– Vou precisar lançar o charme mesmo – Erick pula para longe do urso, se aproximando do grupo em passos lentos e sua lança aparece na sua mão esquerda. – Vamos fazer um pequeno teste – Vanessa tenta parar a lança de Erick no ar, mas ele foi mais rápido, desviando dela até a garota desacordada. – Não se envolva, Rapunzel!
Mia se afasta da garota, dando um pulo para trás, quando a lança de Erick se encontra com o corpo da jovem. Uma onda de calor preenche o ambiente e logo a lança de Erick é arremessada pelo ar. Ele logo a pega no ar, olhando admirado para a garota desacordada.
– Ela é tipo um escudo, sabe? – Erick diz, os olhos brilhando de excitação, enquanto Vanessa o fulmina com um olhar de puro ódio. – Olha, eu sabia que ela não iria morrer!
Vanessa, com os músculos tensos sob a armadura, agarra Erick pelo colarinho, sacudindo-o como um pano de chão. – Idiota! – ela rosna, a voz cortante como uma lâmina. – Nós não matamos humanos!
– Ela não é humana! – ele rebate, a voz estridente. – Um humano não poderia ter sobrevivido a isso! Olhe para tudo isso! – ele gesticula em direção à floresta carbonizada, a fumaça ainda pairando no ar. – Ela é diferente!
Vanessa o joga no chão, a força da ação fazendo Erick rolar alguns metros. – Diferente? Você quase a matou, seu monstro! Essa garota precisa de cuidados, não dos seus experimentos loucos!
Vanessa, com os olhos faiscando – Você não entende, Erick. Essa marca... ela é perigosa. Pode corromper até mesmo a alma mais pura.
Erick, se levantando e limpando a poeira da roupa, – Mas ela não está corrompida! Ela está tentando se proteger! E eu vou ajudá-la.
– Essa marca... – Mia interrompe a discussão, seus olhos fixos na garota inconsciente. – Ela pulsa, como um coração batendo em outro ritmo. É como se houvesse uma força... uma energia dentro dela.
– Uma energia poderosa! – Erick exclama, os olhos brilhando de antecipação. – Imagine o que poderíamos fazer com ela!
– Acho que deveríamos levá-la para o general – Mia sugere, a voz baixa e hesitante. – Vanessa? – ela olha para a amiga, esperando uma resposta. – Sinto que estamos sendo observados.
Vanessa, com a garota nos braços, sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A floresta, antes familiar, agora parecia um labirinto sombrio. O cheiro úmido da terra e a folhagem em decomposição a envolviam como um manto pesado. A cada passo, a sensação de ser observada se intensificava. – Tudo bem – ela murmurou, a voz rouca pela tensão. – Mas eu mesma falarei com o general. Não quero que se metam nisso. – Virou-se, determinada, e começou a caminhar. – Sinto que algo nos segue... algo antigo e poderoso.
Mia, colocando a mão no ombro de Vanessa – Temos que agir com cautela. Essa garota pode ser a chave para algo muito maior.
– Finalmente! Vamos descobrir do que essa garota é capaz. – Erick exclamou, os olhos brilhando de antecipação. – Não podemos deixar que o medo nos paralise. Temos que aproveitar essa oportunidade.
Vanessa o encarou, seus olhos faiscando. – Erick, você está indo longe demais. Ela é apenas uma criança.
– Criança? – ele zombou. – Ela tem um poder que pode mudar tudo para nós! E você quer desperdiçá-lo com essa sua piedade?
– Piedade? – ela retrucou, a voz firme. – Estou preocupada com o que pode acontecer a ela! E com o que pode acontecer a nós se dermos errado.
– Você sempre foi assim, Vanessa – ele continuou, a voz carregada de desprezo. – Cautelosa demais. O mundo está mudando, e nós precisamos nos adaptar. Ou você prefere ficar para trás?
– Eu não quero ficar para trás – ela respondeu, sua voz embargada. – Mas também não quero colocar vidas em risco por ambição.
– Ambição? – ele escarneceu. – É isso que te move, não é? Você só quer proteger seu posto de capitã.
– Não me provoque, Erick – ela rosnou, a paciência se esgotando. – Eu faço o que acho certo.
– Certo? – ele repetiu, com um sorriso irônico. – Você está certa de que está fazendo o certo?
– Chega! Essa garota não é um objeto para vocês manipularem. Ela tem medo, ela está sozinha. Lembram daquela menina que encontramos naquela vila? A que perdeu os pais na guerra? Essa garota pode ser a próxima vítima da nossa ambição.
Erick se virou para Mia, os olhos frios. – Mia, você sabe que não é assim. Estamos abrindo um novo caminho, um caminho para um futuro melhor.
– Um futuro melhor? – Vanessa questionou, a voz trêmula. – Qual futuro? Um futuro onde sacrificamos a humanidade em nome do poder?
A discussão se intensificou, cada palavra como uma facada, até que Mia interrompeu tudo, a voz firme e decidida. – Chega!, esqueçam suas diferenças por um momento e trabalhem juntos. A vida dessa garota está em nossas mãos.
Os enormes portões de ferro da cidadela se erguiam como gigantes adormecidos, suas luzes cintilando como estrelas. A multidão, um mar de rostos ansiosos, se agitava como um formigueiro. Crianças de olhos brilhantes estendiam as mãos, seus rostos pintados com uma mistura de admiração e esperança. Vanessa, com a garota nos braços, sentia os olhares curiosos que a seguiam como faróis. O vento carregava o cheiro de madeira queimada e a algazarra da multidão, criando uma sinfonia caótica.
– O que aconteceu com ela? – A voz rouca do guarda cortou a algazarra. – Ela está ferida?
Vanessa, com a voz trêmula, respondeu: – Encontramos ela na floresta. Precisa de cuidados.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 21
Comments