12

A festa não havia acabado. Todos estavam conversando e rindo, já alterados. Hope e Neo dançavam uma música pop qualquer enquanto gargalhavam. Gregory e Angelique estavam aos beijos fazia alguns bons minutos. Shin estava praticamente desmaiado em uma poltrona, enquanto Dereck fazia mais um drink para si. Eu já me senti lerda o suficiente. A música parecia estar devagar demais e tudo a minha volta parecia rodar - só às vezes -. Acho que a única pessoa que estava realmente tranquila era Dominic, que estava sentado ao meu lado em uma poltrona. Ele estava com as pernas cruzadas e bebia uma cerveja, enquanto mexia em seu celular. Ele parecia tão, mas tão desinteressado na festa. Eu até me sentia entediada por ele, sério.

Bufei, um tanto estressada. Era chato ficar ali, apenas assistindo. Eu queria, realmente queria dançar junto com Neo e Hope, mas eu me sentia tão bêbada que tinha a mais absoluta certeza de que, quando levantasse, cairia de cara no chão. O resto de dignidade que ainda sobrou me impede de passar essa vergonha.

Virei para o lado, me surpreendendo ao ver Dominic me encarar e - talvez seja por eu estar bêbada demais - pude jurar que ele parecia achar engraçado a minha situação. Seus olhos, de certa forma, parecerem alegres ao encontrar os meus. Céus, talvez a bebida esteja forte demais.

Entediada demais para ficar ali, tentei levantar, mas, como eu havia imaginado, não conseguia me equilibrar. Caí de volta na poltrona, fazendo um resmungo escapar por meus lábios. Tentei novamente - desta vez tendo sucesso - e caminhei para fora da sala, me apoiando nas paredes no processo. Quando saí para fora, tive o azar de tropeçar nos meus próprios pés. Esperei o impacto chegar, mas este não veio. Tudo o que senti foram mãos fortes a me segurar. E, por algum estranho motivo, eu já sabia de quem se tratava.

Me virei, vendo Dominic me encarar de maneira indiferente. Minha nossa, por que não estou surpresa?

— Ah, droga. Me desculpe. Eu estou meio alterada. — Resmunguei, tentando recuperar a postura.

— Está tudo bem. Eu... — Me encarou um pouco, antes de prosseguir. — Me desculpe por estar te tocando tanto, eu só... só não queria que caísse.

Mas que tipo de pedido é esse? Ele está com medo de que eu brigue por ele me segurar? Eu estou bêbada demais ou ele está?

Acabei por gargalhar, balançando a cabeça para os lados. Sim, boa parte era por causa da bebida, mas as suas palavras realmente foram um pouco engraçadas para mim.

— O que é isso, Dominic? Está com medo de tocá-la? Não acho que ela morda.

Dereck apareceu de repente, ficando ao meu lado. Ele e Dominic se encararam por um tempo significativo, antes do rapaz se virar para mim e sorrir, parecendo se divertir com a situação.

— Parece que você bebeu demais, gata.

— Só um pouquinho. — Pisquei um dos olhos.

Senti o aperto de Dominic sumir e me virei para ele, lembrando de sua presença. Me aproximei um pouco e sorri, tentando soar simpática.

— Não se preocupe. Obrigada por ter me segurado. Se me permitem, senhores, irei pegar mais uma cerveja.

— Acho que você já bebeu demais. — Ambos falaram em uníssono, e logo em seguida se encararam. Por que eu sentia que havia algum tipo de rivalidade no ar?

Os encarei um pouco confusa, vendo que, pela primeira vez, Dominic parecia estar irritado. Tentei falar algo, mas acabei por cambalear e quase cair. Vi, em um milésimo de segundo, Dominic e Dereck se aproximarem e me segurarem, um de cada lado. Céus, o que está acontecendo aqui?

— Ok, talvez isso seja um basta? — Brinquei. — Acho que vou para o quarto. Vocês podem...

— Posso acompanhá-la até seu quarto? — Fui interrompida por Dominic.

Olhei para Dereck, vendo-o sorrir antes de me soltar. Que droga, esse homem também era um tremendo gostoso, assim como Dominic. E olha que ironia, eu estava no meio dos dois!

— Eu vou indo para casa. — Dereck proferiu, sorrindo e se afastando. — Boa noite, gata.

— Boa noite, Dereck.

Dominic me ajudou a subir a escada pacientemente, segurando-me um pouco mais forte quando eu ameaçava cair para trás. Eu não sabia dizer se achava aquilo atencioso ou vergonhoso. Olha só para o meu estado. Eu nem lembro qual foi a última vez que bebi tanto. Acho que talvez, só talvez, eu tenha exagerado demais hoje.

— Não sabia que vocês eram íntimos.

Dominic quebrou o silêncio, me fazendo encará-lo antes de soltar um risinho. Bom, se ele não sabia, eu também não. Provavelmente eu conseguiria contar nos dedos quantas palavras trocamos - se eu não estivesse bêbada -.

— E não somos. Ele que começou com essa de "gata" de repente. — Ri, balançando a cabeça.

Nós estávamos no corredor, a certa distância do meu quarto, quando senti uma pontada em meu estômago. Imediatamente coloquei a mão sobre a boca, já sabendo o que poderia estar por vir. Me apoiei na parede, tentando respirar fundo. Não, Brooke, não vomite agora!

— Como está se sentindo? Quer que eu a leve ao banheiro?

— Eu... — Senti novamente a pontada, me fazendo tossir. — Sim, por favor.

Dominic me ajudou a chegar ao banheiro e, em uma fração de segundos, senti a ânsia de vômito surgir. Me abaixei e vomitei no vaso, sentindo Dominic segurar meus cabelos delicadamente em um rabo de cavalo. Tossi, sentindo a dor em meu abdômen devido a contração do ato de vomitar. Jesus, que coisa horrível. Maldita seja a hora que decidi beber demais.

Estou morrendo de vergonha. Sei que amanhã não irei conseguir encarar Dominic. Ele está tendo que suportar esse cheiro horrível por minha causa. Meu Deus, eu quero me enfiar em um buraco e nunca mais sair.

Continuei vomitando até esvaziar meu estômago, sentindo um pouco tonta. Resmunguei baixinho e me levantei com a ajuda de Dominic. Me aproximei da pia para escovar os meus dentes, vendo o rapaz me esperar do lado de fora. Eu queria sumir dali. Sumir e esquecer que aquilo havia acontecido. Ele estava cuidando de mim igual uma babá. E eu me sinto meio idiota neste momento. Droga, Brooke, droga!

Assim que terminei, fiz menção de sair e andar, mas acabei por tropeçar em meus pés. Por sorte, graças a Dominic, eu não cai de cara no chão. Ele me segurou contra seu peito. As mãos em minhas costas. Eu suspirei, me sentindo cansada demais para andar.

— Quero minha cama. — resmunguei em sua camisa, sentindo minhas pernas amolecerem.

— Eu te levarei até lá. Com licença, Brooke.

Então, sem nenhuma dificuldade, Dominic me pegou no colo. Eu encostei a cabeça em seu ombro e senti seu cheiro. Ele era tão, mas tão cheiroso. E sua pele era macia e, acho que por minha causa, seus pelos da nuca se arrepiaram. Será que eu estava sendo descarada?

De qualquer forma, antes que eu pudesse aproveitar mais aquele momento, senti o rapaz me depositar em uma superfície macia. Finalmente estava em minha cama. Suspirei aliviada e então senti Dominic retirar meus sapatos com extrema delicadeza. Sua mão em meus pés me provocou leves ondas de choques e me deixou com uma sensação de formigamento. Mas, no fundo, era algo bom.

Ele era tão cavalheiro. E eu meio que ficava feliz com isso.

Dominic, por fim, me cobriu com o cobertor e parou por alguns instantes para me olhar, parecendo checar se estava tudo bem comigo. Por fim, suspirou e disse:

— Durma bem, Brooke.

Assenti, sentindo o sono me dominar. Não tive tempo de agradecê-lo, pois Dominic já havia saído do quarto e fechado a porta. Em questão de segundos, eu já estava em um sono profundo.

...|...| ...

Acordei com uma tremenda ressaca. Sentia que minha cabeça estava prestes a explodir. Um resmungo escapou por meus lábios enquanto eu saía da cama e ia para o banheiro, desejando um banho quente. Me encarei no espelho e vi as olheiras indesejadas. Meus olhos azuis demonstravam a minha indisposição. Esse é um bom lembrete para não beber demais da próxima vez.

Me despi e caminhei para baixo do chuveiro, suspirando aliviada assim que estava embaixo da água. Memórias da noite anterior vieram a tona, me fazendo grunhir em arrependimento ao lembrar do momento em que Dominic me presenciou vomitando. E depois como ele me pegou em seu colo e me levou até a minha cama. Como ele tirou meus sapatos e me cobriu. Realmente, acho que ele estava levando a sério o seu trabalho. Mamãe certamente ficaria orgulhosa dele.

Assim que terminei de me arrumar corri para o quarto, colocando uma calça moletom vinho e uma blusa de manga comprida da mesma cor. Calcei uma pantufa e penteei meu cabelo, reclamando de dor quando puxei um nó e senti minha cabeça doer. Jesus, eu preciso de um remédio urgentemente.

Desci rapidamente para a cozinha, me surpreendendo ao ver Hope tomando uma xícara de chá, enquanto Dominic estava em frente ao fogão, preparando o café da manhã, aparentemente.

— Bom dia, Brooke. — Hope me cumprimentou e, quando vi sua face, agradeci por não ser a única que aparentava estar destruída por causa da noite passada.

— Bom dia, Hope. Não sabia que tinha ficado aqui.

— Eu sempre fico quando bebo demais. Acho que Dominic até se acostumou a me encontrar desmaiada no sofá. — Riu, dando de ombros.

Acabei por acompanhá-la, me sentando em frente ao balcão. Perguntei se havia um remédio para dor de cabeça e ela prontamente o pegou para mim. Agradecida, o tomei com um pouco de água. Enquanto isso, Dominic continuava virado e focado em sua tarefa. Ele realmente não era muito sociável.

— Eu já terminei de tomar meu chá. Acho que irei deitar um pouco em algum quarto de hóspedes. Sinceramente, ainda estou acabada. — Hope suspirou, colocando a xícara na pia e caminhando até a porta. — Até mais, Brooke. Aproveite o café da manhã preparado pelo chefe, Dominic!

Ela riu e então saiu, me deixando a sós com o loiro. Nós ficamos em silêncio por algum tempo até ele se virar e, surpreendendo-me, colocar um prato de ovos com bacon e torradas. Ele preparou especialmente para mim?

— Obrigada, Dominic. — Sorri, começando a comer. — Ela está sempre de bom humor, não é? — Me referi a Hope, vendo-o assistir e se sentar para tomar uma xícara de café.

— Você está melhor?

— Um pouco zonza e com ressaca. De resto, bem. — Comi uma torrada, vendo-o encarar sua xícara, como se não estivesse acostumado a puxar assunto. — Obrigada por ontem, Dominic. E desculpe por ter te dado trabalho. Ninguém merece aguentar uma pessoa bêbada.

— Não precisa agradecer. Eu fiz o que devia fazer. — Tomou mais um gole de café, voltando a me encarar em seguida. — Brooke, sobre aquele dia...

— Eu sei, me desculpe. Eu não devia ter dito aquelas coisas. — O interrompi, me referindo as minhas palavras no dia em que estava chovendo.

— Acho que sou eu quem devia pedir desculpas.

— Pelo o que?

— Por não tê-la ouvido quando precisava. Eu achei que talvez não quisesse conversar comigo sobre um assunto tão delicado. — Ele, de certa forma, parecia um pouco envergonhado.

Eu o encarei um pouco confusa e desconcertada. Acho que ambos nos interpretamos errado.

— Não se desculpe. Nós dois apenas não somos tão íntimos e acho que acabamos ficando um pouco com vergonha. — Admiti, rindo baixo. — Sério, me desculpe por aquele dia. Prometo que isso não se repetirá.

— Digo o mesmo. — Me encarou nos olhos, deixando-me um pouco sem graça. Pelo visto ele sabia ser intenso quando queria. — Estarei sempre aqui se precisar conversar.

Um sorriso preencheu meus lábios enquanto eu o agradecia. Dominic também pareceu satisfeito. Acho que finalmente nos entendemos. Confesso que fiquei um pouco feliz de conseguir conversar com ele e também dele se dispor a conversar. Geralmente Dominic é tão calado.

— Aliás, queria te agradecer sobre a contratação das empregadas. E queria dizer que também posso ajudar com algo.

— Como assim?

— Sabe, posso limpar também. Fazer qualquer coisa para ajudar.

— Você sabe que não precisa. Sua mãe não quer isso. E eu também não.

Nós nos encaramos em silêncio após a sua última frase. Ele parecia determinado em suas palavras. Acho que, mesmo se eu quisesse, ele não me deixaria participar da limpeza.

— Ainda me sinto um pouco mal por morar "de graça", sabe?

— Não deveria, Brooke. Esta é a sua casa também.

Senti o meu coração saltar em meu peito. Foi um pouco estranho, porque nunca senti algo assim - não de uma maneira boa -. Acho que corei um pouco, pois senti minhas bochechas esquentarem um pouco. Que sensação diferente é esta? E por que só a senti com Dominic até agora? Só porque ele disse - em outras palavras - que esta é nossa casa?

O telefone do rapaz tocou e este teve que sair para atendê-lo, não sem antes me enviar um olhar. Sorri para ele e continuei a comer, pensando em suas palavras e em como elas haviam me afetado.

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