Skyler acordou suada e ofegante, seu coração batendo forte no peito. Ela apertou o ursinho contra si, buscando conforto em algo familiar. Se ao menos pudesse voltar no tempo e mudar tudo... pensou ela, a dor e a culpa a consumindo por dentro.
O som de batidas insistentes na porta a despertou de seus devaneios. Skyler revira os olhos, sentando-se na cama e encarando a porta. O cheiro do café fresco adentrava o quarto, misturando-se com a tensão no ar. – Entre. – Ela diz, sua voz rouca de sono. Logo, Darius entra no quarto, seu olhar intenso fixo em Skyler.
– Vim falar sobre o destino da garota. Ela tem um poder que pode nos ajudar e é minha missão cuidar de pessoas como ela. – Ele diz, apertando a mão. – Sei que não gostou dela, Skyler, e você tem o total direito de votar não na reunião, mas poderia pensar nisso melhor por mim? – O olhar dele era de esperança, mas Skyler sentia uma certa manipulação em suas palavras.
– Eu sei... – Ela sussurra, levantando-se para se arrumar. Mas como posso confiar em você depois de tudo o que aconteceu? pensou ela, enquanto se olhava no espelho. Será que estou pronta para me envolver em mais uma aventura perigosa?
O silêncio do calabouço era quebrado apenas pelo som de suas próprias respirações. Becky não tinha conseguido dormir, então resolveu desenhar no chão sujo usando uma pequena pedra. Ao notar os passos, ela logo se colocou de pé em uma postura rígida. O cheiro de mofo e umidade pairava no ar, mas o aroma do pão fresco a tentava.
– Desculpe. – Vanessa aparece, trazendo uma caneca com água e um pão. – Você precisa se alimentar e eu só consegui vir aqui agora. – Ela diz, aproximando a mão para entregar o café da manhã da garota. – Qual seu nome?
– Becky. O seu é Vanessa, eu escutei muito esse nome quando estava inconsciente. – Ela abre um sorriso, tentando parecer mais forte do que se sentia. – Pelo menos existem pessoas gentis aqui. – Ela pega a caneca e o pão e se senta no chão novamente. Mas por que estão me alimentando se vão me matar? pensou ela, com um nó na garganta.
Vanessa solta uma gargalhada e se senta no chão do lado de fora da cela. – Não vamos te matar, Darius convocou uma reunião com os guardiões, eles querem que você se junte. – Vanessa abre um sorriso grande. – Com sua ajuda, poderíamos acabar com a dor do mundo e salvar muitas pessoas, e você poderia aprender a controlar seus poderes.
– Quando você diz “eles”, – ela faz aspas com as mãos – não é incluindo Skyler e nem Erick, eles não parecem gostar de mim. – Ela solta um riso nasal. – Nem eu gosto deles.
– O Erick gosta, e ignore a Skyler, ela não tem o direito de falar se gosta ou não de uma situação. – Vanessa aperta as mãos. – Quem decide tudo é Darius e a Nexus.
Becky olhou para Vanessa com desconfiança. Será que posso confiar nela? pensou. Afinal, todos os outros a tinham traído. Mas a ideia de fazer parte de algo maior, de ajudar as pessoas, a atraía.
– O que é Nexus? – Becky tinha um olhar confuso. A luz do sol que entrava pelas janelas gigantes a cegava momentaneamente, e ela piscou os olhos, tentando se acostumar à claridade.
– Darius vai te contar. – Vanessa se levanta, tirando uma chave do bolso. – Vamos, está na hora. Eu não quero te algemar, então não faça nada estúpido e me deixe fazer meu papel e salvar sua vida. – Vanessa abre a cela, indo de encontro a Becky. A mesma segue Vanessa sem resistência, sentindo um misto de medo e esperança.
– E se eu não quiser ser um de vocês? – Becky pergunta, cortando o silêncio e andando pelo longo corredor do castelo.
– Por que falaria isso? – Vanessa olha para a paisagem do sol cercando as árvores. – Você iria salvar as pessoas dos monstros e iria ter uma família. Você disse que sua vila foi queimada. – Vanessa para de andar, revendo as palavras. Você teria um propósito. – O que quero dizer é que você tem uma oportunidade de fazer muito e explorar seus conhecimentos.
– Olá! – Mia grita, se aproximando do grupo, a voz rouca de sono. – Eu odeio essas reuniões. É como se me levassem de volta para aquele dia... – Seus olhos se enchem de lágrimas ao lembrar da perda de seu irmão em uma decisão semelhante. – Por que tão cedo?
Becky sente um peso no estômago. – Me desculpa por te tirar da cama, Mia. Prometo que você vai poder dormir até mais tarde amanhã. – Ela tenta sorrir, mas a culpa a impede.
– Na verdade, a culpa é da Skyler. – Mia retruca, revirando os olhos. – Ela tem uma missão importante e precisa dessa reunião. A Nexus tá pressionando pra ela assumir o comando. Dizem que o Darius não tá dando conta.
Vanessa franze o cenho. – Você acha que eles vão tirar ele da missão? Ele é tão bom...
Mia suspira, olhando para o chão. – Eu sei, mas a Skyler é tão determinada... E ela sempre vai sozinha, sabe? É como se buscasse algo para provar. – Ela olha para Becky, seus olhos marejados. – Boa sorte.
Vanessa segura o pulso de Becky. – Eu vou tentar falar com ela. A Skyler é imprudente às vezes.
O som de botas pesadas ecoa no corredor. Skyler aparece, o rosto impassível. Seus olhos encontram os de Becky, e um desafio silencioso passa entre elas. – Eles não entendem, – ela murmura, antes de entrar na sala. – Eu sou a única que pode fazer isso.
A sala estava iluminada pela suave luz do sol da manhã. Cinco cadeiras, posicionadas em círculo no centro do cômodo, convidavam os presentes a se sentarem. No piso, desenhos intricados de um lobo, um cavaleiro, uma sombra, um urso e uma serpente, representavam os cinco guardiões. Vanessa lançou um olhar de dúvida para Darius, que murmurou um rápido "desculpe". Aquele pedido apressou seus passos até a cadeira designada.
Um a um, todos se acomodaram. Darius tinha uma expressão dura, como se carregasse o peso do mundo em seus ombros. Minutos se passaram em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo som da própria respiração de cada um. De repente, um logotipo de uma empresa, adornado por um símbolo de águia, surgiu no centro da mesa de reunião. Skyler se levantou abruptamente, ajoelhando-se no chão e fixando os olhos no símbolo. A imagem se transformou, revelando um homem de cabelos brancos, vestindo um traje negro que exaltava sua figura imponente.
– Me diga o que está acontecendo? – a voz do homem ecoou pela sala, grave e autoritária. – Estou ciente de tudo e, por isso, agradeço sua presença, Skyler. Ambos sabemos que você pode confirmar se essa humana... ou devo dizer, não humana, é confiável. Mas antes, qual o seu nome humana?
– Becky. – Becky pronunciou seu nome, os olhos fixos na tela que cintilava à sua frente. Seus olhos se desviaram para Skyler, cujo rosto se contorcia em uma expressão de puro terror. Os olhos de Skyler, antes tão vibrantes, agora pareciam dois poços de escuridão, fixos em Becky como se a vissem como um espectro. – O que foi? – A pergunta saiu de seus lábios em um sussurro, enquanto Skyler apertava sua mão com uma força que a fazia estremecer.
Henrique, com um sorriso que mais parecia um rosnado, revelou dentes afiados como os de um predador. – Becky, você possui um poder imenso, um poder capaz de remodelar o mundo. Mas para isso, precisará se unir a nós.
Skyler saltou de sua cadeira como se tivesse sido eletrocutada, seus olhos faiscando como duas estrelas. – Ela não vai se juntar a você! – gritou ela, apontando um dedo trêmulo para Becky. – Ela é minha!
Um arrepio gélido percorreu a espinha de Becky. Nunca havia visto Skyler tão consumida pela raiva. Seus olhos, antes tão cheios de vida, agora exalavam uma fúria que a intimidava.
– Calma, Skyler. – Darius interveio, sua voz suave tentando acalmar a tempestade que se formava. – Não estamos forçando ninguém a nada.
– Cale a boca! – Skyler rugiu, suas garras afiadas cintilando à luz. – Você mentiu! Disse que ela estava morta! – Seus olhos, agora prateados e luminosos como a lua cheia, fixaram-se em Darius, que desviou o olhar, humilhado.
Becky se sentia como se estivesse em meio a um furacão. Os olhos se alternavam entre Darius, com sua expressão de culpa, Skyler, consumida pela raiva, e o homem na tela, cuja presença imponente emanava poder e mistério. Uma decisão monumental se impunha, e o peso do mundo parecia repousar sobre seus ombros. Skyler, finalmente, se sentou na cadeira, exausta.
– Expresse seu ponto de vista, Skyler. – Henrique ordenou, sua voz profunda ecoando pela sala. Seus olhos, frios e calculistas, a penetravam como raios X, exigindo uma resposta.
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Atualizado até capítulo 21
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