Na manhã seguinte, meu chefe me chamou em seu escritório. Um chofer veio me buscar, em um carro simples, para não chamar atenção. Eu também me vestia de forma simples, prezando sempre pelo básico preto, das minhas botas até minha blusa de mangas compridas. Eu gostava desse tipo de vestimenta, porque me permitia guardar objetos pontudos embaixo das mangas. Bem, você nunca sabe.
O chofer me levou até um edifício comercial, algo parecido como uma empresa de comunicação de Nova York. Era apenas uma fachada. Mas por trás da fachada brilhante, residia uma teia de corrupção e crime, um centro de operações para os obscuros negócios da elite criminosa da cidade.
Ao adentrar o edifício, eu não sentia a tensão que a maioria sentiria. Eu era uma assassina, acostumada com esse tipo de ambiente. O ar impregnado com o peso do segredo e da ilegalidade era familiar para mim. Caminhando pelos corredores, os olhares desconfiados dos guarda-costas e capangas não me intimidavam. Eu sabia como lidar com eles, se necessário.
Chegando ao escritório do meu chefe, não havia atmosfera de tensão para mim. Sentei-me em uma cadeira confortável, enquanto ele me encarava com seus olhos frios e calculistas.
— Fiquei imensamente orgulhoso quando soube que você desempenhou tão bem sua missão, Samira — ele declarou, sua voz carregada de satisfação. — Nunca imaginei que você fosse capaz de colocar os laços da família de lado e cobrar seu próprio pai em nome da minha honra.
Enquanto ele falava, uma sensação de desdém percorria meu interior. "Não tive escolha", pensei. "Era isso ou enfrentar sua ira mortal. Estou presa a você desde o momento em que aceitei esse trabalho, e só a morte pode encerrar nosso acordo." Limpei a garganta, preparando-me para responder.
— Sim, Alex pode ser excessivamente ganancioso às vezes. Agradeço por poupar a vida dele. Muitos não hesitariam em executá-lo.
O homem à minha frente já era grisalho, com rugas marcando seu rosto cansado, e seus olhos azuis intensos contrastavam com a palidez de sua pele. Seu olhar penetrante parecia sondar minha alma enquanto aguardava minha resposta.
— Compreendo sua situação, Samira. E, devo admitir, sua lealdade e eficácia são admiráveis. Você se tornou uma peça valiosa em nosso jogo, uma peça que não podemos nos dar ao luxo de perder. No entanto, como você bem sabe, o mundo dos negócios obscuros é implacável e exige sacrifícios.
Ele pausou por um momento, observando minha reação com sua expressão inescrutável.
Ele pausou por um momento, observando minha reação com sua expressão inescrutável.
— Preciso ainda mais da sua ajuda nesse momento. Já percebi sua lealdade e te selecionei para uma missão única, a missão da sua vida. Você pode até ficar livre de mim quando tiver êxito, pois o dinheiro que vou te pagar excede qualquer contrato.
Senti um calafrio percorrer minha espinha. Tinha esperança de algum descanso, mas agora, tudo parecia incerto. Engoli em seco, tentando esconder minha apreensão.
O chefe continuou, sua voz séria e determinada:
— O inimigo que enfrentamos está empatando nossos negócios. Gostaria muito de simplesmente mandá-lo matar, mas não posso arriscar. Ele é alguém muito grande, tem um domínio muito grande nos negócios. No entanto, descobri algo que pode ser nossa vantagem. Meu espião descobriu que ele tem um filho, um ponto fraco que podemos explorar.
Ele se inclinou para frente, seus olhos azuis brilhando com malícia.
— Quero que você faça o trabalho completo, Samira. Não estou falando apenas de matar. Quero que você destrua completamente esse rapaz, ao ponto de ele desistir da vida. Use o que quiser: sua inteligência, seu corpo, sua lábia. Qualquer coisa, desde que o deixe completamente destruído. E no momento certo, quando ele estiver implorando pela morte, você golpeará. E então, mandará seu coração em uma caixa para o meu inimigo.
Meu estômago revirou-se com a crueldade da missão. Era mais do que eu esperava, mais do que eu estava disposta a fazer. Mas, diante do olhar determinado do meu chefe, sabia que não podia recusar. Estava presa a ele, até o fim.
Assenti, forçando um semblante controlado, enquanto tentava conter a revolta que borbulhava dentro de mim.
— Entendido, senhor. Mas gostaria de mais detalhes sobre esse rapaz... — minha voz saiu firme, apesar da inquietação que eu mal conseguia disfarçar. — Qual é o nome dele? O que ele faz da vida?
Meu chefe inclinou a cabeça, satisfeito com minha iniciativa em buscar mais informações.
— Ivan Rodríguez— ele respondeu, os lábios curvando-se em um sorriso cruel. — Ele é um peão no jogo do pai, um jovem ingênuo que acredita que sua empresa de jogos é o resultado de seu próprio talento. O que ele não sabe é que o principal investidor por trás dessa empresa é seu próprio pai, usando o dinheiro lavado para impulsionar o filho. Ah, e Ivan também está noivo. Deve ser casar daqui há alguns meses.
Engoli em seco, processando as revelações chocantes. Ivan, um jovem de 25 anos, estava noivo e completamente alheio às verdadeiras origens de sua empresa.
— E sua noiva? — perguntei, querendo entender melhor o cenário em que estava prestes a mergulhar.
— A noiva dele é apenas mais uma peça no jogo, uma fraqueza que podemos explorar se necessário. Mas nossa prioridade é Ivan. Ele é o alvo principal. Faça-o sofrer, Samira. Faça-o implorar pela morte.
Um frio percorreu minha espinha enquanto eu absorvia as ordens do meu chefe. A missão estava definida, e eu sabia que não haveria volta.
— Bem, já pensamos em como te inserir no meio dos Rodríguez, meu espião, James Stone, está inserido lá. Na hora certa, você irá até ele. O resto, Samira, ficará com você. Confio em sua habilidade para criar uma situação favorável.
Meu chefe esfregou as mãos com animosidade, um sorriso malicioso brincando em seus lábios.
— Estamos prestes a dar um grande golpe, Samira. E você será a peça-chave para o nosso sucesso. Não me decepcione.
O peso da missão pesava sobre meus ombros enquanto eu processava as palavras do meu chefe. Eu não tinha alternativa, a não ser aceitar. Eu traria inferno à vida de uma pessoa inocente, e no seu último suspiro, arrancaria seu coração. Era diferente do que já tinha sido paga para fazer, normalmente matar gente que realmente merecia morrer.
Mas agora era diferente. Eu deveria fazer Ivan Rodríguez sofrer e se arrepender de ter nascido. Ele iria pagar por um preço que não era seu. Aceitar essa tarefa significava mergulhar em um abismo de moralidade questionável, onde o certo e o errado se misturavam em uma dança macabra. Mas eu não tinha escolha. Era uma ferramenta nas mãos do meu chefe, uma arma afiada pronta para ser empunhada contra um alvo indefeso.
— Não se preocupe, chefe. Eu farei o que for preciso para garantir o sucesso dessa operação — respondi com determinação, embora uma parte de mim se sentisse revoltada com o papel que estava prestes a desempenhar.
Cada passo que eu dava nessa jornada me afastava um pouco mais da minha própria humanidade. Mas eu estava comprometida com o trabalho, e não havia espaço para hesitação. Ivan Rodríguez pagaria o preço pelos pecados do pai, mesmo que isso significasse queimar minha própria alma no processo.
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Atualizado até capítulo 35
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