Capítulo 17

Erick sentia a energia se esvair de seu corpo. A transformação que o havia fortalecido agora o consumia. A dor era intensa, mas ele se recusava a desistir. A memória da floresta, da natureza que ele jurou proteger, o impulsionava para frente.

Skyler girava o chicote de couro entre os dedos, os nós duros e frios contra a palma da mão. Seus olhos, normalmente castanhos, brilhavam com uma intensidade prateada que a fazia parecer quase sobrenatural. A cada movimento, a pele tensa sobre seus bíceps se contraía, um lembrete constante dos anos de treinamento árduo. – Finalmente – pensou, – o momento da verdade.

Erick, com a lança erguida, parecia um guerreiro de uma época passada. Mas seus olhos, antes cheios de confiança, agora refletiam um pavor crescente. Skyler sorriu, um sorriso frio e calculista. – É a sua vez, Erick.

Com um movimento fluido e preciso, Skyler lançou o chicote. O couro chicoteou o ar, cortando a distância que os separava. Erick desviou por pouco, mas o chicote arranhou seu braço, deixando um risco vermelho e sangrento. O grito de dor que escapou de seus lábios foi abafado pelo som do couro batendo contra a parede.

Desarmado, Erick recuou, tropeçando em uma raiz e caindo de joelhos. Skyler se aproximou, seus passos firmes e imponentes. – Você não é páreo para mim, Erick. – Ela inclinou a cabeça, um gesto quase maternal, mas seus olhos não transmitiam nenhuma emoção. – Você é apenas mais um obstáculo a ser superado.

O chicote se moveu novamente, rápido como um raio. Erick fechou os olhos, esperando o golpe fatal. Mas em vez de sentir a dor, ouviu a voz de Skyler, baixa e ameaçadora: – Eu disse que você lutou bem. Mas não o suficiente.

Erick abriu os olhos e viu o chicote cravado na parede, a centímetros de seu rosto. A ponta metálica brilhava sob a luz fraca. – Vocês nos enganaram! – ele gritou, a voz rouca e cheia de raiva. – Como puderam?

Skyler ignorou a pergunta. – Preciso ir para o oeste. – Ela se virou, pronta para partir. – Espero que ela não tenha sido pega pelos infectados. Tenho uma dívida com ela.

– Você e Darius fizeram a gente se separar para atacar de surpresa. – O tom de Erick era acusador, a raiva vibrando em cada sílaba.

– No mundo real, Erick, os inimigos não te convidam para um chá. Eles te atacam quando você menos espera. – Ela diz, a voz firme como aço, enquanto enfia o chicote na bainha. – A missão de hoje era testar seus limites, trabalhar em equipe. Vocês falharam miseravelmente. Um grupo não se separa, e você... – Ela o encara, seus olhos cintilando como duas pedras preciosas sob a luz fraca da floresta. – Você quase morreu por causa da sua impulsividade. Da próxima vez, pense antes de agir.

Erick engoliu em seco, o coração martelando no peito. As palavras de Skyler eram como facas afiadas, cortando direto ao ponto. A floresta, antes um lugar familiar, agora parecia uma armadilha mortal. – Tem razão. – Ele murmura, a voz rouca de vergonha. – Fui imprudente.

– Imprudente e teimoso. – Ela cruza os braços sobre o peito, a postura dominante. – Você tem potencial, Erick, mas precisa canalizar essa energia da maneira certa. A força está na união, não na individualidade.

Erick assente, a cabeça baixa. A adrenalina da luta ainda o deixava inquieto, mas uma nova sensação se instalou: o respeito, misturado com um profundo senso de dever. – Vou treinar mais duro. Prometo.

– Espero que sim. – Ela se aproxima, a expressão se suavizando por um instante. – Lembre-se, Erick, a força de um lobo solitário é limitada. Mas a alcateia é invencível.

Um silêncio pesado se instala entre eles, carregado de tensão e expectativa. Erick sente um turbilhão de emoções: alívio por estar vivo, frustração por sua falha, e uma determinação renovada.

No norte, onde a névoa obscurecia a fronteira entre o dia e a noite, Vanessa galopava em seu corcel negro, a espada cintilando como uma estrela solitária. O vento uivava entre as árvores retorcidas, carregando o cheiro de terra úmida e morte. Um arrepio percorreu sua espinha, mais intenso que o vento gélido. Ela não estava sozinha.

Da escuridão emergiram criaturas grotescas, morcegos mutantes com olhos que ardiam como brasas. Seus guinchos agudos rasgavam o ar, enquanto se lançavam sobre ela. Vanessa gritou, a voz rouca de raiva e adrenalina, e desferiu golpes precisos com sua espada, cortando as criaturas em pedaços que se espalhavam como pétalas de uma flor negra.

Um tremor sacudiu a terra, abalando as raízes das árvores e fazendo o corcel relinchar de terror. Vanessa saltou da sela, cravando a espada no chão com força. Pequenas aranhas, negras como a noite, surgiram das sombras, rastejando em sua direção. Com movimentos rápidos e certeiros, ela as esmagou, espalhando um líquido verde viscoso que manchava a terra como sangue.

De repente, a terra tremeu novamente, e uma criatura colossal emergiu das sombras. Uma aranha gigante, com um corpo brilhante e gosmento que pulsava como um coração, saltou, lançando teias pegajosas que a envolveram como um casulo. Vanessa se debatia, mas as teias eram fortes como aço. A aranha, com seus olhos multifacetados brilhando de uma crueldade implacável, aproximou-se lentamente.

– Maldição! – Vanessa rugiu, tentando em vão cortar as teias com sua espada. A teia era mais resistente que qualquer coisa que ela já havia enfrentado. A aranha ergueu suas patas dianteiras, as garras afiadas cintilando à luz da lua. “Isso é o fim,” pensou ela, o desespero se misturando à raiva. Mas então, uma lembrança a invadiu: as palavras de seu mestre, sobre a força interior e a determinação. – Eu não vou desistir! – ela gritou, concentrando toda sua força em um único ponto.

Com um esforço sobre-humano, Vanessa concentrou toda a sua energia na espada, canalizando toda a sua raiva e determinação em um único golpe. A lâmina, antes opaca, agora brilhava como um raio de sol cortando a neblina. As teias se desfizeram como fumaça, mas ao tocar a ferida da aranha, uma dor lancinante percorreu seu corpo. Era como se milhares de agulhas estivessem perfurando sua carne. A aranha, sentindo sua força minguar, liberou um veneno viscoso e verde, que se infiltrou em sua ferida como um ácido corrosivo.

Vanessa caiu de joelhos, a dor pulsando em suas veias como um tambor frenético. Seu corpo se contorcia, cada músculo gritando em agonia. Mas, por entre a dor, ela sentia algo mais: uma força primitiva, uma energia bruta que a inundava. Seus sentidos se aguçaram, captando o som da respiração da aranha, o cheiro da terra úmida e o gosto metálico do sangue em sua boca. Era como se ela estivesse se tornando uma parte integral da floresta, conectada a cada folha, a cada pedra.

Conseguindo se libertar da teia, Vanessa se arrastou até uma árvore, encostando-se ao tronco áspero. A aranha, com seus olhos multifacetados brilhando de ódio, a perseguia implacavelmente. A cada passo, a dor em sua ferida aumentava, mas Vanessa se recusava a desistir. Lembrou-se das palavras de seu mestre: "A força está dentro de você." Com um último suspiro, ela tocou a espada, uma reliquia familiar que havia herdado de seu pai.

A espada, ao ser tocada, emitiu um brilho intenso, como se absorvesse a energia vital de Vanessa. Com um grito gutural, ela encostou a lâmina na ferida. A dor era insuportável, mas ela sabia que era necessário. A espada começou a brilhar ainda mais forte, purificando seu sangue do veneno. A cada segundo, a dor diminuía, dando lugar a uma sensação de poder e renovação.

A aranha, atraída pela luz intensa, aproximou-se cautelosamente. Quando se viu diante de Vanessa, seus olhos se arregalaram de espanto. A mulher, que antes era apenas uma guerreira, agora emanava uma aura de poder e majestade. Seus cabelos, agora brilhavam com uma luz prateada, e asas gigantescas, semelhantes às de uma águia, brotaram de suas costas. Em sua mão, a espada brilhava como um farol, e um escudo de luz a protegia.

– Agora é a minha vez – rugiu Vanessa, sua voz ecoando pela floresta. A aranha, sentindo o poder que emanava da mulher, recuou um passo. Mas Vanessa não a deixaria escapar. Com um rugido desafiador, ela avançou, pronta para enfrentar a criatura que a havia desafiado.

A floresta, antes um lugar de paz e tranquilidade, agora era um campo de batalha. As árvores, antes majestosas, estavam retorcidas e quebradas pela batalha iminente. Vanessa, com suas asas esticadas e sua espada brilhando, pairou no ar, encarando a aranha gigante. A criatura, maior do que qualquer coisa que Vanessa já havia visto, rugiu com fúria, seus olhos multifacetados brilhando com ódio.

A batalha começou com uma fúria selvagem. Vanessa desceu em um ataque fulminante, sua espada cortando o ar. A aranha ergueu suas patas dianteiras, tentando agarrá-la, mas Vanessa era ágil como um raio. Ela esquivou dos ataques da criatura, desferindo golpes precisos em seu corpo blindado. A cada golpe, a aranha rugia de dor, mas se recusava a desistir.

A luta se intensificou. A aranha lançou teias viscosas em direção a Vanessa, mas a guerreira as cortou com sua espada. A floresta tremia com cada golpe, e os animais observavam a batalha com medo e admiração. Vanessa sabia que não poderia vencer a aranha apenas com força física. Ela precisava usar sua conexão com a natureza.

Com um grito poderoso, Vanessa canalizou a energia da floresta em sua espada. A lâmina brilhou com uma luz verde, e quando ela atingiu a aranha, a criatura soltou um rugido de agonia. A energia verde corroía o corpo da aranha, causando-lhe uma dor insuportável. A aranha tentou contra-atacar, mas seus movimentos se tornaram lentos e imprecisos.

Com um último esforço, Vanessa concentrou toda a sua força em um único golpe. A espada cortou a aranha ao meio, e a criatura caiu no chão com um estrondo. A floresta ficou em silêncio por um momento, e então, um sussurro se espalhou entre as árvores: a batalha havia sido vencida. Exausta, Vanessa caiu de joelhos no chão. Seu corpo estava coberto de feridas.

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