18

Li e reli a mensagem novamente, sentindo aquele estranho frio na barriga ir e vir. Coloquei a mão sobre esta e respirei fundo, tentando deixar para lá qualquer pensamento intrusivo. Coloquei o celular no balcão, pensando no que responderia.

Havia se passado um dia desde a mensagem de Dominic. Eu, honestamente, fiquei tão surpresa que não consegui respondê-lo. Pensei que talvez fosse melhor falar pessoalmente e resolver tudo, mas ele não havia aparecido. Às vezes eu me perguntava se Dominic realmente estava em casa.

Bufei, vendo Elizabeth, Christine e Nora rirem. Estávamos na cozinha. Nora havia me ajudado com o banho e a descer da escada. Ela estava pegando o meu remédio enquanto conversava animadamente com Christine. Elas haviam se dado bem e eu ficava feliz por aquilo. Elizabeth cozinha o café da manhã, calma e tranquila enquanto ouvia a conversa das duas mulheres ao seu lado.

— Aqui está o seu remédio, meu bem. — Nora me entregou o comprimido, sorrindo gentilmente.

—  Obrigada, Nora. — Retribuí o sorriso, engolindo o remédio com a ajuda de um pouco de água. — O que está preparando, Beth?

— Estou fazendo bolo de fubá, querida.

Mesmo que tenha se passado apenas um dia, eu senti que havia ficado um pouco mais próxima de Elizabeth. Vi que Nora e Christine a chamavam de "Beth" e decidi adotar o apelido que, felizmente, foi muito bem recebido por ela.

— É uma delicia, Brooke! Você vai amar! — Christine falou entusiasmada, me fazendo rir baixinho. As três eram agradáveis, cada uma com seu jeitinho.

— Tenho certeza que sim.

Continuei as observando, logo ganhando um café de Nora. Ela era tão amável. Além de cuidar do meu ferimento, ainda me servia as comidas e se preocupava com o fato de estar quente demais e com o risco de eu queimar a língua. Eu sabia que eram pequenos detalhes, mas tudo aquilo fazia a diferença para mim. Eram coisas importantes e valiosas que me faziam sentir que minha mãe estava por perto.

Olhei o celular em busca de uma mensagem, uma ligação, mas não encontrei nada. Fazia tanto tempo que mamãe não entrava em contato. Eu sentia o meu coração se apertar a cada dia que passava. Gostaria de poder vê-la, mesmo que por cinco segundos, apenas para ter a certeza de que estava tudo bem. Certeza de que ela ainda estava viva.

— O que te perturba tanto, meu bem? — Nora se aproximou, evidentemente preocupada.

— Ah, eu... — Balancei a cabeça, espantando os pensamentos. — Não é nada. Eu só estava com saudades da minha mãe.

— Ela não tem mandado mensagem? — Christine perguntou.

Elas não sabiam da terrível verdade. Apenas sabiam que minha mãe ainda estava viva e vivia nos Estados Unidos.

— Não, acho que está muito ocupada. — Tentei parecer tranquila, mas provavelmente falhei, pois Nora e Christine me olharam tristemente. — Mas está tudo bem. Tenho certeza que ela logo, logo trará notícias.

— Confio que sim. — Christine apertou de leve meu ombro, tentando me reconfortar. Eu apenas assenti e suspirei, pensando que precisava deixar aquele assunto de lado antes que as lágrimas surgissem.

Neste momento, todas desviamos a atenção para Dominic, que havia acabado de entrar no cômodo. Ele olhou para mim, parecendo um pouco surpreso, e depois para as demais mulheres. Elizabeth me olhou de soslaio e sorriu, parecendo me encorajar. Tudo o que fiz por comprimir os lábios, não sabendo exatamente o que fazer.

— Eu atrapalhei a conversa de vocês? — Ele falou sério, fazendo as mulheres negarem.

— Não, é claro que não! — Christine balançou as mãos negativamente. — Só estávamos jogando conversa fora.

Dominic apenas assentiu, caminhando para a máquina de café. Lembranças do seu corpo perto do meu me inundaram, fazendo-me engolir em seco. A forma como ele estava atrás de mim fez todo os meus pelos se arrepiarem novamente. Mesmo que a conversa não tenha terminado muito bem, ter nossos corpos perto foi definitivamente algo que eu gostaria de lembrar mais vezes.

Ele colocou a cápsula na máquina e esperou. Enquanto isso, Nora e Christine voltaram aos seus afazeres.

— Quer ir para algum lugar, Brooke? — Nora perguntou, se aproximando.

— Eu... — Olhei para Dominic, vendo-o permanecer de costas, então voltei o olhar para a mulher à minha frente. — Acho que para a biblioteca.

Nora assentiu, me ajudando a levantar e a sair do cômodo.

...|...|...

Encarei a estante cheia de livros, tentando manter os meus pensamentos em ordem. Meu coração estava um pouco acelerado e minha barriga estava com aquelas borboletas dançando e rodopiando e voando em ritmo desgovernado.

Um suspiro escapou por meus lábios. Se passarem dez minutos após eu mandar uma mensagem para ele. Eu pedi para que viesse me encontrar. Foi tudo a coragem que eu consegui reunir. Não consegui encará-lo nos olhos e dizer que eu precisávamos conversar.

Ouvi a porta se abrir atrás de mim e de repente prendi a respiração, dizendo a mim mesma de que tudo ficaria bem. Assim como Elizabeth disse, eu só precisava ser eu mesma. Precisava dizer que estava arrependida. Sim, eu precisava consertar tudo o mais rápido possível.

— Aquele dia lhe contei a história do livro que eu estava lendo. — Comecei, ainda encarando a estante. — Sabe por que leio livros de romance?

Me virei para o rapaz, vendo Dominic me encarar inexpressivamente. Por alguns segundo eu desejei ver algo em sua expressão. Desejei que ele demonstrasse que estava feliz em me ver.

— Por que? — Ele perguntou, por fim.

— Porque nunca me senti feliz com a realidade. Nunca encontrei alguém que realmente me amasse. Sempre foi apenas um desejo carnal. Apenas sexo. — Suspirei, lembrando do passado.— Eu já usei muitos homens para tentar satisfazer o meu vazio e, bem, nunca deu certo. Então eu percebi que, talvez, eu estivesse procurando algo inalcançável, fora da realidade. Algo que eu não encontraria na vida real, mas sim em livros.

Dominic se aproximou, caminhando calmamente enquanto olhava ao redor, como se estivesse vendo a sua biblioteca pela primeira vez.

— Pra ser sincera, me surpreendi por você ter livros de romance aqui. Eu meio que não esperava. — Tentei descontrair.

Dominic pigarreou e colocou as mãos atrás das costas. Ele, então, ficou frente a frente comigo e me olhou, parecendo estar envergonhado. Suas bochechas estavam levemente coradas, e seus olhos estavam inquietos.

— Sua mãe disse que você gostava de livros desse gênero. — Começou, parecendo ficar ainda mais envergonhado. — Ela disse que você os lia bastante, então pensei que seria uma boa ideia tê-los aqui.

Meu coração, que antes estava levemente acelerado, de repente pareceu querer saltar para fora do meu peito. O frio na barriga se intensificou e me perguntei se estava prestes a desmaiar. Meu Deus. Dominic comprou os livros para mim? Tudo por que minha mãe disse que eu gostava? Ele... Ele realmente se preocupou com os meus gostos?

Continuei o encarando em plena surpresa, deixando a boca entreaberta. Naquele momento eu me perguntava se ele conseguia ouvir os batimentos do meu coração. Me perguntava se ele sabia o que estava fazendo comigo ao dizer todas aquelas coisas.

— Você fez isso por mim? — Questionei, sentindo a minha ansiedade aumentar, as minhas mãos tremerem e a respiração falhar.

Diga que sim, Dominic. Por favor, diga que sim.

— Sim.

Pronto. Aquele havia sido o estopim. Suas palavras me desnortearam, me deixaram zonza a ponto de quase cair. Eu o olhei, ainda surpresa, mas agora também estava envergonhada.

— Você deveria tomar cuidado com as palavras, sabia? Não pode imaginar os efeitos que elas podem causar em alguém. — Falei, abrindo um sorriso de lado.

— Não foi a minha intenção. Desculpe tê-la deixado desconfortável. — Ele tentou se afastar, mas eu, em um rápido movimento segurei sua mão.

— O que? Me deixar desconfortável? Dominic, eu amei!

Eu acabei por me aproximar involuntariamente, tendo que erguer um pouco a cabeça para encará-lo, já que ele era um pouco mais alto do que eu. Dominic permaneceu estático, apenas me observando. Ele não afastou a sua mão da minha, o que, de certa forma, me deu um pouco mais de confiança. O loiro passou os olhos pela minha boca, se demorando um pouco nesta, e depois para os meus olhos.

— Tem certeza que isso não a incomoda? Não quero que pense que a fiquei observando.

— Não, não me incomoda. — Ri baixinho, balançando a cabeça juntamente. — Dominic você comprou os livros do gênero que eu gosto. Você separou e os organizou em uma estante enorme apenas para mim. Você fez tudo por mim. Como eu poderia me incomodar?

Ele ficou quieto e abaixou o olhar e, neste momento, uma mecha do seu cabelo caiu em sua testa. Sem pensar eu a toquei e a coloquei para trás, sem perceber que havia me aproximado ainda mais de Dominic. Nossos rostos estavam próximos e eu podia sentir a sua respiração contra a minha. Nossos olhares outrora em nossos olhos, agora encontravam-se em nossas bocas. Eu deslizei a minha mão até seu rosto, sentindo como sua pele era macia e delicada. Meu toque foi bem recebido por Dominic, que fechou os olhos por alguns segundos, como se estivesse aproveitando aquela proximidade.

— Me perdoe. — Eu pedi, vendo-o abrir os olhos.

— Pelo o que?

— Por ter dito aquelas coisas ontem. Você estava se abrindo comigo e eu fui tão infantil com você. — Engoli em seco, sentindo a minha garganta secar pouco a pouco. — Estou arrependida, de verdade.

Dominic passou os olhos por meu rosto e então sorriu, sorriu da maneira mais linda e admirável que eu sequer poderia imaginar. Aquela famosa inexpressão deu lugar para um sorriso com direito a covinhas. Eu precisava ser sincera e admitir que não esperava por aquilo.

— Não se desculpe. Eu não fiquei bravo com você nem nada do tipo. Foi apenas uma falta de comunicação.

— Você promete?

— Prometo.

Nós sorrimos um para o outro e então a aura ao nosso redor mudou. Dominic continuava a passar os olhos por meu rosto - mais precisamente para meus lábios -, e parecia estar querendo se controlar. Suas mãos de repente se fecharem em punhos e ele suspirou, virando-se de costas para mim. Tudo o que fiz foi observá-lo em completa confusão.

— O que houve, Dominic?

— Nada. Eu só não posso... — Ele balançou a cabeça, parecendo perdido, confuso, como se estivesse em uma batalha interna.

— Não pode o que?

Dominic se virou novamente, permitindo-me ver seu rosto cheio de angustia. Mesmo sem entender nada eu me aproximei, segurando suavemente em sua mão. Algo parecia afligi-lo. Ele me encarou novamente, como se eu fosse a pessoa mais especial, e se permitiu se aproximar.

— Não posso fazer isso, Brooke. 

— Do que está falando? Eu não estou entendendo.

Dominic se aproximou mais uma vez, parecendo perder o controle pouco a pouco. Eu apenas o encarei quando este soltou a minha mão e levou a sua até o meu rosto. O observei enquanto acariciava a minha bochecha delicadamente, como se eu fosse preciosa demais, valiosa demais. Como algo frágil que poderia se quebrar a qualquer momento.

Ele continuou se aproximando, deixando-me entre ele e a estante. Sua mão foi da minha bochecha até meu cabelo, onde ele o alisou cuidadosamente. Ele me olhou com olhos suplicantes, algo que jamais imaginei vir dele.

— Por favor, Brooke, não me odeie por isso.

Abri a boca para falar, mas fui interrompida pelos seus lábios encostando-se nos meus. Tão leves, delicados e suaves e macios. Dominic colou o seu corpo no meu, prendendo-me entre ele e a estante. Ele levou uma das mãos até a minha cintura e a apertou fortemente, como se quisesse garantir que eu não fosse escapar. A outra mão foi em direção à minha nuca, desta vez com mais delicadeza.

Eu não tardei para retribuir o beijo, sentindo aquele frio na barriga surgir novamente, desta vez com muito mais intensidade. Passei os meus braços por seu pescoço e o puxei para mim, ansiando tê-lo mais perto de mim, desejando-o como nunca desejei outro homem.

Seu beijo era calmo e delicado, lento e paciente. Combinava perfeitamente com a sua personalidade. E pensar nisso me fez sorrir internamente.

Dominic interrompeu o beijo apenas para beijar minha bochecha, nariz e minha testa. Ele era tão carinhoso que me fazia questionar se era mesmo real. Todos os homens com quem fiquei não se importavam com nada além de meter. Agora Dominic parece querer beijar cada parte do meu corpo com a mais profunda admiração estampada em seu rosto.

— Você é linda. Tão estupidamente linda. — Sussurrou em meu ouvido, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.

Voltamos a nos beijar e eu o puxei para mais perto quando agarrei seu cabelo. Continuamos com nosso ritmo, mas desta vez permitimos que nossas línguas se tocassem. Parecia algo mágico, fora do comum. Algo que eu jamais poderia esperar que acontecesse na vida real. Algo que eu sempre vi nos livros. Mas Dominic me provou que talvez, só talvez, eu estivesse enganada.

Talvez eu tivesse encontrado a pessoa que procuro bem aqui no mundo real.

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