capítulo 19 - ARCO I

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 Quando viu Nash defendendo-o, Elay sentiu como se depois de um longo tempo sufocando no fundo de um rio gelado, uma lufada de ar fora jogada em seus pulmões, fazendo-o engasgar e ansiar por aquele mísero resquício de esperança.

Nash estava bem à frente dele, ele olhou para as costas altas do garoto, antes de segurá-lo com firmeza, com medo de que Nash se arrependesse de defendê-lo e partir, acreditando que as palavras daquelas pessoas estivessem corretas.

Ele nunca perdeu tempo se explicando muito, talvez no passado, mas as pessoas nunca acreditavam nele e falar apenas tornaria tudo mais difícil. No entanto, ele não queria que Nash pensasse que ele tinha feito aquilo.

Mas ele nem precisou... Ele não disse nada, mas Nash acreditou nele sem hesitação, sem a menor dúvida de sua certeza.

Ele enfiou o rosto contra as costas de Nash, abraçando-o enquanto sentia o casaco do outro lentamente diminuir o frio penetrante que o assolava. No entanto, depois de um tempo, ele sentiu todo seu corpo ficar anormalmente quente, quando deu por si, quase caiu.

Entretanto, ele sentiu uma mão firme segurá-lo. Era Nash.

— Ele está com febre...

Quando Elay acordou novamente, estava mais uma vez em um local diferente. Era um quarto de hospital, alguma medicação intravenosa lentamente deslizava pela agulha até seu braço, dando a ele uma sensação de entorpecimento.

Era como se sua alma estivesse lentamente voltando para o corpo, seus olhos girando pela sala em estado de confusão. Quando finalmente voltou a si, notou que seu corpo estava limpo e usava uma bata de hospital, com todos os seus ferimentos tratados.

Como se lembrasse de algo, Elay ficou alerta. Ele se sentou com certa rapidez, fazendo com que uma dor cortante anteriormente adormecida voltasse a latejar em seu corpo flácido. Depois de olhar rapidamente ao redor, não encontrou o rosto familiar que procurava, mas sim o de um policial.

Era o policial alto.

— Você veio me prender? - ele perguntou, toda sua expressão coberta de suspeita.

O policial fez uma autocrítica interiormente. Depois de tanto tempo lidando com jovens infratores, ele acabou generalizando mesmo os casos suspeitos, dando ao garoto inocente um tratamento injusto.

— Você não fez nada, então por que eu deveria prendê-lo? Além disso, você pode me chamar de Eduard.

— Você disse para me levarem...

— Eu falo muitas besteiras - o homem deu um sorriso.

Elay olhou para o sorriso do homem com apatia. Para o homem, esse era apenas um lapso, um deslize de atitude. Mas para ele, poderia custar a continuação de uma vida inteira de miséria sem fim.

Elay franziu a testa, como se lembrasse de algo profundamente desagradável. O policial Eduard viu os cílios do garoto tremerem antes do menino perguntar.

— E quanto a... Edwin? - disse ele, levando levemente os dedos ao rosto antes de se afastar rapidamente. Estava inchado e dolorido.

O olhar do policial tornou-se um pouco pesado, dizendo uma voz leve.

— Ele foi preso. Não se preocupe, você não o verá pelas ruas tão cedo, garoto.

Elay acenou a cabeça.

— Não posso ficar aqui, as irmãs não podem cuidar da minha mãe o tempo inteiro - ele murmurou, tentando se mover da cama enquanto seu rosto se enrrugava de dor.

— Fique quieto, se você sair, eu não terei pago as contas desse hospital em vão? Não se apresse, aquele garoto em breve virá vê-lo. Se ele notar que partiu, ficará decepcionado.

O menino pausou seus movimentos, olhando para ele com seus grandes olhos escuros.

— Você pagou?

— Se não, acha que o hospital o aceitaria de graça? - o homem riu, se aproximando e tentando bagunçar o cabelo preto encaracolado de Elay. No entanto, vendo seu couro cabeludo ferido, ele desistiu.

— Obrigada... - o menino baixou os olhos e disse em voz baixa. No entanto, seu corpo ainda estava tenso.

— Se você quer me agradecer, então apenas descanse. Tome a medicação como um bom garoto e espere que eu venha vê-lo novamente. - ele pegou o chapéu que havia deixado descansando em uma mesinha no canto da sala. — Não fuja, e não se preocupe com sua mãe. Mandarei alguém para saber como ela está e cuidar dela, apenas trate de melhorar, certo? - ele disse, dando a Elay um sorriso leve e um olhar indagador.

O menino apenas deitou-se novamente contra a cama, obviamente menos tenso que antes. Ouvindo as palavras do policial, ele apenas acenou a cabeça.

Quanto a Nash, ele estava de frente com um rosto que sabia que teria que ver novamente mais cedo ou mais tarde.

Era Pietan.

Depois de deixar Elay no hospital com o policial, ele não se preocupou muito. O herói era o herói, mesmo que caísse de um prédio de vinte andares, ele não ficaria preocupado, é possível que o próprio mundo empurrasse alguma pessoa insignificante para amortecer sua queda.

Sendo assim, ele voltou para casa. Depois de tomar um longo banho, desejando profundamente que a água quente que saia do chuveiro penetrasse em seus ossos e permanecesse com ele em seu estado agradável, ele voltou ao seu assunto principal.

As ações que ele havia investido exibia um crescimento consistente, superando o índice de referência do mercado. Claro, tudo isso aconteceu em suas vidas passadas, e ele sabia exatamente em qual mina de ouro deveria colocar seus pés.

Essa manhã, o saldo em sua conta havia ultrapassado os um milhão e meio... Nash esfregou os lábios, lentamente dando uma risada vagorosa enquanto observava as linhas na tela que avançavam como loucas nos gráficos de investimento.

De repente, uma ligação soou. Depois de ouvir o conteúdo do outro lado, Nash se jogou no sofá se sentindo ainda mais satisfeito.

5 mil... Apenas cinco mil libras foram suficientes para Norma, a cafetina do pavilhão vermelho, deixasse que ele levasse a mãe e o filho.

Não era patético? Nash riu, pensando em como tal notícia seria recebida pelo Elay adulto do passado... Se ele soubesse que a vida dele e de sua mãe valiam apenas cinco mil, que eles viveram presos e mantidos como animais por anos, precisando de apenas cinco mil para se libertar de seus grilhões...

Ele não entraria em colapso?

Nash fechou os lábios, tentando imaginar essa cena diversas vezes em sua mente...

Quando estava no ápice da tragédia, ele ouviu sua porta sendo batida. Depois de quinze segundos fingindo que não estava em casa, na espera que o visitante incomodo partisse, uma voz soou.

— Sr. White, seu carro está estacionado aqui fora. Sei que está em casa.

— Porra... - Nash amaldiçoou, se levantando do sofá e abrindo a porta. No entanto, seu olhar mudou de insatisfação para uma expressão séria, dando um ar de distância.

Pietan franziu a testa.

— O que você quer? - Nash perguntou primeiro.

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