– Ninguém precisa saber, a não ser que você queira. Você decide quem pode ver esse lado seu. E eu prometo que vou te proteger. – Becky apertou Skyler em seus braços, transmitindo uma sensação de segurança e confiança.
– Será que sou um monstro? E se machucar alguém por acidente?
– Não, você não é um monstro. Você é especial. E os monstros são os que te machucam.
Skyler traçou com o dedo as linhas suaves do desenho, sentindo uma sensação de calor se espalhar por seu corpo. Será que sou forte o suficiente para lidar com essa responsabilidade? E se eu falhar? – Obrigada, Becky. Você é a melhor amiga que alguém poderia ter. – Skyler abraçou a amiga com força.
Becky sorriu radiante, seus olhos brilhando como estrelas. Prometo protegê-la com todas as minhas forças. Nunca deixarei que ninguém a machuque. – Sempre estaremos juntas, Skyler. – Becky sorriu, seus olhos brilhando de determinação. – E juntas, podemos enfrentar qualquer coisa. Minha avó costumava me contar histórias sobre uma antiga profecia. Dizem que uma garota com o meu poder um dia salvaria o mundo.
A vida na vila era mais simples do que Skyler imaginava. Ela ajudava na coleta de alimentos, na construção de abrigos e na proteção da comunidade. A princípio, os outros a observavam com cautela, mas aos poucos, a confiança foi sendo construída. Skyler descobriu que não estava sozinha. Havia outras pessoas como ela, com habilidades únicas e marcas da praga.
Uma noite, enquanto sentava ao redor da fogueira, ouvindo as histórias dos mais velhos, Skyler perguntou a Anya sobre a origem da praga. O cheiro da madeira queimada na fogueira a transportava para um tempo mais simples, antes da praga. Anya suspirou, seus olhos se perdendo nas chamas. – Será que algum dia o mundo voltará a ser como antes? – se perguntou em voz baixa.
– Dizem que a praga foi criada por um grupo de cientistas que buscavam a imortalidade. Mas algo deu errado, e a praga se espalhou por todo o mundo.
Skyler ficou chocada. – E não há cura?
Anya negou com a cabeça. – Ainda não. Mas temos esperança. Há rumores de uma cidade no norte, onde vivem pessoas imunes à praga. Dizem que eles podem ter a chave para a cura.
A esperança voltou a brilhar nos olhos de Skyler. Talvez essa fosse a chance de encontrar um lugar onde pudesse ser verdadeiramente aceita e fazer a diferença.
A tranquilidade da vila foi interrompida por um ataque de criaturas mutantes, mais fortes e agressivas do que qualquer coisa que eles já haviam enfrentado. O cheiro de sangue e terra queimada pairava no ar, enquanto o som dos gritos ecoava pela vila. Skyler, com seus reflexos rápidos e sua força sobre-humana, se tornou a esperança da comunidade. Mas a que custo?
Com a ajuda dos outros sobreviventes, Skyler conseguiu repelir o ataque. Mas a experiência a marcou profundamente. Ela percebeu que seus poderes não eram apenas uma maldição, mas também uma grande responsabilidade. Será que ela seria capaz de proteger a vila?
Era uma noite escura quando muitas pessoas estavam gritando que Skyler deveria ser queimada por ela ser uma aberração. As pessoas estavam culpando Skyler pela falta de colheita na pequena vila, afirmando que isso começou quando a garota passou a frequentar o lugar. O pai de Skyler, com a voz trêmula, a puxou para trás. – Ficar atrás de mim! – ele disse, seus olhos cheios de medo e determinação. Skyler se agarrou ao pai, sentindo um nó na garganta.
Um homem alto e sombrio se aproximou de Skyler, seus olhos fixos em seus olhos prateados. – Você é diferente – ele murmurou, sua voz carregada de ameaça. – Você trouxe a praga para nós! – Skyler sentiu um frio na espinha. Será que eles estavam certos?
As lágrimas de desespero escorriam pelos olhos de Skyler. Ela viu Becky tentando passar pela multidão para encontrá-la, mas a mesma foi agarrada pelo pulso por um homem de meia idade, que a mandou se afastar para não se machucar. O cheiro de fumaça e sangue pairava no ar, sufocando Skyler.
As pessoas começaram a avançar com tochas em mãos. Os gritos de Becky chamando Skyler eram desesperadores enquanto a pequena se debatia do aperto forte do homem mais velho. O pai de Skyler se ajoelhou no chão, tocando o seu peito que foi atingido por uma flecha. – Não! – gritou Skyler, seu coração se partindo ao meio.
– Corra! – ele olhou para Skyler, fazendo um esforço para não se afogar no próprio sangue. Eles não podem te machucar!
Skyler olhou para seu pai, seu coração partido. Ela sabia que precisava fugir, mas não conseguia deixar seu pai para trás. As lágrimas rolavam pelo seu rosto, misturando-se com a chuva que começava a cair. – Não me deixe, pai! – implorou ela, sua voz falhando.
– Não se preocupe, pai. Eu vou ficar bem. – Ela disse com a voz trêmula, limpando as lágrimas. – Eu vou me vingar deles.
O olhar de Skyler era de puro terror e raiva. As mãos da jovem tremiam desesperadamente, os olhos brilhando com um prata mais forte. – Não! – gritou ela mentalmente, tentando controlar a força que crescia dentro dela. Mas era tarde demais. Seus dedos se transformavam em garras afiadas, suas orelhas se alongavam, e seus dentes se tornavam caninos pontiagudos. Um rugido primitivo escapou de sua garganta. Skyler não era mais a menina que todos conheciam. Ela era um monstro.
Com um rugido, Skyler atacou os cidadãos um por um. O gosto do sangue metálico preencheu sua boca, enquanto a visão embaçada de Becky a consumia de culpa. As tochas caíam, causando um incêndio nas cabanas próximas. Os gritos de dor dos cidadãos sendo estraçalhados um por um, as crianças implorando por misericórdia, ecoavam pelo ar. Logo, não sobrou quase nada da vila, apenas o mar de sangue e o cheiro forte de ferro no ar. Becky olhava assustada para a cena e se aproximou de Skyler em passos lentos, temendo que algo acontecesse.
– Sky! – Becky diz, tentando tocar o rosto da amiga. – Está tudo bem, já passou. – Ela consegue ver as lágrimas no rosto da mais nova enquanto encarava as próprias mãos e um tremor presente em seu corpo. Como você pôde fazer isso? pensou Becky, horrorizada.
Skyler moveu seu olhar para Becky, que agora estava estendendo seu ursinho Fred com um sorriso no rosto. Skyler pegou o ursinho na mão e logo se aproximou de Becky, olhando para o olho dela. – Me desculpe. – O som saiu mais como uma súplica. Eu nunca quis te machucar. E com isso, Skyler entrou na mente da garota, manipulando toda a cena para que a menina passasse a odiá-la. Como ela iria conseguir conviver com a dor da culpa e o medo de machucar a garota?
Becky desmaiou no chão e Skyler colocou o ursinho no bolso, a fim de carregar uma única lembrança de sua melhor amiga. Ela saiu correndo para a floresta, mas uma névoa escura começou a persegui-la.
Uma figura de um homem alto surgiu, tocando o ombro de Skyler. – Finalmente te encontrei. Venha comigo. – A voz do homem era suave, quase hipnótica. – Irei cuidar de você!
Skyler seguiu o homem para dentro da floresta, sentindo uma estranha sensação de alívio. O cheiro de madeira úmida e terra encharcada envolvia a cabana, trazendo uma sensação de paz que Skyler nunca havia experimentado.
Lá, ela descobriu que o homem era um caçador de monstros, e que havia sido enviado para encontrá-la. Ele explicou que Skyler era uma criatura única, com um poder que poucos possuíam. Mas esse poder também a tornava perigosa. Ele ofereceu a ela a chance de aprender a controlar seus instintos e a usar seus poderes para o bem. – Mas você terá que lutar contra a escuridão que habita dentro de você. – disse ele, seus olhos fixos nos dela.
Skyler aceitou a oferta, sabendo que precisava mudar. Ela queria deixar para trás a dor e o sofrimento que havia causado. Mas será que ela seria capaz de controlar a fera que se escondia dentro dela? Ela sabia que o caminho seria longo e difícil.
Memories Off:
As lágrimas escorriam pelo rosto de Skyler. A mesma apertava o ursinho com força em uma mão e a outra esmurrava a pequena mesa, arremessando-a na parede com raiva. O cheiro de madeira queimada a transportava de volta à noite em que tudo mudou. Vencida pelo cansaço, ela fechou a enorme janela e foi se deitar em sua cama, implorando para que os pesadelos a deixassem descansar pelo menos uma vez. Mas como poderia dormir com o peso da culpa em seu coração? E como se pudessem entender seu pedido, o sono pesado a atingiu rapidamente, arrastando-a para um mundo de sonhos agitados.
Em seus sonhos, Skyler se via novamente na vila, mas tudo era diferente. As casas estavam em ruínas, os campos estavam secos e os moradores a olhavam com medo e ódio. Ela tentava se aproximar de Becky, mas a amiga a rejeitava, seus olhos cheios de raiva. – Por que você fez isso comigo? – gritava Becky, sua voz ecoando nos ouvidos de Skyler.
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Atualizado até capítulo 21
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