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Ele não havia saído à noite apenas para evitar Charles, no final, ele ainda tinha que tratar de seu assunto principal.
Elay.
O menino tinha apenas dez anos e trabalhava mais que qualquer garoto da sua idade poderia suportar. Fosse lavar pratos, limpar lugares, lavar roupas, engraxar sapatos ou servir mesas, ele estava disposto. Economizando cada centavo para comprar analgésicos e comida para Allana, a ponto que ele mesmo tivesse que usar os restos dos outros como alimento.
Nesse momento, Elay deveria estar saindo do trabalho em uma lanchonete. Contratar crianças pequenas não era algo legal a se fazer na lei, no entanto, esse ponto não se aplicaria aos subúrbios, pelo menos não em Jaywick.
(Vila litorânea de Jaywick, localizada no distrito de Tendring de Essex, na Inglaterra.)
Durante a madrugada, a Broadway, principal avenida da cidade, estava levemente animada, mas Elay com certeza não sentia o mesmo.
Quanta desgraça o herói tinha que suportar na infância até se tornar o pilar oponente do mundo? A maioria das pessoas só sabem da sua vitória, mas e seu fracasso?
Alguém sequer pensou nisso? Tentou imaginar todo o sofrimento e peso que o fizeram chegar tão longe? Nash se recostou contra uma parede a distância, observando mais uma das lembranças desagradáveis que o herói teria no futuro.
Um homem alcoolizado se levantou de repente, bem a tempo de esbarrar em Elay, que levava uma bandeja de bebidas. Uma grande quantidade de cerveja caiu nas roupas do homem, que empurrou Elay contra o chão.
O menino mal teve tempo de voltar aos sentidos após bater a cabeça contra o pilar de pedra, e começar a ser espancado pelo homem. O pequeno herói era a única criança nesse bar aberto até depois das duas da madrugada, no entanto, ninguém foi a seu socorro, até mesmo o ignorando.
O sangue no canto da cabeça graças a ferida que ganhou ao cair começou a escorrer, mas os chutes e socos do homem bêbado não diminuíram nem um pouco a dor que aumentava gradualmente.
Uma mulher de vinte poucos anos se aproximou, puxando o braço do homem.
— Deixe esse moleque, se você for preso novamente, meu pai terá que pagar sua fiança de novo? não sonhe!
— Cai fora, vadia! Não viu o que esse pirralho fez - ele gritou com a voz embargada, desequilibrado como um rato bêbado — Está fazendo 10⁰ C esta noite, ele terá que compensar a jaqueta que estragou, como vou voltar para casa assim!?
A mulher revirou os olhos.
— Para que aquele maldito carro que meu pai te deu serve? Apenas entre nele e volte para casa, se você quer compensação, apenas chame o chefe e peça para que ele desconte do salário do pirralho.
Vendo a trama se desenrolar, Nash gostaria de estar com um grande saco de pipocas ali mesmo, observando com máxima atenção a próxima cena.
— Não! - Elay finalmente gritou, seu pequeno corpo encolhido lentamente se desenrolando. Ele tinha um grande olho roxo e inchado, com algumas feridas no rosto e no canto da boca. Adicione isso ao tempo que ele não comia, toda essa situação fez com que ele enxergasse apenas figuras borradas. Ele estava a ponto de desmaiar, mas não permitia que levassem seu dinheiro assim, tão injustamente.
Ele trabalhou tanto, o chefe o fez ficar uma semana de graça antes de aceitá-lo de verdade, e ele ainda nem havia recebido o primeiro pagamento, que comparado aos funcionários adultos não chegava a 30% do que ganhavam. Ele não permitia... Sua mãe estava esperando por ele em casa, o remédio havia acabado há dias, sem ele, o que ela faria?
Não... Ele não permitia.
— Qualquer coisa - Elay teve uma crise de tosse. Na verdade, a maior parte da bebida havia caído nele, e sua jaqueta era tão fina que mal se comparava a jaqueta felpuda do homem, que havia molhado apenas por fora. — Isso não, eu preciso do dinheiro...
O homem bêbado sorriu.
— Qualquer coisa?
— Qualquer coisa.
— Então venha comigo.
— Seu! - a mulher gritou — Eu estou cansada de você, Thomas! já não basta me trair com aquele garotinho, filho de sua vizinha, e agora mais esse? Eu não deveria simplesmente te matar!? - a maquiagem da mulher estava borrada, e ela provavelmente também estava um pouco bêbada.
— E você... - ela se aproximou de Elay, olhando de um lado para o outro antes de pegar uma garrafa cheia de bebida — Seu pequeno prostituto, seduzindo o homem dos outros. Por que você não vai vender esse seu corpo sujo em algum maldito beco por aí, heim!?
Ela despejou a garrafa inteira no corpo já trêmulo de Elay, antes de puxar sua bolsa e sair, seus saltos altos fazendo estalos no chão. Alguns clientes apenas observavam o show, quando viram o homem bêbado desistir do garoto e correr atrás da mulher pedindo desculpas, eles esqueceram do garoto e voltaram a beber.
O chefe logo saiu, um homem baixo e barrigudo usando avental. Vendo Elay no desmaiado no chão, ele praguejou, mandando outros funcionários "tirarem o lixo" da frente de seu estabelecimento e jogarem as coisas de Elay junto com ele. Basicamente, ele estava demitido, trabalhando duas semanas em um local que pagava o trabalho diário, o herói não tinha recebido um único centavo.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
🌟OüTıß🌟
aí meu Deus! q bom q deixaram ele sair...
2024-06-15
0
otaku fedido demais 2.0
a que ódio /Angry/
2024-02-07
5