulação da vida, a criação de monstros, a deixava com um gosto amargo na boca.
– Mas e os riscos, Henrique? – ela questionou, sua voz trêmula. – E se algo der errado? E se eles se voltarem contra nós?
Henrique soltou uma risada curta, um som metálico que ecoou nas paredes da sala. – Riscos? Que riscos? Nós os criamos, nós os controlamos. Eles não passam de ferramentas em nossas mãos. Becky parece um problema, não acha? – Ele se virou para ela, seus olhos penetrantes.
Alexandra sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Becky, a criança estrela, a esperança da humanidade. A ideia de capturá-la e usá-la como cobaia a revoltava.
– Ela foi uma criação de um dos nossos cientistas exilados. Ela tem o mesmo sangue de Skyler em seu organismo, mas assim como Skyler, ela também é uma bomba-relógio. – Alexandra se forçou a manter a calma. – Precisamos sequestrar as duas, assim posso fazer estudos mais precisos e você vai adquirir um poder enorme.
Henrique apertou os punhos, as veias saltando em seu pescoço. – A maldita bruxa da cidade. Dizem que ela viu o nosso futuro e afirma que Becky é a criança estrela. Se Becky for a criança estrela, ela pode eliminar o vírus e até mesmo dividir o mundo entre um portal. Não podemos permitir isso.
Alexandra assentiu com a cabeça, mas seus pensamentos estavam em outro lugar. A ideia de dividir o mundo, de criar um novo equilíbrio, a fascinava. Mas a que custo?
– Pegue ela primeiro. – Alexandra disse, sua voz fria como o aço. – Skyler vai vir atrás dela assim que Becky sumir e então teremos as duas.
– E as outras? – Henrique se referiu aos outros mutantes. – Podem ser um problema se vierem em conjunto.
– Não exatamente. – Alexandra digitou um código no painel, revelando uma série de frascos verdes. – Deixaremos que se ocupem com as criaturas assim que chegarem. Quero que treine soldados para que eu possa aplicar o vírus sem desperdício. “Estou criando um monstro. Um monstro que pode destruir tudo o que eu amo. Mas e se não houver outra saída? E se a humanidade estiver condenada?”
Ela se levantou e caminhou em direção à porta, deixando Henrique sozinho com seus pensamentos. A ambição brilhava em seus olhos, mas uma sombra de dúvida pairava sobre ele. Afinal, o poder absoluto corrompe absolutamente?
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Atualizado até capítulo 21
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