A semana foi bastante cheia tanto para mim quanto para o Ricardo, e fiquei bastante satisfeita com isso porque, felizmente, não tive que passar tempo com ele e, consequentemente, também não tive que passar muito tempo com a Júlia.
Trocamos uma palavra ou outra pelos corredores, mas nenhuma conversa profunda, já que estou sempre atrasada e, consequentemente, sempre com pressa.
Entrei na sala praticamente junto com a professora, e ela me olhou de uma forma um pouquinho ríspida. Sinceramente, se eu me importasse com isso, diria que ela me odeia e até me sentiria mal, mas a verdade é que já tenho tantos problemas. Qual a necessidade de caçar mais?
Enquanto eu caminhava em direção à minha mesa, acabei esbarrando no livro que estava em cima da mesa da Alice e o derrubei no chão. O livro era grande, de capa dura, e, se eu fosse chutar, diria que tinha no mínimo 600 páginas. Assim que ele colidiu com o chão, fez um barulho muito alto e acabou assustando alguns dos meus colegas, que pareciam estar mais dormindo do que acordados.
Abaixei-me para pegar o livro e o entreguei para a garota, que me olhou parecendo bastante irritada. Ela pegou o livro e olhou para o objeto com cuidado, como se estivesse examinando, procurando algum arranhão, e passou a manga da blusa por cima do livro, como se estivesse limpando-o.
— Tá tudo bem? — questionei, vendo seu rosto tenso enquanto seus olhos percorriam a capa do livro.
— Até você aparecer e derrubar o meu livro... Estava tudo ótimo — disse, oferecendo um sorriso cínico.
Levei as mãos ao peito, fingindo uma dor imaginária.
— Que...
— Algum problema, Bianca? — a professora Verônica questionou, me interrompendo, e eu encarei a professora, negando. — Ótimo, então vá logo para o seu lugar — disse, começando a anotar algo no quadro.
Tenho certeza de que ela não gosta de mim, e daqui a pouco eu posso começar a retribuir esse sentimento.
Penso enquanto me sento e tiro os meus materiais da mochila.
— Bom, gente, na aula de hoje vamos falar sobre alguns clássicos da literatura e também vamos fazer um trabalho em dupla — Verônica diz, escrevendo uma lista de livros no quadro.
A sala murmura um "Ah, não" em reclamação, e ela ri, provavelmente se divertindo com o nosso desespero.
— Nem adianta reclamar, o trabalho vai valer metade da nota e vai ser um trabalho extenso, então eu quero que vocês se dediquem — diz, ignorando nossos protestos.
— Pode fazer de três pessoas? — Davi questiona.
Davi é um dos engraçadinhos da turma que não leva nada a sério e está sempre aborrecendo alguém.
— Eu disse duplas — a professora foi enfática — E eu vou escolher as duplas — concluiu, e de novo veio uma chuva de reclamações.
Ela fingiu que nem estava ouvindo os protestos e pegou a folha de chamada.
— Vou dividir as duplas em ordem alfabética — disse, e eu imediatamente olhei para o Cristian já convicta de que iríamos fazer juntos.
— Alice e Bianca, Cristian e Davi...
A professora foi dividindo as duplas, e eu estava assimilando o fato de que iria fazer o trabalho com a Alice. A garota nem ao menos olhou na minha cara, continuou impassível olhando para frente.
Após a professora terminar de dividir as duplas, ela dividiu os livros e explicou o que queria com o trabalho. Ela queria que lêssemos o livro, fizéssemos uma análise dele e explicássemos os principais conceitos abordados e como eles estão presentes e frequentes ainda no nosso dia a dia.
Ficamos com o livro "Madame Bovary", um clássico da literatura francesa.
Verônica pediu para que as duplas se sentassem juntas para discutir como seria feito o trabalho.
— Então, acho que vamos ter que trabalhar juntas nesse projeto — falei, puxando minha mesa e deixando-a ao lado dela.
— Infelizmente... Vamos nos organizar para não ficar tudo nas minhas costas e também para a gente não ficar perdendo tempo, ok? — disse, parecendo nada animada com a ideia de me ter como dupla.
— Ah, que maravilha, fico feliz em saber que você está tão animada para passar um tempo de qualidade comigo — falei, oferecendo um sorriso.
— É só você focar no trabalho para a gente terminar mais rápido. Você acha que consegue? — questiona, me olhando em desafio.
— Não sei se consigo, mas prometo que vou tentar — respondi, e ela revirou os olhos.
— Só não esquece que a nota é individual — falou, pegando uma caneta no estojo.
— Que gracinha, obrigada por estar preocupada com o meu desempenho — falei e vi a garota morder os lábios com um pouco de força.
E eu sei que não deveria prestar atenção em mínimos detalhes assim, mas foi inevitável. A maneira como ela mordeu os lábios e depois fechou os olhos e respirou fundo me chamou a atenção. Quando ela abriu os olhos e viu que eu estava encarando seus lábios de forma indiscreta, ela abaixou o olhar, e posso jurar que suas bochechas ficaram levemente avermelhadas.
Tratei logo de desviar o meu olhar, sentindo-me um pouco envergonhada por estar olhando de forma tão invasiva para a garota.
— Não me importo com o seu desempenho, que isso fique claro. Apenas me importo em não ter que fazer todo o trabalho sozinha, então, se você está pensando em deixar o trabalho todo nas minhas costas, já te adianto que isso não vai acontecer — retrucou.
— Eu não sei com que tipos de pessoas você costuma fazer trabalhos, mas eu te garanto que não sou como elas. Não vou deixar você fazer o trabalho sozinha — falei, já começando a me irritar.
Mas imagino que, para ela estar tocando nessa tecla de forma tão persistente, isso já deve ter acontecido muitas vezes.
— Tudo bem, me desculpa, acho que exagerei. De qualquer forma, vamos apenas focar no trabalho — ela disse, e eu assenti.
— Que dia a gente pode começar a fazer? — questionei, olhando para a capa do livro. Não era um livro muito longo, parecia ter umas trezentas páginas mais ou menos.
— A gente pode começar na segunda, chegar mais cedo na escola e fazer o trabalho na biblioteca — ela sugeriu.
— Chegar mais cedo na escola? — questionei, incrédula. — Eu mal consigo chegar no horário, quem dirá chegar mais cedo — argumentei.
— Já pensou em comprar um despertador? Espera, você sabe o que é um despertador, né? Despertador é um dispositivo irritante e cruelmente eficiente projetado para arrancar as pessoas de um sono profundo e causar a sensação de pavor matinal. Sua função principal é lembrar aquelas pessoas que têm a incrível habilidade de chegar sempre atrasadas que o mundo não gira em torno delas e que existem compromissos e responsabilidades a serem cumpridos — a garota fala, me olhando com tédio, e eu acabo sorrindo.
— Gosto do seu senso de humor — eu falo, e a garota desvia o olhar, parecendo envergonhada. — Por que a gente não faz o trabalho em um horário bom para nós duas? — questionei.
— Para mim, esse seria o horário perfeito — ela resmungou.
— Alice, me ajuda a te ajudar — eu falo, e a garota bufa, indignada.
Ainda que a convivência com Alice não fosse a mais harmoniosa, o trabalho precisava ser feito e eu estava determinada a conseguir tirar uma boa nota, mesmo que isso significasse aguentar as provocações da garota ao meu lado.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Ana Faneco
eita que tá bom D+++
2024-06-26
3
Maria Andrade
o amor sempre começa assim
2024-06-20
3
Maria Fabiana
ai que gostosinho......
2024-06-20
1