O piso úmido e sujo do calabouço exalava um cheiro acre de mofo e esgoto que lhe cortava as narinas. Becky varria os olhos desesperadamente pelas grades enferrujadas, buscando em vão uma brecha, um raio de esperança que a tirasse daquele pesadelo sem fim. A imagem de Skyler, implacável e cruel, irrompeu em sua mente, acendendo a fúria que a consumia como brasas. Durante anos, ela jurou vingança, matar a responsável pela carnificina que havia dizimado sua vila. Os gritos desesperados de sua mãe, o toque gelado da morte em seu pai, os sussurros implorando por misericórdia... tudo revivia a noite em que perdera tudo. Sua amada família, devoradas pelas sombras, transformadas em meros fantasmas em sua memória. Um som abafado a tirou de seus devaneios: o clique metálico de botas aproximando-se. Becky enrijeceu, os músculos tensos, pronta para o confronto. O silêncio, opressivo, se instalou, carregado de expectativa.
– Sei que está aí. Apareça! – Becky ordena, sua voz rouca e cheia de raiva. A postura desafiadora contrastava com a fragilidade de seu corpo, magro e marcado pela privação. Ela se perguntava se ainda tinha forças para enfrentar a mulher que havia destruído sua vida.
– É claro que sabe. – A voz de Skyler ecoa pelo corredor, fria e calculista. Becky a reconhece instantaneamente, a mesma voz que a atormenta em seus pesadelos. A mulher se aproxima da cela, a luz fraca das tochas revelando um rosto marcado por cicatrizes e um olhar penetrante. – Você me odeia?
A pergunta, carregada de ironia, paira no ar, ecoando nas profundezas do calabouço. Becky ri, um som amargo que raspa em sua garganta. – Vai fazer você se sentir melhor se eu disser que te odeio? Isso você já sabe. Você é um monstro, Skyler. E os monstros não merecem desculpas. – Ela queria gritar, queria quebrar as grades, queria sentir a pele de Skyler sob suas unhas e arrancar dela a vida que havia roubado. Mas sabia que era inútil.
– Mesmo presa nesse buraco, você ainda tem a audácia de se vangloriar? – Skyler zomba, batendo palmas com as mãos enluvadas. A luz das tochas cintila em seus olhos, revelando um brilho de crueldade que arrepia Becky. – A vingança é um prato que se come frio, não é mesmo? Mas no seu caso, parece ter te queimado por dentro.
Becky se aproxima da grade, a distância que as separa parecendo uma muralha intransponível. Seus olhos, antes cheios de ódio, agora refletem uma profunda tristeza. – Você nunca vai entender o que é perder tudo. Você só sabe destruir. – As lembranças daquela noite horrível voltam à sua mente com força brutal, e ela sente a dor como se fosse agora.
Skyler sorri, um sorriso que revela seus dentes afiados. – Ah, querida, eu entendo muito bem. Eu perdi tudo também. Mas, ao contrário de você, eu aprendi a sobreviver. – Ela pausa, seus olhos se fixando nos de Becky. – A sobreviver a qualquer custo.
– Sobreviver? Você se tornou um monstro! – Becky grita, a voz rouca pela emoção. – Você destruiu tudo o que havia de bom em você!
– E você? O que se tornou? Uma assassina igual a mim? – Skyler rebateu, aproximando-se ainda mais, seus olhos cintilando como brasas. A tensão era palpável, o ar entre elas parecia eletrificado. De repente, Skyler agarrou a grade com força, cravando as unhas na ferrugem até sangrar. Seus olhos se encontraram com os de Becky, desafiadores. Um brilho metálico, quase animal, brilhava em suas pupilas.
– Não importa se vão ou não fazer algo – Becky rosnou, a voz baixa e ameaçadora. A raiva a consumia como um fogo inextinguível. – Não vai se livrar de seus demônios facilmente, Skyler. – Os olhos de Skyler, antes verdes, agora cintilavam como prata líquida, fixos no rosto de Becky. – A prata combina mais com sua personalidade fútil. – Becky esboçou um sorriso amargo, revelando dentes cerrados. A dor física e emocional a impulsionava a enfrentar a mulher que havia destruído sua vida.
Skyler, com um movimento rápido, agarrou o queixo de Becky, cravando uma unha na pele pálida da jovem. A dor aguda a fez estremecer, mas não a intimidou. – Não pedi sua opinião de merda! – sibilou, apertando com força. – Coitadinha, está precisando de um sol ou vai acabar que nem a parede do meu quarto, deveria se cuidar mais. – Com um gesto brusco, Skyler se soltou, virando-se para ir embora. – Espero que tenha certeza de que eu sou o monstro aqui. – Suas palavras ecoaram pelo corredor, enquanto ela se perdia nas sombras, deixando Becky paralisada, a dor física e emocional a consumindo. A imagem de Skyler se fixou em sua mente, uma lembrança que a perseguiria.
Skyler adentrou o corredor frio e sombrio do castelo, seus passos ecoando nas paredes de pedra como um lamento. A porta de seu quarto, uma pesada peça de metal adornada com um símbolo obscuro, estava entreaberta. O coração dela acelerou. Alguém estava ali. Com um movimento rápido, Skyler empurrou a porta e entrou no aposento. Vanessa, estava sentada na cama, observando com admiração as paredes revestidas de prata. A luz da lua, que se infiltrava por uma fresta na janela, iluminava seu rosto pálido.
– Não sabia que meu quarto tinha se tornado ponto de encontro – Skyler sintonizou, sua voz cortante como uma lâmina. A frieza em seus olhos era quase palpável.
Vanessa sobressaltou-se. – Estava procurando por você. Onde esteve? – Sua voz tremia levemente.
– Fazendo uma visita. – Skyler esboçou um sorriso amargo, seus olhos cintilando com uma estranha intensidade. – Uma vez me disseram que a prata combinava comigo.
Vanessa se levantou, a expressão preocupada. – Precisa parar com isso, Skyler. Darius vai querer que você se junte a nós. – Seus olhos transmitiam uma profunda tristeza.
A paciência de Skyler se esgotou. – E você precisa sair da minha visão! – rugiu ela, seus olhos brilhando como brasas. – Como você mesma disse, eu não me reporto a ninguém além de Darius. – A lembrança da traição de Darius a consumia por dentro.
Vanessa insistiu – Por quê? Por que você insiste em se isolar? – Seus olhos se encheram de lágrimas.
Skyler avançou em direção à Vanessa, seus dedos afiados roçando o pescoço de Vanessa. – Porque eu não preciso de você! Nem de ninguém! – A voz de Skyler era um rosnado baixo e ameaçador. – Saia daqui agora! – Ela empurrou Vanessa com força, jogando-a contra a parede.
Vanessa, atordoada, deslizou pela parede até o chão. – Você está mudando, Skyler. Está se tornando... – Sua voz era um sussurro.
– O que? Um monstro? – Skyler completou a frase com um sorriso cruel. – Talvez seja. Mas pelo menos sou livre. Livre para fazer o que quiser, quando quiser. – Com um gesto brusco, Skyler fechou a porta com força. O som metálico ecoou pelo corredor, amplificando o silêncio que se seguiu.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
Alucard
A personagem principal me inspirou a ser uma pessoa melhor.
2024-08-04
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