Capítulo 7

Skyler caminhou até a janela gelada, sentindo o vento cortante contra sua pele pálida. A lua, imponente e solitária, iluminava a escuridão da noite, projetando sombras longas e distorcidas no quarto. Com dedos trêmulos, abriu uma pequena gaveta e retirou de lá um ursinho de pelúcia, surrado e manchado. Seus olhos se fixaram no brinquedo, despertando uma enxurrada de memórias dolorosas. Lembrava-se da noite em que o ganhara de presente, da sensação de segurança que o ursinho lhe proporcionava. Era um presente de sua amiga, um gesto de amor incondicional que a fazia sentir protegida. Mas tudo mudou quando... Um sorriso amargo curvou seus lábios. O ursinho era um farrapo de suas memórias, um pedaço de um mundo perdido para sempre. "Por que eu guardei isso?" ela murmurou para si mesma, a voz rouca pela emoção. "Ele era só um brinquedo, mas para mim..." Ela apertou o ursinho contra o peito, buscando um conforto que há muito havia se esvaído. As lágrimas escorriam silenciosamente por suas faces, misturando-se com a umidade do vidro.

"Becky..." sussurrou, a voz falha. A saudade a consumia por dentro. Ela sentia falta do toque suave de sua amiga, do calor de seu abraço. Mas a vida havia tomado um rumo diferente, um rumo sombrio e cruel. E ela, presa em uma espiral de dor e ódio, não sabia mais como escapar.

Memories On:

– Skyler, vamos logo, querida! – A voz da mãe de Skyler ecoou pelo quarto, cortando a névoa do sono. – Seu pai vai enlouquecer se chegar e você não estiver pronta!

Skyler esfregou os olhos, tentando afastar o sono. – Por que eu tenho que ir caçar hoje? – murmurou ela, a voz embargada pelo sono. – Eu já fui ontem!

– Sim, querida, eu sei disso. – A mãe de Skyler acariciou o rosto da filha, seus olhos cheios de preocupação. – Mas estamos correndo contra o tempo. Você sabe das notícias desse vírus se espalhando. – Um sorriso gentil iluminou seu rosto. – Prometo que faço sua torta de maçã favorita quando voltar. – Ela bagunçou os cabelos negros da menina, que brilhavam à luz da manhã. – Agora vamos, deixe-me te ajudar com a trança.

Skyler assentiu com a cabeça, um pouco relutante. Enquanto a mãe a penteava, seus pensamentos vagavam. Ela ansiava pela aventura, mas o medo da desconhecida a assombrava.

"Será que encontraremos algo hoje?", pensou Skyler, enquanto observava a mãe trançar seus cabelos. "E se encontrarmos um infectado? Mamãe diz que eles são perigosos..." Um arrepio percorreu sua espinha. "Mas eu sou forte. Consigo proteger a mamãe e o papai."

Com um suspiro profundo, Skyler se levantou da cama, determinada. "Vamos lá, então." Ela pegou sua mochila e seguiu a mãe em direção à porta. Ao olhar pela janela, viu o sol nascendo, pintando o céu de tons de laranja e rosa. "Um novo dia", pensou ela, "e uma nova aventura."

Já na cozinha, seu pai as esperava, um cesto de pão fresco em mãos e um arco de madeira pendurado nas costas. – Tenho uma novidade, Skyler. – Ele sorriu, seus olhos brilhando de entusiasmo. – Que tal irmos para uma vila? Tenho alguns amigos precisando de ajuda.

Os olhos de Skyler se arregalaram de surpresa. – É a primeira vez que vou conhecer outras pessoas! – exclamou ela, a voz cheia de esperança. Mas logo, a insegurança voltou. – E se eles não gostarem de mim? – Ela olhou para seu reflexo no espelho, notando seus olhos prateados e os caninos ligeiramente alongados. Uma tristeza profunda tomou conta de seu rosto.

O pai de Skyler se aproximou, colocando um braço em torno dos ombros da filha. – Eles vão te adorar, meu amor. – Ele a puxou para perto, tentando transmitir toda a sua confiança. – Vamos, não podemos nos atrasar. Vá se despedir de sua mãe.

Skyler assentiu, um nó se formando em sua garganta. Ao se despedir da mãe, abraçou-a com força, sentindo a necessidade de se sentir protegida. Ela sabia que uma nova jornada estava prestes a começar e, apesar do medo, ela estava pronta para enfrentá-la. "Será que algum dia vou me sentir normal? Será que alguém vai me aceitar como eu sou?"

A jornada até a vila foi longa e árdua. A cada curva da trilha, Skyler se perguntava se estaria preparada para o que encontraria. Ao avistar as primeiras casas, um misto de ansiedade e entusiasmo a invadiu. As casas de madeira, embora simples, pareciam acolhedoras, um contraste com a paisagem árida que haviam atravessado.

Ao se aproximarem, foram recebidos por um grupo de pessoas, seus rostos marcados pela preocupação, mas iluminados pela esperança ao verem os novos visitantes. O pai de Skyler apresentou a filha, e um silêncio pairou no ar. Os olhares se voltaram para Skyler, examinando seus olhos prateados e seus caninos ligeiramente alongados.

– Não se preocupem – disse o pai de Skyler, colocando um braço em torno dos ombros da filha. – Skyler é uma ótima caçadora e companheira.

Uma mulher de cabelos grisalhos, com um sorriso gentil nos lábios, se aproximou de Skyler. – Bem-vinda, querida. Meu nome é Anya. Não se preocupe com seus olhos. Aqui, somos todos diferentes.

– E aí, Skyler, gostou do que está vendo? – perguntou seu pai, notando a expressão da filha. Os olhos da menina brilhavam intensamente, como se fossem duas estrelinhas perdidas naquela imensidão.

– É incrível, pai! – respondeu ela, a voz cheia de entusiasmo. – Parece um lugar mágico!

Seu pai sorriu, orgulhoso. – É, é um lugar especial. E é aqui que vamos começar uma nova vida. Prepare-se para muitas aventuras, Skyler!

Eles pararam em frente a uma cabana um pouco velha, com madeiras que pareciam contar histórias. A porta se abriu, revelando um homem alto e forte, com um sorriso que iluminava todo o rosto. Ao notar Skyler, seus olhos se arregalaram de alegria.

– Olá! Que menina mais linda! – exclamou o homem, abrindo os braços para um abraço. Skyler hesitou por um instante, observando o estranho com curiosidade. Será que ele era amigável? Mas logo se deixou levar pela alegria daquela família, correspondendo ao abraço com um sorriso tímido.

– Diga seu nome para ele. – Seu pai toca o ombro dela, encorajando a garotinha.

– Skyler. – Ela diz com a voz tímida.

– Você tem um nome bonito, garota. – O homem diz, levantando-se para chamar sua esposa e sua filha. – Elas vão adorar te conhecer!

Skyler olhou para a cabana com um misto de ansiedade e curiosidade. O que a esperava nessa nova vida? Será que faria novos amigos? Milhares de perguntas surgiam em sua mente, mas uma coisa era certa: aquela aventura prometia ser inesquecível.

Logo, uma mulher ruiva aparece com uma garotinha em seu braço, brincando com um ursinho de pelúcia. A garota, ao avistar Skyler, fica agitada no braço da mãe, querendo descer.

– Hey, esse é o Fred. – A garotinha diz, levantando o ursinho na mão. Seus olhos, grandes e brilhantes, fixaram-se em Skyler. – Meu nome é Becky, qual é o seu?

– Skyler. – Ela tinha um olhar confuso, e Becky pareceu perceber. A pequena soltou um gritinho agudo de alegria e começou a pular animada.

– Vem comigo! – Becky puxa Skyler pela mão com toda a força que tinha, subindo rapidamente até o quarto pequeno e rosa. Bonecos de pelúcia estavam espalhados pelo chão, formando um verdadeiro mar de cores. – Seus olhos são bonitos. – Ela diz, olhando os olhos prateados de Skyler com admiração.

– Obrigada. – Skyler abre um sorriso pequeno, mas ainda conseguiu deixar os caninos amostra, e logo percebeu um olhar diferente em Becky. A garota a observava com uma mistura de curiosidade e fascínio.

– Você é um lobisomem? – Becky pergunta, se animando. Seus olhos brilhavam intensamente, como se estivesse prestes a desvendar um grande mistério. – Você vira um lobo?

Skyler ficou surpresa com a pergunta de Becky, mas logo se lembrou dos contos que sua mãe costumava contar. Ela nunca tinha contado para ninguém sobre sua condição, mas com Becky, sentiu uma conexão diferente.

– Sim, eu sou. – Ela confessou, um sorriso tímido nos lábios, mas seus olhos brilhavam com uma mistura de medo e esperança. – Mas não se preocupe, eu não mordo... a não ser que você queira brincar de pegar. Sabe, às vezes me sinto sozinha. Ninguém mais acredita em mim.

Becky arregalou os olhos, eufórica. – Sério? Podemos brincar de lobo? – Becky pulou de alegria, batendo as mãos animadamente – Vamos inventar aventuras incríveis! Você vai ser a líder da nossa matilha!

– Minha mãe disse que eu nasci com um dom, mas ela não me deixa treinar minhas habilidades. – O rosto de Skyler fica com uma expressão de tristeza. – Acho que as pessoas têm medo de mim.

– Você não vai machucar ninguém, eu tenho certeza! A gente pode treinar juntos, aprender a controlar seus poderes. – Diz Becky animada.

– E se eu machucar alguém sem querer? – A voz de Skyler saiu em um sussurro.

– Você pode ser uma heroína, sabe? Tipo aqueles desenhos. – Becky diz, abrindo um sorriso e estende Fred para Skyler. – Tome, ele também concorda!

Skyler pega o ursinho na mão e vê Becky correr para uma mesa, pegando um papel na mão e um lápis. A garota começa a desenhar Skyler em uma forma de lobo.

– Olha, parece com você! – Becky abre um sorriso, se empolgando com o desenho na mão. – Eu não desenho tão bem.

– Você desenha melhor que eu! – Disse Skyler, seu coração palpitando de emoção ao ver o desenho. Nunca ninguém havia a retratado assim, com tanta beleza e verdade. Skyler sentiu um nó na garganta ao ver o desenho. Era como se Becky tivesse olhado para dentro de sua alma e a tivesse colocado no papel. Será que sou mesmo uma heroína? Ou apenas uma aberração? – Fred também concorda! – Ela faz um movimento com a mão, fazendo o ursinho balançar a cabeça em forma de um sim. – É incrível como você consegue capturar a minha essência. – Mas e se alguém ver esse desenho? E se eles descobrirem quem eu realmente sou?

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