08

N/a: O capítulo a seguir contém cenas de torturada e violência que podem despertar gatilhos. Caso seja sensível, não leia!

Encarei os pingos de água que escorriam pela janela, me perguntando o que poderia acontecer futuramente. Estava me sentindo bem na casa de Dominic, com uma paz que há certo tempo não sentia - talvez por saber que posso confiar nele -. Eu podia finalmente pensar com clareza sobre o que poderia fazer em relação a Joseph. Finalmente eu tinha alguém ao meu lado para me ajudar no meu plano de vingança. Mas, por algum motivo, a minha mente parecia estar coberta por uma névoa que não me permitia decidir o que fazer. Era como se eu estivesse insegura. Insegura demais para dar o primeiro passo.

Sem contar que sentia que algo ruim estava para acontecer, como se eu estivesse pressentindo alguma coisa. Eu estava tentando espantar essa sensação e os infelizes pensamentos ruins, mas, infelizmente, não estava tendo sucesso.

Olhei meu celular, vendo que não havia nenhuma notificação, nem mesmo uma mensagem de Spencer. Ela ainda não havia ligado para me contar sobre o seu encontro com Nancy.

Bufei, guardando o celular e terminando de comer meu sanduíche. Já era por volta das 19h e eu, como não sentia a mínima vontade de cozinhar, fiz um sanduíche natural. Provavelmente aquilo iria bastar.

Eu precisava admitir que estava um pouco entediada. O dia havia sido tão, mas tão calmo que se tornou irritante. Eu apenas assisti alguma série aleatória na tentativa de passar o tempo. Quando me cansei, tentei ler algum livro, mas por algum motivo nem um me prendeu a atenção. Até caminhei pela casa na tentativa de encontrar Dominic e, quem sabe, ter uma conversa, mas eu acabei sonhando demais. Era óbvio que ele ficaria trancado em seu escritório.

— Ok, acho que é assim que a noite acaba. — Suspirei, me levantando.

Foi então que vi o celular vibrar, sinalizando que eu havia recebido uma mensagem. Arqueei as sobrancelhas, pegando-o e me surpreendendo ao ver que se trata de uma mensagem da Spencer. Infelizmente, senti meu corpo gelar ao ler as duas palavras: Me ajude.

Engoli em seco e abri o seu contato, ligando rapidamente. Batuquei os dedos no balcão, sentindo meu nervosismo aumentar. Ela não atendia, e aquilo me deixava ainda mais apavorada. Pensar que algo estava acontecendo com minha amiga fazia o meu coração despencar.

Tentei ligar novamente, murmurando alguns ''vamos, Spencer, atenda!'' no processo, mas sem sucesso algum. Eu não aguentava mais. O que poderia estar acontecendo com ela?

Foi neste momento de tamanha aflição que Dominic adentrou o cômodo, me encarando seriamente. No fundo de sua íris, eu pude ver um pequeno traço de preocupação. Ou talvez fosse apenas coisa da minha cabeça. Eu não estava pensando direito de qualquer forma.

— O que houve? — Ele perguntou, se aproximando significativamente.

— Minha amiga, a Spencer, me enviou uma mensagem pedindo ajuda e agora estou tentando falar com ela, mas não consigo. — Falei apressadamente, o nervosismo nítido em minha voz.

Dominic abriu a boca para falar, mas foi interrompido pelo som do meu celular. Olhei para a tela, vendo que se tratava de uma ligação da Spencer. A atendi rapidamente, mudando minha feição - antes aliviada - para aterrorizada. Não, aquilo não podia estar acontecendo.

— Olá, Brooke. — Aquele homem asqueroso, aquele a quem dedico todo o meu ódio estava do outro lado da tela. — O que foi? Não consegue falar? Está tão surpresa por me ver?

— Cadê a Spencer. — Esbravejei, fechando as mãos em punhos.

Joseph riu, caminhando para o lado e me dando total visão de Spencer. Engoli em seco, sentindo meu mundo despencar ao vê-la amarrada a uma cadeira, com o rosto cheio de sangue. Ela chorava, nitidamente sentindo medo. Ela estava apavorada e não tinha nada que eu pudesse fazer.

— Brooke! — Ela gritou, a voz chorosa. — Brooke o que está acontecendo? Eu estou com medo!

Tapei a boca com as mãos, sentindo minha respiração falhar. Minha amiga estava em perigo e eu não podia ajudá-la. Se eu ao menos soubesse em que local ela se encontra, tenho certeza que Dominic me levaria até lá e me ajudaria a salvá-la.

— O que você quer com ela, Joseph? Por que envolver uma inocente em nossos assuntos?

— É divertido. — Ele riu, orgulhoso. — É divertido ver a preocupação no seu olhar. É divertido ver o medo no olhar dessa vadiazinha. — O vi acender um cigarro e então se direcionar diretamente para mim - E é ainda mais divertido e prazeroso ver que vou matá-la e você não vai poder fazer nada.

Um grito agoniado escapou pelos lábios de Spencer, enquanto esta implorava para não ser morta. Eu fechei os olhos, inerte, não sabendo o que fazer. Eu me sentia tão impotente. Tão impotente por ouvir seus lamentos e ficar apenas assistindo. Isso é um completo terror.

— Joseph... — Comecei, deixando meu orgulho de lado. — Deixe-a em paz. Ela não tem nada a ver. Seu assunto é comigo.

— Eu sei disso, mas não me importo, e você sabe bem disso. — Me olhou com indiferença. — Não tente vir com bajulações, não irei soltá-la. Sua amiga é mais um peixinho que caiu na minha rede. — Gargalhou. — E eu terei o prazer de fazer você vê-la morrer!

— Não! — Gritei, sentindo minhas bochechas queimarem. — Seu verme! Solte-a! Ela é inocente! Me diga onde você está, Joseph, e eu irei encontrá-lo!

— Como se Dominic fosse deixar. — Gargalhou novamente. — Conheço muito bem esse garoto.

Me virei para Dominic, os olhos suplicantes quase a ponto de derramar as infelizes lágrimas. O rapaz me encarou por alguns segundos antes de fechar os olhos e abaixar a cabeça. Eu sabia que aquela era a sua resposta.

Spencer gritou novamente, pedindo para ser solta. Eu segurei meus cabelos com força, tentando pensar em algo que pudesse salvá-la, mas nada me vinha a mente. A sentença de morte já estava decretada, mas eu me recusava a aceitá-la. Minha querida amiga, eu não quero perdê-la.

Vi Joseph caminhar em direção a Spencer, fazendo-a gritar ainda mais e implorar para ser solta. Ele deu um forte tapa em seu rosto, deixando-a atordoada por alguns segundos. Me aproximei do celular, como se pudesse atravessar a tela e interromper aquela tortura.

— Assista, Brooke, assista o terrível fim de sua amiga!

— Não!

Gritei, sentindo meus pulmões queimarem. Mas de nada adiantou. Ele começou a socá-la e chutá-la. Eu ouvia os gritos de Spencer e gritava junto, desejando que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. Mas eu, infelizmente, sabia que não era.

Vi Joseph fazer vários cortes no braço de Spencer com um canivete, levando a garota a chorar de dor. Nessa altura, lágrimas rolavam por minhas bochechas, incessantes e cheias de dor. Eu estava vendo minha melhor amiga ser morta. Aquela era a pior sensação do mundo. A pior tortura do mundo.

Ele arrancou a camiseta da garota a força, continuando a cortá-la. Sangue preenchia cada parte do seu corpo. Eu podia ver que seus dentes, antes brancos e brilhantes, estavam num tom de vermelho vivo. Sua pele branca estava da mesma forma. Aquilo tudo estava acabando comigo, acabando de uma forma avassaladora.

Eu continuava gritando para que ele parasse, mas Joseph apenas me ignorava. Ele não se importava com a vida de ninguém, apenas com o seu prazer.

Ele continuou a torturá-la, intensificando os métodos. Quando o vi pegar um alicate e erguer a mão esquerda de Spencer, fechei os olhos e ouvi os seus gritos agoniados. Ele estava tirando unha por unha.

— Por que... — Sussurrei, aos prantos. — Por que isso está acontecendo...

— Abra os olhos, Brooke. Veja a minha obra prima. — Joseph gritou, me dando espaço para visualizar minha amiga.

Chorei ainda mais, vendo que ela estava a um passo de partir. Spencer já não aguentava mais. Seus gemidos cheios de dor estavam baixos. Suas lágrimas ainda estavam lá, misturadas com o sangue em seu rosto. Seu corpo estava inteiramente cortado e cheio de hematomas. Seus olhos estavam roxos e inchados. Seu cabelo havia sido cortado e estava destruído. Suas unhas encontravam-se em carne viva.

Minha amiga. Eu estava vendo a sua morte.

Minha querida Spencer.

— Me perdoe, Spencer. — Chorei, sentindo a culpa me invadir. — Me perdoe por não poder salvá-la.

— Brooke... — Ela sussurrou, tossindo sangue em seguida. — Você não fez nada de errado. Não é culpa sua.

— Eu... Eu não pude te ajudar...

— Está tudo bem. — Respirou fundo, mas voltou a tossir. Ela já não tinha forças para falar. — Acho que estarei melhor agora. Só... me faça um favor, Brooke. — Esperei, vendo-a enfraquecer ainda mais. — Cuide da Nancy para mim. E diga a ela que a amo. Eu irei esperar por ela em outra vida. — Me olhou, abrindo um sorriso triste. — E obrigada por tudo, Brooke. Eu amo você. Você foi e sempre será minha melhor amiga. A-Adeus, Brooke.

Sua cabeça caiu e foi neste instante que eu soube que havia perdido minha melhor amiga. Gritei, gritei e gritei. Meus olhos e bochechas ardiam devido ao tamanho número de lágrimas que desciam incansavelmente. Me abracei, gritando o nome de Spencer em um tom cheio de dor e saudade. Vi de relance Joseph pegar um machado e erguer a cabeça de Spencer. Não, ele não tinha o direito de fazer aquilo.

No momento em que Joseph ia chocar o machado contra o pescoço de Spencer, senti mãos firmes segurarem em meus ombros e me virar, abraçando-me fortemente para que eu não tivesse a chance de ver a triste cena. Me agarrei a camiseta de Dominic e gritei, molhando-a com minhas lágrimas. Ele me segurou em seus braços enquanto eu ouvia Joseph rir até o fim da chamada.

Eu permaneci ali, abraçada a Dominic, lembrando das terríveis cenas que havia presenciado. Eu me sentia tão, mas tão culpada. Eu só queria poder voltar no tempo e evitar que essa tragédia acontecesse.

Em determinado momento senti minhas pernas falharem e então fui ao chão, mas Dominic me segurou, permanecendo com seus braços a minha volta. Nada fazia sentido. Minha vista era apenas um borrão sem foco algum. Mas ao menos eu sabia que estava com a cabeça encostada no peito de Dominic, e que ele acariciava o meu cabelo de forma carinhosa e paciente.

E foi daquela forma que minha consciência se desvaneceu.

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