Capítulo 19

A névoa da tarde envolvia a ruína em um manto cinzento, criando uma atmosfera sinistra. Skyler adentrou a construção antiga, o eco de seus passos ecoando nas paredes úmidas e cobertas de musgo. – Espero que você tenha se livrado dos outros, Darius – murmurou ela, a voz rouca e cheia de expectativa. Erick, mantinha os olhos fixos no chão, a vergonha estampada em seu rosto.

Ao encontrar Becky encostada em uma coluna, Skyler esboçou um sorriso cruel. A garota, com os olhos arregalados, observava a cena com uma mistura de curiosidade e medo. – Você ganhou de Darius? –  perguntou Skyler, sua voz carregada de ironia.

Ao notar Mia desacordada nos braços de Erick, seus olhos se estreitaram. – O que aconteceu com ela?

Com um gesto brusco, Skyler arrancou Mia dos braços de Erick e a depositou no chão frio e úmido. A garota, pálida e imóvel, parecia uma boneca de porcelana. Skyler retirou o chicote da cintura, a ponta metálica cintilando sob a luz fraca que se infiltrava pelas fendas das paredes. Becky, instintivamente, recuou um passo.

– Atrás de você, Becky! – gritou Erick, a voz aguda cortando o silêncio.

Becky se virou, encontrando Skyler avançando em sua direção com um sorriso sádico. A garota desviou por um triz do chicote que a atingiu de raspão. – Isso é contra as regras, Erick – repreendeu Skyler, a voz fria como gelo. – Mas... é mais interessante assim.

Uma sombra se projetou na entrada da ruína, revelando Vanessa com um olhar triste. Sabia que não podia interferir. As regras eram claras: cada um deveria enfrentar seu próprio desafio. – Se renda, Becky – suplicou ela, a voz carregada de pesar. – Não podemos nos envolver.

– Se renda e perca a oportunidade de lutar comigo? – provocou Skyler, sua voz arrastada. – Se bem que assim eu não teria que te machucar, Bec. – A última palavra saiu como um sussurro, um apelido íntimo que ecoou na memória de Becky, reacendendo a chama da raiva em seu interior.

Um rugido primitivo escapou dos lábios de Becky. As memórias da vila, da traição, da perda... tudo se concentrou naquele instante, alimentando sua fúria. As asas de morcego brotaram de suas costas, suas garras afiadas se estenderam e seus olhos brilharam em um vermelho intenso. – Não me chame disso! – rugiu ela, a voz distorcida pela raiva. – O meu nome é Becky!

Skyler e Darius se posicionaram frente a ela, prontos para a batalha. Skyler, com seus olhos prateados e caninos afiados, brandia o chicote com maestria. Darius, por sua vez, manipulava as sombras, criando garras que se estendiam de suas mãos. – Não é justo – rosnou Skyler, seus caninos expostos em um sorriso cruel. – Me deixe cuidar dessa garota sozinha.

Com isso, Darius se afastou, observando a cena com um olhar calculista. Em um movimento felino, Skyler avançou, acertando o chicote de couro no rosto de Becky. A garota soltou um leve gemido, mas segurou o chicote com firmeza, puxando-o com força. Skyler foi obrigada a soltar sua arma. Becky olhou para o chicote em sua mão com diversão, uma faísca de magia surgindo em suas mãos. Em um instante, o chicote se transformou em pó, se dissipando no ar.

A batalha se intensificou. Skyler, enfurecida com a destruição de sua arma, atacou com fúria. Seus golpes eram rápidos e precisos, mas Becky os desviava com uma agilidade surpreendente. A cada movimento, a raiva de Becky crescia, alimentando sua força. Seus olhos, agora, brilhavam com uma intensidade que parecia consumir toda a luz da ruína.

A névoa da ruína se agitou com a intensidade da batalha. Becky e Skyler se entrelaçaram em uma dança mortal, seus corpos se movendo com a agilidade de felinos. Os golpes trocados eram rápidos e precisos, cada um mais feroz que o anterior.

Skyler, com seus olhos prateados cintilando, atacava com uma fúria descontrolada. Seus golpes eram como chicoteadas de aço, rasgando o ar com um zumbido mortal. Becky, por sua vez, utilizava sua agilidade e seus poderes sobre a natureza para desviar dos ataques. Seus cabelos, brilhavam com uma luz verde, e raízes surgiam do chão, prendendo os pés de Skyler.

A cada golpe desferido, a ruína tremia. Pedras despencavam do teto, e rachaduras profundas se formavam no chão. A poeira se elevava, obscurecendo a visão, mas as duas guerreiras continuavam a lutar com uma ferocidade inigualável.

Darius, observando a batalha de longe, tentava encontrar uma oportunidade para intervir, mas a intensidade do confronto o mantinha paralisado. Vanessa, com os olhos cheios de lágrimas, implorava aos deuses por um milagre.

A batalha se prolongou por horas, ambas as guerreiras exaustas, mas nenhuma disposta a ceder. Skyler, com um rugido selvagem, lançou um ataque final, mas Becky, com um movimento rápido, desviou do golpe e cravou suas garras no braço de Skyler. A dor fez a adversária recuar, mas a luta ainda não havia acabado.

Skyler, com a fúria nos olhos, arrancou as garras de Becky de sua carne e as jogou contra a parede. A dor era intensa, mas a adrenalina a mantinha em pé. Com um último esforço, ela concentrou toda a sua energia em um ataque poderoso. Um raio negro surgiu de suas mãos e se dirigiu direto para Becky.

No último instante, Becky ergueu seus braços, formando um escudo de energia verde. O raio atingiu o escudo, criando uma explosão que sacudiu a ruína. Quando a poeira se assentou, ambas as guerreiras estavam de pé, ofegantes e cobertas de feridas.

A ruína era uma cicatriz negra cravada na terra, um labirinto de sombras e escombros. Pedras estilhaçadas, como ossos quebrados, marcavam o terreno, e o ar, carregado de poeira e o cheiro metálico de sangue, pairava pesado sobre o campo de batalha. Becky e Skyler, duas guerreiras exaustas, se encaravam, a raiva ainda cintilando em seus olhos, mas a exaustão já começava a tomar conta de seus corpos. O suor escorria por seus rostos, misturando-se à poeira e criando uma máscara de guerra.

– Estamos empatadas, Skyler. Não podemos continuar assim –  Sua voz era rouca, como se tivesse gritado por horas.

Um sorriso amargo contorceu os lábios de Skyler, mais uma máscara que tentava esconder a exaustão que a consumia. As palavras, – talvez seja hora de parar – ecoaram no ar, carregadas de um peso que parecia esmagar seus ossos. A cada respiração, um grito silencioso escapava de seus lábios, um lamento que apenas ela ouvia. A dor pulsava em suas têmporas, um martelo insistente martelando em suas têmporas.

A proposta de paz pairava no ar, uma névoa tênue que tentava disfarçar o ódio que as separava. Becky, uma estátua de ódio, permanecia imóvel, os olhos cintilando como brasas em uma fornalha. A cada segundo que passava, a tensão se intensificava, esticando o ar como uma corda prestes a arrebentar. Skyler, com passos hesitantes, aproximou-se, a cada centímetro vencido uma batalha contra o medo. Seus dedos, trêmulos, roçaram a face de Becky, um toque tão leve quanto uma pena, mas carregado de uma intensidade que cortava a pele. – Não vou te machucar – sussurrou, a voz rouca, um lamento desesperado.

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