Capítulo 11

Becky olhou para o chão, evitando o olhar de Jack. “Será que ele percebeu meu nervosismo?” – Vim de uma vila bem longe daqui e... bem, as coisas por lá mudaram muito. Uma cerveja, por favor. Preciso me distrair um pouco. – Ela olhou para o chão, evitando o olhar de Jack. – Ouvi dizer que essa taverna é um lugar seguro, onde posso contar com a ajuda de estranhos.

Jack colocou a mão no ombro de Becky. – Essa taverna é um lar para todos, minha amiga. Se precisar de algo, pode contar comigo. Aliás, já ouvi falar de sua vila. Dizem que há um grande mistério por lá. – Certo, então eu vou trazer em alguns minutos. – Jack diz se virando para preparar as bebidas.

Erick, com seus cabelos loiros bagunçados e um sorriso desdenhoso, interrompeu a conversa. – Eu vou dar uma volta por aí – ele disse, olhando para uma mesa cheia de moças. – Não me esperem para ir embora.

Vanessa revirou os olhos, cruzando os braços sobre o peito. – Ah, claro, vá lá flertar com todas! – ela respondeu, sua voz carregada de ironia. – Mas não demore muito, hein? – Ela sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. “Ele nunca muda,” pensou ela, suspirando. – Ele não tem jeito mesmo. – Vanessa disse entre risos, mas a leveza em sua voz era forçada. – Eu estou curiosa para saber sobre essa situação da vila.

Becky abaixou o olhar, evitando o contato com o de Vanessa. A lembrança da vila a assombrava. “Skyler,” pensou ela, o nome ecoando em sua mente. – Eu preferiria não falar sobre isso agora, Vanessa. É tudo muito confuso. Eu vi Skyler, mas ela parecia... diferente. Um olhar vazio, como se uma parte dela tivesse se perdido.

Vanessa colocou uma mão sobre o ombro de Becky, tentando transmitir conforto. – Relaxa, Becky. É normal se sentir assim depois de tudo o que aconteceu. Mas falando em coisas importantes, você já ouviu falar da Nexus?

Becky ergueu a cabeça, a curiosidade combatendo o medo. “A Nexus?” A palavra soou como um eco em uma caverna escura. – A Nexus? É um assunto delicado.

Jack, com seu olhar penetrante, se pronunciou. – Se você quiser saber, posso te contar um pouco. É uma sociedade secreta, dizem que controlam tudo por trás das cortinas. Alguns dizem que são bons, outros... bem, outros têm suas dúvidas.

Uma onda de frio percorreu a espinha de Becky. A menção da Nexus a deixou alerta. “O que será que eles escondem?”

A porta da taverna se abriu com um estrondo, revelando um homem alto e musculoso, com um casaco de couro surrado e uma expressão sombria. A luz fraca que emanava das velas cintilantes jogava sombras estranhas em seu rosto, acentuando seus traços ásperos. Sua voz, rouca e profunda, ecoou pela sala, silenciando as conversas animadas.

– Viram a notícia? A Nexus está se movimentando novamente! Dizem que estão recrutando novos membros.

Becky sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A menção daquela organização secreta a deixou alerta. “A Nexus?” repetiu mentalmente, tentando lembrar de tudo o que havia ouvido sobre ela. A imagem de Skyler, com aquele olhar vazio e distante, surgiu em sua mente. “Será que ela tem algo a ver com isso?”

Jack sorriu de lado, um brilho sinistro em seus olhos. Seus dentes, amarelados e tortos, contrastavam com a brancura da sua camisa suja. – Cuidado com o que você deseja, Becky. A Nexus não é para qualquer um.

Vanessa se aproximou, a curiosidade evidente em seus olhos. – O que vocês estão falando? O que aconteceu com a Nexus?

Jack se acomodou em seu banco, cruzando as pernas. – É uma longa história, Vanessa. Mas talvez seja hora de você saber a verdade. O velho da Nexus me deve um favor.

Vanessa soltou uma gargalhada, mas havia uma nota de amargura em sua voz. – Velho? Ele é o líder da Nexus, um cientista maluco que nos criou! Nós somos armas biológicas, experimentos que deram errado. A Nexus foi criada para nos proteger e proteger a humanidade, mas nunca nos contaram a verdade.

Becky sentiu o coração disparar. A revelação a deixou atordoada. “Eu sou uma arma?”, pensou ela, horrorizada. A imagem de Skyler, com aquele olhar vazio, voltou à sua mente. Será que ela também sabia da verdade?

– Mas... por que eles fariam isso? Por que nos criaram? – perguntou Becky, sua voz trêmula.

Jack deu de ombros, com um ar de indiferença. – Dinheiro, poder, controle. Os motivos são sempre os mesmos.

Vanessa tomou um gole de sua bebida, o líquido âmbar escorrendo por sua garganta. Seus olhos, antes brilhantes, agora estavam opacos, como se estivessem olhando para um abismo sem fim. – A Nexus foi criada para proteger os humanos que restaram do caos do vírus. Nós somos armas biológicas, experimentos que não deram certo ou até deram. Treinamos para matar monstros e resgatar vidas inocentes, assim como você na floresta. Mas acreditávamos ser os únicos com esses poderes, até você aparecer e quebrar esse tabu. – Ela abriu um sorriso amargo, mais uma careta do que um gesto de felicidade. – Nascemos apenas para ser guerreiros e defender todas essas pessoas, nunca ninguém se rebelou, mas se isso ocorresse, a Nexus eliminaria a arma biológica.

Becky sentiu um nó na garganta. A revelação era como uma punhalada no coração. “Então é por isso que se sente tão vazia?” pensou ela, observando a amiga. – Ainda assim somos humanos, conseguimos pensar e sentir as coisas. – Como pode aceitar que apenas existe para salvar pessoas de monstros como se fosse uma máquina?

Vanessa moveu o olhar para Erick em uma mesa distante, seus olhos se perdendo em algum ponto indeterminado. – Porque é a melhor versão de mim, assim como dos demais. – Ela suspirou, um som pesado que ecoou na taverna. – Todos sempre fomos sozinhos, isso é o que mais se aproxima de uma família para mim. Eu não poderia me tornar um monstro sabendo que posso fazer o bem. Por isso sou leal à Nexus, algum dia você pode entender.

Becky balançou a cabeça, um olhar triste nos olhos. – Acho que não posso entender isso. – Ela se levantou, caminhando em direção à porta, a madeira rangendo sob seus pés. – Não tenho nada a perder, mas se eu tivesse, nunca iria aceitar tudo isso. Existem pessoas que não merecem bondade e que se tornam piores do que os próprios monstros. – Ela sussurrou, sua voz ecoando na quietude da taverna. – Os monstros são os que te machucam.

Vanessa fitava um ponto indeterminado na parede, os olhos vidrados. Um sorriso tênue esboçou em seus lábios, mas era mais um reflexo do que uma expressão genuína. – Já ouvi isso antes, sabe? Algo como "você é especial e os monstros são os que te machucam". Acho que foi a Skyler quem disse, em um dia que eu estava fuçando no quarto dela. – Um arrepio percorreu sua espinha, mas ela ignorou. – Talvez ela estivesse falando sobre a gente.

Becky arregalou os olhos, incrédula. A risada que se seguiu saiu como um guincho nervoso, mais um reflexo do choque do que uma expressão de humor. – Como assim? Ela não te matou?

Vanessa soltou uma risada curta, mais uma tentativa de aliviar a tensão do que um momento de alegria. Seus olhos se encontraram com os de Jack, que a observava com uma curiosidade que beirava a suspeita. – Nem percebeu. – Ela se levantou, esticando os braços e sentindo os músculos tensos. – Preciso resolver umas coisas, você vai ficar bem sozinha? – A pergunta saiu mais como uma ordem do que um convite.

Becky assentiu, mas sua mente estava a mil. “Tem algo mais que ela não está me contando,” pensou, sentindo um aperto no peito. Aquele olhar de Vanessa, uma mistura de medo e determinação, a deixava inquieta.

Com um suspiro, Becky saiu da taverna e se perdeu nas ruas desertas. A brisa fria açoitava seu rosto, trazendo consigo um cheiro de sal e de algo indefinível, talvez medo. A lua, pálida e esguia, iluminava apenas trechos da rua, deixando as sombras mais profundas e misteriosas. A cada ruído, seu coração acelerava. “O que mais a Skyler escondia?” A pergunta ecoava em seus pensamentos, como um mantra sombrio. A sensação de ser observada era cada vez mais intensa, como se olhos invisíveis a acompanhassem a cada passo.

Becky caminhou até a velha árvore, sua sombra se alongando e se distorcendo sob a luz da lua. O tronco áspero da árvore, marcado por cicatrizes do tempo, parecia abraçá-la em um abraço frio e solitário. Uma inscrição rabiscada na casca chamou sua atenção: "Skyler". O nome, rabiscado com letras pesadas e irregulares, parecia pulsá-la, como um ferimento aberto. Um calafrio percorreu sua espinha, e ela engoliu em seco. "Skyler..." murmurou, o nome ecoando em seus ouvidos como um sino fúnebre, anunciando um luto que nunca terminou.

Fechando os olhos com força, tentou afastar as memórias que vinham à tona. Imagens vívidas a assolavam: ela e Skyler, crianças inocentes, correndo por um campo de girassóis, o sol aquecendo seus rostos. Mas a felicidade era fugaz. As lembranças felizes deram lugar a outras, mais sombrias e perturbadoras. Skyler, com os olhos arregalados de terror, segurando um ursinho de pelúcia manchado de vermelho. "Não, não pode ser..." repetiu, a voz um sussurro rouco. A imagem do ursinho, símbolo de inocência corrompida, a perseguia, a atormentava.

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