Um vazio que se expande

Era um sábado, dia dez de abril, quando elas pegaram a Avenida das Américas, em direção a Guaratiba; Samanta, Teresa e Natália. A apresentação cultural ocorreria naquela noite, na arena carioca, e teria uma duração de duas horas e meia, se tudo saísse como o planejado. O Tulipas organizou dois ônibus para levar todo o pessoal que se apresentaria; cartazes e posters foram espalhados pela cidade, o jornal anunciou uns dois dias atrás, e os ingressos foram todos vendidos. Aquela era uma manhã tranquila, o trânsito estava calmo, as nuvens se moviam nos céus, sem sinal de chuva à vista, as pessoas seguiam com suas vidas, caminhando como formiguinhas minúsculas. Tudo ocorreu como Teresa imaginou que seria, primeiro, todos sofreram com a morte de Luíza, todos choraram, todos imaginaram o tipo de vida que teriam que encarar sem ela, as coisas pareciam quebradas, quebradas de uma forma impossível de se encaixar novamente, mas, conforme se passavam os dias, ela se tornava um fantasma nas memórias, aos poucos, as pessoas se esqueciam de uma ou duas coisas que passaram ao lado dela, depois, o rosto dela começava a ser apagado de suas memórias, e, em um momento, tudo aquilo não passava de um sonho, sua voz, seu olhar, seu sorriso, tudo era apenas uma lembrança parca e desfocada, os lados voltavam a se encaixar, a vida seguia.

— Teresa? — Samanta a chamou, tirando-a de seus devaneios.

— Oi — Teresa a olhou, depois de passar uns cinco minutos olhando para o borrão cinzento que era o asfalto ao movimento.

— Tudo bem com você?

— Tudo... Eu só tava cochilando aqui — ela disse, afastando o pertinente chiado da morte de seu ouvido. A pequena voz que sussurrava sempre que alguma coisa dava errado, ganhara um novo tom, bem mais grave e agressivo, suas palavras também mudaram: Você vai morrer, Teresa, ninguém vai se lembrar de você!!

— Você tava era no mundo da lua, isso sim — Natália disse do banco de trás, sorrindo. Ela tinha os dois antebraços apoiados sobre os bancos da frente, e seu rosto se projetava entre Teresa e Samanta.

— No mundo da lua? Bem que eu queria, Natália — Teresa murmurou, voltando sua atenção para a estrada, no mesmo momento em que o carro passava por um gato atropelado, com as tripas expelidas para fora, sobre uma poça do próprio sangue — Bem que eu queria — ela repetiu. Talvez, na época em que o seu pai morreu, Luíza tivesse adoecido emocionalmente, e passado esse mal para Teresa, ali, mais de cinquenta anos depois, porque, desde o enterro dela, Teresa não conseguia mais chorar; desde o enterro, a sinfonia distorcida da morte não tinha mais saído de seus ouvidos, ecoando infinitamente pelo caos. A vida só durava um suspiro, mas a morte era eterna, e isso a intrigava.  A morte é eterna, Teresa, a morte é eterna, e ela espera por você, dizia a voz.

Elas chegaram em Guaratiba às nove e meia, depois de cinquenta minutos na estrada. Samanta saiu do carro e dobrou a coluna para trás, ela estalou em três pontos diferentes. Teresa saiu logo em seguida, junto de Natália. Elas estavam na rua Parlon Siqueira, o local onde a trilha para a praia do perigoso começava, e onde alguns hotéis foram construídos recentemente, com uma vista para a praia lá embaixo. Aquela região de Guaratiba era como a vegetação que crescia no morro, propagando-se acima do oceano como uma ilha paradisíaca, cheia de escadas e barras de apoio que conectavam as trilhas e vielas. A praia estava cheia de banhistas com sungas, calções de banho e maiôs, alguns brincavam nas águas, outros se bronzeavam, uns vendiam picolés e latas de refrigerantes, outros compravam.

— Olha... Que vista — Natália disse, com um brilho sincero nos olhos, enquanto via o mar esverdeado descer até o horizonte. Teresa olhou, mas a única coisa que veio em sua mente foi que Ariel veio até Luíza através daquelas águas, e essas águas eram, em noites furiosas, capazes de engolir praias inteiras.

— É mesmo — Samanta disse, chegando ao seu lado e apoiando a mão sobre seu ombro — Você quer tomar um solzinho, Tê?

— Não — ela disse, não aqui, adicionou mentalmente.

— Não? Você tá com vergonha de alguma coisa? Olha, não precisa ter vergonha, tá bom? — Natália disse, como se pedir para alguém não sentir vergonha fosse, de alguma forma, suficiente.

— Não é isso, não — Teresa disse, deslizando a mão pela bochecha, pela pequena rota deixada pela sua cicatriz. Não havia mais um band-aid para cobri-la, sua cicatriz não era mais uma vergonha e nem uma lembrança ruim, mas, em noites frias, ainda doía como um ferimento aberto.

— E o que é? — Natália perguntou, tomando a sua frente e cobrindo a vista da praia — A prótese não pode molhar? — ela insistiu.

— Eu quero ir em outra praia — Teresa disse — Você quer vir comigo?

— Outra praia? — Samanta perguntou, com um ar exaltado.

— É, pra lá — ela apontou para o final da rua, onde se via o início da rota do morro, em direção às praias desertas.

— Só tem praias selvagens pra lá, Teresa — Samanta disse.

— Sim, eu sei — ela disse com indiferença — Eu quero ver a praia do perigoso e a pedra da tartaruga.

— A rota pode ser perigosa, filha.

— Não, a rota é calma e pouco íngreme — ela respondeu — Eu dou conta, relaxa.

— Cê quer ir em uma praia deserta? Beleza, eu vou contigo — Natália disse, batendo levemente em seu ombro.

— Praia deserta pra quê? Só pra ficar se arriscando? — Samanta perguntou, exasperada.

— Luíza me falou que ela gostava da praia... Eu queria ver ela, ao menos uma vez — ela respondeu, e viu quando os olhos de Samanta brilharam em uma triste compreensão, ela assentiu, um pouco relutante.

— Ah, meu Deus, juízo, viu? Juízo — Samanta disse, não escondendo a sua preocupação, mas inclinada a aceitar, pelos seus motivos. Um pouco depois, o ônibus contratado pelo Tupilas entrou na rua, soltando um torpedo de fumaça e gás no momento em que parou, bem atrás do Fiat uno de Samanta. O ônibus estava lotado até o talo, como se fosse explodir de pessoas a qualquer momento. Mais tarde, um caminhão de mudanças traria os instrumentos que seriam utilizados. Os membros foram se jogando para fora, malabaristas, cantores, dançarinos e apresentadores, todos os tipos de artistas que se pode imaginar, com um burburinho risonho quase ensurdecedor, mas estranhamente agradável. Todos eles foram caminhando em direção à pousada do outro lado da rua. Os organizadores do evento decidiram lhes dar uma tarde de lazer em uma pousada, antes que pudessem começar as apresentações, o que foi bem vindo para a maioria deles.

— Teresa! — alguém gritou seu nome, e ela viu quando Juliana saiu de dentro da multidão, como um hamster se espremendo entre os gatos.

— Oi — ela acenou.

— Oi, filha, vocês tiveram que esperar muito? — Juliana perguntou, chegando até ela e beijando sua bochecha.

— Não, a gente acabou de chegar — Samanta respondeu por ela — É nesse hotel mesmo, né?

— É, é nele, eu vou falar com a atendente — ela disse com ar de urgência — Vamo, vamo.

Todo o grupo de artistas foi atrás de Juliana, para dentro da pousada onde passariam o dia. As portas eram grandes, feitas de vidro, haviam duas palmeiras altas saindo do jardim, que subiam acima do telhado. Os alojamentos eram construídos em torno de uma área de lazer gramada, com uma piscina de medidas olímpicas no centro, cercada por cadeiras de praia. Os quartos da frente, tinham vista para o mar, os quartos da parte traseira eram mais baratos, e tinham vista para a área de lazer. Teresa, Samanta e Natália ficaram em um dos quartos de trás, com uma cama de casal e uma de solteiro. No quarto também havia uma televisão, uma suíte e um frigobar, com duas garrafas e três latas de cerveja, e uma garrafa de refrigerante. Enquanto jogava a bolsa de viagem encima da cama de casal, Teresa se perguntou se Luíza conhecia aquela pousada, se ela já tinha se instalado ali alguma vez enquanto era viva.

— Ah, hoje tá calor, né? — Natália disse, suspirando, enquanto se jogava na cama de solteiro — Tê, você tem certeza que quer pegar uma rota dessas? Eu não tô dizendo que você não consegue, sabe? Mas eu não sei se é uma boa ideia.

— Eu quero ver a praia... E a pedra — ela disse com indiferença, abrindo a bolsa à procura do protetor solar.

— Tá, mas logo hoje, um pouco antes se sua apresentação? E se você torcer o tornozelo? — Natália insistiu.

— Qual deles? — Teresa perguntou, olhando para ela com um sorriso brincalhão no rosto, mas apenas ela viu graça nisso. Natália arqueou as sobrancelhas e sorriu, mas não como quem acha algo engraçado, foi um sorriso amável, orgulhoso.

— Eu tô falando sério, tá? — ela disse.

— Aquela praia... Luíza disse que ia ter um evento lá essa semana — Teresa disse — Mas ninguém da família dela sabia disso.

— Ué, que evento?

— Aí é que tá, Natália, eu não sei — ela disse, um pouco afobada — Ela morreu antes de me contar.

— Nossa — Natália disse, contraindo os lábios, como se tentasse achar as palavras para continuar falando — Isso deve ser muito sufocante.

— É, é muito sufocante! — ela disse em alta e sincera voz, não havia palavra melhor para descrever o rombo que havia ficado em seu peito, não era como se aquela sensação de abismo fosse simplesmente sufocante, mas não havia uma palavra para sequer chegar perto do que ela estava sentindo. As outras pessoas estavam consertando a rachadura que Luíza deixou, mas ela não conseguia, sua rachadura continuava exposta, continuava sangrando, não importava o quanto ela tentasse fechar.

— Tá... A gente vai lá então — Natália disse — Você quer ir agora, ou só depois do almoço? Porque se for deixar pra depois, a gente vai ter que ir quando o sol esfriar um pouco.

— Agora — Teresa disse, puxando o protetor solar de dentro da bolsa e se apressando em sair dali. Natália se levantou e foi logo atrás dela.

— A gente tá indo, Samanta! — ela gritou para Samanta, que estava no banheiro nesse momento. Se ela respondeu, Teresa não ouviu. Quando passaram pela área de lazer, ela viu que os artistas do Tulipas estavam fazendo um churrasco por lá, todos brincando e dançando, alguns estavam dentro da piscina. Só o cheiro da carne, já lhe despertou uma sensação desagradável, como se sua boca estivesse cheia de sangue. Ela ouviu alguém chamar o seu nome, de forma bem apagada em meio ao burburinho, mas apenas ignorou, porque aquela voz, parca e distante, era a voz de Luíza...

A trilha para as praias selvagens começava no topo das escadas que subiam pelo morro, cercada pela vegetação, que formava uma espécie de tubo, mas que era rala o suficiente para permitir a vista do céu e do mar durante boa parte do percurso, assim como Luíza disse que era. Em certo ponto, havia uma bifurcação, com uma placa de direção no meio, a seta de cima, apontava para o caminho da direita, e estava escrito: "praia do perigoso e pedra da tartaruga", e ainda haviam mais três setas abaixo, que apontavam para o caminho à esquerda: "praia do meio", "praia funda" e "praia do inferno".

— Praia do inferno, praia do perigoso — Natália comentou — A praia do meio parece ser a menos letal dessas aí.

— Não tem nenhuma letal — Teresa disse, revirando os olhos e sorrindo.

— Tá, mas a praia do perigoso, por exemplo, quem é o perigoso? Ele ainda tá por lá? — Natália insistiu.

— O perigoso já foi preso há muito tempo, a praia não é mais dele, tá bom? Relaxa – Teresa respondeu.

— Ah, claro, eu vou relaxar, só porque você tá mandando — Natália disse, atordoada. Em certos pontos da trilha, era como se uma força misteriosa as repelisse para longe do mar, para longe de seu domínio, como se houvesse algo, no final daquela rota, que não queria ser descoberto, destino, como diria Luíza. Talvez não fosse magia, talvez nem fosse algo sobrenatural, apenas algo que estava ali desde o começo, algo que se mostrava quando queria, e se ocultava quando queria, algo que esteve com Luíza através de Ariel, e que era, de uma forma que Teresa desconhecia, a solução para toda a tormenta que sua mente vinha enfrentando. Ela vivia em uma luta constante contra o silêncio, porque o silêncio mostrava o fim de tudo, e o fim era triste, o fim era silencioso...

A praia do perigoso era, assim como Luíza lhe disse, uma bacia de pedras entorno de uma pequena formação de terra, que ia de encontro com o mar. A pedra da tartaruga era como um monumento sagrado, encima de um morro que lembrava bastante a forma de uma criatura gigante, adormecida, há tantos anos, sob a luz cegante do sol. O mar chicoteava a costa, gerando sons de fustigos que reverberavam pelo ar. O local estava vazio, não havia evento algum ali.

— Essa é a praia? Ela é bem mais legal do que eu esperava — Natália disse, descendo o primeiro lance de pedras, ironicamente, essa era a parte mais difícil da rota.

— Dizem que o som dos ventos, quando as ondas estão agitadas, parece música — ela disse, dando voz a uma teoria que criou sobre as "melodias" que Luíza ouvia, mas ela se odiou por falar isso, porque sabia que era mentira, não era algo tão simples como o som das águas trazido pelos ventos, não mesmo.

— Eu não tô ouvindo nada — Natália disse em um sussurro — Você vem ou não?

— Vou — Teresa disse, descendo pelas rochas com todo o cuidado possível, seus cabelos, presos em um rabo de cavalo, balançavam com os ventos selvagens; ao contrário dos ventos da cidade, eles eram livres, eram indomáveis.

— Mas é sério, não tem música nenhuma aqui, Tê! — Natália disse em alta voz, uns cinco metros à sua frente (ela era realmente uma ajuda excepcional para Teresa).

— Se você ficasse calada, talvez desse pra escutar — Teresa disse, sofrendo para acompanha-la, enquanto descia por uma pedra de um metro, que era quase completamente na vertical, sua prótese torceu ao pousar lá embaixo, e Teresa balançou os braços como uma criança para não cair com o traseiro no chão.

— Opa, tudo bem com você? — Natália perguntou, agora, uns seis ou sete metros à sua frente.

— Natália... — ela iniciou, pensando em dizer um palavrão daqueles, mas apenas suspirou, engolindo as palavras — Tô, eu tô bem.

Elas chegaram à areia da praia alguns minutos depois, Teresa tinha arranhado o calcanhar em uma pedra, pouco antes do fim das formações rochosas, mas não foi nada grave, nem chegou a sangrar. Quando olhou no horizonte, ela viu que haviam nuvens lá, nuvens de um amarelo amanteigado, justamente como as que Luíza descrevera em sua história, na primeira vez que foi ali. Por um momento, ela esperou que, em uma reviravolta milagrosa, ela encontrasse Ariel por ali, velhinha, assim como Luíza, com uma cicatriz cobrindo o olho que foi destruído. Sua reviravolta do destino acabou não se concretizando, não havia nada e ninguém na praia, apenas ela e Natália, ambas sentadas na areia, olhando para o fim do horizonte, onde as ondas se moviam com violência, mas não produziam melodia alguma, apenas o terrível e violento fustigo das águas. A melodia da morte ainda gritava lá dentro de seus ouvidos, foi besteira achar que encontraria refúgio em um lugar que só lhe lembrava da morte. Era quase como se pudesse ver, naquela mesma praia selvagem, o reflexo de Luíza, dançando e pulando pelas rochas, enquanto Ariel a acompanhava com o olhar, um olhar que devia ser mais expressivo do que o de qualquer outra criatura.

— Eu não sei o que tá acontecendo comigo, sério — Teresa disse, e sua voz pareceu distante em sua cabeça.

— Como assim? — Natália perguntou.

— Eu ando pensando muito na morte, sabe? — ela disse — Parece que... Eu tô perto de morrer, de alguma forma — ela disse, mas não havia um pingo de tremor em sua fala, as lágrimas também estavam distantes naquela manhã.

— Credo, Teresa! — Natália exclamou — Isso é coisa de sua cabeça, você ficou chocada com a morte de Luíza.

— Você ficou triste com a morte dela? Ela era sua parente, né? Eu não te vi no enterro dela — Teresa disse, olhando para o mar, esperando que alguma coisa saísse dali, qualquer coisa.

— Ela não era, ela era tia do Gustavo por parte de mãe, eu sou prima do pai dele — Natália disse — Eu só tinha visto ela umas duas vezes, mas eu sei que você se apegou a ela e tudo mais, mas você vai superar isso, a barra tá pesada porque ainda é recente.

— É, pode ser — Teresa disse, suspirando pesadamente, seu coração doeu — Mas eu vou morrer um dia, sabe? Você também, minha mãe, todo mundo... Será que a vida é tão pequena assim?

— A vida não é pequena — Natália disse, mas não tentou levantar nenhum argumento para defender o seu ponto.

— Pois eu acho que é; eu acho que a vida é só uma ilusão — Teresa disse, e a letra da música dê uma chance ao coração voltou aos seus pensamentos, a vida é mais que uma ilusão.

— Uma ilusão?

— Natália... Se eu morrer primeiro que você...

— Olha, Tê, eu não gosto de pensar nesse tipo de coisa! — Natália disse, alarmada.

— Escuta! — ela insistiu — Se eu morrer primeiro que você, você promete não se esquecer de mim? — um silêncio se fez — Eu não quero ser esquecida — Teresa emendou em um tom de súplica.

— Eu não vou esquecer de você, que pergunta idiota, viu? — Natália disse, se aproximando dela, e a puxando para um abraço lateral. Isso lhe deu um pouco de conforto, mas não foi suficiente para parar com a dor. Enquanto as águas se moviam com violência no horizonte, ela concluiu, de uma vez por todas, que não havia nada ali para se descobrir...

Quando voltou para casa, Teresa foi diretamente até Samanta, que estava foleando uma revista de moda em uma das cadeiras de praia, em torno da piscina. Ignorando plenamente a baderna que os outros artistas faziam em seu churrasco matutino. Ela usava um maiô e um par de óculos escuros. Já fazia tempo que ela não via a Samanta imatura e festeira em ação, ela até havia se esquecido de como sua mãe era bonita quando queria, e ficou feliz em ver que Samanta ainda se lembrava disso, que seu estado físico e emocional, responsável por acabar com as noites de sono dela, não a destruiu por completo. Teresa se afastou de Natália, que havia ficado em uma mesa de petiscos, e foi até Samanta:

— Mãe — Teresa a chamou, tentando falar acima da música de Kid abelha. Quando a percebeu, Samanta se ergueu, ficando sentada na cadeira e tirando os óculos, com um ar sobressaltado.

— Teresa, você ao menos levou o protetor solar? Você saiu numa pressa, parece até que o mundo vai acabar — ela disse, e Teresa sorriu, se sentando junto a ela na cadeira de praia  (que tinha espaço para as duas), e apoiando a cabeça sobre o ombro de Samanta.

— Eu tô bem, mãe, eu tô bem — ela disse calmamente. Ainda haviam muitas palavras que queria dizer, muitos perdões que precisava pedir, muitas coisas para agradecer, mas algumas coisas são melhores quando não são ditas, e naquele momento, o seu vazio se sentia um pouco menos sem sentido, quando ela tinha noção que haviam pessoas, ao seu redor, que a amavam, pessoas que se lembrariam dela se ela morresse. Isso não era suficiente para parar com a dor, mas era, sim, um alívio.

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