N/a: o capítulo contém cenas de morte e violência que podem despertar gatilhos. Caso seja sensível, não leia!
Olhei para as duas mulheres à minha frente, sorrindo enquanto Hope explicava a elas os deveres da casa. Elizabeth e Christine sorriam alegremente, como se estivessem verdadeiramente agradecidas pela oportunidade. Enquanto isso, eu as observava. Já havia me apresentado e explicado que era como uma "colega" de Dominic. Elas foram muito atenciosas e simpáticas, e me disseram que iriam fazer o possível para que eu estivesse confortável. Aquilo, preciso admitir, me deixou um pouco comovida. Sentia que tinha feito uma boa escolha em contratá-las.
Tomei um gole de chá e acabei me virando para a porta da cozinha assim que Dominic entrou por esta, parando ao meu lado assim que viu as duas mulheres.
— Bom dia. — Nós falamos em uníssono, e ambos ficamos um pouco surpresos com isso.
— Estas são as novas contratadas? — Ele perguntou.
— Sim. Acho que você vai se dar bem com elas. São boas pessoas. — Sorri gentilmente, olhando-as.
— E aquele, minhas senhoras, é o Dominic, o dono desta casa. — Hope o apresentou, atraindo os olhares curiosos das mulheres.
— Olá, senhor. Sou Christine. É um prazer conhecê-lo!
Christine estendeu a mão para cumprimentá-lo, e sorriu ainda mais assim que o rapaz o correspondeu. Elizabeth fez o mesmo, apresentando-se com muita simpatia. Ela tinha uma voz fina, como de uma mulher mais velha, e falava com muita leveza e delicadeza. Dava para perceber que era muito amorosa. Ela me transmitia um sentimento maternal que me deixava com saudades de minha mãe. Talvez seja por isso que eu tenha gostado tanto dela.
— Ele é um pouco calado, por isso peço que não se sintam intimidadas. Apesar da quietude, Dominic é uma boa pessoa! — Hope sorriu amigavelmente enquanto falava do rapaz. Acho que eles são bons amigos.
As mulheres assentiram e voltaram a atenção para Hope, que começou a explicar sobre a casa. Dominic e eu saímos do cômodo, ambos quietos e pensativos. Eu o observei de soslaio, vendo-o caminhar calmamente com as mãos nos bolsos da calça. Não pude deixar de reparar como cada movimento seu parecia belo demais, como se fosse algo que eu jamais havia visto. Era como se Dominic fosse único.
Desviei o olhar assim que o rapaz fez menção de me fitar, olhando ao redor em busca de algo que me chamasse a atenção. Por fim, chegamos à sala, onde não hesitei em me sentar no sofá. Dominic também se sentou, obviamente em uma distância considerável.
— Ela me lembra a sua mãe. — Ele começou, me fazendo encará-lo. — Elizabeth, eu digo.
— Sim, eu pensei a mesma coisa. Acho que foi um dos motivos pelo qual quis contratá-la. Espero que esteja tudo bem para você.
— Está tudo bem. Sua mãe é uma mulher que eu sempre admirei. É bom ver alguém parecida com ela.
Senti meu coração se acelerar ao ouvir tais palavras. Ouvir Dominic falar aquilo me deixava emocionada por saber que mais alguém se preocupava verdadeiramente com minha mãe. Sabia que, assim como eu, ele queria libertá-la das garras daquele homem. Acho que Dominic também se sentia frustrado por não conseguir fazer isso rapidamente.
— Obrigada, Dominic, de verdade.
— Pelo quê?
— Sabe, por se dispor a me ajudar. Você é uma boa pessoa. — Sorri, amavelmente. — Fico feliz de podermos trabalhar juntos.
O observei, vendo que ele parecia surpreso demais. Notei um leve rubor em suas bochechas e quase senti vontade de rir, porém mantive a expressão amigável. Tudo o que ele fez foi assentir com a cabeça, evidentemente desconcertado.
Dominic abriu a boca para falar, mas foi interrompido pela chegada repentina de Neo, que arfava e parecia ter dificuldades para falar.
— Dominic, temos um problema!
— O que aconteceu?
— Os capangas do Joseph estão planejando invadir a casa do Carlos e matar toda a família!
Dominic se levantou apressadamente, a descrença visível em seu olhar. Acabei por me levantar também, confusa com a situação. Quem era Carlos e por que Joseph queria atacá-lo?
— Dominic, quem é essa pessoa? — Ousei perguntar, vendo-o me olhar com seriedade.
— Ele trabalhou para mim durante alguns anos. Era um morador de rua. Eu o ajudei a reconstruir a sua vida. — Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo enquanto parecia pensar no que fazer a seguir. — Ele construiu uma família e vive pacificamente no interior.
— E agora Joseph quer destruí-la. — Afirmei, vendo o rapaz assentir.
Maldito seja. Realmente, não haverá um segundo de paz enquanto esse homem existir.
— Precisamos ir até lá. Chame alguns homens. Não posso permitir que pessoas inocentes morram por minha causa. — O loiro falou, começando a caminhar para longe.
— Dominic, espera! — O acompanhei, sentindo uma dose de adrenalina surgir em minhas veias. — Me leve com você.
— Não, é muito arriscado. Não irei colocar a sua vida em risco.
— Eu irei ajudar. Posso lutar também! — Esbravejei, encarando-o seriamente. — Não quero ficar aqui enquanto pessoas morrem por causa daquele homem. Eu também estou envolvida nisso. Eu quero ajudar.
— Brooke, por favor. Não quero que se machuque. É perigoso demais.
— Não precisa ficar de olho em mim. Me dê uma pistola, ou uma faca. Qualquer coisa serve. Eu posso ajudar, Dominic. Confie em mim.
O rapaz me encarou, engolindo em seco em seguida. Eu sabia que ele estava em uma batalha interna. Sabia que estava preocupado comigo. Mas eu sabia, também, que precisava fazer aquilo. Não conseguirei ficar em paz apenas aguardando notícias. Eu preciso fazer algo. Preciso ser útil! Prometi a mim mesma que acabaria com aquele homem e pretendo cumprir com a minha palavra.
— Tudo bem. Levarei você comigo. Mas prometa que ficará atenta e será cuidadosa.
— Ok, eu prometo.
...|...|...
Observei as árvores através da janela do carro. O mundo parecia distante daquela forma. Eu me sentia distante. Mesmo que Dominic estivesse ao meu lado, mesmo que Hope e os demais estivessem indo para o mesmo destino, eu ainda me sentia distante. Um pouco deslocada, talvez. Acho que eu me sentia culpada demais, talvez por Joseph ser o meu pai. Por ele ser uma pessoa cruel. Eu sentia que precisava me redimir com todos que ele prejudicou.
Dominic concordou em me entregar uma arma. Eu já havia pego em uma. Sabia bem como manejar. Só esperava chegar a tempo para ajudar a pobre família.
Pelo o que entendi, a família de Carlos morava em uma fazenda. Ficava meio que no meio do ''nada''. Eles gostavam de ser reservados. Criavam o gado e viviam pacificamente. Saber que Joseph quer machucá-los apenas por prazer fazia o meu sangue ferver.
Olhei para o retrovisor, vendo os carros atrás de nós. Dominic chamou alguns de seus homens, ou ''capangas'', como ouvi Angelique falar.
Me encontrava tão perdida em pensamentos que não percebi que havíamos chegado ao destino. E o cenário fez os meus olhos arregalarem. Dominic e eu saímos rapidamente do carro, andando cuidadosamente até a frente da casa. Logo, os demais estavam ao nosso lado.
— Mas que merda... — Shin sussurrou, totalmente descrente.
Havia sangue espalhado por todo o chão e pelas paredes. Ao longe, podia ver vários bois e vacas mortos. A porta da casa estava escancarada e eu sabia que o cenário em seu interior seria ainda pior. Naquele momento, eu senti todas as minhas esperanças irem embora.
— Precisamos entrar e verificar. — Hope falou e todos concordaram.
— Tomem cuidado. — Foi a vez de Dominic se pronunciar.
Caminhamos lentamente para dentro da casa, todos com as armas em mãos. Dominic foi o primeiro, adentrando com a arma apontada. Em seguida, Dereck, Shin, Neo, Hope e Angelique. Eu fiquei por último enquanto os homens de Dominic cuidavam da frente da casa.
Engoli em seco ao ver a sala completamente destruída. Os móveis quebrados, os vidros estilhaçados. Livros e revistas jogados por toda parte. E sangue. Muito sangue.
Meu estômago se embrulhou assim que vi uma mão no cômodo que parecia ser a cozinha. Andei imediatamente, apenas para encontrar o corpo de uma mulher. Esta estava com os olhos arregalados, a roupa completamente manchada de sangue. Quando direcionei o olhar para sua garganta, vi um corte profundo de ponta a ponta. Ela deve ter sofrido tanto.
— Achamos a filha do Carlos! — Shin gritou.
Corri para verificar, vendo uma criança de aparentemente 6 anos caída no chão. Hematomas preenchiam todo o seu pequeno corpo. Ela estava em volta de uma poça de sangue e havia marcas de várias facadas. Ela era apenas uma criança. Como ousaram fazer isso?
Senti minhas bochechas arderem e minha garganta se fechar. Aquilo era demais para mim. Ver uma família ser aniquilada daquela forma tão cruel me fazia querer morrer. Foi tão desumano. Uma mãe e sua filha, mortas brutalmente sem motivo algum. Eu realmente não conseguia aguentar.
— Filho da puta. — Sussurrei, sentindo uma lágrima rolar por minha bochecha.
— Dominic. — Neo apareceu dos fundos da casa, a expressão séria e cheio de pesar. — O Carlos...
Vi Dominic fechar os olhos, evidentemente se sentindo culpado por não poder salvar Carlos mais uma vez. Aquilo tudo era demais para todos nós. Até mesmo Angelique parecia querer chorar. Era cruel demais, pesado demais.
— Nós precisamos enterrá-los. — Hope falou, segurando o choro. — Eles precisam descansar em paz.
— E quanto aos homens do Joseph? — Dereck perguntou, irritado.
— Aparentemente já foram todos. — Neo o respondeu, abaixando a arma.
Vi Angelique me olhar de relance, parecendo se irritar assim que nossos olhares se encontraram. Ela se aproximou, evidentemente enraivecida.
— Você! — Gritou, me empurrando. — Como se sente ao ver o que seu querido pai fez? Hum?
— Do que você está falando?
— Você é filha daquele verme! Está satisfeita com toda essa merda?
Mais um empurrão. Desta vez tive que me segurar na batente da porta da para não cair. A encarei em completa descrença, não sabendo o que falar. O que ela esperava? Qual a resposta que ela queria?
— Só de olhar para você sinto nojo. Vocês dois tem o mesmo sangue, sua imunda.
— Já chega, Angelique! - Dereck esbravejou. — Por que está brigando com ela? Brooke também foi vítima daquele desgraçado!
— E daí? Não percebem como ela se faz de sonsa? Tenho certeza que ela está envolvida!
— Você... como você pode sequer pensar que eu faria uma coisa dessas? — Murmurei, balançando a cabeça em negação. — Você é pior do que eu pensava, Angel...
Fui interrompida assim que senti alguém me agarrar por trás e colocar uma faca em meu pescoço. Ouvi um grito assustado e soube que se tratava de Hope. Um braço passou por meu pescoço e um corpo se colou ao meu.
— Olha só quem eu encontrei. Sabia que se ficasse eu a veria. — O homem falou, rindo em seguida. — A filha do chefe realmente se parece com a puta da mãe.
Senti a ponta da faca se encostar ainda mais contra a pele do meu pescoço e naquele momento eu soube que poderia morrer em questão de segundos.
— Seu filho da puta. — Praguejei, sentindo o aperto aumentar.
— Cuidado com as palavras, boneca. Um movimento meu e sua garganta será cortada.
Procurei desesperadamente o olhar de Dominic, vendo-o me encarar com uma preocupação evidente. O loiro fez menção de se mover, mas o homem foi mais rápido e me puxou para trás.
— Fique parado. Um movimento e eu a mato!
— O que você quer? — Perguntei, soltando um resmungo dolorido em seguida.
— Honestamente? Não fiquei satisfeito em matar essa família de merda. Eu precisava levar um de vocês comigo. E por que não você, lindinha?
Olhei novamente para Dominic e, de repente, uma ideia me veio à cabeça. O enviei um sorriso confiante, vendo-o sentir-se confuso. Eu precisava fazer algo. Eu disse a ele que seria útil e eu precisava provar isso. Não permitirei que ninguém mais morra. Mesmo que eu parta deste mundo, eu levarei este homem comigo.
Respirei fundo e, sem pensar duas vezes, segurei os braços do homem e com um impulso o puxei para frente enquanto eu me abaixava, fazendo-o cair de costas no chão. Tentei puxar a minha arma mas ele foi mais rápido e cravou a faca em minha coxa. Um grito cheio de dor escapou por meus lábios. Ele riu enquanto o fazia e aquilo me enraiveceu ainda mais. Não hesitei em pegar a arma e atirar várias vezes em seu peito. Logo, ele não passava de um corpo desfalecido.
Deixei a pistola cair e então suspirei, caindo no chão em seguida. A dor era insuportável. Minha coxa ardia e queimava e parecia que meus músculos estavam se partindo em mil pedaços.
Vi Dominic correr até mim com um olhar cheio de preocupação. Ele se ajoelhou e colocou a minha cabeça em suas coxas.
— Brooke, olhe para mim. Não feche os olhos. — Ele falou totalmente desesperado. — Fique comigo.
Respirei fundo, sabendo que seu pedido era impossível para mim. Eu realmente não estava suportando aquela dor. Por mais que eu quisesse ficar ao seu lado, por mais que eu não quisesse preocupá-lo, eu já não sentia forças para permanecer consciente.
Sendo assim, me permiti fechar os olhos e descansar e esquecer da dor terrível que possuía meu corpo.
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Atualizado até capítulo 49
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