Caminhei animada com um sorriso largo no rosto, cumprimentando um ou outro colega pelos corredores. O fone de ouvido tocava uma música agradável, dessa vez em volume baixo. Nas mãos, eu trazia uma garrafinha de suco natural e alguns pedaços de bolo de prestígio, uma das especialidades da minha mãe. Tenho certeza de que a Alice vai gostar... pelo menos é isso que eu espero.
Fui até a biblioteca, já esperando encontrar a Alice sentada na última mesa ao fundo, rodeada pelos livros. Já imaginava sua expressão de desgosto ao me ver ali e sua cara de indignação. Só de pensar nisso, um sorriso brotou em meu rosto.
Abri a porta da biblioteca e entrei. Meus olhos, como se soubessem exatamente o que buscavam, foram direcionados para a mesa. Diferente das outras vezes, ela agora estava vazia, e a mochila da Alice não estava em cima da mesa como de costume.
No primeiro momento, achei estranho, então pensei que ela poderia estar mexendo nos livros nas estantes. Comecei a procurá-la por entre aquele labirinto de livros. Minha empolgação chegou ao fim quando constatei que ela não estava ali. Provavelmente ela ainda não tinha chegado. Suspirei frustrada e caminhei até a mesa, que eu já considero propriedade dela, praticamente um patrimônio particular.
Deixei minha mochila em cima da mesa juntamente com o bolo e o suco, e esperei por ela, olhando de cinco em cinco minutos para a tela do celular, verificando o horário de forma impaciente, como se isso fosse fazê-la chegar mais rápido. Tamborilava as pontas dos dedos na mesa enquanto olhava fixamente para a porta.
Quando enjoei de ficar sentada, me levantei e passei a olhar os títulos dos livros sem graça, até que me deparei com um livro que me chamou a atenção. Lembrei-me do dia em que derrubei um livro da Alice semelhante a esse no chão. Peguei o livro de título peculiar e, pela capa, julguei que fosse um livro de terror ou suspense. Mesmo que este não seja meu tipo favorito de livro, decidi pegá-lo.
O sinal bateu. Juntei as minhas coisas e fui até onde a moça responsável pela biblioteca ficava e assinei o papel para pegar o livro emprestado.
Caminhei pelo corredor, agora cheio de alunos cujas vozes eram altas e escandalosas, e segui até minha sala.
Fiquei esperando que a Alice chegasse. Talvez ela tivesse perdido o horário e chegaria um pouco atrasada, mas quando já estávamos na segunda aula e ela ainda não tinha chegado, ficou claro que ela não viria.
Meu dia passou arrastado e, quando o sinal tocou, sinalizando que a última aula chegou ao fim, juntei meu material e saí da sala junto com o Cristian. Ele me contava animado sobre algo que eu não estava prestando a mínima atenção. Tudo que eu queria era ir até o serviço da Alice e confirmar se estava tudo bem. Por outro lado, não queria parecer invasiva, e acho que ela não iria gostar que eu aparecesse por lá sem ser convidada.
— Você concorda comigo? — Cristian questionou.
Estávamos caminhando juntos pela calçada. Meu braço estava entrelaçado ao seu enquanto, com a mão livre, ele gesticulava, parecendo estar inconformado com algo.
— Concordar com o quê? — questionei, franzindo o cenho, e o Cristian parou de andar e eu fiz o mesmo. Ele levou a mão ao peito de forma dramática.
— Por que você nunca presta atenção em nada do que eu digo? — Ele questiona pausadamente, e a forma que ele fala quase me faz me sentir uma péssima amiga.
— Não exagere, essa é a primeira vez que isso acontece. — Eu digo, voltando a andar e o puxando.
— Primeira vez, aham. Tem certeza disso? — Ele questiona.
— Tá bom, essa é a segunda vez que isso acontece, mas ninguém está contando, ou está? — questionei, e ele riu.
— Ainda bem que ninguém está contando, porque se estivesse, você estaria no livro dos recordes de pessoa que passa mais tempo distraída pensando em garotas bonitas — ele disse de forma debochada.
— Acho que essa categoria nem existe.
— Tava pensando em quem? Na Júlia ou na Alice? — Ele questionou e eu balancei a cabeça em negativa.
— Você perguntou se eu concordo. Concordar com o quê exatamente, Cristian? — questionei, retomando o foco para a vida dele e deixando a minha vida em segundo plano.
— Se você estivesse interessado por alguém e deixasse isso claro, mas a pessoa ficasse sempre mudando de assunto, é porque essa pessoa não tem interesse, né? Então o melhor seria se afastar. Você concorda? — Cristian questiona.
— Por quem você está interessado? — questionei, e ele deu de ombros.
— Estou falando sobre um assunto hipotético.
— Entendi. Hipoteticamente falando, eu preciso de mais detalhes sobre isso para que eu possa dar uma opinião. Qual é o nome da garota ou do garoto? — Eu questionei, e o Cristian riu.
— Por que a Alice faltou? — Ele questionou, mudando de assunto e voltando o foco para minha vida.
— Boa pergunta, Cristian, e eu também gostaria de ter essa resposta, mas eu não sei.
— Que tipo de relacionamento é esse que você não sabe o que acontece com a garota? — Ele questiona, e eu rio.
— As coisas não são assim, Cristian. Eu respeito o tempo das pessoas e elas me contam aquilo que querem e quando querem. Falando nisso, eu respeitei o seu tempo e acho que já chegou o momento de você me contar o nome da pessoa que está te enrolando. — Eu falei rindo, e o Cristian me empurrou de leve.
— Idiota — ele murmurou, e caminhamos pela calçada, implicando um com o outro até chegar na porta da minha casa.
O Ricardo estava em casa e a minha mãe também, então aproveitamos o tempo para assistir a um filme juntos, já que o meu pai estava trabalhando e chegaria tarde.
Quando o filme acabou, tomei um banho e fui para o meu quarto ler um pouco. Enquanto lia uma página e outra, meus pensamentos sempre iam de encontro à Alice, e eu me questionava o que estava acontecendo com ela. Será que era algo simples, uma gripe? Era uma possibilidade, já que estava começando a esfriar. Ou será que era algo mais sério? Muitos questionamentos e nem uma resposta. De qualquer forma, eu a veria na manhã seguinte e poderia perguntar isso a ela pessoalmente.
Acordei antes do meu despertador e, curiosamente, isso é algo que tem se tornado bem comum. Tenho me levantado nos horários corretos e já nem estou me atrasando, e acho que isso é um verdadeiro milagre.
Tanto o meu pai quanto a minha mãe comentaram sobre isso e concordaram que realmente é um milagre. Já o meu irmão disse que esse milagre tem nome: "Alice".
Isso é um absurdo. Foi o que eu disse. Isso é algo totalmente aleatório. Até parece que eu estou chegando mais cedo ao colégio por causa da Alice. Até parece que estou acordando mais cedo somente para passar um tempo com a Alice antes das aulas começarem. Até parece.
Balanço a cabeça, afastando esses pensamentos intrusos, e pego uma carona com o meu irmão. Enquanto estou caminhando pelos corredores, nem me dou conta de que já estou na porta da biblioteca, e isso é tão estranho. Antes eu vinha nessa sala somente quando era obrigada e agora chego mais cedo na escola somente para passar alguns minutos nessa sala.
Abro a porta cheia de expectativa para encontrar a garota de olhar intenso e humor afiado, mas novamente a cadeira está vazia e não há nenhum sinal dela. Dou meia volta e saio de lá.
Não adianta negar, não caminho todas as manhãs por esses corredores em direção àquela sala apenas para ficar em um lugar tranquilo. Faço isso na expectativa de encontrar a Alice e não importa se ela está de bom humor ou de mau humor. Tanto faz. Mesmo que seja para receber respostas mal-educadas, ainda assim passar um tempo com ela vale a pena.
E essa é a segunda vez que ela falta de forma consecutiva e, apesar de não sermos amigas, ainda assim eu me preocupo com ela.
É pensando nela que eu faço tudo em modo automático, assisto às aulas e faço anotações. Durante o recreio, me sento com o Cristian, e não demora muito para a Júlia se sentar conosco. Ela se senta ao meu lado e passa o recreio todo tentando me inserir na conversa e eu apenas assinto e respondo de forma monossilábica.
Na hora de ir embora, sou a primeira a sair da sala e tomo um caminho diferente ao da minha casa. Caminho este que só fiz uma vez e estava muito bem acompanhada.
Meus passos são apressados e eu tenho pressa de chegar. Apesar de não saber se vou encontrá-la lá, mesmo assim não pretendo desistir. Se ela não estiver lá, irei perturbar todos que trabalham lá até conseguir alguma informação, independente da informação que seja. Pode ser um endereço, o número de telefone, e até mesmo me conformaria com um simples "ela está bem".
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Sofia 💞
eu tenho tanta sorte de não presisar esperar os próximos capítulos
2024-09-09
0
Nataly Lopes
Tão ansiosa por mais capítulos
2024-07-09
2
Ana Faneco
que será que aconteceu com Alice 🤔 situação preocupante... continua autora querida
2024-07-09
2