A maré que engole o sangue

Fernanda veio a se mudar dali, para o centro do Rio de Janeiro, cerca de um mês depois daquele ocorrido, deixando Luíza em paz de uma vez por todas, mas não antes de um último embate, o pior e mais violento de todos, um pouco antes que a coisa que o pai de Luíza a disse, em sonho, se tornasse realidade. Ela continuou frequentando as aulas de ballet, na arena carioca, e Fernanda continuou a ameaçando, seguindo-a de longe após as aulas, esperando-a no lado de fora da arena para que pudesse pega-la, ou armando emboscadas no vestiário; mas, apesar de muito forte, Fernanda não era tão inteligente, ela sempre estava no lugar e na hora errada, ela era um pitbull forte e raivoso, mas Luíza era uma gata, e os cães dificilmente pegam os gatos. Ela nunca se deixou abalar pelo comportamento agressivo de sua rival, Ariel ficaria decepcionada com ela, caso o fizesse. Mesmo com todas as ameaças, toda a perseguição, todo o ódio, Luíza só foi saber, de fato, quem era Fernanda, quando ela foi tomada pela mais furiosa e borbulhante inveja, no dia em que Luíza conseguiu, primeiro que todas as outras alunas, se equilibrar com maestria sobre uma sapatilha de ponta. Foi em uma manhã de quarta feira, logo antes de uma lua cheia. Havia um cheiro úmido na arena, como das ripas de um telhado velho, depois de uma chuvarada.

— Meninas, eu tenho uma coisa pra avisar pra vocês — a professora Sara disse, com um sorriso de empolgação estampado no rosto, enquanto caminhava frente à fila de alunas — Vai ter uma apresentação em São Paulo, no final do ano, feita pela academia de artes Bernardo Da Silva, e eles querem três meninas daqui pra dançar com eles — ela concluiu, e um murmúrio de empolgação subiu entre as garotas da arena, suas vozes, quando unidas, eram mais agudas e perturbadoras do que nunca, mas o murmúrio foi facilmente calado quando Sara pediu que fizessem silêncio, antes de prosseguir:

— Mas só as alunas que conseguirem se apoiar na sapatilha de ponta até o final desse mês vão participar, eles não tem muito tempo pra perder, esperando por vocês — Sara disse, enquanto pegava uma velha caixa de madeira de baixo do balcão, atrás da arena. Ela abriu a caixa, tirando alguns pares de sapatilhas de ponta, e as colocando no chão.

— Não pegue, sua esquisita, se você pegar uma sapatilha daquelas, eu vou acabar com a sua vida — Fernanda sussurrou em seu ouvido, pondo a mão sobre seu ombro, o hálito quente, úmido, como de um animal selvagem, causou um arrepio, uma repulsa em Luíza; mas ela a ignorou, e quando a professora Sara começou a distribuir as sapatilhas de ponta, ela se desvencilhou daquela mão áspera, e foi uma das primeiras a ir pegar, escolhendo um par de número 34, e lançando um olhar afrontoso para Fernanda. Assim como Ariel, ela acabou aprendendo a arte de falar sem precisar de palavras, palavras não eram necessárias, e seu olhar dizia claramente para Fernanda: Eu não tenho medo de você. Fernanda a olhava de volta, com uma fúria ardente brilhando em suas pupilas verdes amareladas, qualquer pessoa que olhasse claramente para aqueles olhos, saberia que ela não batia bem da cabeça, seu olhar não tinha significado, não tinha peso, era um puro e instintivo ódio, um brilho doentio de loucura.

— Muito bem, eu quero ver o que vocês conseguem fazer, viu? Eu vou chamar vocês por ordem de chamada, e quero ver quem é que chega mais perto — Sara disse, depois que todas as alunas já haviam pegado as suas sapatilhas de ponta e se alinhado novamente na arena — Amanda, vem cá — ela chamou a primeira menina, Amanda, uma garota de cabelos negros e nariz pontudo, que caminhou hesitante para o centro da arena, dando uma olhada nos rostos de suas amigas e engolindo em seco, antes de receber o sinal de Sara, para que começasse. Assim como a maioria das garotas seguintes, Amanda sequer foi capaz de subir até a ponta dos pés, perdendo facilmente o equilíbrio. A segunda chamada foi Carmen Lúcia, uma garota com a pele tão clara, que tinha manchas vermelhas nas bochechas; ela também falhou miseravelmente. Fernanda foi antes de Luíza (haviam seis letras entre elas, mas apenas três alunas, que também falharam), ela se colocou entre as outras meninas, com seu olhar de louco, com as bochechas um pouco mais coradas do que o comum, e com os braços e pernas trêmulos. Em todo o seu rancor, Luíza nunca diria que alguém como Fernanda era capaz de sentir qualquer coisa que se parecesse com medo, mas vê-la ali, trêmula, diante de todos aqueles olhares julgadores, mesmo sabendo que, talvez, tivesse que encarar a mesma barra logo em seguida, lhe trouxe uma sensação agridoce de satisfação. Assim que Fernanda subiu até a ponta dos pés, conquistando um olhar admirado das demais, ela tentou ajeitar os braços para a primeira posição, mas perdeu o equilíbrio, voltando à sola dos pés em um solavanco e caminhando para frente de forma desajeitada.

— Desculpa, eu não consigo — ela disse, tão indefesa quanto um ratinho acanhado.

— Não, você foi bem, só precisa melhorar o equilíbrio — Sara disse, mas Luíza acrescentou algo mentalmente: e parar de ser uma maluca. Ela riu um pouco, mas virou o rosto, para que ninguém notasse, não queria que pensassem que ela era a garota malvada ali, Fernanda era a garota má, e não havia nada de errado em desejar o fracasso dela.

Depois da tentativa fracassada das três garotas que vieram depois de Fernanda, Gilmendes, Ingrid e Indira (que sequer conseguiram subir até a ponta), chegou a vez de Luíza. De início, ela realmente achou que seria pulada na chamada, que eles não aceitariam uma bailarina negra nas apresentações, mas se era esse o caso, a professora Sara não se importou.

— vem, Luíza, é a sua vez — ela disse, chamando-a com um gesto.

— Eu? — ela perguntou, tão espantada quanto feliz.

— É, você, vem logo, menina — Sara disse.

Luíza não fez questão de contrariar a sua professora, ela sabia que estaria novamente diante do olhar julgador de mais de uma dezena de garotas brancas cruéis, que nenhuma delas tinha o desejo de vê-la triunfar, e sabia que aquilo seria a experiência mais assustadora de sua vida; mas ela foi, pela primeira vez, se opondo àquele sentimento de inferioridade que massacrava o seu peito. Quando se colocou no centro da arena, cercada por inimigas, como uma verdadeira gladiadora, ela teve, pela primeira vez em sua vida, um vislumbre de onde suas escolhas a haviam levado, e no que havia se transformado, uma guerreira, alguém capaz de lutar contra seus próprios demônios, de faze-los correr para longe com o simples esplendor de sua coragem, e quando esses demônios subiram de seu covil imundo para cerca-la, como milhões de morcegos que cobriam a luz do sol, ela notou, como em uma epifania, que o seu medo não era mais tão paralisante. Luíza se ergueu até a ponta dos pés, mas sentiu como se fosse até os céus, subindo muito além de tudo, muito além de todos, e enquanto alterava seus braços da primeira para a quinta posição, ela os sentiu como as asas de uma pomba, batendo, tomando propulsão para o alto. Em ágeis e suaves passos, Luíza mostrou a diferença crucial de princípios que havia entre ela e as demais, e quando pousou de seu voo, viu os olhares atônitos das outras, e as lágrimas furiosas formadas nos olhos de Fernanda. Sara a aplaudiu, junto a todas as outras alunas, com exceção de Fernanda, e mais umas duas ou três garotas, não importava, elas podiam engolir os seus aplausos, porque aquele dia era dela.

— Meus parabéns, Luíza — Sara disse — Eu acho que a dança já tá no seu sangue.

O maior erro que Luíza cometeu (mesmo em comparação com os muitos erros que viria a cometer em sua vida adulta), ainda naquela tarde, foi o de relaxar demais, de achar que suas batalhas estavam vencidas, que Fernanda havia desistido e evaporado no ar, logo após a sua vitória. Em certo ponto, Luíza se pegou cochilando na praia, ao lado de Ariel. Em sonhos, Emanuel estava de volta, robusto e sério, falando: Você sabia disso, Luíza? Às vezes, a maré cobre a praia do perigoso, é engraçado que ninguém sabe disso, mas eu já vi uma vez, fique alerta... Dessa vez, o cenário do sonho era mais nítido, ela estava na sala da casinha de barro. Luíza teve um vislumbre momentâneo de si mesma, como se o seu espírito tivesse acabado de sair do corpo. No sonho, ela tinha voltado a ser uma meninha de nove anos, o que lhe deixou uma dúvida pertinente a respeito daquela fala de Emanuel, a maré cobre a praia do perigoso. Luíza foi acordada por uma forte dor em seu couro cabeludo, e quando abriu os olhos, gritando de susto, sua visão foi golpeada pelo que seria uma das imagens mais traumáticas de sua vida. Haviam dois homens, cada um com cerca de um metro e oitenta, loiros, pisando sobre o casco rachado de Ariel e rindo ruidosamente. Enquanto ela se debatia, sem saber o que fazer, seus olhos estavam direcionados aos de Luíza, e eles imploravam por socorro, um dos homens tinha um remo de madeira em mãos, mas (aparentemente) ainda não o tinha usado. Luíza só teve tempo de se desvencilhar das mãos que seguravam em seus cabelos, antes de ser golpeada no rosto pela mão pesada e carrancuda de Fernanda.

— Tá cuidando de uma tartaruguinha, é? — Fernanda perguntou, enquanto Luíza caía aos chãos, tentando recuperar o equilíbrio.

— Sai de cima dela!! — ela gritou para os dois marmanjos, com um ódio e desespero, correndo para alcança-los, mas um deles correu até ela, segurando seus braços e subjugando-a facilmente. Ele puxou Luíza para mais perto, colocando os braços dela nas costas e segurando-a.

— Opa, opa, ela é bravinha — o homem disse, e sua voz era tão rosnenta quanto a de Fernanda — Vai lá, Douglas, mata esse bicho.

— Ô bicha feia — o outro rapaz disse, erguendo o remo acima de si e descendo-o violentamente sobre a cabeça de Ariel, houve um som maciço, e ela tentou se encolher e rastejar para fora dali, mas ele foi atrás dela, batendo outra vez com o remo, rindo do desespero que ela mostrava.

— Para, para com isso, para, ela tá grávida!! — Luíza berrava, enquanto as lágrimas escorriam torrencialmente de seus olhos, mas eles ignoraram, quanto mais ela suplicava, quanto mais chorava, mais eles riam, mais eles golpeavam a cabeça de Ariel.

— Tá grávida, é? Ninguém liga, querida — Fernanda disse, não mais rindo — Eu disse pra você cair fora, não disse? Eu disse que eu ia te pegar, você não saiu porque não quis.

— Eu saio, eu saio, você nunca mais vai me ver, mas para, pede pra ele parar, Fernanda, por favor! — ela suplicou com todas as suas forças, com a voz distorcida pelo choro, e o rosto banhado pelas lágrimas. Mais uma pancada, e dessa vez, o olho direito de Ariel foi completamente destruído, se tornando uma gosma enegrecida, que ficou grudada no remo. Ela não gritava, não gemia, já nem tentava fugir, mas seu sofrimento era tão evidente, tão frustrante, que Luíza preferiu que fosse nela, e Fernanda sabia disso, ela era cruel o suficiente para ferir a criatura mais importante de sua vida, ao invés de ela própria, tendo plena consciência que isso era a coisa mais terrível a se fazer.

— Mais duas aí, Douglas, só pra ela não esquecer — Fernanda disse, e o tal Douglas (que era, assim como o homem que a segurava, irmão mais velho de Fernanda) não hesitou, acertando mais duas pancadas com a lateral do remo na cabeça de Ariel, em cada pancada, ele gruinha de esforço, tamanha a força que usava; cada pancada, um aperto no coração de Luíza. Havia um prazer insano nas expressões deles, um prazer que fez ela se sentir completamente desamparada, não eram três pessoas que estavam ali, não havia nada do calor humano que normalmente irradiava das pessoas, eram três demônios, frios e cruéis...

— Escuta aqui, Luíza — Fernanda segurou em seu queixo, perfurando-o com suas unhas e obrigando Luíza a olhar para o seu rosto — Se eu ainda ver você na arena, minha filha, eu mato você, ouviu? Eu mato você! — ela disse, apertando ainda mais forte, aquele hálito quente, que causou novamente aquela repulsa em Luíza, que apenas assentiu, enquanto suas lágrimas ainda escorriam, lagrimas de dor e desespero.

— Nem sei se o bicho ainda ta vivo, viu? — Douglas disse, cutucando a cabeça sangrenta de Ariel com a ponta empapada do remo. Mas ainda havia um brilho de súplica no olho restante dela, ainda havia uma luz inebriada pelo sofrimento.

— Ela tá — Luíza disse, enquanto rezava, com toda a força do seu espírito: por favor, Deus, que ela ainda esteja viva, por favor, eu prometo que nunca mais duvido de você, mas faz a Ariel sobreviver, eu vou fazer as pazes com a minha mãe, eu nunca mais volto no ballet, nem vou mais duvidar que eu sou uma descendente de Caim, mas faz ela sobreviver!

Quando as nuvens deram um espaço, e a lua cheia finalmente se mostrou, sua luz prateada fez com que toda a areia da praia parecesse branca. Luíza ficou ali, sozinha, enquanto o mar negro da noite rugia furiosamente, suas ondas subiam mais alto do que nunca, e a água quase chegava aos seus pés. Luíza ficou observando Ariel de longe, sem coragem de chegar perto para conferir se ela estava viva ou morta, pedindo perdão repetidamente, perdão por achar que seria capaz de cuidar dela sozinha, por achar que seria forte o suficiente para isso, por que a morte de Ariel, se ela estivesse mesmo morta, era sua culpa. O mar já não cantava para ela, não, ele rugia como uma besta furiosa, e ela teve a sensação que ele queria se vingar, no momento em que uma das ondas alcançou os seus calcanhares, bem perto das formações rochosas que cercavam a praia, alcançando Ariel também, e lavando o sangue de sua cabeça, arrastando-o para o fundo do mar, o lugar onde ela realmente pertencia; mas Luíza lembrou, sim, em seu momento de sofrimento, um pensamento cortou a sua mente, enquanto as águas subiam ainda mais violentamente para as formações rochosas, com sons ensurdecedores de chicoteadas, ela lembrou, enquanto as águas subiam e engoliam a praia do perigoso, bem como seu pai havia lhe dito através do sonho; as tartarugas nascem na terra...

— É estranho que... Eu nunca mais vi uma tartaruga tão expressiva quanto Ariel — Luíza disse, submergindo de suas memórias profundas.

— Como assim? — Teresa perguntou em tom de súplica, arqueando as sobrancelhas, seus olhos, assim como os de Luíza, seguravam lágrimas pertinentes, pequenas demais para cair.

— Teresa... — Luíza a chamou, enquanto sua expressão se distorcia, na tentativa de conter o choro. Quando vista por esse ângulo, nessa situação, ela realmente parecia ter a idade que tinha.

— Oi...

— Eu vou te contar uma coisa que eu nunca contei pra ninguém — Luíza disse, depois de engolir o choro — A maré subia muito rápido naquela noite, eu realmente achei que ela iria cobrir a praia inteira, mas...

O som agonizante do telefone cortou o ambiente, Teresa ouviu um bater de asas em conjunto, dos passarinhos assustados. Luíza revirou os olhos, se levantando do piso do salão, onde elas haviam se acomodado pelos últimos dez ou quinze minutos de história, talvez vinte.

— Eu vou atender aqui, espera um pouco — ela se levantou, correndo até o telefone que ficava no balcão da atendente. Teresa foi logo atrás, depois de se levantar com certa dificuldade, e ficou ouvindo-a falar no telefone:

— Alô... O quê? É sério? Ah, querida, isso é péssimo... Tudo bem, certo... É, eu vim aqui pra falar um pouco com Teresa, certo, também te amo, já tô indo — ela desligou o telefone, suspirando alto e olhando para Teresa — Minha filha vai precisar de minha ajuda em casa, parece que um cano estourou e molhou meus álbuns de fotos.

— Termina a história primeiro — Teresa disse, se aproximando dela com um aspecto de obsessão, ela sentia que precisava saber como aquilo acabava, sentia que a resposta para todas as suas dúvidas estava ali, naquela história, naquele desfecho.

— Eu não vou poder, é complicado demais pra explicar às pressas, querida — Luíza disse, tocando gentilmente o seu ombro (dessa vez, ela não o apalpou).

— M-mas e a Ariel? Ela morreu mesmo? O que aconteceu com ela? — Teresa perguntou, seguindo Luíza para o vestiário.

— Você sabia que o evento cultural da Tulipas vai acontecer por lá? Vai ser na arena que eu estudei quando era adolescente — Luíza desconversou, com um sorriso nostálgico no rosto, pegando sua calça, blusa e casaco, e os vestindo por cima do collant.

— Sério? — Teresa perguntou, franzindo o cenho, a forma como tudo se encaixava, de repente, começou a lhe parecer estranha.

— Não faça essa cara, eu não inventei essa história toda, fui eu quem dei a ideia pro comitê da Tulipas. A Arena Cultural Carioca é muito requisitada hoje em dia, sabia? Mas eu tenho uma amizade antiga com o pessoal da administração — Luíza disse, quase ofendida, abotoando o casaco às pressas e saindo dali. Teresa foi logo atrás dela.

— Eu não tô duvidando, só achei estranho — ela disse — Mas vai ser interessante, ver o lugar onde você cresceu.

— Essa não é a parte mais estranha, Teresa, não chega nem perto — Luíza disse, mais uma vez, com aquele sorriso de quem fala com uma criança ingênua — Estranho é o fato de o evento cultural acontecer, provavelmente, na mesma semana que um outro evento, que vai acontecer na praia do perigoso.

— Vai acontecer um evento por lá? Eu achei que a praia fosse deserta — Teresa disse.

— Hoje em dia, nem sempre — Luíza respondeu, trancando a porta, assim que elas saíram da academia.

— Você quer, por favor, terminar a história? Me explica que merda é essa, eu tô ficando aflita! — Teresa pediu pela segunda vez, sabendo que, se tivesse que esperar até o dia seguinte para saber o desfecho, ela provavelmente ficaria louca.

— Teresa, querida, nem toda lembrança é fácil de ser expressada em palavras, tem coisas que eu preciso de tempo, entendeu? Tempo — Luíza disse em resposta, mas sua voz assumiu um tom frágil novamente, como quando contava sobre as injustiças que sofrera em sua juventude; ela ficou em silêncio por um tempo...

— Luíza...

— Hoje em dia eu vejo que, naquela época, tudo que eu queria, era que alguém me amasse — Luíza disse, antes de dar as costas para ela e caminhar para o carro, mas Teresa, movida por uma força que desconhecia, avançou, pisando com sua prótese e segurando firmemente no antebraço de Luíza.

— Luíza — Teresa disse novamente, também com a voz trêmula — Você é amada... H-hoje em dia, você é amada — ela emendou, e suas duas lágrimas pertinentes encontraram o caminho, escorrendo pelo rosto, uma delas passou por dentro da cicatriz, como um rio correndo em uma cordilheira. Luíza a olhou, e sorriu genuinamente, com os olhos marejados.

— Obrigada, querida — ela disse, ponto a sua outra mão sobre a de Teresa — Isso significa muito pra mim.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!