Capítulo 10

Skyler desviou o olhar, seus olhos cintilando como brasas abafadas, enquanto tamborilava os dedos nervosamente sobre a mesa. A sala, imersa em uma penumbra aveludada, amplificava a tensão. Um único raio de lua, que se infiltrava por uma fresta na janela, iluminava o rosto de Henrique, revelando um sorriso sinistro.

– Eu tive um confronto com ela, mas antes eu entrei na mente dela para ter certeza se ela seria uma ameaça. – A voz de Skyler era baixa, como se estivesse confessando um pecado. – Ela é forte e pode não ser um problema com o treinamento certo.

– Então está me dizendo que ela pode ser útil em nossas missões e vai servir a Nexus com lealdade. – Henrique passou as mãos pela barba, um sorriso fino se esboçando em seus lábios. – Muito bem, logo a decisão cabe apenas para Becky, ela pode escolher ficar ou ser liberada e sumir de nossa cidadela. – Ele fitou Becky, seus olhos penetrantes analisando-a como se fosse uma peça de xadrez. Ele volta sua atenção para Skyler, sua voz carregada de expectativa. – Quero que assuma o cargo de líder dos Elites no lugar de Darius.

Aquilo tinha sido como uma facada no coração de Darius. Engoliu em seco, seus olhos arregalados, incrédulos, fixos no homem mais velho. As palavras de Henrique eram como facas afiadas, cravando-se em seu coração.

– Henrique! – Skyler gritou na sala, levantando-se bruscamente, a raiva em sua voz ecoando pelas paredes. A raiva de Skyler era uma tempestade prestes a explodir. – Eu sou leal a Nexus, mas não posso aceitar isso, eu nunca quis isso. – Ela apertou os lábios, a frustração evidente em seu rosto. – Estou indo para uma missão na qual não sei se vou voltar com vida e Darius sempre cuidou bem de tudo aqui, foi ele que me impediu de atacar Becky.

– Como? – Henrique olhou para Skyler com reprovação, sua voz cortante. – Por que atacou ela?

– Porque eu não tive controle sobre minhas ações. – Skyler olhou para o teto da sala, a voz baixa, carregada de pesar. – Sinto muito.

– Pare de ser idiota! – Becky se levantou da cadeira, recebendo um olhar confuso de Skyler. – Ela não me atacou, eu me descontrolei e fui para cima dela primeiro, ela apenas se defendeu e então Darius se envolveu para acalmar a situação. – Becky cruzou os braços, desafiadora. Um arrepio percorreu a espinha de Becky ao sentir o olhar penetrante de Henrique sobre si.

– Qualquer que seja, tenho muitas coisas para fazer. – Henrique diz, mostrando que vai desligar a projeção. – Acredito que podem resolver isso sozinhos, e bem-vinda Becky caso fique.

A projeção se desfaz, como um sonho que se esvai, deixando um silêncio pesado pairar no ar. O som da respiração de Darius ecoa na sala, um suspiro aliviado. “Finalmente acabou,” pensa ele, sentindo um peso sair de seus ombros. Mas a sensação de alívio é breve, substituída por uma inquietação crescente.

– Obrigado, Skyler. – Agradece ele, tentando esconder a tensão em sua voz.

Skyler esboça um sorriso irônico, seus olhos cintilando como gelo. – Não foi por você, Darius. – Ela diz, a voz fria como aço.

Com um assobio agudo, a porta se abre e um lobo gigante irrompe na sala. Seus olhos amarelos brilham intensamente na penumbra, e seus dentes afiados parecem prontos para dilacerar qualquer um que se atreva a se aproximar. Becky pula para trás, o coração batendo forte no peito.

– Calma, Becky. É só um lobo. – Skyler diz, sua voz calma e controladora, em total contraste com a fera que a acompanha.

Mas Becky não está convencida. – Espera aí! – ela exclama, aproximando-se de Skyler com cautela. – Não preciso que me defenda! – Ela enfrenta Skyler, determinada. – Não somos amigas.

Antes que Skyler possa responder, Becky a acerta um tapa no rosto. A força do golpe a surpreende, e por um instante, seus olhos se arregalam. Mas a surpresa logo se transforma em raiva. Seus olhos, antes de um verde intenso, agora brilham como dois pedaços de prata pura. O lobo, sentindo a mudança em sua dona, rosna mais alto, seus pelos eriçados.

– Saia da minha frente, foguinho. – Skyler ordena, sua voz carregada de autoridade. O lobo obedece imediatamente, abaixando a cabeça em submissão. – Não estava tentando te defender, aliás, acho que deveria ter pedido sua cabeça em uma bandeja. – Ela sorri, revelando dentes afiados que brilham sob a luz fraca.

Becky sente um arrepio percorrer sua espinha. A imagem de Skyler com os olhos prateados e os dentes afiados é assustadora, mas ao mesmo tempo, inexplicavelmente atraente. – Idiota. – Ela murmura, tentando esconder a admiração que sente. – Eu vou me juntar a vocês.

Skyler solta um suspiro, seus ombros caindo. Ela olha para Becky por um longo momento, seus olhos se encontrando. Em um impulso, ela salta para cima do lobo, desaparecendo na escuridão da noite.

Darius sorriu, revelando dentes brancos e brilhantes sob a luz fraca da sala. Seus olhos, de um azul profundo, pareciam penetrar em Becky, transmitindo uma calma que ela não sentia. “Ele é gentil,” pensou ela, tentando se acalmar. “Mas e se essa calma for apenas uma fachada?”

– Bem-vinda à família! – Darius disse, sua voz suave como uma brisa. – Tenho assuntos urgentes com Henrique, mas Vanessa estará à sua disposição. Lamento não poder te acompanhar, mas espero que se sinta em casa.

Erick, com seus cabelos loiros bagunçados e um sorriso contagiante, interrompeu a conversa. – Taverna! É para lá que a gente vai! A cerveja mais gelada da cidade, música ao vivo e gente para todo lado. É o nosso ponto de encontro!

Mia revirou os olhos, cruzando os braços sobre o peito. – Por que você sempre tem que pensar em bebida, Erick? – ela perguntou, sua voz carregada de irritação. – Não vou conseguir ir com vocês, tenho que terminar essas poções. Skyler está em uma missão perigosa e eu preciso me concentrar.

Becky observou Mia com atenção. A menção do nome de Skyler lançou uma sombra sobre a conversa. “Skyler,” repetiu mentalmente. O nome ecoava em seus ouvidos, carregado de mistério e perigo. – Mia parece muito preocupada com a Skyler. – Becky observou, um nó se formando em sua garganta. – É comum as pessoas ficarem assim quando seus amigos estão em missões perigosas?

Erick deu de ombros, com um ar despreocupado. – É, a Mia sempre fica assim. Mas a Skyler é forte, vai dar tudo certo. – Ele sorriu, mas seus olhos não transmitiam a mesma confiança em suas palavras.

Vanessa, com um sorriso gentil, interrompeu a conversa. – Vamos lá, Becky! – ela disse, puxando-a pela mão. – Te mostro a cidadela e depois você decide se quer descansar ou se juntar ao nosso treino. Vai ser divertido! Você vai adorar conhecer todo mundo.

Becky seguiu Vanessa, seus pensamentos agitados. A cidadela era um lugar estranho, cheio de segredos e perigos. E Skyler, a garota misteriosa que parecia ser o centro de tudo, era um enigma que ela ansiava por desvendar.

Becky sorriu, tentando esconder a ansiedade. A cidadela era ainda mais impressionante do que ela havia imaginado. As paredes de pedra, altas e robustas, pareciam contar histórias de séculos. Vanessa, com seus olhos brilhantes e um sorriso contagiante, a guiou pelos corredores, apontando os detalhes arquitetônicos e apresentando os outros moradores. “Será que vou conseguir me adaptar a esse lugar?”, pensou Becky, observando os rostos desconhecidos que a encaravam com curiosidade.

Erick, com um sorriso radiante, liderou o caminho pela rua movimentada, onde os comerciantes os cumprimentavam com um aceno de cabeça. A taverna se erguia à frente, imponente e escura, como um monstro adormecido. A música alta e a algazarra que vinham de dentro a fizeram estremecer. “Será que estou pronta para isso?”, questionou-se, sentindo um nó se formar em sua garganta.

Ao cruzar a porta, Becky foi envolvida por uma onda de calor e o cheiro forte de cerveja. A fumaça que pairava no ar obscurecia as luzes, criando uma atmosfera densa e misteriosa. As paredes de madeira escura estavam repletas de quadros antigos e armas penduradas, como troféus de batalhas passadas. No centro da taverna, uma grande mesa de madeira reunia um grupo de homens barulhentos, jogando dados e contando histórias.

– Jack, meu amigo, prepare-me algo forte! – Erick exclamou, fazendo uma careta exagerada. – Preciso de um elixir para sobreviver à tagarelice insuportável da Vanessa! – Vanessa revidou com um tapa amigável no ombro dele. – E ainda por cima, ela é cruel com as palavras!

– E aí, pessoal! – Jack, com um sorriso radiante, se aproximou do balcão. – O de sempre para você, Erick? E para a nova integrante? – Seus olhos azuis brilharam ao encarar Becky. – Você é nova por aqui, não é?

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