Capítulo 14

O portão de ferro rangia sob o peso da mão de Vanessa, revelando um pátio sombrio, dominado pela silhueta imponente do castelo. As gárgulas nas torres pareciam observá-la com olhos de pedra, enquanto um vento gélido lhe arrepiava a pele. Com o coração acelerado, ela adentrou a porta principal, o som de seus passos ecoando no hall de entrada.

O lobo de Skyler estava deitado no centro do salão, seus olhos amarelos cintilando na penumbra. Ao ver Becky, soltou um rosnado gutural que gelou o sangue de Vanessa. Becky, pálida como um fantasma, permanecia imóvel, fixando o olhar em Skyler como se estivesse hipnotizada. O que ela está vendo? pensou Vanessa, apertando a mão da amiga.

Skyler, sentada no sofá, observava a cena com um sorriso enigmático. – Por que está me olhando assim, criaturinha? – Questionou ela, sua voz suave contrastando com a atmosfera tensa. – Você parece pálida. Tem certeza que está tudo bem aqui? – Seus olhos se fixaram em Vanessa, buscando uma resposta.

Vanessa tentou manter a calma. – Becky está bêbada e alucinando – mentiu, puxando a amiga com força. – Vamos, você precisa de ar fresco. – Mas Becky não se moveu.

– Você está viva? – a voz de Becky era um sussurro rouco. – Como é possível?

Skyler se levantou lentamente, seus movimentos graciosos e sinuosos como os de uma pantera prestes a atacar. Seus olhos prateados cintilaram como brasas em um braseiro, fixando-se em Becky. A voz, suave como seda, carregava uma ponta de metal: – Era para eu estar morta? – provocou ela, aproximando-se de Becky. – Você cheira a cerveja e medo.

Seus olhos serpentearam pelo corpo de Vanessa, parando em seu rosto corado. Um sorriso cruel curvou seus lábios. – E você com certeza precisa tirar o cheiro de Jack. – A acusação ecoou no salão, e Vanessa sentiu o sangue pulsar em suas têmporas. O que ela sabe?, pensou, o coração disparado.

Becky, pálida como a lua, tentou desviar o olhar, mas os olhos de Skyler a prendiam como um imã. – Você precisa parar de fazer isso, – implorou, sua voz trêmula. – Vamos logo, Vanessa.

Skyler ignorou o pedido, aproximando-se mais ainda. Seus dedos gelados roçaram o rosto de Becky, fazendo a jovem estremecer. – Se continuar assim, seu coração vai sair pela boca. – A ameaça era velada, mas a intensidade em sua voz era inegável. Skyler inclinou a cabeça, seus olhos fixos no peito de Becky. – Escuta isso? – disse, com um sorriso irônico. – Seu coração está batendo tão forte...

Becky empurrou a mão de Skyler com força, a raiva a impulsionando. – Meus olhos estão aqui encima! – exclamou, agarrando o braço de Vanessa. – Vamos, agora!

Vanessa, atordoada, acompanhou a amiga em direção às escadas. Ao virar-se para dar uma última olhada em Skyler, viu a sorrindo, seus olhos brilhando com uma satisfação perversa. Um arrepio percorreu sua espinha. O que ela está planejando?

Chegando ao quarto, trancaram a porta com um baque que ecoou no silêncio da noite. Vanessa correu até a janela, o coração martelando no peito. A lua iluminava a floresta escura que circundava o castelo, e um arrepio percorreu sua espinha.

Virando-se para Becky, cruzou os braços. – O que foi isso? – indagou, a voz carregada de acusação. – Você gosta dela!

Becky arregalou os olhos, o rosto em chamas. – O quê?! Não! – exclamou, a voz trêmula. – Você tá louca!

Vanessa sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. – É por isso que você tem aqueles sonhos estranhos, não é? Sonhos com ela. – Seus olhos brilharam com malícia. – Como eu não percebi antes?

Becky encostou-se na parede, a respiração acelerada. – Por favor, Vanessa, não fala assim. Eu... eu só estou confusa.

Vanessa se aproximou, cercando-a. – Confusa? Ou apaixonada? Porque da forma que você olha para ela, parece que ia devorá-la. – Seus dedos roçaram levemente o rosto de Becky, que se arrepiou. – Ela é uma loba, Becky. Uma criatura das trevas. E você está se envolvendo com ela.

Becky afastou a mão de Vanessa. – Para! Eu não quero falar sobre isso agora. – Ela se virou para a janela, a vista da floresta escura a deixando ainda mais ansiosa.

Vanessa cruzou os braços, com um sorriso debochado nos lábios. Seus olhos cintilaram com malícia enquanto observava a reação de Becky.

Vanessa cruzou os braços, um sorriso cínico contorcendo seus lábios. Seus olhos, como duas esmeraldas frias, cintilaram com uma malícia que gelava os ossos. Observava Becky com a mesma intensidade com que um caçador mira sua presa.

– Atrevida, né? – Skyler rosnou, a voz profunda e ameaçadora, mais parecida com um rugido do que com palavras. Seus olhos se fixaram no enorme lobo que a acompanhava, um animal de pelagem negra como a noite e olhos que brilhavam como brasas. A criatura, por sua vez, inclinou a cabeça, parecendo ponderar as palavras da dona.

– Vamos dormir, já está tarde.

Com passos lentos e deliberados, Skyler subiu as escadas, o lobo a seguindo de perto. O som de suas botas ecoava no corredor, um ritmo sinistro que martelava nos ouvidos de Vanessa e Becky. A cada passo, a escuridão parecia se intensificar, engolindo-as em um manto de medo. A luz da lua, filtrada pelas vidraças manchadas, projetava sombras grotescas nas paredes, como se demônios estivessem prestes a emergir das trevas.

Vanessa apertou os lábios, tentando conter o riso que borbulhava em seu peito. Os passos de Skyler ecoavam no corredor, cada um mais próximo, como o tic-tac de um relógio contando os segundos para uma explosão. Ela se virou para a porta, um sorriso malicioso curvando seus lábios.

– Ela está adorando cada minuto disso – murmurou para si mesma, seus olhos brilhando com uma satisfação cruel.

Becky, com o rosto em chamas, agarrou o braço de Vanessa. – O que você está fazendo? – A voz dela saiu em um sussurro rouco, e seus olhos, antes calmos, agora cintilavam com uma raiva intensa.

Vanessa ignorou a amiga e abriu a porta. – Oi, Skyler – disse, sua voz doce como mel, mas com uma ponta de ironia. – Você olha a Becky para mim, por favor? Ela está um pouco... perdida.

Skyler franziu o cenho, seus olhos prateados fixos em Becky. A tensão no ar era palpável, como a eletricidade antes de um raio.

– Ela quis dizer que você pode ir embora – interrompeu Becky, sua voz firme. – Afinal, você não tem mais nada para fazer aqui, não é? – Ela forçou um sorriso, mas seus olhos transmitiam ódio puro.

Skyler sorriu de volta, um sorriso que não alcançava seus olhos. – Que pena. Eu estava começando a gostar daqui. – Ela olhou para Vanessa, depois para Becky, e seus lábios se curvaram em um sorriso malicioso. – Mas tudo bem. Até logo.

Com um aceno de cabeça, ela se virou para ir embora, mas parou no meio do corredor e se virou novamente. – Ah, e Becky?

Becky engoliu em seco. – Sim?

A voz de Skyler ecoou no corredor, fria e cortante como uma navalha. – Lembre-se – ela sibilou – o passado tem um jeito de se repetir – A porta se fechou com um baque, aprisionando Becky em um silêncio opressivo, carregado de uma tensão que cortava a pele.

Becky deslizou pelo portal de madeira, as costas escorregando até o chão frio. Seus olhos, arregalados de terror, seguiam a figura de Skyler que se desvanecia no corredor. Um arrepio percorreu sua espinha, e ela murmurou, a voz quase abafada pelo medo – Ela vai voltar.

Uma dor aguda, como uma faca incandescente cravada em seu cérebro, a lançou em um turbilhão de emoções. A figura encapuzada, antes uma sombra vaga, se materializou em seu quarto, mais real do que nunca. Anya. Seus olhos, antes cheios de vida, agora eram dois poços vazios, brancos e opacos como a morte.

– Por que se nega a ver a verdade, Becky? – A voz de Anya era um sussurro gélido, ecoando nas paredes. – Por que ainda não despertou para o seu destino?

A cada palavra, Anya se aproximava, suas unhas arranhando a parede, deixando marcas negras que se assemelhavam a garras. Becky tentou se afastar, mas seu corpo parecia paralisado pelo terror.

– Me deixe em paz! – gritou ela, a voz falha. As lágrimas rolavam por seu rosto, misturando-se à poeira que pairava no ar.

Anya sorriu, um sorriso cruel que distorceu seus lábios. – O que você quer de mim, Becky? – A pergunta era carregada de veneno. – Você nos deixou morrer, você destruiu tudo!

Becky negou com a cabeça freneticamente. – Não foi assim! – Mas suas palavras soaram fracas e sem convicção.

A porta se abriu lentamente, revelando a figura de Mia, os olhos arregalados de susto. – Becky? O que está acontecendo? – Ela se aproximou, mas parou ao ver a amiga tremendo, os olhos fixos em um ponto vazio no ar.

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