Capítulo 13

Becky se aproximou da pedra, seus dedos traçando as linhas sinuosas das inscrições. Cada símbolo era uma ferida aberta em sua alma, revelando a verdade sobre o que a Nexus havia feito. A pedra pulsava com uma energia escura, como se fosse um coração maligno. – Skyler... Nexus... Experimento... Fracasso... – as palavras ecoavam em sua mente, um mantra sombrio. Um arrepio percorreu sua espinha, gelado e penetrante. A Nexus não era apenas uma organização secreta, era uma força da natureza, cruel e implacável.

A figura encapuzada se aproximou de Becky, seus olhos brilhavam como duas brasas incandescentes. Ao abaixar o capuz, revelou um rosto pálido e distorcido, uma sombra do que um dia fora. – Eu não sou mais a mesma pessoa – disse Skyler, sua voz rouca e cavernosa. – A Nexus me transformou em uma arma.

Skyler explicou que a Nexus havia conduzido experimentos genéticos em crianças, incluindo ela e Becky. O objetivo era criar uma nova raça de seres superiores, imunes a doenças e capazes de sobreviver em qualquer ambiente. Mas os experimentos deram errado. Muitos dos sujeitos de teste morreram, e os sobreviventes foram transformados em monstros.

– Eu fui uma cobaia – disse Skyler, sua voz carregada de tristeza. – Eles me prometeram que eu seria especial, mas me transformaram em um monstro.

Becky estava em choque. A Skyler que ela conhecia havia sido transformada em uma criatura sombria e torturada. – Mas por quê? – perguntou, sua voz trêmula. – Por que fizeram isso com vocês?

Skyler olhou para Becky com uma tristeza infinita. – Eles queriam poder, Becky. Poder sobre a vida e a morte. E nós éramos apenas peões em seu jogo macabro.

Becky sentiu um nó na garganta. A revelação era chocante e devastadora. – Mas por que me envolveram nisso? – perguntou, a voz embargada. – Nós éramos apenas crianças.

Skyler se aproximou e colocou a mão no rosto de Becky. – Eu sei, Becky. Eu também não entendo por que nos escolheram. Mas agora, estamos ligadas para sempre.

Uma onda de raiva e tristeza tomou conta de Becky. Ela queria gritar, chorar, mas as palavras pareciam presas em sua garganta. – Eles vão pagar por isso – murmurou, os olhos cheios de ódio.

Skyler assentiu, seus olhos fixos nas profundezas da caverna. – Sim, eles vão. Mas primeiro, precisamos entender o que aconteceu e como podemos detê-los. A voz dela ecoou no espaço, carregada de uma determinação que contrastava com a desolação do lugar.

Skyler olhou para as paredes da caverna, as inscrições antigas pareciam zombar delas. – Eles queriam dominar o mundo – respondeu. – Mas seus experimentos deram errado. E agora, estamos presos aqui, amaldiçoados pela sua ambição. – Um sorriso amargo contorceu seus lábios.

Uma névoa verde, viscosa e corruptora, começou a se espalhar pela caverna, envolvendo-as em um abraço mortal. – Não, Skyler! – gritou Becky, mas sua voz se perdeu no turbilhão verde. A visão de sua amiga se distorcia, seus olhos antes brilhantes agora eram dois abismos vazios. A pele, antes macia, agora era escamosa e fria como pedra. "O que eles fizeram com você?", pensou Becky, o desespero tomando conta de seu ser.

Becky tentou alcançar Skyler, mas a névoa as separava como um muro invisível. A voz de Skyler, agora rouca e distorcida, ecoou na caverna. – Não me toque, Becky. Eu não sou mais a mesma – A dor em suas palavras era palpável.

Em seus últimos momentos, Becky fechou os olhos, tentando se agarrar às lembranças de Skyler. A imagem de sua amiga sorrindo, seus cabelos ao vento, a invadiu. – Por que? – murmurou, lágrimas escorrendo por seu rosto. A névoa se intensificou, engolindo-a em sua escuridão.

A caverna ficou em silêncio, apenas o gotejar da água quebrando a monotonia. A névoa verde se dissipou lentamente, revelando as duas figuras inanimadas no chão. Becky e Skyler, unidas pela amizade e pela tragédia, encontravam a paz final. A paz da morte, em um lugar onde a esperança havia se extinguido.

 – Becky! Becky! – A voz de Vanessa ecoou na clareira, cortando o silêncio da floresta. Com um susto, Becky abriu os olhos, encontrando o rosto preocupado de sua amiga. – Graças aos deuses, você acordou! – Vanessa a ajudou a se sentar, apoiando-a em tronco da velha árvore.

– Onde estou? O que aconteceu? – Sua voz saiu rouca e fraca. A lembrança da caverna escura e da figura encapuzada a invadiu, causando um arrepio em sua espinha. – Você viu alguém por aqui? Alguém de preto?

– Ninguém, só a gente. Você deve ter tido um pesadelo muito ruim. – Vanessa tentou soar tranquilizadora, mas a preocupação em seus olhos era evidente. "Será que ela está bem? Aquela história da caverna e da figura encapuzada... é muito estranho."

– Um pesadelo? – Ela riu, mas o som saiu mais como um soluço. – Eu estava em uma caverna, Vanessa. Uma caverna escura e assustadora. E tinha uma pessoa... – Sua voz falhou. – Ela me mostrou coisas horríveis.

– Calma, Becky, calma. Vamos voltar para o castelo. Você precisa descansar. – Ela se levantou e estendeu a mão para ajudar a amiga.

– Não posso voltar! – ela se agarrou ao tronco da árvore, os olhos arregalados de terror. – E se ela estiver me esperando? E se ela voltar? – A floresta, que antes parecia acolhedora, agora se transformou em um lugar hostil e ameaçador.

– Não tenha medo, Becky. Eu estou aqui com você. – Ela abraçou a amiga com força, tentando transmitir-lhe um pouco de calor e segurança. "O que está acontecendo com ela? Será que ela está ficando louca?"

– Eu vi coisas, Vanessa. Coisas que não deveriam existir. Uma pedra brilhante, inscrições antigas... e Skyler. – O nome de sua amiga saiu como um sussurro.

– Skyler? O que tem a Skyler nisso? – A confusão se misturou à preocupação no rosto de Vanessa.

– Ela estava lá... mas ela não era a mesma. Era como se... como se ela fosse outra pessoa. – Uma lágrima escorregou pelo rosto de Becky. – Eu tenho medo, Vanessa.

– Eu sei, Becky, eu sei. Mas tudo vai ficar bem. Vamos voltar para o castelo e contar tudo para o Erick. Ele sabe o que fazer.

Enquanto caminhavam pela floresta, a sombra das árvores se alongava, tecendo uma teia de escuridão que as envolvia. Cada folha que se mexia ao vento parecia um sussurro, ecoando em seus ouvidos. Becky olhava para trás, escrutinando as sombras, buscando qualquer sinal da figura encapuzada. "Será que foi tudo um pesadelo? Ou será que a loucura está me consumindo?", pensou ela, o coração acelerado.

Vanessa tentou quebrar o silêncio tenso. – Becky, você só estava dormindo, não está enlouquecendo, pode ser muito bem o cansaço. Eu te achei por coincidência, estava indo pro meu treino e então você estava se debatendo e falando coisas que eu não entendia. – Ela ofereceu a mão para Becky, sua voz suave tentando tranquilizá-la. "Ela parece tão pálida, tão frágil.", pensou Vanessa, preocupada.

Becky aceitou a mão de Vanessa, sentindo um frio percorrer sua espinha. "Será que realmente foi só um pesadelo?" A dúvida a corroía por dentro. "A caverna, a pedra brilhante, as inscrições... e Skyler." O nome de sua amiga ecoou em sua mente, trazendo consigo uma onda de tristeza e medo. "Ela não pode estar morta."

Vanessa notou a expressão de sofrimento no rosto de Becky. – Becky, olha pra mim. Nós estamos saindo daqui, tudo vai ficar bem. – Ela apertou a mão da amiga, tentando transmitir-lhe um pouco de sua força.

Becky fechou os olhos, tentando se agarrar à realidade. "A floresta, a escuridão... e aquela sensação de ser observada. Não posso esquecer." Ela abriu os olhos, encontrando os de Vanessa. – E se ela voltar? E se ela estiver nos seguindo? – sua voz tremia.

Vanessa olhou ao redor, vigilante. – Não se preocupe, eu estou aqui com você. Ninguém vai te machucar. – Mas mesmo ela sentia um frio na barriga. "O que será que aconteceu com a Becky? Será que alguém ou algo a assustou de verdade?"

A floresta parecia mais escura a cada passo. As árvores, antes amigas, agora pareciam sentinelas imponentes, guardando algum segredo sombrio. Becky se agarrou mais forte à mão de Vanessa, buscando conforto em sua presença.

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