Capítulo 18

As sombras da floresta se agitavam, dançando com a brisa noturna e revelando a figura de Darius, encostado em um tronco robusto. Seus olhos, cintilantes como brasas, fixavam-se em Vanessa, que tremia ligeiramente, mesmo à distância. Um sorriso cruel curvou seus lábios. Finalmente, pensou ele, a peça se encaixa.

Com um salto ágil como o de um gato selvagem, Darius pousou diante de Vanessa, sua sombra se alongando e engolindo a luz da lua. A jovem guerreira arregalou os olhos, a espada tremulando em sua mão. – Darius! – exclamou ela, a voz falha. Não pode ser... pensou, o coração martelando contra as costelas. Ele sempre foi um passo à frente.

Darius não respondeu, apenas levantou a mão, e as sombras da floresta se agitaram, transformando-se em tentáculos que se esticavam em direção a Vanessa. A jovem guerreira gritou, a adrenalina pulsando em suas veias. A cada golpe certeiro de sua espada, um novo tentáculo surgia, mais forte e mais rápido. Se eu não acabar com isso agora..., pensou ela, a cada fibra de seu corpo gritando por movimento.

Com um rugido silencioso, Vanessa se lançou aos ares, suas asas membranosas se abrindo como as de um morcego gigante. A luz da lua se refletia em sua espada, transformando-a em um raio mortal. Darius sorriu, um sorriso de satisfação. Ela está crescendo, pensou ele, mais forte do que nunca.

A espada de Vanessa desceu com a força de um raio, rasgando o ar e cortando fundo no ombro de Darius. Um grito de dor escapou de seus lábios, mas logo foi abafado por uma gargalhada rouca. – Excelente, Vanessa – rosnou ele.

A espada de Vanessa rasgava as trevas como um raio, a luz cegante contrastando com a escuridão que Darius emanava. Sua gargalhada ecoou pela floresta, profunda e ameaçadora. – Acha que essa fagulha me detém? – zombou ele, sua voz um chicote cortante. Em um piscar de olhos, sua forma se contorceu, a pele escurecendo como breu, chifres retorcidos brotando de sua testa. – Eu sou a escuridão, Vanessa, e você não passa de uma pequena chama!

Com um grito desafiante, ela replicou – E eu sou a luz que dissipa as sombras! – Seus olhos ardiam com uma intensidade que rivalizava com o sol, e sua espada dançava em um frenesi mortal, açoitando o ar. Mas Darius, com a força de um gigante, desferiu um golpe no chão, abrindo uma fenda que se estendia até onde a vista alcançava. O tremor da terra a jogou para trás, a poeira obscurecendo sua visão e a deixando vulnerável.

Com um sorriso cruel, Darius sussurrou palavras antigas, e as sombras se agitaram como um enxame de insetos, envolvendo Vanessa em suas garras. A escuridão se infiltrou em sua mente, distorcendo seus pensamentos, e a arrastou para um abismo sem fim. Em um lugar sem tempo e espaço, ela viu seu pai, sua espada em mãos, seu rosto banhado por uma tristeza infinita. – O que está fazendo, filha? – sua voz era um bálsamo em meio ao caos. As lágrimas escorriam por seu rosto, quentes e salgadas. – Eu não sei… – ela sussurrou, perdida e aterrorizada.

Com um rugido selvagem, Vanessa despertou, a espada em suas mãos pulsando como um coração dilacerado. A luz que emanava dela era tão intensa que cegou Darius por um instante, banhando a floresta em um brilho ofuscante. Aproveitando a oportunidade, ele a golpeou com uma estaca de madeira, a dor dilacerando seu corpo como um raio. Mas ela não se rendeu. A adrenalina a impulsionava, a vontade de sobreviver a transformando em uma fera ferida. A cada respiração, sentia a vida escorrendo por seus dedos, mas a ira a impulsionava para frente.

– Você perdeu, mas lutou como uma verdadeira guerreira. – Darius disse, a voz rouca pela exaustão, mas com um brilho de orgulho nos olhos. Lembrava-se dos longos dias de treinamento, quando eram apenas crianças, e ela já demonstrava uma força incrível.

Ela soltou uma gargalhada curta e amarga, guardando a espada na bainha. A dor latejava em suas costelas, mas a adrenalina ainda a mantinha em pé. – É claro que eu perderia, afinal, você me atacou pelas costas com uma estaca de madeira. Um tanto covarde, não? – provocou ela, piscando um dos olhos.

– Covardia é para os fracos, e eu sou tudo menos fraco. – Ele contra-atacou com um sorriso ladino. – Mas confesso que subestimei sua força. – Os dois se encararam por um momento, a tensão pairando no ar. A floresta, outrora serena, agora estava marcada pela batalha, com árvores quebradas e a terra revolvida, como um retrato vivo da luta que se desenrolara.

– Só não conte para a Skyler, ou ela nunca mais vai me deixar em paz. – ele continuou, a voz mais suave.

– Ah, mas ela vai saber. E vai te dar uma bronca de fazer inveja aos trovões. – Ela riu, a tensão se dissipando. Juntos, eles se afastaram, a floresta voltando à sua tranquilidade habitual.

A floresta antiga, com suas sombras densas e o ar úmido, era o reino de Mia. Com a agilidade de um macaco, ela saltava de galho em galho, seus sentidos aguçados captando o mais leve ruído, o mais tênue aroma. Mas hoje, a floresta parecia morta, silenciosa demais. Um arrepio percorreu sua espinha. Algo estava errado.

Ao se aproximar de uma sequoia colossal, cuja casca rugosa lembrava escamas de dragão, Mia sentiu um calafrio. Tocou a madeira, áspera e fria como pedra, e um choque elétrico percorreu seu braço. – Alguma coisa está aqui – murmurou, seus olhos se estreitando. Levantando o olhar, deparou-se com uma visão que a deixou sem fôlego.

Um golem de pedra, coberto de runas que pulsavam em um vermelho intenso, pairava sobre ela, seus olhos de obsidiana fixos em sua figura. Com um rugido que sacudiu as árvores, a criatura desceu, seu braço colossal se estendendo para agarrá-la como uma garra. – Não! – gritou Mia, saltando para o lado no último instante.

Adrenalina pulsando em suas veias, Mia escalou a criatura de pedra, suas mãos agarraram-se às fendas e ranhuras da rocha. O golem tentou sacudi-la, mas ela se agarrava com a força de dez homens. Chegando ao pescoço da criatura, ela envolveu-o com suas pernas, apertando com toda a força. A pedra rachou, e com um estrondo ensurdecedor, o golem se desintegrou em milhares de fragmentos.

Soltando um suspiro de alívio, Mia se afastou dos destroços. Mas sua sensação de vitória foi breve. Os fragmentos de pedra começaram a se mover, atraídos por uma força invisível. Em questão de segundos, o golem estava inteiro novamente, seus olhos brilhando com uma raiva ainda maior. – Droga! – xingou Mia. Ela sabia que não poderia derrotá-lo da mesma forma. Precisava de um plano.

Olhando em volta, seus olhos se fixaram em uma pequena planta luminescente. Uma ideia começou a tomar forma em sua mente. "Se eu puder..." Ela interrompeu seus pensamentos, pois o golem já estava se aproximando novamente, derrubando árvores em seu caminho. Com as lâminas em punho, ela se preparou para a batalha, mas sabia que precisaria de algo mais do que força bruta para vencer.

Com o golem rugindo e avançando, Mia sabia que precisava agir rápido. A planta luminescente, com suas folhas brilhantes e raízes profundas, era sua última esperança. Ela se aproximou cautelosamente, evitando os golpes desferidos pela criatura de pedra. Concentrando toda sua energia, ela arrancou a planta do solo, sentindo a vida pulsando em suas raízes.

– Se isso funcionar… – murmurou para si mesma. Segurando a planta com firmeza, ela correu em direção ao golem, jogando a planta em sua direção. A planta luminescente atingiu o golem, envolvendo-o em uma luz brilhante. A criatura rugiu de dor, mas a luz continuava a se intensificar, corroendo a pedra. As runas vermelhas começaram a perder seu brilho, e o golem se contorceu, tentando se libertar daquela força estranha.

Com um último rugido, o golem se desfez em poeira, deixando para trás apenas a planta luminescente, agora exausta. Mia se ajoelhou, respirando fundo. Ela havia vencido. Mas a batalha não havia acabado. A floresta, outrora exuberante, estava agora marcada pelas cicatrizes da luta. Árvores derrubadas, solo rachado, a natureza ferida.

Com um sentimento de culpa e responsabilidade, Mia começou a reconstruir o que havia sido destruído. Plantando novas sementes, curando as feridas da floresta, ela se comprometeu a proteger aquele lugar que tanto amava.

O som de botas pesadas sobre a terra úmida rompeu a tranquilidade do jardim. Mia sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ergueu os olhos, encontrando o olhar glacial de Skyler fixo em suas plantas. Um sorriso cruel curvava os lábios da outra garota, enquanto ela esmagava uma a uma das flores cuidadosamente cultivadas por Mia.

– Não! – gritou Mia, a voz rouca de raiva. Mas Skyler apenas riu, um som metálico que ecoou no ar. – Calma, Mia. Não precisa se alterar. – A voz de Skyler era doce, mas carregava um veneno que congelava o sangue. – Apenas... relaxe.

A raiva pulsava nas veias de Mia. Com um movimento rápido, ela agarrou a adaga escondida em suas vestes. A lâmina cintilou à luz do sol, prometendo vingança. – Não se aproxime! – rosnou ela, os olhos faiscando.

Skyler sorriu, um sorriso que revelava dentes afiados como facas. Com um movimento felino, ela se lançou sobre Mia, agarrando seu pulso com força. Os olhos de Skyler brilharam com uma intensidade estranha, uma prata metálica que se espalhava como uma mancha de óleo. – Isso vai doer um pouco – sussurrou ela, cravando os dentes na pele de Mia.

Um grito primal escapou dos lábios de Mia. O veneno de Skyler era como fogo líquido, percorrendo suas veias, paralisando seus músculos. A dor era tão intensa que obscureceu seus pensamentos. O mundo ao seu redor se distorceu, os sons se amontoaram em um caos ensurdecedor. A visão embaçou, e ela sentiu o corpo falhando. Com um gemido, desabou no chão úmido, impotente.

Skyler se agachou, seus olhos brilhando de satisfação. – Não queria ter que fazer isso, Mia – disse ela, sua voz suave como mel. – Mas você me deixou sem escolha. – Com um gesto rápido, ela pegou Mia nos braços, a menina inconsciente e pálida como a lua. – Vamos, querida. – A mente de Mia, mesmo em meio à névoa do veneno, registrou as palavras de Skyler.

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